segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O PROFETISMO NO ANTIGO TESTAMENTO

O fenômeno profético



            Durante muito tempo, tem-nos sido apresentada uma visão dos profetas a partir da sociedade européia com preocupações bem diferente da nossa.

Queremos, porém, fazer uma leitura da experiência profética que nos ajude a aprofundar nossa solidariedade com os excluídos.



            Sempre que lemos um texto, nós o fazemos dentro de certos condicionamentos que, muitas vezes atrapalham uma postura crítica face à realidade.



            Eis alguns condicionamentos que tem marcado nossa leitura da realidade e do texto bíblico:



a) Intelectualismo:



            Nossa cultura ocidental privilegiou a razão. Por isso, estamos inclinados a considerar de menor valor a emoção, a paixão, a matéria, a história, enfim, tudo o que tem a ver com o corpo. Os conceitos das coisas interessam mais do que elas próprias. Valoriza-se mais a ortodoxia que a ortopráxis. Por isso, muitas vezes lê-se a Bíblia como um catálogo de doutrinas.

            Contudo, o termo hebraico ‘dabar’ é empregado para designar “palavra” e “acontecimento”. O ideal do homem bíblico não é a contemplação das idéias, mas a ação, o trabalho para transformar o mundo, a exemplo da Palavra de Deus que se faz (Gn 1; Jô 1,14). A pessoa humana é chamada a agir no mundo que não é ainda um ‘cosmo’. A Bíblia é o testemunho de uma experiência histórica coletiva de construção de um povo que, sem estar condenado a uma visão entre contemplantes e trabalhadores, todos são chamados a construir um povo solidário.



b) Individualismo:



            o racionalismo desliga a pessoa dos laços materiais que unem os seres humanos entre si e com o mundo, encerrando-a no individualismo. No entanto, a pessoa é um ser relacionado e se constrói a partir da relação.

            Uma leitura individualista da Bíblia procura nela orientações para a vida intima do individuo e para sua conduta “moral”. Afirma, desse modo, que a Palavra de Deus não interpela o grupo social como tal. Todavia, sabemos que a Bíblia é um livro feito em mutirão por um povo.

            Quando se diz que missão da Igreja é exclusivamente religiosa e, portanto, não deve interferir na política, na economia, está se afirmando a existência de um campo neutro que escapa ao julgamento de Deus (idolatria). E isso os profetas combateram violentamente.



c) Espiritualismo:

            Os gregos pensavam que o espírito é o homem liberto de seus vínculos materiais. Contudo, são precisamente esses laços materiais que ligam os homens entre si. Às vezes, ouve-se dizer que a Igreja está se esquecendo das realidades “espirituais            , quando ela se preocupa com a situação sócio econômica do povo. Esta critica comumente provém dos bem situados no sistema social. Os opositores querem uma Igreja cuidando apenas dos indivíduos (Almas, realidades espirituais) sem se ocupar com questões estruturais.



            Ler a Bíblia de maneira “espiritualista” significa entender a preocupação do AT com a vida humana, com a construção do povo de Deus apenas como símbolo da “vida espiritual e religiosa” do NT. Faz-se uma leitura “espiritualizada” de conceitos como salvação, pecado, inimigo, pobreza, opressão etc. esse tipo de leitura intimista e alienante está bem ao gosto da classe burguesa.



d) Idealismo:

           

            Manifesta-se, sobretudo, na concepção de contemplação como fuga da realidade para encontrar Deus para além da realidade passageira deste mundo. Contudo, o Deus da Bíblia deve ser buscado dentro da Realidade, como raiz e fonte de nossa existência. A única fuga permitida é para adiante, na superação do “mundo velho”  (o Deus do Futuro).



e) Capitalismo:



            a tal ponto estamos impregnados pelo sistema e ideologia capitalistas que poucos são os que tem coragem de afirmar que a propriedade social dos maiôs de produção é o caminho mais próximo das exigências bíblicas de construir uma sociedade comunitária.



f) Religião:



            também a pertença a uma religião nos condiciona. Mas a Bíblia ultrapassa o horizonte de qualquer religião particular. Iahweh não é judeu, como Jesus não é monopólio dos cristãos e muito menos dos católicos.





            Nossa leitura bíblica atual e também o estudo dos profetas, faremos a partir de determinada opção: opção pelos pobres, e, portanto, seremos tidos como “parciais”. Porém, para chegarmos a uma interpretação mais legítima, é importante nos situarmos num lugar que corresponda, de melhor modo, àquele em que se deu a experiência da qual se originou o texto, para chegar a conhecê-lo por co-naturalidade. Por isso, ler um texto é compromisso, implica uma pratica, é atitude militante.



            Esses condicionamentos levaram a uma violenta redução do conceito de profeta. Até algum tempo atrás, o profeta era entendido como “anunciador do futuro” e, especialmente, da vinda do Messias, do Salvador, e este último termo entendido basicamente de modo religioso e espiritualista.



O profetismo extra - bíblico.



            As origens do profetismo nos são totalmente desconhecidas. No Antigo Israel não existiam apenas profetas isolados, mas algo parecido como uma instituição profética (1Sm 10,5; 19,20-24; 22,10s).



            Formas semelhantes ao profetismo bíblico existiam nos povos vizinhos de Israel, e a Bíblia não esconde este fato. Junto aos representantes da antiga aerte de adivinhação e magia, Jeremias cita os profetas, empregando a mesma palavra “Nabi” usada para designar também os profetas de Israel (Jr 14,14). No livro dos Reis, a palavra “nabi” é utilizada para designar também os profetas de Baal (1Rs 18 – 19). São grandes grupos do “êxtase” e do entusiasmo. Em Números, Balaão, um estrangeiro, é descrito como profeta e vidente (Nm 23 – 24) e reconhecido pelos israelitas.



            Hoje, graças às descobertas, temos informações extra bíblicas sobre predições e técnicas de oráculo egípcio e mesopatâmico. Num documento literário egípcio, “Viagem de Wen – Amon” (1.100 a.C) onde se narra a viagem do sacerdote Wen – Amon à Fenícia enviado para contratar o fornecimento de madeira para a construção de um templo, é dito que, após o fracasso das negociações, numa noite, um rapazinho é “arrebatado” pela divindade e fica possuído de uma “Exaltação frenética. Nesse estado, sem que o desejasse e sem ser interrogado, transmite ao rei uma mensagem de Deus. E grita, referindo-se ao ídolo do deus que o sacerdote egípcio traz consigo no navio: “Pega o ídolo! Pega o mensageiro que está com ele! Foi Amon que o enviou, ele mesmo o trouxe!” Deste modo, as negociações são retomadas.

            Aparecem nesse relato diversos elementos comuns com o mais antigo profetismo de Israel: a exaltação profética, o anúncio de uma mensagem divina ao próprio rei; o garoto “Tomado” pela divindade não é um profissional adivinho.



            Também entre as cartas encontradas em Mari, que datam de cerca de 1.700 a.C, aparece fenômeno semelhante: um governador conta que um homem se dirigiu a ele dizendo ter recebido uma mensagem do deus para o rei, e pediu se o governador podia transmiti-la. Mesmo aqui, a proclamação desse gênero de mensagens divinas era totalmente independente da profissão, idade, sexo e condição social. Embora o conteúdo das mensagens pareça banal (ex.: construir uma porta na cidade) em comparação com a pregação dos profetas de Israel, aos pedidos concretos se juntam ameaças ou promessas de bênçãos. A promessa de bênção pode ser expressa na forma de um oráculo de desgraça dirigido aos inimigos do rei. Assim, cerca de meio milênio antes de Moisés, houve pessoas em Mari que se comportavam de maneira semelhante aos profetas de Israel que, sem serem requisitados, dirigem-se ao rei e lhe apresentam uma mensagem da divindade (cf. ANET 623 – 625). Testos do antigo oriente próximo (Anciem Near East text)



            O único Deus que falou aos profetas de Israel, já começou a falar de longa data a outros povos. (1Sm 9,9). Em muitos textos do Antigo Oriente podemos encontrar a mesma preocupação com a justiça e o direito dos fracos. Antes de Moisés e dos profetas houve pessoas profundamente interessadas por essa questão. Pouca coisa nova trazem os profetas quanto ao conteúdo. O mais importante é seu compromisso pessoal, que converte as bonitas palavras em denuncias capazes de custar-lhes a vida.

            Que se possa realmente ouvir a Deus, que Ele envie mensagens através de determinadas pessoas e dos acontecimentos continua sendo sempre um ato de fé.



O profetismo em Israel  (começa com Amós)



            Os profetas escritores, embora estivessem conscientes de terem sido chamados pelo Senhor isoladamente, seguiam todos a linha de uma tradição profética. Exerceram sua atividade principalmente através da pregação oral. Em geral, foram os discípulos que recolheram em livro os discursos do mestre.



            Traços do antigo profetismo oral em Israel são encontrados nos livros de Samuel e dos Reis. Esse profetismo mais antigo apresenta um quadro muito variado. Além da palavra “nabi”, que caracteriza, sobretudo a tradição efraimita (os profetas do norte) e que significa “profeta”, usam-se também, para designar este grupo de homens, outras palavras hebraicas que podem ser traduzidas por “vidente” e “homem de Deus” (1Sm 9,9).

            Mas o termo “nabi” é empregado para pessoas de características bem diferentes:



a) os extáticos



            No fim do período dos juizes e inicio da monarquia, havia em Israel indivíduos que entravam habitualmente em êxtase e eram chamados “profetas”. O povo dizia que o “espírito de Deus” se apossava deles (1 Sm 19, 18-24; 10, 10-12). O canto, a música e a dança levavam-nos ao êxtase (transe).

            Esses grupos extáticos viviam em contato com os santuários. Como chefe de um desses grupos, temos o profeta Samuel que também é chamado de “vidente” e “homem de Deus” (1 Sm 9,6.11). por isso, as pessoas recorrem a ele se, por acaso, perderam alguma coisa. E, como sabe dar informações, recebe presentes do povo. Ouve durante a noite a voz do Senhor que lhe fala. Tem ligação com a política: critica a atitude do rei (1 Sm 13; 15).



b) os profetas da corte



            no tempo de Davi aparecem Nata e Gad. Nata é conselheiro religioso de Davi. Esta estreita aproximação com o rei não o impede, contudo, de agir contra o rei com o anúncio do juízo e da desgraça. Proclama a Palavra do Senhor que recebe (2 Sm 7).



            O profetismo em Israel é certamente muito mais antigo. O próprio Moisés é descrito em traços proféticos, razão para se dizer que havia formas primitivas anunciadoras do profetismo posterior de Israel.



Características do profetismo israelita



            Para compreender bem a especificidade do profetismo bíblico, sua função dentro do povo de Deus e sua diferença em relação ao profetismo pré bíblico, devemos situá-lo em conexão com a Aliança.



            Desde os primórdios, a fé e religião de Israel aparece marcada pela Aliança. E os profetas são em Israel os guias espirituais, suscitados pelo “Espírito” de Deus em favor do povo da Aliança. Portanto, a Aliança é o pressuposto básico para se entender a missão dos profetas.



            Israel afirmava que, quando Iahweh o tirou do Egito e antes de o introduzir na terra, fez com ele um pacto no Sinai. O conteúdo essencial desta Aliança foi mais tarde resumido na única frase: “Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo”. Desse modo, como obrigação contratual, Israel não poderia ter outros deuses. As demais leis do AT eram explicitações ou imposições decorrentes deste mandamento. Nas celebrações da Aliança, o povo jurava fidelidade a esse pacto de Deus e eram invocadas bênçãos e maldiçoes sobre o povo.



            Esse pacto entre Deus e Israel foi instituído sobre o modelo dos contratos políticos de um grande soberano e um povo vassalo. Quando um soberano do antigo Oriente recebia a notícia de que seu vassalo não estava mais respeitando suas obrigações contratuais, mandava um mensageiro real para lembrar-lhe o contrato. Se a missão falhasse, podia ocorrer outra em que se chamava a atenção para as maldiçoes evocadas no contrato. Alem disso, podia ser enviado um embaixador com um ultimato e, finalmente, se também essa missão falhasse, vinha a declaração de guerra.



            Os  embaixadores levavam consigo suas mensagens escritas, que deveriam ser proclamadas oralmente. E a proclamação começava com a fórmula da mensagem: “Assim fala o grande rei...”

            Os profetas agiam, pois, no plano religioso, do mesmo modo que os mensageiros, no plano profano. Geralmente, dirigiam-se, em primeiro lugar, ao rei e, se não ouvidos, aos sacerdotes e ao povo. E introduziam o anuncio com a fórmula: “Assim fala Iaweh”. Eram, pois, mediadores, pessoas escolhidas carismaticamente por Deus para introduzir as prescrições concretas de Deus a seu povo nas situações concretas. Eles mesmos afirmam que a Palavra de Deus lhes foi dirigida (Am 7,14ss) para reconduzir o povo à fidelidade às cláusulas da Aliança que defendem a organização igualitária da sociedade. Por isso, o profeta surge como:



a) homem da crise:

            Os profetas de Israel se situam no centro da crise. São pessoas que tem a coragem de não iludir nem se desviar pelo caminho da mentira, que é o caminho dos ídolos. São vistos como perigosos, indesejáveis, “sinais de contradição”, anunciadores da calamidade (1 Rs 22, 1-28; 18, 16-18).



            Os grandes profetas israelitas surgiram em períodos de grande crise da Nação: queda da Samaria, destruição de Jerusalém, exílio e dominação estrangeira no pós exílio.



b) Comprometido politicamente:

            O acento mais forte da missão profética é de caráter político: o horizonte das lutas pela construção do Povo. É a questão do Poder que está no centro mesmo desta construção. Este seu compromisso político decorre de sua fé no Deus libertador e das exigências da aliança. É por isso que a vida dos profetas está marcada pelo conflito com o poder estabelecido dos reis e sacerdotes.



c) Defensor do direito dos pobres:

            A interferência do profeta na política ocorre como defesa do direito dos pobres, a exemplo de Iahweh (Dt 10, 16-19).

            O profeta tem uma consciência profunda da indissolúvel aliança da causa de Deus com a causa dos necessitados. O Deus experimentado pelos profetas é o Deus da história, que, através dos acontecimentos se revela Redentor (Is 41, 14), isto é, libertador e vingador dos oprimidos e necessitados. Para os profetas é uma coisa só pensar em Iahweh e pensar na causa dos pobres. É por eles que Iahweh se define (Dt 5,6). A libertação do povo é sinal do reconhecimento de Iahweh (Is 49,23; Os 6,6).



d) Guardião do projeto igualitário:

            O tema do “deserto” está intimamente ligado ao ideal nômade mantido sempre vivo em Israel pelos profetas, levitas, nazireus, recabitas etc. Sob o ideal nômade levantava-se uma contestação ao modelo de civilização agrário comercial dos fenícios e cananeus. Esta sociedade, organizada em cidades e baseada na propriedade privada da terra, era fortemente marcada pelas desigualdades e opressão. Totalmente outro era o ideal da Aliança: sociedade de homens libertos, sem hierarquias nem privilégios.





GENEROS LITERÁRIOS NOS ESCRITOS PROFÉTICOS



            Gêneros literários são diferentes formas de expressar a realidade literariamente. Conforme a situação e o objetivo que temos em mente, expressamos a realidade num gênero diverso.

            Na pregação profética há três grandes grupos de gêneros literários: os oráculos proféticos, os relatos proféticos e modos de falar copiados de outros campos.

            O oráculo é a forma mais primitiva da palavra profética. Originalmente era recebido num santuário por meio de um profeta cultual, como resposta a uma pergunta feita à divindade. Este tipo de oráculo pode ser encontrado em vários salmos. Sl 20,7ss; 60,8ss; 85,9ss.

            A passagem do oráculo primitivo para o oráculo profético se dá quando ele é comunicado sem que tenha havido uma consulta. Assim podemos ver exemplo em 2Rs 20,1-4.



            O oráculo profético: tem por objetivo a comunicação da vontade de Deus percebida no presente em função do futuro que deve surgir como decorrência de um posicionamento existencial do homem. Por isso, o essencial do oráculo profético não é predizer acontecimentos de um futuro próximo (ainda que este componente freqüentemente apareça). O importante é que as coisas anunciadas estão para acontecer e que o profeta tenha tempo de chamar a atenção de seus ouvintes para fatos ocorridos a fim de tirarem uma conclusão para o presente. Se o profeta fala do futuro é para determinar e criar o presente.



            O oráculo profético geralmente inicia com a expressão “assim disse Iahweh”. Anuncia sempre um futuro próximo em termos de salvação ou desgraça, a partir da situação presente, oferecendo a possibilidade ao interessado de assegurar para si a salvação e evitar a desgraça, desde agora, pela mudança de comportamento. O profeta pode também exercer a função de intercessor junto a Iahweh.



a)      Oráculo de julgamento: apresenta-se na forma de uma ameaça que anuncia uma desgraça por causa do pecado dos homens. É a forma predominante na pregação dos grandes profetas individuais e Jeremias o considera como um dos critérios de veracidade da mensagem profética (Jr 28,8s). aparece sob três formas: como simples ameaça; como ameaça acompanhada de justificativa; como ameaça e censura (Am 7,16s; Is 3,25-4,1 – Am 1,3ss; Is 8,5-7; - Am 3,9-11; Is 5,8-11).

Quanto aos destinatários, os oráculos de julgamento apresentam-se também sob três tipos: contra indivíduos (Am 7,16ss; Jr 28,15s), contra o próprio povo e contra as outras nações.

      A ameaça contra o individuo supõe uma situação para o povo, do qual ele é excluído por causa de seus pecados.

      A ameaça contra o próprio povo que tem inicio com Amós, contempla o povo numa situação de desgraça e apresenta freqüentemente a justificativa, o anuncio da desgraça e a descrição das conseqüências.

      A ameaça contra as nações tem a mesma estrutura daquela dirigida contra Israel/Judá.



b) O oráculo de salvação: constitui uma promessa de salvação anunciada numa situação concreta de calamidade.

      Também os oráculos de salvação são dirigidos a indivíduos (Is 7,1-9), ao próprio povo e a outros povos. Os dois primeiros já constituíam parte da profecia de salvação. O oráculo de salvação às nações aparecerá, pela primeira vez, na profecia escatológica, cujo início ocorre pelos fins do exílio com o Dêutero – Isaias.

      As profecias (oráculos) de salvação são raras nos grandes profetas individuais. Esse tipo de oráculo encontra-se desenvolvido no Dêutero – Isaias, cujas formas contem a promessa da intervenção divina, as conseqüências desta intervenção e sua finalidade.



c) A invectiva (censura violenta) constitui outro gênero da pregação profética. Nela o profeta censura o individuo ou o povo por causa de seu pecado. (Is 1,4-9; 5,8ss; 10,5-15; Am 6,1-7).



d) As exortações e advertências fazem parte dos modos proféticos de anunciar e podem ter-se originado do oráculo. Tinham como objetivo induzir aquele que consultava o profeta a assumir um comportamento que tivesse conseqüências favoráveis para o futuro. As exortações constituem um convite a se afastar do pecado para uma nova existência de entrega a Deus (Jr 25,3-7).



2) Relatos proféticos: No conjunto dos relatos proféticos aparecem formas literárias antigas que posteriormente desapareceram:



a)      A palavra do vidente representa uma dessas antigas formas. Nela o profeta relata suas visões e audições, e o sentido das mesmas. Temos exemplo disso no relato de visão de Miquéias bem-Jemla em 1Rs22,17. a mesma forma de relato aparece em Nm 24,3s.



b)      A visão: Ao relatar a visão, o profeta descreve aquilo que sentiu (Am 8,1-3, 1,11.13). ao interpretar a visão, o profeta reveste esta interpretação com a forma de uma palavra de Iahweh. E nisso se percebe a maneira diferente de cada profeta representar, pensar e falar. Os relatos de vocação dos três grandes profetas ajudam a perceber a diferença de representação da experiência:  Is 6; Jr 1,4-10; Ez 1,1-3,15.



c)      A audição: O profeta afirma que ouviu Iahweh que lhe dizia (Is 5,9). Os relatos de audição e visão vem muito freqüentemente ligados entre si.



d)     Ações simbólicas: Alem de se exprimir verbalmente, ao transmitirem suas visões e audições, muitas vezes, os profetas empregavam ações simbólicas que tem origem numa forma mais antiga de relato de ações mágicas (ex. Ez 13,1-11).



3. Modos de falar derivados de outros campos



            os profetas aperfeiçoaram muitos gêneros literários já existentes, como os cânticos de zombaria (Nm 21, 27-30 – Is 44,12-20) e cânticos fúnebres (2 Sm 1,17-27 – Am 5,1-5).

            Do contexto da vida comum, foram assimilados o cantico de amor (Ct – Is 5,1-7), controvérsias (Jô 4 – 41 – Mq 2, 6-11) e canções de guerra (Jz 5- Is 63, 1-6).

            Do contexto da vida cultual, foram empregados o estilo hínico (Sl 103, Hab e as lamentações (Sl 69; Is 52,13-53, 12).

            Do âmbito da doutrina sapiencial, diversas formas: a parábola (2 Sm 12; Is 28,4b; Jr 18,1-11), a alegoria (Ez 17, 1-10; 19, 1-8).



Coração da aliança de Iahweh. A volta ao deserto, o ideal nômade é o julgamento dos pobres sobre a civilização (Am 5,25; Os 2,16; 12,10).



e) o que desmascara a alienação religiosa:

            para o profeta, conhecer a Iahweh é experimentá-lo na solidariedade com o outro (Os 6,6; Is 11,1-9; Jr 22,13-16). Por isso, desmascara todas as religiões idealistas e ritualistas. A profecia surge, deste modo, como combate constante contra a idolatria, que reduz o homem à condição de escravo das obras de suas próprias mãos (Is 40,18-20; 44,7-10; 46,1-13). A profecia é, pois, o oposto de uma religião em função do sistema estabelecido como legitimação ideológica das classes dominantes (Is 1,10-20; Mq 6,6-8; Jr 7,1-34; Am 5,4-5).



3. O lugar social dos Profetas



a) Desenvolvimento do sistema tributário

            A confederação das Doze Tribos aparece como um movimento de reação contra os estados tributários do Egito e Canaã. Um grupo de marginalizados, que fugira do Egito, de quem Iahweh se tornou o Deus protetor, conseguira reunir outros grupos com objetivos de sobrevivência e, através de sua liderança político – militar, teria feito passar sua religião para o conjunto, impondo assim uma coesão interna, em proporção da unidade de religião e de divindade.



            A Aliança tinha a função principal de reforçar os agrupamentos inter tribais, através de regras de fidelidade mútua.



            Do ponto de vista econômico, as várias tribos tinham a propriedade inalienável da terra. Mas a posse cabia às diferentes famílias da tribo que não tinham o direito de alienar suas terras fora da tribo. Havia também terras comunais para uso de todas as famílias. Não havia exploração do trabalho e expropriação do excedente por uma camada superior.



            No campo social, os grupos se estabeleciam em aldeias ou povoados. A formação das várias tribos se efetuou por fusão, cisão ou aliança.



            No aspecto político, a autoridade dos pais ou “anciãos” já se acha meio enfraquecida porque há nesta fase federativa, o Conselho dos príncipes escolhidos para tratar dos assuntos concernentes a um grupo de tribos, e resolvidos em reuniões presididas, ao que parece, pelo Juiz. Contudo, não havia ainda um órgão de poder político estável, permanente (Jz 17,6; 19,1).



            No campo militar, as guerras de libertação para sacudir a opressão dos povos vizinhos tem um papel importante na formação de Israel. O povo não dispunha da técnica do ferro nem de carros de combate nem possuía um exercito profissional. Esta inferioridade era compensada pelas táticas de astúcia, guerrilha e coesão interna. O que garantiu a sobrevivência foi o caráter de confederação tribal estabelecida pela “berith” = Aliança religiosa.

            Do ponto de vista religioso, as experiências histórico religiosas das tribos mais influentes (os grupos que vieram do Egito), a proximidade no solo, a referencia a um antepassado comum, tudo isso favoreceu um processo geral de assimilação religiosa na confederação dos “filhos de Israel”.



            A importância política das tribos do Êxodo fez que as tradições das diferentes tribos se organizassem ao redor do eixo da fé javista. Depois, Iahweh assumiu também os traços dos deuses sedentários da agricultura, tendo seu santuário local, seus sacerdotes e seu culto nacional e político.



            Na fase monárquica, houve uma aceleração muito grande no desenvolvimento de Israel.



            Do ponto de vista econômico, há o florescimento do artesanato, da construção; o desenvolvimento do comercio com as moedas substituindo o sistema de trocas, e o aprimoramento da industria metálica para as necessidades de ordem militar. Tudo isso fez surgir uma classe dominante: os ricos da cidade, que aos poucos vai expropriando as terras familiares e constituindo latifúndios. Os próprios reis tornam-se grandes proprietários. A pequena propriedade continua a existir, mas sem força.



            No lado social, acentua-se a fusão étnica com os estrangeiros residentes.



            A concentração do poder leva à desagregação das tribos e clãs e à formação de duas classes: “os notáveis”, habitando nas cidades; e a “gente da terra”: camponeses, assalariados, trabalhadores forçados, escravos, meeiros.

            Dividindo o país em 12 distritos que não coincidiam com os limites das tribos, para efeito de tributação, Salomão tenta quebrar a antiga organização social.



            No campo político, o poder aparece concentrado nas mãos do rei e justificado ideologicamente pela unção (sagração). O rei concentra em si todos os poderes: é, ao mesmo tempo, chefe do exercito profissional, juiz supremo e sumo sacerdote. Estes poderes são delegados a homens vindos da oligarquia proprietária de terras (arauto, escriba, prefeito dos trabalhos forçados, prefeito dos distritos, grão – vizir). Israel torna-se assim uma sociedade de classes). A classe citadina passa a viver do trabalho arrecadado no campo. É o tributo expropriado dos camponeses que está na origem da diferenciação das classes (camponeses, sacerdotes, soldados).



            A ocasião imediata que levou Israel a optar pela monarquia foi a pressão agressiva dos filisteus, mas as possibilidades materiais (aumento demográfico, comercio florescente, novas técnicas de metalurgia, a classe emergente dos ricos da cidade) provocaram o esfacelamento dos quadros sociais da confederação tribal.



            No campo militar foi Davi que criou em Israel o primeiro exercito profissional e uma guarda real formada por estrangeiros. A guerra perde em parte seu caráter sagrado e torna-se uma questão de política do Estado; os campos ficaram inteiramente desmilitarizados.



            Sob o aspecto religioso, houve uma gradativa centralização do culto. Um grande templo central foi construído na capital do Reino, Jerusalém. Havia nele um conjunto de funcionários religiosos: o clero e profetas sob as ordens do rei. O templo se tornou símbolo da unidade nacional após ter sido introduzida nele a Arca da Aliança.



            A formação do Estado tributário se fez pela atividade de Davi e Salomão. Foi, porem, sobretudo Salomão que o consolidou pela organização da arrecadação do tributo e desenvolvimento da economia (1Rs 4 – 5). Por isso, Salomão foi duramente criticado pelos camponeses explorados e dominados; crítica expressa e defendida pelos meios levíticos da roça e pelos profetas (Jr 8-9; 1 Sm 8,9-18); Gn 2-3).

           

            Após o cisma político religioso, o Reino do Norte conservou, por algum tempo, as tradições tribais e igualitárias.  A casa de Omri (885-874 a.C), porem, com a construção de Samaria e a aliança com Tiro, desenvolveu o sistema tributário no Norte. Nesse período de desenvolvimento agrícola e de riqueza, estoura o conflito entre a economia da cidade e a antiga tradição da herança. O episódio da “Vinha de Nabot” é um caso típico desse período.



            A centralização econômico política nas mãos dos reis gera movimentos de resistência camponesa e popular que desembocam na grande revolução de Jeú. É, contudo, no século VIII a.C. que se dá o auge do sistema tributário tanto na Samaria como em Judá. Tornam-se então mais agudas as contradições e a luta de classes que provocam o surgimento do profetismo em sua idade de ouro.



            As contradições geradas pelo sistema tributário são: expansão do latifúndio: terras nas mãos de uma classe citadina parasitária (Is 5,8; Am 6); aumento da opressão e do número dos explorados (Mq 3); desintegração da base da sociedade, ou seja, da família patriarcal, destruída pelo tributo (Mq 2,1-2).



            Com a dominação assíria, o tributo passa a ser duplo: interno e externo (734 a.C.). em Judá, essa dominação se fez sentir sobretudo durante o longo reinado de Manasses (687-642 a.C.). esse regime suscitou uma resistência popular incentivada por profetas e sábios, e a esperança na vinda de um rei para libertar o país e organizá-lo a partir do povo oprimido (Pr 29,4.14; Sf 3,12-14).



            Este movimento de libertação concretizou-se na reforma deuteronomista de Josias, expressão de um movimento camponês, num período em que a Assíria decadente perdia o controle sobre seu império. Essa reforma representou uma tentativa de equilibrar as relações entre a cidade e o campo. Uma tentativa de estabelecer uma síntese entre o igualitarismo tribal e o centralismo do poder nas mãos de um descendente de Davi: um Estado que se organize a partir da defesa do direito dos pobres (Dt 14-15). O rei é visto como irmão do Povo e executor das leis de Iahweh (Dt 16-18).



            Depois da destruição de Jerusalém (586 a.C.)., Judá ficou com mais pobres, o “povo da terra” (2Rs 24,14), que tinham seu centro político na região de Masfa. Procuraram defender suas terras ameaçadas pelos povos vizinhos e mantiveram a esperança de uma restauração nacional.



            Após o exílio, sob a dominação persa, o sistema tributário passou por uma mudança substancial, pois, embora os reis persas concedessem a seus súditos autonomia cultural e religiosa, estabeleceram um rígido controle na economia e na política, através do funcionalismo e espionagem. O templo já não era mais o local da arrecadação do tributo (feita agora por funcionários da coroa). E o sumo sacerdote não tinha poder político (Esd 2; Ne 7).



            Judá aparece estruturado na época persa como uma “comunidade de aldeias em volta do Templo”. A unidade sociológica básica era a casa patriarcal, coletividade sustentada pela posse / herança e pelo parentesco (genealogia).



b) A tradição profética efraimita (Norte) e a tradição profética judaíta (Sul).



            Os profetas surgiram em tempos de crise e representam grupos de resistência e de reforma tanto do Reino do Norte (profetas efraimitas) como do Reino do Sul (profetas de Judá).



            A tradição profética efraimita, na qual predomina o titulo “nabi” (profeta), tem sua origem na função sócio religiosa dos levitas (Dt 33,8-11), ligados originalmente ao santuário central de Silo.



            Com o advento da monarquia, os levitas perdem sua função central para os sadocitas. Abiatar é marginalizado e exilado por Salomão.



            O meio levítico parece ser o ambiente natural onde floresceu o profetismo efraimita. São profetas enraizados na tradição tribal. Vêem a centralização monárquica com certa resistência.



            Na tradição de Judá, os profetas, chamados “Videntes” (Am 7,12; Is 29,10; 30,10), eram intermediários sociais a serviço do rei. A partir do exílio, passam a assumir as características da tradição efraimita.



c) Profetas do “centro” e da “periferia”:



            o profeta representa as lutas e interesses de um grupo social. A inspiração e o discernimento nascem das crise social e da luta dos grupos. De modo geral, os profetas vêm do campo: são camponeses explorados. Procuram denunciar a exploração econômica e política. Constroem a “paz” a partir da defesa do direito dos fracos. Os falsos profetas tomam partido ao lado dos dominantes. Os grandes profetas representam os interesses da periferia durante a monarquia.



4. O alvo da critica profética: a estrutura de dominação.



            A luta dos profetas se dirige contra o Estado idolátrico, que nega a realeza de Iahweh e o lugar da justiça e do direito na formação social (Am 5,24). Atinge, portanto, toda a estrutura social nos níveis econômico, social, político e ideológico.



c) Critica à “propriedade”



            os profetas representam os interesses dos camponeses contra a exploração do excedente e a expropriação das terras por parte dos reis e das classes citadinas. (1Rs 21; Is 5,8; Mq 2). Defendem a “herança”, posse coletiva da terra para a produção e reprodução da vida pelos camponeses. Diante da ameaça à sobrevivência dos camponeses, surgem os movimentos de resistência (filhos de profetas, recabitas, levitas etc.) É dentro deste movimento que aparecem Elias, Eliseu, Amós, Miquéias. Mq 2-3 é uma defesa da estrutura da liberdade econômica para a vida do povo. E mostra que o Estado fundado na concentração da propriedade e do poder na cidade deve ser destruído (Mq 3,10-12).





d) Critica ao “poder político”



            faz parte dessa crítica ao poder político o julgamento dos profetas sobre a Assíria, Egito, Judá e Samaria.



            Oséias mostra a realeza da Samaria como o mal que provoca a desgraça do Povo. Alicerçado na tradição igualitária do tribalismo, aponta para a decadência existente na corte de Samaria que faz aliança idolátrica com os estrangeiros (Os 7) e causa a ruína do Povo (Os 8). Mostra ainda que o verdadeiro conhecimento de Iahweh está na solidariedade (Os 6,6).



            Amós mostra que o sistema tributário, centralizado no poder real cooptou as instituições, especialmente o sacerdócio do santuário régio, para exercer sua dominação sobre os pobres (Am 7,1). E declara que a dinastia real do Norte e sua capital serão destruídas.



            Isaias julga a política a partir do direito dos pobres (Is 1,17).



e) A critica da “ideologia”



            a ideologia é o fermento da exploração econômica e da dominação política. É a idolatria que nega a soberania de Iahweh e absolutiza o poder do Estado.



            Oséias mostra que o povo de Samaria está por um “espírito de prostituição”, que é causador da desintegração do Povo. A idolatria é a estrutura do Estado da Samaria que se tornou absoluto renega a soberania de Iahweh. Seu culto se tornou instrumento de dominação dos camponeses.



            A religião popular, celebra nas aldeias (eira) também contribui para a idolatria estatal, pois Baal (ideologia da fertilidade e fecundidade), atração dos camponeses, fortalece a estrutura de uma sociedade baseada no poder centralizador e no trabalho para produzir mais tributo.



            Jeremias critica todas as instituições: Templo, Lei, sacerdócio, profetas e sábios, fonte e sustento da ideologia (Jr 18,18). O caminho para a destruição da ideologia é a conversão (Jr 2-4).





O profeta  Elias



As narrativas  a respeito  do  profeta  Elias   estão  enquadradas nos  dois livros  dos Reis (1Rs 17-19; 21; Rs 1-2) que originalmente formavam apenas um livro. Vêm logo após um julgamento severo, julgamento que se faz sobre a dinastia de Omri (1Rs 16,25-30). Esta avaliação negativa da monarquia perpassa toda a história deuteronomista, na qual os reis são vistos como os principais responsáveis pela catástrofe do Povo: o exílio. A tradição de Elias é apresentada, sobretudo, em seis narrativas originais e autônomas, e que, com exceção da teofania no monte Horeb, todas possuem um núcleo histórico. São elas:



  1. a seca e a dádiva da chuva. (1Rs 17-19)
  2. juízo de Deus sobre o Carmelo (1Rs 18, 19-40)
  3. a teofania no Horeb (1Rs 19,3b. 8b. 9-12.13)
  4. a vocação de Eliseu (rs 19,19-21)
  5. assassínio de Nabot (1Rs 21, 1-9. 11-20)
  6. a consulta de Ocosias ao oráculo (2Rs 1, 2-8. 17ª).



A essas narrativas foram acrescentada ainda legendas em diferentes estágios, para exaltar a figura carismática do “homem de Deus”. Ei-las:



  1. Elias é alimentado junto à torrente de Carit (1Rs 17,2-6)
  2. Elias e sua atividade em Sarepta (1Rs 17,7-16)
  3. A ressurreição de um morto (1Rs 17,17-24; 18,1a)
  4. Encontro com Abdias, servo de Acab (1Rs 18,2b-15)
  5. Elias é reconfortado pelo anjo (1Rs 19,4a. 5-8)
  6. Tentativas de prisão de Elias (2Rs 1,9-16)



O processo de formação da tradição de Elias começou no século IX, logo após os acontecimentos. A tradição escrita se fundiu em dois grupos: no primeiro grupo (1Rs 17-19), fundiram-se narrativas e anedotas a respeito da idolatria de Acab e da perseguição dos profetas de Iahweh. Apresenta nominalmente Elias, chamando-o vez por outra, profeta e identificando-o como novo Moisés, realizando sinais miraculosos. No segundo grupo, o profeta se chama Elias, o tesbita, e seu opositor é o rei de Samaria ( 1Rs 21; 2Rs 1,2-8.17a). Aqui, Elias aparece como mensageiro da Palavra de Iahweh.





A Situação Nacional e Internacional no tempo de Elias



Após a morte de Baasa (877 a.C.), deveria suceder-lhe seu filho Ela, mas foi assassinado por um de seus oficiais, Zambri, chefe da metade dos carros de combate. Como não contava com o apoio profético nem popular e as tropas que ainda estavam sitiando Gebeton, durante a luta entre filisteus e israelitas, aclamaram rei a Omri e cercaram Tersa, Zambri, vendo-se perdido, suicidou-se, tendo reinado apenas sete dias. Em seguida, começaram os desentendimentos e lutas entre facções rivais, de tal modo que só em 876 a.C. é que Omri pode se estabelecer no trono.



A situação política de Israel



            A situação política  instável deixaria Israel incapaz de se defender contra seus vizinhos hostis. O reino de Damasco se tornara a potencia dominante na Síria – Palestina, e seu rei Benadad I (880 – 842 a.C.) devastara o norte da Galiléia e provavelmente tinha se apoderado da Transjordânia, ao norte do Jarmuk.



            Alem disso, nessa época, o império neo – assírio, em fase de expansão, durante o breve reinado de Omri, tendo à frente Assurnasirpal II, faz uma incursão através da Síria até o Líbano, extorquindo tributos das cidades fenícias, inclusive Tiro. Era o prenúncio de sua expansão para o oeste.



A política externa dos Omridas



            Omri procurou eliminar as tensões internas mediante a integração dos Cananeus e israelitas em seu reino. Visto que a civilização Cananéia fora anteriormente reprimida, essa política significava o avanço das idéias e praticas religiosas cananéias.



            Omri selou uma aliança com Etbaal, rei de Tiro, pelo casamento de Acab com Jezabel, filha de Etbaal (1Rs 16,31). Essa aliança favoreceu a exportação de produtos agrícolas de Israel e a intensificação do comercio.



            Israel fez-se também uma aliança com Judá, talvez antes do reinado de Acab, através do casamento de Atalia, irmã ou filha de Acab, com Jorão, filho de Josafá, rei de Judá. Esta aliança era tanto militar quanto comercial. Juntos vão combater contra seus vizinhos. Da transjordânia, somente Amom não foi reconquistado. Moab tornou-se estado tributário de Israel, e Edom tornou-se província de Judá. Assim Josafá controlava as rotas comerciais para o norte da Arábia. Para o oeste, suas fronteiras se estendia dentro do território filisteu (2Rs 8,22).



            Durante os reinados de Omri e Acab houve vários confrontos entre israelitas e os arameus de Damasco. Parece que Israel saiu vitorioso. Porém, ante a ameaça assíria, Acab e Bernadad tornaram-se aliados. Vários reis de pequenos estados do oeste formaram rapidamente uma colizão para enfrentar Salmanasar III (859 – 852 a.C.) Os lideres desta coalizão foram Adadezer (Benadad), de Damasco, Irhuleni de Hamat, e Acab de Israel, que contribuiu com duzentos carros de combate e dez mil homens de infantaria. O confronto se deu em Carcar, sobre o Orontes e parece que a coalizão conseguiu deter o avanço de Salmanasar III, em 853 a.C.



Situação interna de Israel



a) Situação sócio- econômica



            a maior realização de Omri foi a construção da Samaria como nova capital para Israel. Soube escolher um lugar adequado, com muitas vantagens: a) geograficamente, ficava perto do mar (40Km), na principal rota comercial do país; b) politicamente, livres das tradições e estruturas tribais, oferecia mais autonomia ao rei; c) economicamente, o contato com as rotas comerciais trouxe negócios e permitiu que o rei arrecadasse direitos alfandegários das caravanas de comerciantes; além disso, o rei acumulou grande quantidade de propriedades privadas que lhe trouxeram riquezas pessoais e presenteou seus aliados leais com terras; d) militarmente, a cidade era defensável, com fortificações sem paralelo.



            A localização geográfica de Samaria expunha Israel a uma maior influencia cultural estrangeira, à criação de uma aristocracia real que se assemelhava aos antigos modelos cananeus de cidades-estados, ao intercambio de mercadorias que trouxeram influencia estrangeira para a cidade.



            A casa de Omri empenhou-se em construções por toda parte. mantinha uma segunda residência em Jezrael. (1Rs 21). Fortificou as defesas de certas cidades-chaves como Meguido e hazor. Constituiu túneis para as fontes a fim de assegurar água por ocasião do cerco, estábulos para os cavalos.



            Apesar de toda essa riqueza e força do estado de Israel, a sorte dos camponeses não era das melhores: os pobres, em tempos de penúria eram forçados a tomar emprestado dinheiro aos ricos à taxa de usura e a hipotecar suas terras, seus filhos e até a si mesmos.



            A grande seca durante o reinado de Acab fez com que muitos pequenos agricultores perdessem suas terras. Sem duvida muitos latifundiários aumentaram suas propriedades. O caso de Acab e Nabot (1Rs 21) não deve ser caso isolado. Israel estava cheio de gente que não tinha idéia de lei da aliança ou que tinha pouco interesse por ela.



b) situação política:



            Quando Omri construiu a cidade de Samaria como nova capital e cidade do rei, libertou-se do controle exercido pelos anciãos das tribos. Ao mesmo tempo, presenteando seus leais aliados com extensões de terra, formou um corpo de partidários que deram sustentação a sua dinastia.



            Sua política expansionista e o reforço do exercito aumentaram seu poder que se refletiu também na política interna. Os sucessores de Omri procuraram exercer um regime monárquico inspirado no modelo absolutista encontrado no antigo Oriente Médio. Desrespeitaram a lei da Aliança, ao estabelecerem alianças com estrangeiros, e violaram as leis tribais: compra (Omri) e expropriação de terra (Acab).



c) Situação religiosa:



             a politica religiosa da casa de Omri provocou uma profunda crise. A aliança com tiro foi selada com o casamento de Acab com Jezabel. Seguidora das divindades téreas Baal Melcart e Asera, Jezabel tinha a permissão para, juntamente com seus súditos e os mercadores que a acompanhavam com interesses comerciais, continuar a praticar de sua religião em território israelita. Para isso, foi construído um templo a Baal Melcart em Samaria (1Rs 16,32ss). E Jezabel procurava tornar o culto de Baal a religião oficial da corte.



            Desde o estabelecimento em Canaã, rondava a tentação de adotar a adoração dos deuses da fertilidade juntamente com a adoração de Iahweh e de trazer para o culto de Iahweh práticas próprias dos deuses da fertilidade. Este perigo aumentara com a absorção em massa de cananeus no templo de Davi e Salomão. A maioria desses cananeus encontrava-se no reino do Norte; por isso, uma política estatal que favorecesse o culto a Baal seria aceita sem choque e até com alegria por muitos. É possível até que Acab tenha tolerado essa política religiosa porque percebeu que não podia contar apenas com o javismo como base de sustentação de seu governo.



            Embora Acab permanecesse nominalmente javista, a corte e a classe dominante estavam completamente paganizadas; os profetas de Baal e Asera gozavam de status oficial.

            Quanto aos israelitas, alguns resistiam (1Rs 19,18), outros se tornavam pagãos, mas a maioria oscilava entre as duas correntes (cf. 18,21).



            Como Jezabel encontrasse resistência à sua política, perseguiu os javistas leais, visando sobretudo os profetas de Iahweh. Muitos profetas foram mortos, mas alguns cederam à pressão e contentaram-se em dizer apenas o que o rei gostava de ouvir (cf. 22,1-28).



Elias e o movimento de resistência dos camponeses



            Origianario de Tesbi, região do Gallad a leste do Jordão, que não era uma terra de antiga civilização cananéia, mas que fora colonizada por israelitas e conservara a sua fé em Iahweh mais pura, Elias se escandaliza e se indigna com o sincretismo religioso existente em Israel e sobretudo frente à pratica religiosa de Acab e Jezabel e as injustiças sociais que daí decorriam.

            Elias representa, pois, a insatisfação, o descontentamento dos camponeses frente à centralização política e econômica da Samaria que ameaça o regime da “herança”, sistema de produção das famílias camponesas. E esta política centralizadora tem como cimento ideológico o culto a Baal.



            Iahweh era cultuado ainda que de maneira sincrética no campo, mas na corte e nas camadas superiores da população urbana venerava-se Baal. Elias vai chamar a atenção do povo, no Carmelo, para a incompatibilidade entre o culto de Baal e as antigas tradições javistas de Israel. (1Rs 18,17-40). Não existe aqui uma luta apenas para saber qual é o Deus do Monte Carmelo. A luta atinge todos os níveis da sociedade. Elias se apóia na tradição mosaica da Aliança. E o modelo de sociedade baseado na Aliança está em oposição ao modelo centralizador e explorador alicerçado pela ideologia cananéia do baalismo. Nesta luta por Iahweh e contra a exploração da cidade sobre os camponeses, Elias é ajudado pelos “filhos dos profetas”, pelos recabitas, pelos levitas do interior que serviam nos santuários fiéis a Iahweh. 



            Aos poucos, foi crescendo a opinião contra os partidários de Omri e Acab, provavelmente quando se ampliou a distancia entre ricos e pobres, de modo que outros elementos iam se integrando à resistência popular. Quando finalmente, o exercito aderiu ao movimento de resistência, no tempo de Eliseu, a dinastia omrida desmoronou do trono em 842 a.C., condenando à morte a família de Omri e os adoradores de Baal.



            É também desses meios de resistência que surge uma produção ideológica e literária de suma importância para a tradição religiosa posterior tanto de Israel como de Judá. Nesta época se deu a redação do Código da Aliança (Ex 20-23) que visava à proteção do estilo camponês contra a política e o culto da cidade. Mostra que a adoração a Iahweh é a garantia fundamental do modelo “Israel”.



            Os levitas e profetas deste período elaboraram também a síntese histórico – teológica encontrada no documento eloista (E), que conserva a tradição tribal, promove os profetas e defende a identidade do Povo libertado por Iahweh da escravidão.



            Este movimento de resistência e luta ideológica contra o baalismo é uma das raízes do movimento deuteronomista que terá como grandes representantes Oséias e Jeremias.



O profeta Amós



1. Sua pessoa



            Amós, cujo nome significa “Iahweh sustenta”, nasceu em Técua, uma cidade pequena a cerca de 17 Km a sudeste de jerusalém, capital do reino de Judá. Portanto, embora tenha pregado no Norte, era judaíta. Desconhecemos quando nasceu e quando morreu. Camponês: pastor de gado miúdo (Am 1,1), vaqueiro e cultivador de sicômoros (7,14), tampouco se pode saber se era proprietário dos rebanhos ou se estes estavam simplesmente confiados a seus cuidados. O certo é que Amós conhecia de perto o drama vivido por pessoas pobres e exploradas. Muitas delas procuravam trabalho em outros lugares, empurrados pela fome e atraídos pela propaganda oficial (Am 2,4). Como ele mesmo afirma, não tinha nenhuma relação com a profecia ou com os grupos proféticos, mas Iahweh o envia a profetizar em Israel (3,8).



2. Seu ambiente



            em Judá, seu país de origem, estavam acontecendo coisas ruins, pois as leis que defendiam uma sociedade fraterna baseada na fidelidade a Iahweh não eram mais respeitadas. (Am 2,4). Em pior situação de opressão, porém, encontrava-se a sociedade do reino de Israel. Havia divisões, roubos, corrupção, exploração, religião falsa, dominação. Um intenso comércio nacional e internacional alimentava o forte aumento do consumo e grandes construções. Mas tudo isso se dava em favor de uma minoria e às custas da maioria do povo. As grandes vítimas de toda essa situação eram os pobres, sobretudo os camponeses, os pequenos proprietários e os lavradores sem terra.



3. Contexto histórico



            Amós exerceu o seu ministério, durante a segunda metade do reino de Jeroboão II (782-746 a.C.: Am 1,1;7,9ss), período de grande prosperidade, de modo que podemos situar sua atividade profética entre 760 e 750 a.C.



a) Contexto histórico internacional



            Na segunda metade do século nono, Israel sofrera a pressão e dominação de Damasco que tinha como rei Hazael (842-806). Esta situação é mostrada nos relatos sobre o profeta Eliseu (2 Rs 8,7-15). Livre da ameaça assíria durante quase uma geração (de 837 a 802 a.C), o rei de Damasco combatera livremente contra Iarael que logo perdeu todo o território da Transjordânia (2 Rs 10,32ss; Am 1,3) e foi reduzido a condição de Estado tributário. Os exércitos de Damasco também ocuparam a planície costeira até a região dos filisteus, cercaram e tomaram Gat e só não invadiram Judá porque este lhe pagou pesado tributo ( 2 Rs 12,17ss).

A situação mudara repentinamente, quando Adad-nirari III (811-784), tornou-se rei da Assíria e fez várias campanhas contra os estados arameus. Aproximadamente em 802 a.C, ele conquista Damasco, aniquila seu poder e submete seu rei Benadad II a pesados tributos. O golpe que feriu Damasco não atingiu Israel com tanta violência. Adad-nirari não foi capaz de dar continuidade a seus triunfos, pois teve que manter a ordem em outras partes de seu império.



b) Situação interna de Israel e Judá



            livres da dominação de Damasco e, temporariamente, das investidas da Assíria, os dois estados irmãos, Israel e Judá conheceram um período de progresso sob os longos reinados de Jeroboão II (786-746) e Ozias (783-742) respectivamente. Jeroboão foi uma das figuras militares mais importantes da historia do reino do Norte. Israel desfrutava ba época de prosperidade política, econômica e cultural e podia se orgulhar de importantes sucessos (Am 6,1-13). Jeroboão II conseguiu colocar as fronteiras de Israel no período salomônico, na entrada de Hamat. Parece também que conseguiu expulsar moabitas e amonitas do território israelita e controlá-los severamente.

            Na mesma época, reinava em Judá, Ozias (2 Rs 14,22) e reaberto para o comercio com o sul. O Negueb e o deserto do sul estavam sob seu controle. Conquistou ainda Gat, Jabneel e Asdod, construindo cidades em território filisteu.

            Na metade do século oitavo, as dimensões de Israel e Judá juntos eram quase as mesmas do Império de Salomão. As vias de comercio despejavam rios de riquezas em ambos os países. Os esplendidos edifícios e as caras incrustações de marfim de origem fenícia e damascena, provenientes de Samaria mostram que Amós não exagerava ao falar do luxo de que vivia cercada a alite de Israel. Em ambos os países a população alcança o máximo crescimento no século oitavo, com muitas cidades passando além de suas muralhas.

            Ozias procurou desenvolver os recursos econômicos e agrícolas do país e o deserto do Negueb foi mais intensamente colonizado neste período que qualquer época anterior.



c) A situação social de Israel



            o livro de Amós nos ajuda a enxergar a sociedade israelita deste período de maneira mais profunda e deixa bem claro que, apesar de sua aparência de riqueza, encontrava-se num avançado estágio de decadência social, moral e religiosa.



Desintegração social de Israel



            Quase nada sabemos da administração do Estado por Jeroboão II, porém é o certo é que a condição do cidadão humilde era desnecessariamente pesada e o Estado nada fazia para aliviar.

            A sociedade estava marcada por flagrantes injustiças e chocante contraste entre os extremos de riqueza e pobreza. O pequeno lavrador achava-se muitas vezes nas garras dos usurários e, caso ocorresse uma seca ou perdesse uma colheita (Am 4,6-9), perdia suas terras e, quando já não tinha terra, era submetido à escravidão.

            O sistema tornava-se mais cruel em virtude da ganância dos ricos que se aproveitavam do estado de miséria dos pobres para ampliar suas posses, falsificando peso e as medidas e torcendo o direito (Am 2,6ss; 5,11; 8,4-6). As praticas ilícitas eram encontradas em toda parte pois os Juizes deixavam-se subornar (Am 5,10-12). Os pobres não tinham a quem recorrer. A estrutura social de Israel tinha passado por uma mudança radical. Antes, uma estrutura social unificada; agora a monarquia, com a toda organização exigida pela coroa, criou uma classe privilegiada, enfraqueceu os laços tribais e a solidariedade. A incorporação de muitos cananeus que anteriormente não estavam integrados no sistema tribal dera a Israel uma massa de cidadãos que pouco compreendiam a aliança e a lei da Aliança.

Por volta do século VIII, embora o javismo continuasse a religião nacional com seu culto superficial à aliança com Iahweh, a lei da aliança na prática chegara a significar muito pouco.



Decadência religiosa no norte



            A desintegração social acompanhou de perto a decadência religiosa. Embora os grandes templos estivessem cheios de adoradores e fossem generosamente mantidos por eles (Am 4,4ss; 5,21-24), o javismo em sua forma mais pura já não era mais praticado. Muitos santuários locais eram abertamente pagãos, com o culto da fertilidade e seus ritos degradantes, sendo praticados em toda parte (Os 1-3; 4,11-14). Parece que até a religião oficial do Estado tinha absorvido ritos de origem pagã (Am 2,7ss; 5,26) e dado ao culto função de aplacar a divindade com rituais e sacrifícios para assegurar a paz do status quo.

            Os sacerdotes do culto do Estado eram oficiais e grandes homens do Estado que não podiam censurar a situação (Am 7,10-13). Também parerce ao ter havido nessa época reprovação enérgica das ordens proféticas que nunca hesitaram no passado em resistir ao Estado em nome de Iahweh. Parece até que, como um grupo, os profetas tinham mergulhado numa corrupção geral e se tinham tornado profissionais interessados em suas retribuições. (Am 7,12; Mq 3,5.11)

            Reinava em Israel um estado de otimismo, em parte pela força da nação e pelo horizonte internacional desanuviado naquele momento. A religião tinha sido pervertida pois o povo acreditava numa proteção incondicional de Iahweh a favor da nação (Am 3,1aa; 9,7) independente das obrigações impostas pelo favor de Iahweh. (Am 2,9-12). A obrigação da aliança era concebida como uma questão puramente de culto que estava sendo satisfeita com um ritual sofisticado e com a generosa manutenção dos santuários nacionais.

            Quanto ao futuro, confiavam na vinda do dia de Iahweh. Amós vai desmascarar esta falsa confiança. (Am 5,18-20).



3. Estrutura do livro de Amós



            sem contar levar em conta o título de conjunto da obra (Amós 1,1-2), o livro se divide em três partes:



a)      1,3-2,16: conjunto de oráculos de julgamento dirigidos a Israel, Judá e as nações vizinhas. Em relação aos outros povos as acusações visam a seu comportamento na condução da guerra e negócios internacionais. Em relação a Israel se referem ao comportamento dos israelitas entre si.

b)      3-6: oráculos dirigidos a Israel, visando a injustiça, ao luxo, a exploração, a corrupção dos tribunais e ao culto.

c)      7-9,10: seção organizada em torno de cinco visões construídas mais ou menos do mesmo modo. Depois das três primeiras, aparece uma narração autobiográfica, relatando a disputa de Amós com o sacerdote Amasias, no santuário de Betel. A quarta visão, 8,1-3, é seguida de uma série de oráculos destinados a justificar e explicitar o castigo anunciado na visão. A quinta visão (9,1-4) é seguida de uma doxologia e de uma palavra identificando o Êxodo com as migrações de outros povos. (9,7) e dois pequenos oráculos sobre o fim de Israel e o anuncio do exílio (9,8; 9,9-10).

9,11-15: conclusão do livro é considerada pela maioria dos autores como posterior. Trata da restauração da dinastia davídica e a conquista de Edom. Mesmo as doxologias (4,13; 5,8; 9,5-6) são consideradas por muitos como acréscimos posteriores.




Um comentário:

  1. Caríssimo Luciano José, Eu sou Maria do Socorro Marcos da Silva e estou usando o teu texto na preparação de uma palestra que irei fazer sobre este tema, para um grupo de catequistas na minha paróquia. Gostei muito da forma como escrevestes e dos fundamentos bíblicos citados. Parabéns!

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