segunda-feira, 23 de março de 2020

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO









Um estudo adequado da Bíblia não pode ser feito sem uma consciência das diferenças nas atitudes e estruturas políticas, culturais e religiosas que existem entre o Primeiro e o Segundo Testamentos. Supor-se-ia, logicamente, certo desenvolvimento durante os 400 anos que decorreram entre os dois livros; mas as várias mudanças observáveis devem ser explicadas. É necessário, portanto, voltar-se, na história, até o tempo entre os dois Testamentos, a fim de se apreciar mais completamente a situação pressuposta no Segundo Testamento.

            Algumas coisas que são aceitas como verdadeiras, no Segundo Testamento, para as quais é necessária uma explicação, são as seguintes:

1.   A situação política (domínio romano, as divisões da Palestina).
2.   A dispersão judaica (judeus em cada cidade principal do Império Romano).
3.   Uma sociedade urbana.
4.  A língua (grego e aramaico; hebraico limitado aos eruditos).
5.  Exclusivismo judaico.
6.   Ênfase sobre a Tora.
7.   O sinédrio.
8.   A sinagoga e a escola.
9. Seitas religioso-políticas (saduceus, fariseus, essênios, escribas, zelotes, herodianos, entre outros).
10. Literatura extra-canônica (apócrifos e pseudo-epígrafos).
11.  Tradição oral.
12.  Fim da idolatria.
13.  Doutrina explícita da ressurreição.
14.  Doutrinas de anjos, demônios, etc.
15.  Publicanos e pecadores
16.  Filosofia judaico-alexandrina.
17.  Interesse no apocalíptico.
18.   Samaritanos.
19.  Monogamia estrita.
20.   Sacerdócio corrupto.
21.  Messianismo político.

A abordagem a ser feita, neste estudo do fundo histórico, será ao longo de três linhas:
História política,
Instituições e as seitas religiosas,
Literatura do período.


            O Primeiro Testamento encerra-se com os filhos de Israel sob a dominação dos persas. No Segundo Testamento, a Palestina é subserviente aos romanos. A história política que denota esta mudança incide em quatro partes: o período persa, o período grego, o período macabeu ou hasmoneu (o período da independência) e o período romano.

O período Persa (538-331 a.C.)
O reino do norte de Israel havia sido conquistado pelos assírios em 722 a.C. sob a liderança de Sargão. Seus habitantes foram então deportados para a Assíria (II Reis 17:6) e para outras terras conquistadas. Por sua vez, os povos de outras nações conquistadas foram então importados, para povoarem a área conhecida como Samária. A política dos assírios foi tentar destruir todo vestígio de linhagem nacional e, assim, unir todos os povos num só.
           
            Em 612 a.C., os babilônios, liderados por Nabopolassar, destruíram Nínive e conquistaram os assírios. O reino do Sul, Judá, caiu nas mãos dos babilônios, sob Nabucodonozor, em 605 a.C., e alguns da família real e líderes abastados foram levados cativos para a Babilônia. Entre estes, estavam Daniel. Uma curta rebelião em 597 a.C. foi suprimida, servindo de pretexto para outra deportação (incluindo Ezequiel). Uma revolta ainda posterior, conduzida por Zedequias, foi suprimida em 587 a.C., com a destruição completa do Templo e deportação de todos, exceto algumas poucas pessoas pobres, para evitar que o país se tornasse um deserto.

Durante esse período o nome “judeus” entrou em uso. Ele denotava o povo da nação conquistada de Judá. Os outros termos usados no Primeiro Testamento para referência aos descendentes de Abraão e Isaque tornaram-se menos usados, e o termo judeus entrou em uso quase que exclusivamente.

Estando tão longe de Jerusalém, e sem ter o Templo de Salomão para cultuar, o povo exigiu dos sacerdotes um modo temporário de retenção do conhecimento de Deus. Assim, surgiram os grupos de adoradores que se reuniam regularmente para ouvir a lei lida, uma palavra de exortação ou explicação, o cântico de salmos e a recitação das orações. Esses grupos formaram os primórdios da instituição que deveria posteriormente ser conhecida com o nome grego de "sinagoga" ("reunidos juntos"). A intenção, a princípio, era que a sinagoga fosse apenas uma coisa temporária, até que a volta a Jerusalém pudesse ser feita e o Templo, reconstruído.

Ciro, tendo unido as nações da Média, Lídia e Pérsia, capturou a Babilônia em 538 a.C. e confirmou muitos dos judeus em suas posições, de autoridade governamental (ver Dan. 6:1 e ss.). A política oficial dos persas era permitir o povo deslocado voltar para as terras de seus pais. Por causa dessa política, a restauração de Judá foi possível. Contudo, a maioria dos judeus estava feliz na Babilônia e não desejava voltar. Cerca de 50.000 retornaram, sob a liderança de três homens, em três épocas diferentes. Os que ficaram os apoiaram com doações.

O período Grego (331-167 a.C.)

            Em 336 a.C., quando Jadua era o sumo sacerdote, Filipe II da Macedônia foi assassinado quando fazia planos para invadir a Pérsia. Seu filho, Alexandre, sucedeu-o com a idade de 20 anos. Ele uniu toda a Macedônia e a Grécia e, em 334 a.C., atravessou o Helesponto, para libertar as colônias gregas da Ásia Menor. Com apenas 35.000 homens, Alexandre derrotou três generais de Dario III, em Granico, em 334 a.C., após passar uma noite sem dormir e ter tido uma visão de um ancião, que o aconselhava a continuar sua luta contra os persas. No ano seguinte, 333 a.C., Alexandre outra vez derrotou um grande exército em Issus. Somente após esta vitória, Alexandre se pôs a sonhar com a conquista do mundo. Foi a política de Alexandre fazer amigos dos conquistados sempre, quando e onde possível.

Alexandre morreu em 323 a.C., com a idade de 32 anos. Sua maior consecução não é considerada ser seu gênio militar (por grande que fosse). Ele é lembrado principalmente por sua qualidade de estadista. Ele é responsável pela fusão do Ocidente com o Oriente. Derrubando a parede que estava entre o Oriente e o Ocidente, ele foi capaz de abrir as portas do comércio. Através da propagação do idioma grego, a língua franca, o mundo capacitou-se para a comunicação. A cultura grega quebrou as barreiras raciais, sociais e nacionais. A miscigenação das raças estimulou um espírito de cosmopolitanismo, um sincretismo religioso e um interesse no indivíduo.

Os Ptolomeus e o Egito (321-198 a.C.) — Depois da morte de Alexandre, o Império caiu nas mãos de seis de seus generais. Laomedon tomou posse da Síria, Ptolomeu Lagus (Soter) recebeu o Egito, e a Babilônia caiu nas mãos de Seleuco. Os outros três tinham a ver com os judeus. Dentro de dois anos, Ptolomeu e Seleuco derrotaram Laomedon, e os dois generais dividiram o território da Síria. A Palestina ficou sob o controle de Ptolomeu.

Os Selêucidas e a Síria (198-167 a.C.) — Durante todo o tempo da dominação ptolomaica na Palestina, os reis selêucidas da Síria estiveram olhando gananciosamente a área rica em ferro e outros metais. Os judeus da Palestina eram um "futebol" político entre os dois países poderosos. Devido a casamentos mistos e complicações políticas, Antíoco III (o Grande) marchou contra Ptolomeu Epifânio, em 198 a.C. Na Batalha de Panéias, o exército egípcio, sob a liderança de Escopas, foi derrotado. Os judeus parecem terem recebido Antíoco de braços abertos.

O período Macabeu ou Hasmoneu (167-63 a.C.)

            A princípio a resistência dos judeus foi somente passiva. A medida que a perseguição aumentava em intensidade e os fogos da adoração de Deus queimavam cada vez mais baixo, iniciou-se a resistência ativa. A liderança para a organização da resistência ativa começou com um sacerdote, na cidade de Modin, situada entre Jerusalém e Jope. Matatias era da linhagem de um certo Asamoneu ou Chasmon (Hasmon). É deste último nome que a família tirou seu nome, hasmoneu. Estando avançado em idade, Matatias teve cinco filhos: João, Simão, Judas, Eleazar e Jonatã. Judeus de toda a Palestina, insatisfeitos com as políticas de helenização de Antíoco Epifânio e o sacerdócio corrupto, vieram a responder à chamada às armas. Muito antes, os hasidim ou assideus (zelotes da lei) uniram-se a Matatias. Após um ano e a morte do pai, a liderança do exército passou a Judas, Simão servindo como conselheiro principal. Judas provou ser um general capaz e levou o nome de Macabeu ("Martelador"). Depois de uma série de brilhantes vitórias, ele entrou em Jerusalém e rededicou o Templo, em 25 de dezembro de 165 a.C.

O período Romano (63 a.C. — 135 d.C.)

            1.   Sob Herodes, o Grande (63-4 a.C.) — Com a morte da rainha Alexandra Salomé, em 69 a.C., tanto o poder político como o religioso passaram para as mãos de um filho muito brando, João Hircano II. Seu irmão, Aristóbulo II, era muito ambicioso. Hircano foi persuadido a desistir do trono, mas reteve o ofício de sumo sacerdote. Aristóbulo logo cobiçou essa posição também. Antípater, um idumeu e conselheiro de Hircano, viu uma oportunidade de jogar um irmão contra o outro. Tomando o partido do irmão mais fraco, ele persuadiu Hircano que sua vida estava em perigo, e, assim, foi feito apelo a Pompeu, general romano. Em 63 a.C., Pompeu entrou em Jerusalém e decidiu em favor de Hircano. Contudo, a Judéia ficou sob o controle romano, e Antípater foi designado procurador, e Hircano, como sumo sacerdote. Antípater designou seu filho Fasael, governador da Judéia, e seu filho Herodes, governador da Galiléia.

Sob os Procuradores (4 a.C. 70 d.C.) — Como seus herdeiros não puderam controlar a Judéia, esta passou para o governo romano direto, através dos odiados procuradores. De 6 a 66 d.C., não menos que 14 homens foram enviados à Judéia para governar os negócios. Geralmente esses homens eram aqueles com quem o imperador romano tinha uma dívida. Era uma posição lucrativa, e esses homens estavam mais interessados em se tornarem ricos do que em serem bons governadores. De tempos em tempos os judeus expressavam sua insatisfação e os choques inevitáveis surgiam. Esses grupos reacionários aumentaram em número a tal ponto, e os procuradores se tornaram tão implacáveis em suas políticas que, a revolta aberta irrompeu-se em 66 d.C. Este foi o começo da Guerra Judaico-Romana de 66-70 d.C. Jerusalém foi tomada pelos romanos, sob a liderança de Tito, o Templo destruído, e o sacrifício ordenado por Moisés foi cessado até o dia presente. A nação judaica cessou de ser uma nação, e o judaísmo sofreu um golpe tremendo.




            1    A Sinagoga — Embora a tradição judaica afirme que a sinagoga teve origem mosaica, ela parece ter começado a existir durante o período babilônico ou persa. Até o tempo do exílio, a adoração e a instrução religiosa judaicas centralizam-se em torno do Tabernáculo ou do Templo de Salomão. Na Babilônia, a instrução religiosa foi prosseguida pelos sacerdotes e levitas, numa tentativa de conservar o conhecimento de Deus vivo. Esses locais de adoração e instrução tornaram-se conhecidos como "sinagogas"; a palavra é grega e significa "reunidos juntos". O propósito nunca incluía a idéia de se oferecer sacrifícios, o que poderia ser feito somente no Tabernáculo ou no Templo. Alguns estudiosos acham que os fariseus usavam a sinagoga como um meio de obter a lealdade dos saduceus e adorarem no Templo (T.C. Smith, The Religious and Cultural Background of the New Testament, p. 10).

           
            A adoração na sinagoga foi desenvolvida de acordo com o modelo do culto do Templo e nas mesmas horas, no sábado: a terceira, a sexta e a nona. Posteriormente os cultos eram realizados na segunda e terça, bem como no sábado. As pessoas entravam, curvando-se para a parede do lado ocidental, onde as Escrituras estavam contidas num gabinete chamado a "arca". Fazia-se uma oração e depois eram cantados salmos. O auxiliar abria a "arca" e reverentemente removia as Escrituras, entregando-as ao presidente. Em seguida à leitura das Escrituras, durante a qual todos ficavam de pé, o presidente sentava-se e iniciava uma exortação, à luz da passagem lida. Freqüentemente, ele pedia, a algum visitante ilustre, para fazer essa "pregação". Depois as Escrituras eram recolocadas na "arca", em seguida sendo proferidos salmos e orações, e depois uma bênção era pronunciada.

            Por toda a diáspora judaica, sempre que havia homens suficientes, eram instituídas sinagogas. Muitas cidades tinham várias sinagogas, para dar conta do vasto número de judeus naquelas áreas. Estima-se que Jerusalém, durante a época do Segundo Testamento, tinha cerca de 500. Por esta razão, os missionários cristãos puderam ter acesso à maior parte do Império Romano. Eles, especialmente Paulo, iniciavam seu trabalho, sempre que possível, dentro da comunidade judaica e da sinagoga.

            2.  O Templo — Com o retorno do primeiro grupo de exilados, foi iniciado o trabalho da construção do Templo. Na realidade, este foi o propósito primordial para alguns que retornaram. Os que permaneceram na Babilônia deram apoio financeiro para o retorno, a fim de que o Templo fosse construído. Sob a pregação de Ageu e Zacarias, o Templo (conhecido como o Templo de Zorobabel) foi terminado e dedicado em 516 a.C. Com alguns poucos acréscimos, para aumentar as áreas de reunião, o Templo de Zorobabel durou até a época de Herodes, o Grande. Tentando obter o favor dos judeus, Herodes iniciou a construção de um templo que iria exceder em beleza o de Salomão. Com a construção iniciada em 19 a.C., o pórtico, o lugar santo e o santo dos santos foram terminados em um ano e meio (ver Josefo, Antigüidades dos Judeus — xv. 11.6), mas a estrutura inteira não foi terminada até 65 d.C., cinco anos antes de sua destruição pelas legiões romanas, na Guerra Judaico-Romana de 66-70. Foi nesse Templo inacabado que, segundo João, Jesus fez tantos milagres e deu ao mundo tantos ditos maravilhosos.

            3.   O Sinédrio — Quando Esdras e Neemias trabalhavam em Jerusalém, eles fizeram o povo fazer pacto de que iria viver por um código externo de regras baseadas, diziam eles, na lei de Moisés. Quando Esdras e Neemias morreram, esta responsabilidade de instrução passou a um grupo de pessoas denominadas sopherim ou a "Grande Sinagoga". Este grupo durou cerca de 400 a 200 a.C. Este grupo foi o precursor do sinédrio. Seus sucessores, como mestres da lei, foram os zugotes (200 a.C. — 10 d.C.), que, por sua vez, foram sucedidos pelos tanains (10 a 200 d.C.) e pelos amorains (220-500 d.C.).

            Foi para o final da época da "Grande Sinagoga" que o termo sinédrion ( sune/drion ) entrou em uso. Ele executava a função da suprema corte dos judeus, sendo o sumo sacerdote o presidente. A tradição remonta suas origens ao conselho mencionado em Números 16:16. É verdade que, na história de Israel, os anciãos funcionaram como os corpos judiciários, legislativo e executivo da nação. Houve períodos de grande influência e poder, bem como períodos de quase completa sujeição ao poder dominante. Sob Herodes, o Grande, o sinédrio esteve sem força; mas, no tempo de Jesus, o sinédrio exerceu grande autoridade, excetuando-se-lhe apenas aquelas questões que envolveriam a política e jurisdição romanas. Ele poderia passar a sentença de morte, mas somente com a aprovação do governador romano a sentença poderia ser executada.

            O conselho tinha setenta e um membros (pelo menos), encabeçados pelo sumo sacerdote. A maior parte dos membros era da linha sacerdotal e, portanto, do partido saduceu. Foi arranjado lugar, contudo, para fariseus abastados e bem conhecidos, especialmente os grandes rabis. A partir da tradição rabínica, parece que este corpo tinha o poder de legislar regras de conduta para todos os judeus, em todo lugar. Por causa de seu prestígio, suas decisões eram honradas por toda a dispersão judaica.


            O Segundo Testamento observa a presença de partidos religiosos que eram desconhecidos no Primeiro Testamento. A fonte principal de informação é encontrada nas obras de Flávio Josefo. Em dois de seus livros, As Guerras dos Judeus (II, viii, 1-4) e As Antigüidades dos Judeus (XIII, v. 9), ele escreve acerca de quatro desses partidos: fariseus, saduceus, zelotes e essênios. Para nossos propósitos, os herodianos e os zadoqueus devem ser acrescentados. Os samaritanos já foram mencionados.

            1. Fariseus — O grupo maior e mais importante é o chamado os fariseus. A palavra em si significa "separatistas", tendo sido, provavelmente, aplicada como expressão de escárnio aos oponentes. Eles fizeram seu primeiro aparecimento definido como um grupo com este nome durante a época de João Hircano I. Alguns estudiosos dizem que o termo foi pela primeira vez usado quando alguns judeus piedosos "se separaram" de Judas Macabeu, depois de 165 a.C. É mais provável que eles foram os sucessores dos "hasidins", que se haviam empenhado em "separar-se" do pecado, e na "separação" (interpretação) das Escrituras, durante as reformas de Esdras e Neemias.
           
            Seja qual for sua origem, os fariseus foram o resultado final do movimento que teve seus primórdios com Esdras, intensificado pelos hasidins, sob os sírios e romanos. Eles representam aquela tendência, no judaísmo, que sempre reagiu contra dominadores estrangeiros, mantendo o exclusivismo judaico e a lealdade à tradição dos pais. Pouco se interessavam no poder político, mas se tornaram os mentores políticos de Israel. Eles tinham maior controle sobre o povo do que os saduceus, que eram mais abastados e politicamente poderosos. Controlavam a sinagoga, e só eles sobreviveram à Guerra Judaico-Romana de 66-70.

            Devido à sua profunda reverência para com os ideais nacionais e religiosos judaicos, e devoção aos mesmos, os fariseus se opuseram à introdução das idéias gregas, e não deixou de ser natural que se tornassem o partido reacionário. Para eles, as coisas velhas eram as únicas coisas boas. Num desejo sincero de tornar a lei praticável dentro do mundo greco-romano em mudança, os fariseus aderiram ao sistema da tradição dos pais. Começando com as Escrituras, eram feitas interpretações para se ajustar uma situação existente ou combater um erro em teologia. Nas tentativas de responder a problemas levantados por religiões intrusas, muitas idéias dormentes no Primeiro Testamento foram desenvolvidas e aumentadas. Entre essas doutrinas desenvolvidas durante esses 400 anos estão a ressurreição dos mortos, os demônios, os anjos e a esperança messiânica.

            Para o fariseu, a tradição oral suplantou a lei. Este era o principal ponto em que divergiam dos saduceus, que não viam nenhuma necessidade de alterar-se a lei. Os fariseus diziam que as finas distinções das tradições orais eram para facilitar o cumprimento da lei sob novas condições e tornar virtualmente impossível pecar-se. Eles também colocavam uma forte ênfase sobre a providência divina nos assuntos do homem.

            2.   Saduceus — Embora a origem da seita esteja perdida na obscuridade, o nome pode ter-se derivado de um certo Zadoque, que sucedeu Abiatar como sumo sacerdote durante os dias de Salomão. Pode ter vindo da palavra hebraica "zoddikim", que significa "os justos". Os saduceus gabavam-se de sua fidelidade à letra da lei mosaica, em contradistinção à tradição oral. Este era o partido da aristocracia e dos sacerdotes abastados. Eles controlavam o sinédrio e qualquer resquício de poder político que restava. Eram os colaboracionistas, a tendência que favorecia o poder estrangeiro e que se alinhava com ele pelo poder. Também controlavam o templo. O sumo sacerdote era sempre o líder deste grupo. Era um grupo fechado e não procurava prosélitos, como o faziam os fariseus.

            Teologicamente conservadores (diziam), limitavam o cânon à Torah ou Pentateuco. Rejeitavam as doutrinas da ressurreição, demônios, anjos, espíritos, e advogavam a vontade livre, em lugar da providência divina. Este grupo não sobreviveu à Guerra Judaico-Romana de 66-70.

            3.   Zelotes — Os zelotes representavam o desenvolvimento na extrema esquerda entre os fariseus. Estavam interessados na independência da nação e sua autonomia, ao ponto de negligenciarem toda outra preocupação. Segundo Josefo, o fundador foi Judas de Gamala, que iniciou a revolta sobre o censo da taxação, em 6 d.C. Seu alvo era sacudir o jugo romano e anunciar o reino messiânico. Eles precipitaram a revolta em 66 d.C, que levou à destruição de Jerusalém em 70. Simão, o zelote, foi um dos apóstolos.

            4.  Essênios — Estes representavam o desenvolvimento na extrema direita entre os fariseus. Eram uma ordem distinta, na sociedade judaica, mais que uma seita dentro dela. Sendo o elemento mais conservador dos fariseus, eles enfatizavam a observação minuciosa da lei. Formavam uma comunidade ascética ao redor do Mar Morto, e viviam uma vida rigidamente devota. Eram a sobrevivência dos hasidins mais estritos, influenciados pela filosofia grega. A partir dos documentos de Qumram, parece que eles aguardavam um messias que iria combinar as linhagens real e sacerdotal, numa estrutura escatológica. Este grupo não é mencionado em o Novo Testamento.

            5.   Herodianos — Os saduceus da extrema esquerda eram conhecidos como os herodianos. Tirando o nome da família de Herodes, eles baseavam suas esperanças nacionais nessa família e olhavam para ela com respeito ao cumprimento das profecias acerca do Messias. Eles surgiram em 6 d.C, quando Arquelau, filho de Herodes, o Grande, foi deposto, e Augusto César enviou um procurador, Copônico. Os judeus que favoreciam a dinastia herodiana eram chamados "herodianos". Este grupo é mencionado em Mateus 22:16 e Marcos 3:6; 12:13.

            6. Zadoqueus — Na extrema direita dos saduceus estava o grupo conhecido como os zadoqueus. Embora não mencionados no Segundo Testamento, este grupo é importante, porque mostra outra tendência entre os saduceus, talvez dando uma chave quanto à sua origem. Em 1896, um fragmento de um documento foi encontrado numa sinagoga no Cairo. Publicado em 1910, com o título Fragmentos de uma Obra Zadoquita, este termo entrou em todas as discussões acerca do judaísmo sectário. A descoberta de outros documentos na comunidade de Qumram, do Mar Morto, sugere alguma relação entre os zadoqueus, os essênios e a comunidade de Qumram. Um movimento de reforma foi iniciado entre os sacerdotes (filhos de Zadoque), entre os saduceus, durante o início do segundo século a.C. Quando a reforma fracassou, eles foram para Damasco e estabeleceram uma comunidade sob um novo conjunto de regulamentos, denominado "o novo concerto". Alguns posteriormente voltaram como missionários para sua terra natal e depararam com amarga oposição por parte dos fariseus e saduceus. Alguns, então, encontraram seu caminho em direção às comunidades ao redor do Mar Morto. Eram missionários fervorosos, em busca de um mestre de justiça que chamasse Israel de volta ao arrependimento e apareceria no advento do Messias. Eles aceitavam toda palavra escrita, mas rejeitavam a tradição oral. Eram muito abnegados na vida pessoal e leais aos regulamentos da pureza levítica. Deram grande ênfase à necessidade de arrependimento.


Muitos tipos de literatura foram escritos pelos judeus durante a época do período interbíblico: história, ficção, sabedoria, gêneros devocional e apocalíptico. A maior parte desses escritos perdeu-se, e o que sobreviveu se fez através de judeus cristãos, pois os judeus procuraram destruir todos os "livros de fora". Foi costumeiro agrupar-se esses escritos em duas classificações, conhecidos como Apócrifos (aqueles juntados com o Primeiro Testamento, em vários manuscritos da Septuaginta) e os Pseudo-epígrafos (aqueles escritos durante o período, mas não juntados à LXX).
O cânon encerrado do Primeiro Testamento foi formado por estágios, e não se completou até após a Guerra Judaico-Romana (66-70 d.C), quando se tornou evidente que o cristianismo e o judaísmo haviam-se definidamente separado, com nenhuma esperança de reconciliação.

Alguns desses livros têm grande valor histórico; outros são clássicos devocionais; uns são interessantes; outros, definidamente, são invenções. Tanta coisa, nessa literatura, é abertamente supersticiosa e fora de harmonia com o restante das Escrituras, que não pode ser admitida como sendo inspirada. Pode ser lida proveitosamente, mas não deve ser usada como autoridade em doutrina.

           
A fonte mais confiável da história deste período é encontrada nas obras de Flávio Josefo. Suas quatro obras são, com efeito, uma apologia em favor do judaísmo da época do segundo Testamento. Nascido em Jerusalém por volta de 37-38 d.C, foi contemporâneo de muito do nascimento e crescimento do cristianismo. Treinado para ser um rabi, foi designado governador da Galiléia no início da Guerra Judaico-Romana. Foi capturado pelos romanos e logo tornou-se um favorito do general romano Vespasiano. Quando este general tornou-se imperador romano, Josefo adotou o nome da família do imperador, Flavius. Era tido em alta estima pelos dois filhos de Vespasiano (Tito e Domiciano), ambos os quais sucederam o pai como imperadores.

Josefo escreveu seus quatro livros para responder aos críticos dos judeus após a guerra de 70. Seu Antigüidades dos Judeus é, provavelmente, sua melhor obra. É uma história do povo judeu desde a criação até o início da guerra. As Guerras dos Judeus começam com as perseguições sob Antíoco Epifânio e explica algo das razões que levaram à guerra. Uma de suas obras, A Vida, é a menos satisfatória, mas dá uma penetração no judaísmo do primeiro século. É uma autobiografia, traçando seus passos através de todos os partidos judaicos. Sua última obra, Tratado Contra Apiano, é cuidadosamente planejada e bem elaborada. É uma defesa cuidadosa do povo judeu contra a crítica radical. Estes livros contêm muitos exageros e devem ser lidos com cuidado. Contudo, eles são nossas fontes primárias para muito do material utilizado no estudo desse período.


Quando Paulo escreveu a Timóteo, dizendo que "toda Escritura é divinamente inspirada..." (II Tim. 3:16), ele não tinha em mente o nosso Segundo Testamento. A referência era à coletânea de livros conhecidos por nós como o Primeiro Testamento (todas as referências às "Escrituras" em o Segundo Testamento dizem respeito ao Primeiro Testamento). A Bíblia dos primeiros cristãos era o Primeiro Testamento em grego, conhecido como a Septuaginta. Raramente o Primeiro Testamento em hebraico era conhecido.
Quando Paulo estava escrevendo suas cartas, ele não tinha consciência de que elas posteriormente iriam ser consideradas escritos sagrados. Ele e os outros autores escreveram para suprir necessidades específicas dos primeiros leitores. Embora eles tenham sido guiados pelo Espírito Santo a escreverem como o fizeram, eles só tinham em mente sua geração de leitores. Nenhum dos escritores do Segundo Testamento esperava morrer. Sua grande esperança era que o Senhor iria retornar antes de sua morte.

Por esta razão, eles não sabiam que seus esforços haveriam de ser "Escrituras Sagradas" para gerações posteriores.


Para falar do Novo Testamento como Tora Oral é necessária uma visão clara do significado de Tora Oral, de como defini-la e sua formação ao longo da história.
Quando deu início a oralidade da Palavra? Certamente antes que a Palavra tenha sido escrita.
Assim é a evolução da Palavra de Deus. E uma vez que temos o texto, a oralidade desenvolve o escrito e cria novamente sua própria realidade oral sobre o texto.
Primeiramente estamos falando da Tora, antes mesmo de falarmos de seu aspecto escrito ou oral. No sentido mais estreito e limitado, podemos falar da Tora escrita como o Pentateuco e de maneira mais larga de Escrituras. Porém para ser mais preciso quando falamos de Tora estamos entendendo Palavra de Deus: para a parte escrita temos as Escrituras (por isso escrita), mas a dinâmica da transmissão da Palavra, sua interpretação e sua atualização são também entendidos como Tora e neste caso é Tora Oral.
Para a Tradição judaica, a Palavra de Deus é UNA, mas se manifesta de duas maneiras e a duas formas têm a mesma importância e valor.
A transmissão oral em relação às Escrituras é parte integral do que está escrito, não é uma repetição: as duas são uma. A Palavra de Deus segue as duas formas: Escrita e Oral. Sl 62,12: אחת דיבר ה' שתיים זו שמעתי
Assim, do ponto de vista de quem a recebe (o povo) não há Palavra de Deus em uma única realidade: ela se manifesta na forma escrita e na forma oral. A Palavra é escrita e oral. Como se fossem a matéria e o espírito, mas indivisível.
Vejamos alguns textos fundadores que representam a primeira fase da Escritura.
Se encontra no Livro de Dt. 6:6
Ensinarás e falarás: já temos nesta apresentação a dinâmica da Palavra de Deus: Ela é composta com conteúdo, mas a maneira de estar presente não é por escrito e sim através do ensinamento e pelas palavras (falar). Não está reduzido apenas a uma repetição, mas trabalhar todo o significado que não está em sua oralidade. Por isso se poderia dizer que sem a oralidade o texto não vive, ele não é capaz de dizer o que é - a oralidade faz o texto existir.
Um outro texto que segue o mesmo espírito: Jos. 1, 8:
O relato não fala de uma realidade física de um texto, mas como se o livro fosse algo móvel: estar sempre na boca. É mais que um livro, praticamente não há necessidade de um livro, mas de uma tradição; o livro físico é uma pequena referência. Esta mesma maneira simbólica de falar da Palavra de Deus deve ocupar a vida dia e noite. A Palavra é a referência completa e total para o existir humano.
לא יַמוש ספר תורה הזה מפיך והגיתָ בו יומם ולילה
Outro texto que enfoca a centralidade da Palavra: Sl 1, 1ss
כי אם בתורת ה’ חֶפצו ובתורתו יֶהגֶה יומם ולילה
יֶהגֶה – הגיתָ    Nos textos se trata da mesma raiz que pode ser meditar, refletir, ocupar-se com a Palavra, como também pode significar falar com voz baixa.
É uma atitude que pede uma maneira de viver.
É preciso ter presente que a palavra Lei, comumente usada nas traduções para significar Tora, não traduz o sentido hebraico que é abrangente, Tora é uma realidade que compreende todo o existir e que cobre a totalidade da vida.
Não podemos imaginar que esta cultura de passar a sabedoria seja algo mecânico, sem consciência do conteúdo, mas o passar se dava de maneira consciente e musical. Era a sabedoria que direcionava toda a vida de cada indivíduo e de toda a comunidade.
Este processo se fez presente em grande parte durante o período de Segundo Templo e esta prática aconteceu em Terra de Israel e na diáspora.
Alguns textos de autores judeus contemporâneos do final do período do Segundo templo apresentam esta prática como uma norma para a vida judaica.
Filon de Alexandria ( -30 a 50 dC) conta:
“De forma que (o Imperador Augusto), não expulsou os judeus de Roma, como não retirou os seus direitos de permanecer em Roma continuando a observar com orgulho a tradição de seus ancestrais. O Imperador também não introduziu nada na Sinagoga que tornasse a vida deles mais difícil, como não impediu que se reunissem cada sábado para receber as instruções da Palavra de Deus. ...” (Legacio ad Caium 156).
“Não há nenhuma razão para se gloriar por parte daquele que obedece às leis escritas, porque ele o faz por obrigação ou por meio de ser castigado. Porém o que segue fielmente o que não está escrito, este merece ser glorificado, porque este ato evidencia um consentimento livre” (De Legibus specialibus 4, 149).
Flavio Joseph: 37- 100dC
"... Judas, filho de Sarifaios e Matías, filho de Margalotos, foram os maiores eruditos entre os Judeus e os que melhor entendiam das leis dos anciãos. Eles eram homens amados diante do povo porque os dias davam instrução aos jovens ... "(A.J., 17.6.2).

Constituição dogmática dei verbum sobre a divina revelação (18 novembro 1965)
Há uma afirmação já evidenciado no Concilio Vaticano II e que nem sempre a tomamos em conta.
O Novo Testamento não está em discussão que seja ou não Tora: Ele é a Palavra de Deus revelada para nós cristãos. É Tora - é Palavra de Deus.
Mas nós devemos entender que é graças a importância dada pelo judaísmo da oralidade elaborada no seio da comunidade de fé, como Palavra de Deus, que Jesus se manifesta também em sua oralidade a nós. Legitimamente, afirmamos que o Novo Testamento é Palavra de Deus, mas sabemos que o seu nascimento está dentro do mundo da oralidade. Por isso é a partir da oralidade que o Novo Testamento se torna para nós Tora, Palavra de Deus. Mesmo que o temos em forma escrita, sua origem é oral.
Relação entre a sagrada Tradição e a Sagrada Escritura
9. A sagrada Tradição, portanto, e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim. A Sagrada Escritura é a palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito Santo; a sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, para que eles, com a luz do Espírito de verdade, a conservem, a exponham e a difundam fielmente na sua pregação; donde resulta assim que a Igreja não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Por isso, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência (6).
Relação de uma e outra com a Igreja e com o Magistério eclesiástico
10. A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito sagrado da palavra de Deus, confiado à Igreja...

Mishná:
(1) ‘Moisés recebeu a Tora no Sinai[1] e a transmitiu a Josué, e Josué aos Anciãos[2], os Anciãos aos Profetas[3], os Profetas aos Homens da Grande Assembleia[4]. Estes diziam três coisas: sede prudentes no julgamento, formai muitos discípulos e fazei uma cerca ao redor da Tora’[5] (Mishna Avot 1,1).
I Clemente 42: “ Os Apóstolos receberam o Evangelho de Jesus Cristo os transmitiram para nós e Jesus Cristo foi enviado diretamente de Deus.”
I Clemente 7,2: "... e vamos nos ajustar à santa e gloriosa de nossa tradição. "
Como sempre a autoridade é divina e os transmissores devem sem também elegido por Deus (exemplo: Moisés, os Apóstolos, etc.).
Papias: Apresentação da exposição das palavras do Senhor. Não hesito em dizer-lhe em minha interpretação, tudo o que aprendi com o cuidado dos Anciãos e com a atenção recorda suas verdades. Para muitos eu não aprendi com as pessoas que eram fortes em seus discursos, mas eu aprendi com aqueles que ensinaram a verdade. Não aprendi com aqueles que ensinam outros mandamentos, mas aprendi com aqueles que ensinam os mandamentos do Senhor em fé e em verdade. E por sorte aprendi com aqueles que foram discípulos dos Anciãos - o que disse André, Pedro, Felipe, Tiago e Tomas, Mateus … discípulos do Senhor e João o Ancião. Não creio que as informações procedentes dos livros seriam mais úteis para mim que a tradição que eu recebi oralmente.
Ignacio Filadelfia 8,2: "Porque eu ouço dizer que algumas pessoas dizem: se eu não encontrar o que está dizendo nos arquivos (AT), eu não creio nos Evangelhos. E quando eu digo: Tudo está escrito, me respondem: este é precisamente o problema.
Talmud b
Quando Moisés subiu aos Céus, o Santo Bendito seja Ele mostrou-lhe Rabí Akiva, em sua escola, sentado e fazendo interpretações de Sua Palavra. Moisés não entendia nada do que ele estava ensinando, mas seu espírito ficou em paz quando ouviu a resposta dada por Rabí Akiva quando um discípulo lhe perguntou? Mestre de onde vem este ensinamento (de onde vem a tradição deste ensinamento)¿ Rabí Akiva respondeu: É uma Halacha dada a Moisés no monte Sinai (TB Menahot 29b).
Se é uma Halacha é uma Tradição oral e é entendida como Palavra de Deus dada a Moisés no Sinai.
Da mesma forma ensinou Jesus a seus discípulos - não é sobre um texto que estamos falando, mas sim de uma tradição.
Talmud j.
R. Shemuel b. Nah'man, um líder Amoraim da Terra de Israel da segunda metade do século III ensinou: Há coisas que se transmite oralmente [בפה, lit.: boca] e há coisas que se transmite por escrito (בכתב), e não podemos dizer qual é a mais preciosa, mas como está escrito: "Segundo o conteúdo [על פי.: Segundo a boca ...], destas palavras Eu fiz uma aliança contigo e com Israel" (Ex. 34,27), se pode deduzir que as palavras que foram pronunciadas oralmente [בפה] são as mais valiosas (tj Pe'a 2, 4).
O termo ( תורה שבעל פה Tora she'be'al'pê - Tora Oral) aparece pela primeira vez na história do prosélito que perguntou a Shamai: “Quantas Torot vocês têm? Ao que Shamai respondeu: Duas: a Tora Escrita e a Tora Oral” (Tb 31a).
Diz-se também que Rabán Gamliel deu a mesma resposta a Agnitus General (Sifré Dt § 351).
A resposta dada aos gentios que foram candidatos para a conversão é uma prova de que eles sabiam que além da Tora Escrita havia uma “tradição dos padres que era entendida como Tora. Caso contrario a pergunta: “Quantas Torot vocês têm?” seria incompreensível. O ponto importante na resposta é que a tradição oral é também Tora. A resposta não contém a menor indicação de que as Torot foram consideradas com valores diferenciados. “De mesma maneira que você aceitou uma em confiança deve também aceitar a outra”, disse Hillel (Avot de Rabí Natan A 15).
A tradição dos ‘padres’ é Tora. Porém, ao mesmo tempo, está claro que o termo ‘a Tora Oral’ não tem o significado de uma Tora que precede e transcende a Tora Escrita em valor, como é o caso da noção de [Agraphos nomos] "a lei não escrita".
Novo Testamento
I Tm 6, 20 // II Tm. 2, 12; II Tm. 2, 2
Como na sequência de Avot que Moisés recebeu e transmitiu, assim se faz na Igreja, no seu início.
II Pedro 3,16; Atos 22:3
Paulo vive segundo a tradição dos Padres. E no caso Paulo nomeia Gamliel que era o Sábio Judeu mais importante de seu tempo.
Atos 28, 17; 1Cor. 4, 17; 1Cor. 7, 10
Ele faz referência a um ensinamento recebido que certamente vinha de uma posição do Senhor, encontramos em Mateus (Mt. 5, 32; 19, 9 ) certos momentos Paulo não faz segundo as Palavras do Senhor, mas segundo sua maneira de entender.

Oralidade:
1Cor. 7, 25; 1Cor. 9, 14; 1Cor. 11, 21.23; 1Cor. 15, 1. 3
2Th. 2, 15 . 3, 6; Gal. 1, 9. 14
Fil. 4, 9; 1Th. 2,13; 1Th. 4, 1. 15; 1Tm. 5, 21; 1Tm. 6, 14 . 20; 2Tm. 1, 14; 2Th. 2, 15; 2Th. 3, 6; Fl. 3:17 ; Fl. 4:9.
Mt. 10, 9- 10
Lc: 1, 1- 4; Lc 1, 1 - 4
Gal.4, 20
Mc 14, 49
João: 12, 16
O verdadeiro entendimento sobre Jesus e sobre os seus ensinamentos se dá depois da ressurreição, depois da Páscoa.
João: 2, 19 -22
Acontece aqui uma nova interpretação das Escrituras e este exercício vai se transformar em Escritura para a comunidade cristã.
Ver a maneira de relatar os Atos dos Apóstolos: toda a história é oral. E por isso é uma história recebida, transmitida.
Atos 1, 1-13
Atos 17,11
João: 21, 25
Uma pequena parte se torna texto escrito. Uma grande parte da vida e ensinamento de Jesus e sobre Jesus permanece a Tora Oral.
O Novo Testamento se encontra no mundo da Oralidade e somente neste contexto ele pode ser entendido. E seu estudo supõe a oralidade.
Portanto se partimos somente do escrito do Novo Testamento estamos muito longe de seu sentido primeiro e certamente distantes de seu sentido verdadeiro.

1.      Oralidade
2.      Hariza (ligação dos textos entre eles)
3.      Cumprir as Escrituras

1.1  Oralidade
1.      João 21, 25:  Jesus fez também muitas outras coisas. Se cada uma delas fosse escrita, penso que nem mesmo no mundo inteiro haveria espaço suficiente para os livros ...
2.      Gn 29, 1: Midrash Génesis Rabba agrega este comentário.
"Diz o rabino Yochanan. Como alguém que remove a tampa da boca de uma pequena garrafa"
3.       Gn 31, 38-41
O Targum interpreta: - Quando o nosso Pai Jacó levantou a pedra da boca do poço, começou a transbordar em sua presença e continuou a derramar mais de vinte anos, o tempo restante no Haram.
4.      João 4, 5-12: ...11 Ela disse: Senhor, não tens com que tirá-la, e o poço é fundo; donde, pois, tens essa água viva? 12. És tu maior do que o nosso Pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio, e seus filhos, e o seu gado?

5.      João 7, 37-39: "Do fundo do seu ventre serão rios de água viva. '' E assim o Espírito designa quem deve receber o que eles acreditam: na verdade, ainda não havia Espírito, porque Jesus ainda não estava glorificado ".

6.      Papias: Apresentação da exposição das palavras do Senhor: “Para ti, não hesitarei em acrescentar às minhas explicações aquilo que outrora ouvi muito bem dos Anciões, cuja lembrança guardei muito bem, estando seguro de sua verdade. Realmente, não me comprazia – como faz a maioria – com os que falam muito, mas com os que ensinam a verdade. Também não me comprazia com os que recordam mandamentos alheios, mas com os que recordam os mandamentos dados pelos Senhor à fé, nascidos da própria verdade. Se, por acaso, acontecia de chegar algum dos que tinham seguido os Anciões, eu me informava sobre a palavra dos presbíteros, isto é, o que tinham dito André, Pedro, Filipe, Tomé, Tiago, João, Mateus ou outro discípulo do Senhor. E também o que falam Aristão e João, o presbítero, discípulos do Senhor. Eu não achava que as coisas conhecidas pelos livros pudessem me auxiliar tanto quanto as coisas ouvidas através da palavra viva e permanente”.

2.1: Hariza: Colar (ligação dos textos entre eles)
1. Primeiro, quem faz (fez) o Hariza é confundido com a própria palavra que ele ensina.
2. Rabi Eleazar ben Azarias diz sobre seu professor Rabi Eliezer: Você é melhor para Israel do que o pai e a mãe, o pai e a mãe Eles são para este mundo, enquanto Rabi, tu és a este mundo e do mundo para vir (tbSanedrin 101a).
3. João 6,68: Simão Pedro lhe respondeu: "Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna.
4. Então, o rabino Eliezer ben Hyrkanos e o rabino Yehoshua ben Ananias, os convidados de honra da circuncisão, se ocupam com as palavras da Torá; eles passavam da Torá aos profetas e dos profetas aos Escritos. - Um incêndio desceu do céu e os cercaram. Meu pai Abuya disse, meus mestres! Viestes para incendiar minha casa? Eles disseram, Deus me livre! No entanto, nós sentamos e Fizemos um colar com as palavras da Torá. Passamos da Torá aos profetas e dos profetas aos escritos e desta forma, estas palavras tornaram-se feliz como elas eram quando elas foram dadas no Sinai. (Tj Hagiga 2 77b).
5. Lucas 24, 13-48:... 32 E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras? ... 44 E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos. 45 Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. 46 E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, 47 E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. 48 E destas coisas sois vós testemunhas.
3-1: Cumprir as Escrituras
O contrário é cancelar. ביטל
Desenraizar. עקר
Superar. עקב Jacó: subornar
Suplantar.  עקף deixar para trás, abandonar
לקיים קיים – לקום קם – להקים
1.      Gn 17,7: וַהַקִמוֹתי את בריתי אִתוֹ לִברית עולם לְזַרעוֹ אחריו E estabelecerei “cumprirei” (va-haquimoti) minha aliança entre mim e ti, e a tua raça depois de ti, de geração em geração, uma aliança perpétua, para ser o teu Deus e o de tua raça depois de ti.
2.      Gn 17, 19; Gn 17, 21; Lv 26, 9; Ez 16, 60; Dt 29, 12.

3.      Os hereges perguntaram ao Rabi Gamaliel: Onde diz que o Santo Bendito Seja, ressuscitará aos mortos? – Ele respondeu, No Pentateuco – no livro dos profetas e nas escrituras. Eles não reconheceram.

No Pentateuco, onde diz: E o Senhor disse a Moisés, Eis que dormirás com teus pais; e te levantarás (וקם) Dt 31,16. Eles responderam, talvez tenha que ler: e este povo se levantará... No livro dos profetas, onde se diz: “Seus mortos viverão, seus cadáveres ressuscitarão. Despertai e cantai, vós que habitais no pó! Porque o teu orvalho, ó Deus, será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos. “Talvez se refira aos mortos que Ezequiel ressuscitou”.
Nas escrituras, onde diz:  E a tua boca como o bom vinho para o meu amado, que se bebe suavemente, e faz com que falem os lábios dos que dormem (Cânticos 7,9). Talvez ele se refere apenas ao movimento dos lábios, de acordo com o rabino Yochanan. Disse o rabino Yochanan em nome do rabino Simeão ben Yehotsadac: Quando invocado neste mundo jurisprudência em nome de um falecido, a este se movem os lábios na sepultura, como diz o escrito: Faz falar os lábios dos que estão adormecidos – Eles não se convenceram até que ele citou o versículo: O SENHOR jurou a vossos pais dá-la a eles – Ele não diz dá-la a você, mas, sim a eles.
Aqui é onde se indica na Torá a ressurreição dos mortos.
De acordo com outros, ele citou o seguinte verso: Porém vós que vos chegastes ao SENHOR, vosso Deus, hoje todos estais vivos (Dt 4,4). Assim como eles estão todos vivos hoje, Eles voltarão a estar vivo no mundo futuro. (tb Sanedrín 90b)

4.      Rabi Simai disse: Onde posso dizer que ensina sobre a ressurreição dos mortos na Torá? porque é dito, Ex 6.4: Eu posso cumprir a minha aliança com eles para lhes dar a terra de Canaã. Ele não disse a você, mas para dar. A partir desta passagem que pudermos saber que a Torá nos ensina sobre a ressurreição dos mortos. O versículo ouvido atentamente assinala para o futuro. O verso diz que o cumprimento não aconteceu para os pais vivendo neste mundo, ele será realizado por eles no mundo por vir, na ressurreição dos mortos. Deus cumpre suas promessas. Ele não é um Deus de mortos, mas de vivos. (Sifré s/ Dt 32,2).

5.      Disse um imperador a Rabban Gamaliel: Você diz que os mortos ressuscitarão; mas os mortos são transformados em pó; você pode reviver a poeira? A filha respondeu: Deixe-me responder. Em nossa cidade há dois ceramistas; um faz potes de água e o outro de lama: qual é o mais merecedor? O que faz de água – contesto. – Se Deus sabe fazer os seres humanos da água – disse ela – com maior razão saberá faze-los da lama. Ensinaram na escola de Rabi Ishmael: Pode-se deduzir por Kal VaChomer (קל וחומר)[6],  o caso de um recipiente de vidro. Se um recipiente de vidro, que é feito com o sopro de um ser de carne e sangue, é você pode corrigi-lo quando ele quebra, com ainda maior razão pode ser corrigido um ser de carne e sangue, feito com o sopro do Santo Bendito Seja (tb Sinédrio 91a).

1.      Um rei tinha dois funcionários que queria muito. Ele deu a cada um uma medida de trigo e um buquê de linho. O que fez o mais sábio? Com o linho ele fez uma toalha e moeu o trigo para ter farinha fina, ele trabalhou a farinha assando-a no forno e fez um pão que colocou sobre a toalha que havia feito e posto sobre a mesa, para o rei encontrar tudo no momento da chegada. O mais idiota não fez nada. Alguns dias mais tarde, o rei chegou e disse: "Meus filhos me tragam o que eu lhes confiei. O primeiro trouxe o pão sobre a mesa coberta com a toalha, o outro trouxe uma cesta com uma medida de trigo e um buquê de linho. Que vergonha! Que desgraça! O mesmo quando o Santo, bendito seja, deu a Torá para Israel. Ele deu-a como o trigo para ser removida a flor da farinha e como o linho para ser feito um vestido. (Seder Eliyaju Zuta II).
Entre várias coisas que se pode concluir a partir desta história, é que a Palavra de Deus não é estática. Não se pode pará-la quando está em movimento, ela é dinâmica, e este processo se realiza mediante o estudo e os ensinamentos.
É como o trigo e o linho que se convertem em sua finalidade, toda sua plenitude.
Então a pergunta é sempre o trabalho que se faz para interpretá-la e explica-la, e isto é uma parte de sua realização. A pesquisa da Palavra, minha busca, já é uma forma de seu cumprimento.

2.      Marcos: 12, 14 ... 26 E, acerca dos mortos que houverem de ressuscitar, não tendes lido no livro de Moisés como Deus lhe falou na sarça, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? 27 Ora, Deus não é de mortos, mas sim, é Deus de vivos. Por isso vós errais muito. // Mt 22, 23 ... 29 Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. 30 Porque na ressurreição nem casam nem são dados em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu. 31 E, acerca da ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: 32 Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos. 33 E, as turbas, ouvindo isto, ficaram maravilhadas da sua doutrina.

3.      Atos 13, 32; Atos 26,6

4.      O evento em que Jesus morreu e ressuscitou dos mortos é visto na perspectiva do cumprimento das Escrituras:

1-      Interpreta – ensina e continua a tradição
2-      Vive a palavra que ensina: ação
3-      Palavra ocorre em sua vida: Ela é a Palavra

5.      Marcos 1: 1; Mateus 1: 1; João 1: 1; Atos 26, 22; Atos 17: 1; Lucas: 1, 1- 4; João 12, 16; I Cor. 15, 3; Mc 14, 49; João 12, 16; João 2, 19.

Nos primeiros anos da igreja cristã, o evangelho foi transmitido e preservado oralmente. Como os primeiros discípulos esperavam para breve a volta do Senhor ressurrecto, eles não sentiram nenhuma necessidade de escrever uma narrativa do testemunho apostó­lico. Foi somente depois que os apóstolos e outras testemunhas começa­ram a morrer e ser mortos, que se sentiu ser necessário preservar, em forma de escrita, o teor do ministério do Senhor Jesus. Foi durante esse período que surgiu o que é denominado a Tradição Oral do evangelho.

Tendo-se um Segundo Testamento de vinte e sete livros reconhecidos como o testemunho autorizado dos apóstolos e da igreja primitiva, surge outro problema. É o problema com o texto dos próprios livros. Nenhum dos manuscritos originais (autógrafos) sobreviveram, e os manuscritos existentes têm muitas diferenças textuais. Foi afirmado que das 4.800 cópias em grego de várias partes do Segundo Testamento não existem duas exatamente iguais. O mais antigo manuscrito é uma porção do Evangelho de João (capítulo 18:31-33; 37-38) que foi escrito durante o primeiro quartel do segundo século (Rylands Papyrus 457). Os manuscritos mais confiáveis datam do terceiro e quarto séculos.

Em 64 d.C., um incêndio destruiu metade de Roma. Os historiadores romanos daquela época estavam bem certos de que Nero, o imperador romano, havia ordenado o incêndio de bairros pobres, para limpar o caminho para a construção de prédios novos e mais bonitos. Quando a culpa começou a ser atribuída a ele, Nero procurou algum grupo de pessoas para culpar. Naquela ocasião os cristãos de Roma estavam sob a suspeita de serem canibais (comiam a Ceia do Senhor), imorais (gostavam de festas) e contra a comunidade (só eram leais ao Senhor Jesus Cristo). Era o grupo perfeito para se culpar. O historiador romano Tácito (Annals — Anais — XV, 44) escreveu que Nero fez dos cristãos o bode expiatório, acusando-os de incêndio culposo e ira contra a humanidade. O coliseu em Roma ecoou com gritos frenéticos de 60.000 pessoas, exultando no martírio cristão, e as vias públicas testemunharam o horrível espetáculo de crucificações e piras funerais. Uns foram rasgados em pedaços, por cães selvagens, outros, crucificados, e ainda outros, queimados vivos, para iluminar os jardins de Nero.

Passando a primeira geração de cristãos, houve a necessidade da narração escrita da história do Evangelho, da pregação das testemunhas mais antigas. Tiago, o irmão de Jesus e o líder do cristianismo judaico, fora martirizado em 62 d.C. Com a morte de Paulo e a morte de Pedro, que se aproximava, sentiu-se ser necessário um registro escrito do ministério do Senhor, antes que todos os apóstolos morressem e a igreja fosse deixada sem um conhecimento íntimo acerca da vida e do ministério de Jesus.


Formulando esta questão, nós devemos precisar o conteúdo. Não queremos interrogar somente sobre a consequência para a fé cristã o fato que Jesus nasceu judeu. Esta afirmação, que em si mesma é fundamental e de grande importancia[8], restringiria muito o sentido de nossa reflexão. Nós não nos limitaremos sobre o fato, hoje melhor estabelecido e melhor reconhecido que ontem, que Jesus recebeu a educação judaica habitual, segundo as regras prescritas pela Lei[9]. Sublinhando os primeiros sinais da vocação excepcional de Jesus, o Evangelho atesta, por ocasião da discussão com os doutores do Templo, sua inserção na tradição religiosa de seu povo. (Lc 2,41-50). Mas nosso estudo não deve se ocupar somente da origem e da maneira de viver ou de pensar de Jesus; nossa reflexão deve se concentrar sobre o que foi o objeto de seu ministério público em sua idade adulta e sobre o acontecimento decisivo para a fé, assim como a significação que Jesus, Ele mesmo deu: à Paixão e à Ressurreição. Jesus foi Judeu em todo o seu ser, em todo o seu comportamento e até o termino de sua existência terrestre, ou, ao contrário, por motivos que ainda nos é necessário elucidar, em um certo momento de sua existência, Jesus se apartou de sua existência judaica? Ele falava e agia “conforme a Tora” ou devemos olhar por de traz de cada palavra e de cada pronunciamento de Jesus, uma pretensão que quer confrontar à tradição mesma do judaísmo? Em definitivo, seria conforme à tradição de Calcedônia não somente dizer abstratamente que Ele foi homem e Deus, mas acrescentar e dizer concretamente que Ele foi homem judeu e Deus?
Devemos crer que o Evangelho nos impõe a fazer tal afirmação. E devemos tirar as consequências. Se hoje nós somos conduzidos a fazer tal afirmação, é que muitos, ao longo dos séculos, não ousando negar, tentaram esquecê-lo. “Muitos cristãos sabem que Jesus foi judeu, mas estimam, de certa maneira, que o judaísmo não teve nenhuma função em sua vida, pois ele era ‘cristão’[10]!” Por causa desta dicotomia permanente, terminamos por separar o “Jesus da história” do “Cristo da fé”.
Esta distância, que se inscreveu na dogmática ecuménica, é a separação mais trágica que se poderia introduzir na fé de calcedônia. Começa-se apenas a perceber hoje a fonte desta separação. Não se deve jogar a responsabilidade sobre a ciência histórica nem sobre a ciência das religiões. Sua origem deve ser buscada na própria história do dogma cristão. Por se ter esquecido o Jesus judeu que se introduziu na teologia, em detrimento da fé, um “Cristo da fé cristã”, objeto da confissão de fé, porém este Cristo risca de ser privado de sua carne e de seu sangue, de ser esvaziado de sua substância e de sua realidade, comunicável, talvez, aos pagãos (isto não é muito seguro!), mas não aos judeus (por isso a tenacidade por parte deles, pode ser compreensível!)
Por que escrever uma vida de Jesus é um empenho perigoso e muito importante? É bom dizer que antes de tudo é uma pretensão moderna. Os Padres sabiam que lhes era suficiente abrir os Evangelhos. Eles sustentavam que o Antigo Testamento fornece as chaves que permitem de os ler. Mas, em nossos dias, nos é difícil, mesmo abrindo simplesmente os Evangelhos, de descobrirmos de maneira serena, não emotiva, este Jesus judeu, pois nossa visão do mundo judeu que circundava Jesus permanece profundamente marcada pelas controversas que se opõem judeus e cristãos. Este “retorno às fontes” se torna ainda mais difícil porque estas controvérsias encontram um certo fundamento no próprio Novo Testamento[11]. Desta maneira, frequentemente, o Sitz im Leben (contexto vital) do Evangelho nos escapa. Os exemplos que poderíamos dar seriam inúmeros. Para nós, os preceitos da Lei são de início quase caducos, enquanto que para Jesus e para seus contemporâneos eles eram fontes de vida[12]. Para nós, os Fariseus são o exemplo próprio do “farisaísmo” e não do que se pode chamar o “farisianismo”, um espírito de fidelidade e de atenção à Lei difusa entre todo o povo[13]. Para nós, as parábolas são relatos edificantes, quase atemporais, enquanto que elas são cheias de espera do Reino[14]. Para redescobrir Jesus hoje, é necessário compreender qual significado ele dava aos ritos, que sentido Ele dava à Tora, como Ele falava de Deus à multidão que o seguia e a seus discípulos. É necessário voltar Aquele que, para se encarnar, se fez judeu entre os judeus; Aquele para o qual ser judeu não uma roupagem ou um disfarce, mas seu próprio ser.
Confessar Jesus Cristo deixando de lado este dado essencial seria uma certa forma de docetismo. A primeira tensão conhecida no cristianismo deu-se entre o ebionismo e o docetismo[15]. O ebionismo desapareceu sem deixar traços[16]. Mas se distanciando do ebionismo, a fé cristã se protegeu totalmente do docetismo? Afirmar sem hesitar seria sem dúvida dar prova de um certo espírito de ortodoxia como também de uma falta de conhecimento da história dos dogmas cristãos. Em todo caso seria enganar-se profundamente crer que o realismo e o universalismo da criptologia se vinculam à generalidade da fórmula dogmática; ao contrário, eles se conectam à sua precisão concreta, ao seu próprio particularismo: é se encarnando no povo judeu que Jesus se ofereceu como salvador da humanidade inteira. Nós não podemos confessar Jesus senão como Ele se manifestou a nós - como este judeu, este justo, este servidor sofredor - e é assim que Ele se apresenta para reinar sobre o mundo.
O que dizemos da pessoa de Jesus deve ser dito também de sua mensagem. Para que o Kerígma da Igreja tenha todo o seu sentido, devemos nos referir ao Evangelho que Jesus pregou. Ora, este Evangelho foi proclamado na linguagem da Bíblia, a partir da Tora em referência aos Profetas, no seio da tradição, discutida e criticada, mas não rejeitada (Mt 23, 2-3). Primeiramente deve-se dirigir aos judeus e mesmo somente aos judeus, “às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15, 24). Ignorar o contexto judeu da predicação de Jesus, já não é um ato de esvaziar o Evangelho de seu próprio conteúdo? Não é retornar à pretensão estigmatizada por Paulo, de pôr a “loucura da cruz” nos “discursos de sabedoria”?
Poder-se-ia fazer, enfim, a seguinte objeção: se o Evangelho de Jesus foi essencialmente uma palavra dirigida aos judeus, o Kerígma, enquanto fundado sobre a Paixão e a Ressurreição de Cristo, fala de Jesus em termos diferentes; o kerígma, a cada momento, nos faz ir além do Jesus “judeu” para percebermos que, desde as origens e antes da criação do mundo, “Deus estava no Cristo” e operava através d’Ele na reconciliação de todos os homens. Em particular, a afirmação central do Kerígma segundo a qual Jesus é “morto pelos nossos pecados segundo as Escrituras”, esta afirmação, malgrado a referência escrituraria, ultrapassa o conteúdo estrito da fé judaica. Ela procede do acontecimento decisivo que funda a fé cristã. Ela é a interpretação de um acontecimento histórico único, não somente acontecido no contexto da história judaica e concernente de maneira geral ao povo judeu, mas se cumpre uma vez por todas por Jesus. Nós compreendemos bem esta objeção. Não se deveria dizer, no entanto, que Jesus, cumprindo este ato decisivo, o cumpriu como judeu? É o que sugere, talvez, a inscrição legal posta por Pilatos sobre a Cruz; é o que prova em todo caso as palavras tiradas dos Salmos pronunciadas por Jesus todo ao longo de sua Paixão.
Frequentemente se coloca a seguinte alternativa. A interpretação redentora da morte de Jesus sobre a Cruz é o cumprimento misterioso da fé judaica, ou ela constitui uma nova doutrina e, no máximo, heterogênea ao judaísmo? Neste caso se trata de um falso dilema. Se a teologia cristã fora fundada sobre uma base externa ao judaísmo, como Jesus teria podido falar, Ele mesmo, de sua morte eminente e como esta morte poderia assumir um sentido para seus discípulos? Assim, certos exegetas cristãos, e não poucos, muitas vezes desconheceram o contexto judaico da paixão e da ressurreição e negaram que Jesus anunciou sua morte e contemplou, ele mesmo, seu fim redentor[17].
Eis, portanto a conclusão à qual nós somos conduzidos. A fé não seria estrangeira ao “Jesus da história”[18]. O kerígma não reenvia a um além do Jesus judeu, como se o Cristo existisse doravante em um mundo inacessível aos nossos olhos, de onde sua qualidade de judeu fosse cancelada[19].



Uma segunda questão se insere sobre a que acabamos de examinar até agora: a questão da Igreja. Jesus foi judeu. Mas nem todos acreditaram n’Ele. Houve logo no inicio entre aqueles que confessaram o nome de Jesus um grande número de não-judeus. E estes não foram chamados a se tornarem judeus pelo fato que Jesus foi judeu. Não vamos voltar aqui sobre o problema fundamental levantado no Concílio de Jerusalém e resolvido a partir de regras impostas pelo Judaísmo para a conversão dos prosélitos. Levantar esta questão obrigaria examinar em que e por que a Igreja é na sua essência fundada sobre a “reconciliação dos judeus e dos gentios”. Nós não podemos discutir isso aqui. Isto exigiria um exame de como o kerígma pode ser professado em comum a homens de culturas e de tradições religiosas diferentes. Isto nos conduziria a nos perguntar sobre a formação das festas, da liturgia, do calendário, em resumo, sobre todo o problema da relação entre o judeu-cristianismo e o pagão-cristianismo na Igreja primitiva. Não podemos entrar aqui neste debate. Mas deve ser mencionado porque ele não é estrangeiro à questão que nos ocupa no presente. Se Aquele em que nós cremos foi judeu, não é acidental à economia da Igreja fundada por Jesus que a Igreja seja composta de “judeus e de gentios”. Portanto é necessário que aja uma permanência de homens que testemunhem a “relação judaica” de Jesus e que revelem aos outros, os de origem não-judaica que têm uma relação não-judaica com Jesus, o que pode ser e como pode ser ainda hoje esta compreensão judaica de Jesus. Foi isto, sem dúvida, a vocação particular do judeu-cristianismo. Contudo o judeu-cristianismo é um emaranhado complicado que, historicamente não pode existir. Uma vez que o judeu-cristianismo desapareceu, este testemunho judaico sobre Jesus não pode ser portado senão pelos judeus formados na tradição do povo de Jesus. E este testemunho deve vir somente por judeus que confessam Jesus Cristo, mas provem do povo judeu todo inteiro que, por sua vocação própria, testemunha o Deus vivo e único no meio dos homens. Para que hoje nós possamos reencontrar plenamente esta relação judaica de Jesus, para que possamos nos unir até seu ser íntimo o “Jesus Histórico”, é necessário concretamente supor a existência deste intermediário. A Igreja não está ligada ao povo judeu através de um enxerto inicial e pelo único fato que ela recebeu D’Ele o Livro que permite confessar Jesus Cristo. Ela não está ligada a Ele somente pela memória. Ela é vinculada a Ele porque há um “povo judeu” que está sempre realmente em posição de escuta da voz de Deus O qual este Livro testemunha. A Igreja está ligada a Jesus Cristo porque Ele é a marca sempre presente da revelação que a torna atual diante do mundo como um memorial (zikaron). Para dar consistência e sentido a tudo quanto sugerimos aqui, seria bom desenvolver positivamente o que Santo Agostinho exprimiu outrora, em uma fórmula onde o aspecto negativo dominou sobre o aspecto positivo, isto é, que há um testemunho permanente oferto a Deus pelo povo Judeu[20] e que este testemunho é a via providencial que nos coloca no caminho do “Jesus histórico”.
Se gostaria sem dúvida de encontrar aqui algumas linhas de busca mais concretas. Na realidade seria mais fácil indicar qual método que se deva seguir antes de enumerar os resultados. É evidente que a imagem concreta de Jesus se precisará aos nossos olhos quando nós tivermos reencontrado a familiaridade com os Targumim, em curso de edição atualmente[21], e quando tivermos cessado de ver um hiato entre o “povo judeu” das origens e o “povo judeu” do período de segundo Templo. O século XX será, talvez, o que a Igreja reencontrou o mundo judeu contemporâneo a Jesus a partir das descobertas do Mar Morto que nos permitem agora  melhor conhecer[22]. Uma melhor apreciação dos fundamentos bíblicos do Novo Testamento pode certamente conduzir um progresso notável na compreensão do Evangelho e pode mesmo, em alguns casos, conseguir retificar certos erros de interpretação[23]. Assim P.-E. Lapide remarcou no seu texto grego do Novo Testamento um certo número de leituras falsas ou ao menos formas de interpretar que podem ser retificadas recorrendo-se ao hebraico[24]. A partir disto, se tornará possível melhor captar o sentido de Deus e do Homem, o universo religioso que foi o de Jesus e de seus discípulos. Com a renovação dos estudos escriturísticos, a espera do “Reino”, que está no coração da pregação de João Batista e do Evangelho de Jesus, já encontrou seu lugar central e sua importância depois do início do século. Mas resta muito a fazer ainda para compreender o significado profundo que se pode ter para os discípulos, os títulos messiânicos de Jesus, em particular o título de “filho único” de Deus. Uma tal expressão não foi compreendida em um único dia como a afirmação de uma filiação em Deus; esta foi portada e engendrada pela Agadá relativa ao sacrifício de Isaac[25]. A Bíblia deve ser para nós a fonte inesgotável, sempre pronta a ser explorada a partir de uma justa compreensão do mistério de Jesus. Seria um erro crer que a Epístola aos Hebreus trouxe em sua totalidade a interpretação da Escritura que foi aquela da primeira geração apostólica. Esta foi formada lentamente e estamos longe de ter recolhido atualmente o conjunto do ensinamento dos Testimonia.
Mas estas pesquisas cairiam sem dúvida sobre a rocha dura representada pelo exegetas do século passado e elas permanecerem como fato de especialistas. Deve se tomar em conta sem cessar a tradição profunda do judaísmo que traz até nós a interpretação viva da Bíblia e que é a melhor garantia de sua compreensão. Reconhecer Jesus hoje, não é somente repetir o testemunho daqueles que confessaram antes de nós; não é somente reencontrar, graças a um constante retorno às fontes, a confissão de fé da Igreja primitiva, judaica e helenista. Reconhecer Jesus, é aceitar, hoje, como ontem, o encontro histórico “dos judeus e dos gentios”, reunidos e reconciliados n’Ele. A confissão de fé é constituída pela unificação, pela unidade íntima destes dois testemunhos. O fato que um seja minoria e mesmo quase invisível e que o outro seja maioria e ocupe toda a parte visível da cena não deve modificar esta estrutura fundamental. Também a Igreja, animada sem cessar pelo chamado que lhe vem das nações, deve ela, igualmente, voltar sem cessar à fonte e buscar compreender Jesus a partir da tradição judaica na qual Ele próprio se alimentou e a partir da qual Ele deixou seu Evangelho. A missão da Igreja junta as nações não é garantida senão por este perpétuo retorno à fonte. (Tradução Elio Passeto NDS).


Qual era o conhecimento de que Jesus e seus discípulos tinham das Escrituras? Como eles interpretaram as Escrituras? João 21,25: "E também há muitas outras coisas que Jesus fez, que se fossem escritas em detalhe, penso que nem mesmo o próprio mundo poderia conter os livros que seriam escritos ".
1 Cor. 15: 3: "Porque eu entreguei a você primeiro o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras.
Mc 14,49. "Todo dia eu estava com você ensinando no templo, e você não me prenderam. Mas as Escrituras precisam ser cumpridas".
João 2:19 "Respondeu, e disse-lhes Jesus: Destruí este templo, e em três dias eu o reconstruirei. 20: Então os judeus disseram: quarenta e seis anos para construir este templo, e tu o levantarás em três dias? 21: Mas ele falava do templo do seu corpo. 22 Assim, quando Ele ressuscitou dentre os mortos, os seus discípulos lembraram-se de que Ele disse isso; e creram na Escritura e na palavra de Jesus ele tinha falado ".
Mat. 22, 23 ... 29 Mas Jesus lhes respondeu: Você está enganado, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. 30 Porque na ressurreição nem se casam nem se dão em casamento; mas serão como anjos de Deus no céu. 31 Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que foi dito por Deus, quando disse: 32 "Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Jacob "? Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos. 33 Ao ouvir isso, as multidões se maravilhavam da sua doutrina ' Marcos 12,24...
Marcos 1: 1: '' início do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. 2 Como está escrito no profeta Isaías ... " Mat. 2.3: '' Quando o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele. 4 Então, reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo, perguntou-lhes onde o Cristo deveria nascer. 5 Então eles lhe disseram: Em Belém da Judéia, porque assim está escrito pelo   profeta: 6 E tu, Belém, terra de Judá, De modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo Israel. (Mq. 5,1)
Mateus 2,14: Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe durante a noite, e partiu para o Egito, onde ficou até a morte de Herodes.15: E assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: "Do Egito chamei o meu filho". (Os 11, 1)...17:  Então se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias: "Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação; é Raquel que chora por seus filhos e recusa ser consolada, porque já não existem". (Jr 31,15).
Mas, ao ouvir que Arquelau estava reinando na Judéia em lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Tendo sido avisado em sonho, retirou-se para a região da Galiléia
e foi viver numa cidade chamada Nazaré. Assim cumpriu-se o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno. (Não é o texto bíblico).
Mat. 3: 3 '' Este é aquele a quem o profeta Isaías falou, dizendo: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. "
Mat. 4: 3 '', o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. 4 E ele respondeu: Ele disse: Está escrito: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus". (Dt 8,3) 5 Então o diabo levou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, 6 e disse: Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo, porque está escrito:  "Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui para baixo. Pois está escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra’". (Sl 91, 11-12) 7 Jesus lhe respondeu: "Também está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus’". (Dt 6,16).
Mat 4,8 Depois, o diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor. E lhe disse: "Tudo isto lhe darei, se você se prostrar e me adorar", (Dt 6,13)
Mat 4,13 Saindo de Nazaré, foi viver em Cafarnaum, que ficava junto ao mar, na região de Zebulom e Naftali, para cumprir o que fora dito pelo profeta Isaías: "Terra de Zebulom e terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios; o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz". (Is 8, 23-9,1).
Disse também Rabino Yehoshua ben Levi: Quando Moisés subiu ao alto, falou perante os Anjos, servidores do Santo, bendito seja Ele: Senhor do universo, que tem a ver com a gente um nascido de mulher? - Ele veio para receber a Torá - respondeu. Aquele segredo esquisito? Disseram eles – Tu escondeste isto por novecentos e setenta e quatro gerações antes da criação do mundo, e você quer dar para estes (seres) de carne e osso? Que é o homem, para que com ele te importes? E o filho do homem, para que com ele te preocupes? (Sl 8,5) Senhor, Senhor nosso, como é majestoso o teu nome em toda a terra! Tu, cuja glória é cantada nos céus. (Sl 8,2) Disse o Santo, bendito seja, a Moisés: Dê-lhes a resposta. Moisés disse: Senhor do mundo, temo que me queime com o sopro de tua boca. – Toma posse do trono da minha glória - Ele disse - e dar-lhes a resposta. - Diz sobre o verso: Ele cobre a face da lua cheia estendendo sobre ela as suas nuvens. (Jó 26,9). E o rabino Nahum disse: Isto ensina que o todo poderoso estendeu o poderoso brilho de sua divindade e coloca sobre ele como uma nuvem protetora. Moisés lhe disse: Senhor do mundo, o que diz a Torá que você me dar? - Eu sou o Senhor, o seu Deus, que te tirei da terra do Egito (Ex 20,2). Vocês foram ao Egito? – Disse Moisés aos anjos – vocês foram escravos do faraó? Por que é sua a Torá? Além disso, que diz isso? Não terás outros deuses (Ex 20,3). Vocês vivem entre pessoas que adoram ídolos? O que mais isso diz? Lembre-se do dia de descanso para o santificar (Ex 20,8). Fazes algum trabalho, eles precisam descansar? O que mais isso diz? Não roubarás (id., 7). Fazes intercâmbio comercial? (Pode ser visto no transe de ter que jura?) O que mais que ela diz? Honra a teu pai e a tua mãe. (Id., 12). Vocês têm um pai e mãe? O que mais que ela diz? Não matarás, não adulterarás, não furtarás (id., 13-15). Vocês têm inveja e instinto do mal? - Então os anjos concordaram com o Santo, abençoado, seja, como se diz no verso: Ó Senhor, Senhor nosso, quão grande é o teu nome em toda a terra! (Sl 8,1) sem dizer então: Você definiu a sua glória sobre os céus. Em seguida, todos eles demonstrando afeto, cada um transmitiu algo como diz o verso: Você subiu ao alto, você capturou os cativos, recebeu presentes para os homens. עלית לַמרום, שבית שבי, לקחת מתנות בַאדם (Sl 68,19); como uma recompensa por ter chamado homem recebeu presentes ... '' (tb Shabbat 88b-89a).
Ef. 4: 6  Um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos. E a cada um de nós foi concedida a graça, conforme a medida repartida por Cristo.
Por isso é que foi dito: "Quando ele subiu em triunfo às alturas, levou cativo muitos prisioneiros, e deu dons aos homens". עלית לַמרום, שבית שבי, לקחת מתנות בַאדם (Sl 68,19)... 17 Assim, eu lhes digo, e no Senhor insisto, que não vivam mais como os gentios, que vivem na futilidade dos seus pensamentos. 18 Eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus por causa da ignorância em que estão, devido ao endurecimento dos seus corações.
"Os sábios ensinaram na baraita[26]: Em certa ocasião o filho de Rabban Gamliel ficou doente e este enviou dois estudiosos da Torá a Rabi Hanina ben Dosa para pedir misericórdia para ele. Apenas Rabi Hanina os viu subindo ao sótão e ele pediu misericórdia para ele. Ao descer lhes disse: Id, porque a febre baixou. Foi-lhe dito: Por acaso você é um profeta? Ele disse: Eu não sou nem um profeta nem filho de um profeta. Mas eu tenho uma tradição, que, se a minha oração flui em minha boca, eu sei que ela tem sido aceita, mas se não, então eu sei que ela tem sido rejeitada. Sentaram-se e escreveu a hora exata, e quando eles chegaram com Rabban Gamliel e disse-lhe Rabi Hanina Pelo serviço Divino, não têm nenhuma diminuição ou aumento através da determinação do momento de sua recuperação! Mas assim que exatamente aconteceu: naquele momento a temperatura caiu e nos pediu um pouco de água para beber ". (Tb Berachot 34b).
Mat. 8:5 E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe,
6 E dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado.
7 E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde. 8 E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar. 9 Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz. 10 E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé... 13 Então disse Jesus ao centurião: Vai, e como creste te seja feito. E naquela mesma hora o seu criado sarou.
João 4,49 49 Disse-lhe o nobre: Senhor, desce, antes que meu filho morra. 50 Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe disse, e partiu. 51 E descendo ele logo, saíram-lhe ao encontro os seus servos, e lhe anunciaram, dizendo: O teu filho vive. 52 Perguntou-lhes, pois, a que hora se achara melhor. E disseram-lhe: Ontem às sete horas a febre o deixou. 53 Entendeu, pois, o pai que era aquela hora a mesma em que Jesus lhe disse: O teu filho vive; e creu ele, e toda a sua casa.
Rabí Ishmael e Rabí Elazar filho de Azarías e Rabí Akiva estavam caminhando por um caminho e Levi Hassaddar e Rabí Ishmael filho de Rabi Elazar, filho de Azarías estavam caminhando detrás deles. E uma pergunta surgiu entre eles: Onde sabemos que o salvamento de uma vida substitui o sábado? Rabí Ishmael respondeu:  Se o ladrão for achado roubando, e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue, Se o sol houver saído sobre ele, o agressor será culpado do sangue (Ex 22, 2-3). E Isso é verdadeiro mesmo se você não tem certeza se ele veio apenas para matar ou roubar. Agora bem, do raciocínio simples para o complexo: Tal como o assassinato de uma pessoa que contamina a terra e empurra a presença divina fora substituindo o sábado (como neste caso de alguém preso durante a noite por ter quebrado e entrado), mas ainda se salvar uma vida.
Rabi Elazar falou com uma resposta diferente: como a circuncisão que salva apenas um membro de uma pessoa substitui Shabbat, o corpo salva ainda mais!
Rabí Akiva disse: se o crime substitui o culto no Templo (Ex 21,14) substituindo o sábado, para salvar a vida ainda mais!
Rabi Yose Hagalili diz: Quando você diz ", mas guarde os meus sábados", a palavra, "mas" faz uma distinção: há Shabat que é deixado de lado e há aqueles que são salvos. Isto é, quando a vida humana está em jogo, este substitui o Shabbat.
Rabí Shimon filho de Menasya diz: Eis que se diz: guardar o sábado, porque o sábado é sagrado para você; para vocês foi entregue o Shabat e não o vocês entregues ao Shabat. Rabi Natan diz: E os filhos de Israel cumpriam o sábado para manter o Shabat pelas suas gerações. Profanar o Shabat por ele (o enfermo), assim você pode salvar muitos sábados. (Mechilta de Rabí Shmuel parasha A).
Mat. 12:1  Naquele tempo passou Jesus pelas searas, em um sábado; e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas, e a comer. 2 E os fariseus, vendo isto, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer num sábado. 3 Ele, porém, lhes disse: Não tendes lido o que fez Davi, quando teve fome, ele e os que com ele estavam? 4 Como entrou na casa de Deus, e comeu os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem aos que com ele estavam, mas só aos sacerdotes? 5 Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa? 6 Pois eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo. 7 Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes. 8 Porque o Filho do homem até do sábado é Senhor.
"Naquele lugar eu vi a primavera de justiça, e que era inesgotável, e muitas fontes de sabedoria em torno dele. E todos os sedentos, eles bebiam ficando cheios de sabedoria, e as suas habitações foram com os justos, os santos e os eleitos. E naquele tempo o filho do homem, ele foi nomeado na presença do Senhor dos espíritos, e seu nome antes do início dos dias. Mesmo antes de o sol e as constelações serem criadas, antes de as estrelas do céu serem feitas, o seu nome foi nomeado ante o Senhor dos Espíritos. Ele será um bastão para os justos, para que possam se apoiar e não cair, e ele será a luz para as nações, e ele vai ser uma esperança para aqueles que sofrem em seu coração. Todos os que habitam sobre a terra cairão e se prostrarão diante dele e o glorificarão, bendirão e cantarão hinos ao nome do Senhor dos espíritos. Por esta razão foi escolhido e escondido em sua presença, a palavra foi criada para sempre. E a sabedoria do Senhor dos espíritos revelou aos santos e justos, porque ele tem a porção preservada dos justos. Porque eles têm odiado e desprezado este tempo de injustiça; na verdade, todas as suas ações e seus modos ter odiado o nome do Senhor dos espíritos. Porque em seu nome que eles foram salvos. E ele é vingador de suas vidas. Naqueles dias, desanimado serão os rostos dos reis da terra, e o forte possuirá a terra, por causa das obras das suas mãos. No dia da aflição e angústia eles não serão salvos; e nas mãos do meu escolhido eu vou jogá-los. Como palha em chamas e chumbo na água, por isso queima na presença do sagrado. E eles vão afundar na presença dos justos e nenhum vestígio deles serão encontrados. E no dia da sua ruína vai descansar na terra, e diante dos justos cairão e não se levantarão, e não haverá quem os tome pelas mãos para levantá-los. Porque eles negaram o Senhor dos espíritos e o seu ungido. Bendito seja o nome do Senhor dos espíritos. (I Enoque 61-63).



As datas propostas abaixo são tiradas da obra coletiva Introduction au Nouveau Testament publicada pela éditions Labor et Fides, 20043, sob a direção de D. Marguerat. Os especialistas insistem hoje sobre a dificuldade de estabelecer uma datação precisa, exceto para as principais cartas de Paulo, redigidas incontestavelmente por suas mãos, e porisso mais fácil de situar no contexto histórico. Se os debates prosseguem, para diminuir o intervalo de tempo estabelecido, esta ordem cronológica relativa a aparição dos textos uns em relação aos outros, é doravante admitida pela maioria dos pesquisadores.

50-51: Paulo aos Tessalonissences
52-54: Paulo aos Corintios, Filipenses, Filemon
53-55: Paulo aos Colossenses (ou 70-80) atribuida a um discipulo de Paulo.
54-57: Paulo II carta aos Corintios e Gálatas
56-57: Paulo aos Romanos
Final dos anos 50-inicio dos anos 60: Epístola de Tiago, atribuida a um cristão de origem pagã da segunda ou terceira geração
60-70: Carta aos Hebreus, autor anônimo
70: Evangelho de Marcos
70-90: Primeira carta de Pedro, atribuida a um judeu-cristão da comunidade de Roma
70-100: Segunda carta aos Tessalonissenses atribuida a escola paulina
80-85: Evangelho de Lucas
80-90: Atos dos Apóstolos, atribuidos a um discipulo de Paulo, igualmente o Evangelho de Lucas
80-100: Epístolas aos Efésios, atribuida à escola paulina
85-100: Evangelho de João
89-96: Apocalípse de João
100: Evangelho de Mateus
100: As Epístolas pastorais (I e II a Timoteo, Tito), atribuidas à escola paulina
100-110: Primeira carta de João, atribuida à escola joanina
110: Segunda e terceira cartas de João, atribuidas à escola joanina
125-130: Segunda carta de Pedro, atribuida a um autor judeu-cristão helénico.

Os três primeiros Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas) apresentaram uma área de incerteza nos estudos do Segundo Testamento. Estes livros foram chamados os "Evangelhos Sinópticos", desde que o termo foi pela primeira vez usado por J.J. Griesbach, em sua edição do Segundo Testamento grego, em 1774-1778. A palavra grega sunoráo significa "ver junto", e chama a atenção para o material comum a todos os três e indica que eles são melhores compreendidos quando estudados juntos. Mesmo uma leitura casual dos quatro primeiros livros do Segundo Testamento mostrará que os três primeiros têm muita coisa em comum (representando uma tradução comum) e o quarto parece pertencer a outra tradição distinta.

Sinóticos = olhar do conjunto.
Nos Evangelhos temos: Mateus, Marcos e Lucas.
Mateus = Este é o reino de Deus.
Marcos = Jesus como o messias
Lucas = O evangelho aos pobres.

Cada um deles morou em região diferente e não se conheciam. No entanto muitas coisas escreveram de forma bem semelhante. Se fosse pura imaginação, seria muito difícil três pessoas falarem a mesma coisa. Na comparação das igualdades vemos a História e na desigualdade, uma maneira de transmitir uma verdade, uma maneira de ensinar o teológico. De outro lado, tudo é carregado de significados. Por exemplo, quando Maria só depois de três dias deu por falta do filho que ficara no templo, tem um significado teológico. Sinótico é ciência de estudo dos 3 Evangelistas.
Todo texto do evangelho parte de um fato ou de uma palavra. Os quatro evangelhos, colocados sob o crivo das comunidades que conheceram Jesus, foram os escolhidos como sendo os “verdadeiros”, mas outros escritos também podem ter muitas verdades, não no conjunto, daí o nome de Apócrifos (onde sua autenticidade não está provada e são tidos como não inspirados por Deus).

Os quatro evangelistas escrevem para comunidades que conheceram Jesus, mas, eles mesmos não o conheceram. (Mc 3,13-19; Lc 6,12-16; Mt. 10,2-4 =   “Mateus, o publicano”. Note a vírgula (,) = um aposto. Uma, explica. Não confundir o Mateus Apóstolo e o Mateus escritor.

Lucas escreveu a partir de Paulo
Marcos a partir de Pedro
Mateus a partir de Mateus Apóstolo.
Os quatro evangelhos foram escritos em grego.
Marcos 1,1 - fala que Jesus é filho de Deus.
Mateus 1,1 – Jesus é filho de Davi, filho de Abraão, o prometido.
Lucas 3,23 – “Supunha” que até era o Filho de Deus. = Os três dizem que Jesus é filho de Deus.
João 1,1 = fala que ele é Deus. “No princípio era o Verbo,... e o Verbo era Deus.
Quanto maior o tempo, maior é o conhecimento que temos sobre Jesus. Nós conhecemos mais sobre Jesus que os evangelistas que escreveram.
Toda a narração tem um sentido teológico. Jesus no coxo, “manjedoura” = coxo é lugar de alimento; Jesus é o pão. Belém significa lugar de alimento. Jesus sendo alimento; nasce em Belém e num coxo (Lc 2,1-7), apesar de seu pai ser um carpinteiro e logicamente teria feito um berçinho, mas para o narrador, ele está no coxo e em Belém, pois ele é o pão vivo que desceu do céu.

Quando o mesmo texto aparece nos quatro evangelistas podemos dizer que é histórico.
Quando aparece em 3 = certamente é histórico.
Quando aparece em 2 = talvez seja histórico.
Quando aparece em 1 = é teológico.

Jesus nada escreveu. Ensinou aos Apóstolos. Os apóstolos ensinaram aos evangelistas e estes, depois da morte dos apóstolos, escreveram sobre o que Jesus falara. Escreveram Segundo o que ouviram (quem conta, aumenta um ponto, a fim de reforçar a mensagem). A verdade aparece quando um evangelho bate com o outro. Nossa bíblia, os livros nela contidos, foram os escritos que foram aceitos pelas comunidades. Outros escritos não foram aceitos, e foram tidos como Apócrifos (não tiveram o Aval). Podem ter verdades, mas no seu conjunto não foram aceitos como verdadeiros.

Os evangelistas escrevem para eles, não para nós. Nós temos que estudar entender e conhecer a realidade deles, e trazer para nossa realidade a intenção, a verdade que se aplica em nosso tempo. É necessário entender a intenção do autor, e nela descobrir a verdade. Para isso precisamos usar óculos semitas.
O grande fato histórico é que Jesus Morreu, e morreu crucificado. Se ele morreu, então nasceu. Se ele nasceu e morreu, então viveu. Se ele viveu então comeu. Então ele ceava, jantava, almoçava: a refeição é histórica.
Com a morte de Jesus surgem muitas incertezas e a necessidade de conhecer sua historia.
Jesus foi pouco conhecido em seu tempo. Ele só conseguiu passar a mensagem para 12 apóstolos. As grandes expansões deste conhecimento foram feitas por Paulo.
No momento da crucificação de Jesus, quantos foram crucificados com ele?

·         2000 pessoas morrem no mesmo dia em que Jesus morreu, (segundo Flavio Joseph).
·         Todos o abandonaram quando foi preso. (Mc 14,48-50)
·         Algumas mulheres acompanharam de longe. (Mc 15,40)
·         José de Arimatéia reclama o corpo e lhe dão um cadáver. Mc 15,42-45
Repare que José pede o swma - soma = corpo e Pilatos entrega o ptwma- Ptoma = cadáver.
·         Pilatos nada sabia (já morreu? Perguntou). (Mc 15,44)
·         Entrega o cadáver (ptwma) e não o corpo (swma), (corpo não identificado).

É a partir desse cadáver que se desenvolve a ressurreição.
Estando desfigurado (pela coroa de espinhos e pelas aves de rapina) é que se faz necessário a placa de identificação (INRI). Uma vez que os cadáveres são retirados da cruz, não se pode mais identificar.
Quando falam do lugar onde foi depositado o cadáver, com o passar do tempo há uma identificação melhorada; Marcos diz cova, Mateus diz túmulo e João diz mausoléu. Hoje é santo sepulcro.
O fato Jesus só se dá pela fé e não pela comprovação. Não se tem prova concreta de nada. Se provar, a fé não existe. Provado, verificado, é imposição do fato Jesus. Jesus nunca quis provar que ele era o Filho de Deus. Disse, mas não provou. Quando dizem a ele; “Desce da cruz”, ele não desceu. Nunca quis provar; mostrou que é, e pela fé podemos crer ou não.
Não temos provas concretas, nem se o corpo era aquele, se o túmulo era aquele.
Cada um tem que descobri-lo. Você tem que descobrir o Cristo ressuscitado. As mulheres que vão ao túmulo vêem um anjo, e, este lhes diz que o encontrarão em outro lugar, ele os precederá na Galiléia. (na caminhada). Para os Apóstolos a realidade é Teológica, o encontro com o ressuscitado acontece quando refazemos o caminho trilhado por ele. Galiléia – Samaria – Judéia. Teologia do caminho dos excluídos. (cf. Lucas 24, 13-35 – discípulos de Emaús).

Dos quatro livros do Segundo Testamento que são denominados "Evange­lhos", é aceito, pela maior parte dos estudiosos (embora nem todos), que o segundo da ordem é, na realidade, o mais antigo. Numa comparação com os outros dois Sinópticos (Mateus e Lucas), constata-se que cerca de 90% de Marcos é reproduzido em Mateus e Lucas. Tanto Mateus como Lucas concordam com a ordem cronológica de Marcos; quando Mateus discorda, Lucas concorda, e vice-versa; ambos muito raramente discordam juntos. Também o grego de Marcos não é polido e sua sintaxe é ruim; a linguagem de Mateus e Lucas é muito melhor. Levemos em conta que na evolução dos escritos, não se vai do bom para o pior.
Autoria

O Evangelho de Marcos, em si, é anônimo, ou seja, dentro do livro não há nenhuma afirmação definida quanto a quem é o autor. No início do segundo século, o segundo Evangelho foi atribuído ao "João chamado Marcos", o filho da Maria para cuja casa Pedro fugiu depois de escapar da prisão (At. 12:12); o mesmo Marcos que Paulo e Barnabé levaram com eles, na chamada Primeira Viagem Missionária (At. 12:25). Ele era primo de Barnabé (Col. 4:10).
Os pais primitivos são enfáticos em dizer que João Marcos coletou seu material de Pedro.
Por causa do testemunho antigo da igreja, pouca dúvida pode haver de que João Marcos escreveu o segundo Evangelho.
Data e local da escrita

Nas citações dos países antigos, pode ser observado que parece haver uma concordância geral de que Marcos escreveu da Itália ou, mais precisa­mente, em Roma.
Santo Irineu disse que esse Evangelho foi escrito após a morte de Pedro; nenhuma data certa pode ser dada para a composição de Marcos; mas, se foi escrito de Roma e antes de Mateus e Lucas, uma data provável seria por volta de 65 d.C.

O propósito e a mensagem de marcos
Estava ocorrendo uma crise na vida da comunidade cristã. Se o livro foi escrito entre as mortes de Paulo e Pedro (ou logo após a de Pedro), a igreja estava sofrendo uma perseguição "política" simplesmente por ser cristã. Acusada de incêndio culposo, revolta e ateísmo, ela era uma igreja "mártir", severamente ameaçada e provada. Havia necessidade de uma declaração clara e completa acerca de Jesus Cristo, que havia morrido numa cruz romana, uma vindicação de Jesus e da comunidade cristã. Havia a necessidade também de um desafio à fé heróica e a certeza do triunfo final.
O autor não descreve a biografia de Jesus propriamente, ao menos segundo os nossos moldes de conceber história. Diferentemente forneceria dados mais abundantes e preciosos, a começar pela data, pelo local de nascimento, etc. Não começaria a obra com Jesus já adulto e sem maiores apresentações. Bibliografia é um gênero literário e evangelho é outro. Por sinal é algo completamente novo e iniciado por Marcos. O escritor fala de alguém que nasceu como todos, morreu, como tantos, mas que está vivo e atuante como ele só. As comunidades cristãs tinham plena consciência dessa especial presença do Ressuscitado em seu meio.
O grande fato que marcou a comunidade foi a Morte de Pedro. Se Jesus veio, nos libertou da morte, se ele morreu por nós, se somos seus seguidores, por que então morremos?  Pedro era seu apóstolo predileto e, no entanto, ele morre, e morre crucificado, e de cabeça para baixo. Foi nesse abalo que Marcos então resolve escrever tudo o que Pedro lhe dissera. Ele quer em primeiro lugar mostrar que Jesus é realmente o Messias, o enviado, e é o filho de Deus. E todos devem seguir os seus passos. Para conhecê-lo é necessário caminhar com ele: “Quem quiser ser meu discípulo, tome a sua cruz e siga-me”. Seguir a Jesus é carregar a sua própria cruz e também morrer com ele.
Em Jerusalém, Jesus se depara com: prisão, condenação, paixão, ressurreição e à Retorno à Galiléia. Lá me encontrarão como eu sou. Este esquema é um roteiro, não uma geografia física, mas Teológica.
Na Galiléia só se tem agricultores, pastores e pescadores; “Pode vir coisa boa da Galiléia?” Lá todos são impuros.
Daí que Marcos nos diz onde encontrar Jesus; Vão para a Galiléia. Os judeus de Jerusalém são os puros. Agora, quem matou Jesus? ; os puros, os judeus. Quem esta pronto para receber e acolher Jesus ressuscitado? ; os Galileus. “O lugar é teológico”. Onde fica esta Galiléia hoje? Junto aos impuros, longe do templo.

O término de Marcos
            Vários dos melhores manuscritos gregos e os pais primitivos da Igreja não sabem dos versículos que se seguem a Marcos 16:8. B. H. Streeter concluiu que, ou Marcos não viveu para terminar seu Evangelho, ou seu término perdeu-se muito cedo. Não parece provável que um texto fosse terminar com a palavra grega ga/r, "porque". Não há nenhum precedente para isto em toda a literatura grega. Mas deve ser afirmado que as cópias que foram feitas deste Evangelho no segundo e terceiro séculos terminam com Marcos 16:8.
Se o término "perdido" foi encontrado e acrescentado posteriormente, é simplesmente uma conjetura. Há, contudo, em outros manuscritos e nos pais posteriores da Igreja, variações de dois términos diferentes. Um é chamado "o mais extenso" e o outro "o mais curto". Alguns manuscritos incluem os dois términos. Basta consultar o Aparato Crítico do Segundo Testamento Grego, para notar a confusão.
Seja qual for que tenha sido o término de Marcos, na narrativa original, quando o Evangelho terminou com Marcos 16:8, sentiu-se que isto era insuficiente, especialmente à luz dos términos de Mateus e Lucas. Foi feita uma tentativa de arranjar-se um término que se harmonizasse com os outros Evangelhos.
Analisemos alguns textos de Marcos:
Marcos 14,32- 40 – como Marcos soube disso? Se todos dormiam? Marcos aprendera com Pedro. Talvez esta frase tivesse sido dita em outro lugar! E Marcos achou por bem colocar nessa hora. Foi um encaixe.
Marcos 14,50 – todos haviam fugido.
Marcos 4,35- 41 - Quando Jesus está no barco, dorme sobre uma almofada durante grande tempestade. Como pode dormir em meio a uma tempestade num barquinho?
Marcos 1,15 = não só filho de Deus, mas aquele que traz o kairox. Ele inaugura o Tempo de Deus, o Tempo da graça.

4 Pontos para analisar o evangelho

1)      TEMPO -  Mc.14,1
2)       ESPAÇO – Mc 14,3
3)      TEMA CENTRAL – UNÇÃO (está na ipissíssima vox, palavra de Jesus).
4)      PERSONAGENS – Mc 14,3s (Simão- Leproso- Jesus- Mulher- Alguns presentes)
Perícope = período dentro do texto.

PERÍCOPE; Tempo + espaço + personagens + tema central.
                           Se dentro do texto, mudou algum item, mudou o perícope.
Exemplo:
1° Perícope = Mc 5,1
2° Perícope = Mc 5,18 = outra perícope; o personagem endemoninhado. Mudou, é outro.

O Evangelho de Mateus está em primeiro lugar em todas as listas conhecidas dos livros do Novo Testamento. Tem a distinção de ser citado mais freqüentemente na literatura cristã antes de 180 d.C. Seu lugar e influência na igreja primitiva são, provavelmente, devidos à sua natureza didática e apologética. O estilo claro e explanativo do autor é facil­mente adaptado para leitura pública e, por esta razão, provavelmente, logo teve aceitação nas igrejas primitivas. O Evangelho de Mateus é claramente o mais "judaico" dos quatro e é melhor entendido como tendo sido escrito para cristãos de fala grega, cuja maioria era de origem judaica. O autor supõe que o leitor esteja familiarizado com o Primeiro Testamento e as várias seitas da Palestina naquela época. Esta suposição, da parte do autor, leva o leitor a concluir que o livro foi escrito primaria­mente para cristãos judeus de fala grega.
Mateus, em muitos aspectos, é uma ponte entre o Primeiro Testamento e o Segundo Testamento. Há mais de cem citações do Primeiro Testamento. Este livro parece efetuar uma transição, da expectação judaica de um messias político, para um cumprimento de todas as profecias messiânicas em Jesus de Nazaré. O propósito do autor é demonstrar, sem deixar dúvida, que Jesus é o grande Messias, o Filho de Deus, o verdadeiro Rei prometido de Deus e esperado por muitos anos pela nação judaica. O tema deste Evangelho é "o Reino do Céu", e o próprio Jesus é verdadeiramente o Rei real. O objetivo do autor é organizar e sistematizar suas conclusões acerca de Jesus, o Cristo.
Quem era Mateus
Todos os evangelhos chegaram até nós sem a identificação do autor. A tradição da Igreja é que atribuiu o nome. Existem três teorias sobre Mateus:
a)      A tradição da Igreja diz que o autor do evangelho é o apóstolo Mateus. Apóstolo, evangelista e publicano. Alguns acham que Mateus fosse um levita por isso diz: Mateus, filho de Levi. Outros acham que o nome era Levi e Jesus mudou o nome para Mateus que significa dom de Deus ou doado por Deus.
b)      A Segunda hipótese diz que o autor era um rabino convertido ao cristianismo. Mateus é um profundo conhecedor da Sagrada Escritura. Usa de uma técnica chamada “midrache” que é a interpretação livre da Palavra de Deus.
c)      A terceira hipótese afirma que Mateus era um judeu helenista (de cultura grega). Mateus escreve em grego e tem uma visão aberta: Jesus é o Salvador do mundo.
 De qualquer forma, é certo que ele não era o Mateus Apóstolo. (cf. Mt. 10 2-4), “Mateus, o publicano”. Note a vírgula (,) = um aposto. Uma, explica. Não confundir o Mateus Apóstolo e o Mateus escritor.
Data e local
Mateus escreveu seu evangelho entre os anos de 80 e 90. Uma primeira leitura do Evangelho de Mateus pode nos induzir a um erro na busca do seu contexto fundante. A gente se depara com Jesus falando e agindo na Palestina de sua época. Porém, pela distância que há entre a atuação de Jesus e o relato de Mateus, já percebemos que o ambiente do Evangelho não é o mesmo em que Jesus viveu e atuou. Mateus nos revela vivências de comunidades cristãs bem adiantadas (cf. Mt 18), o que não seria possível no tempo de Jesus. A realidade que ele descreve leva quase todos os estudiosos de Mateus a afirmarem que este Evangelho foi escrito entre os anos 80-90 d.C. Levando esta hipótese a sério, já temos um caminho andado. Sabemos que Jerusalém foi destruída em 70 d.C. e que sua destruição acelerou um processo (chamado de diáspora) já existente de grande dispersão dos judeus-cristãos, que viviam em torno da comunidade liderada por Tiago. Este discípulo, Tiago, também já havia sido martirizado pelos anos 60 d.C., quando da primeira guerra judaica.
Mateus copiou 90% do evangelho de Marcos (600 versículos). Mateus escreveu seu evangelho depois da destruição de Jerusalém. O evangelho foi escrito para uma comunidade de judeus convertidos ao cristianismo, talvez pode ser Antioquia da Síria. No capítulo 4,24  Mateus fala que a fama de Jesus se espalhou até a Síria. Em Mateus Jesus ocupa o lugar de Moisés, era o mestre, o que ensina e não aquele que faz milagres.
Mateus também nos revela conflitos nas comunidades, que são próprios da Igreja da diáspora, no final do primeiro século cristão. Na missão que Jesus confiou aos seus discípulos, o vemos mandando evangelizar somente aos judeus (10,6) e o próprio Jesus dizendo que foi mandado somente para as ovelhas perdidas da casa de Israel (15,24). Porém, desde o princípio, os primeiros a aceitarem Jesus como Salvador são pessoas fora do ambiente judaico (2,1ss). E Jesus mesmo dá a ordem para que a evangelização se estenda a todos os povos e não somente aos judeus (28,18-20). Afinal, alguém poderia perguntar: "Jesus veio só para os judeus ou para todos?" Este era um conflito presente nas comunidades formadas pelos judeus-cristãos que se dispersaram para cidade do outro lado do rio Jordão, para a Síria (4,24) ou para a Antioquia, onde os discípulos foram chamados pela primeira vez de cristãos (At 11,26).
Em síntese, as comunidades eram formadas de judeus cristãos, observantes da lei, judeus de cultura grega não apegados à lei e não- judeus; alguns achavam que a vinda de Jesus era para já. Como não aconteceu, muita gente esfriou, desanimou e desistiu. O juízo passa pelo amor. Ler Mt 25,31-46.

O tema central de Mateus

Mateus escreve seu evangelho para judeus e a eles apresenta Jesus, que deve ser reconhecido como o Messias que eles esperavam – mas o rejeitaram – e assim se colocam fora do Reino Messiânico. Um texto que mostra a rejeição clara dos judeus é  o de Mt 27,24ss.

O cumprimento da lei, é o tema central do Evangelho de Mateus e Jesus é apresentado como aquele que cumpre a lei em sua íntegra – o tema da justiça  é constante em seu evangelho – a justiça como superação de todo empecilho a fim de que o homem seja plenamente feliz.

O Reino de deus é apresentado no Evangelho de Mateus como uma realidade presente (Mt 3,2; 4,17.23; 9,35), mas também é uma realidade futura (Mt 5,3.10.19; 7,21; 8,11). que se apresenta e se identifica com a vida eterna.

O Reino de Deus é apresentado como sendo a Igreja (Mt 16,18; 18,17) enquanto comunidade hierárquica, da qual os discípulos constituem a existente realidade presente e o futuro corpo dirigente.
O Pai no Evangelho de Mateus
Mais de 35 vezes Jesus fala do Pai. Alguns exegetas dizem que Ele só chamava a Deus de ABBA = paizinho. Expressão de ternura, de filho confiante, que expressa o amor de Jesus com Deus Pai. Isso era ousado demais para aqueles tempos (e para estes!?).
E, mais uma ousadia, Jesus ensina os "pecadores" a tratar a Deus de abba, a ter essas mesmas atitudes: confiança (em lugar de medo - Mt 10,26; 17,7); certeza de que são escutados (e não como os fariseus que querem impor a Deus o que tem que fazer - Mt 6,7); certeza do seu perdão, e não rigorismo para cumprir como um escravo...
Em contraposição a João Batista, que fala muito de castigo, de penitência, de julgamento iminente (Mt 3, 1-10), Jesus diz que o que está iminente é uma Boa Notícia de Deus, a chegada do seu Reino. Jesus, o enviado de Deus, é mais forte que o demônio e suas obras (Mt 12, 22-30). Ele não julga nem condena. Ele perdoa. Fala sempre do amor, do perdão, do projeto de esperança de Deus. Deus é misericordioso! A misericórdia de Deus é mais poderosa que o pecado. O perdão é de graça. Deus é maior e mais forte que o pecado. Jesus não fica falando do pecado, do inferno, do demônio e do mal. Precisamos retomar a pregação de Jesus. Hoje, muitas igrejas se esquecem de falar de Deus em seus cultos para falarem dos poderes de satanás.
Jesus exige que seja feita a vontade do Pai (Mt 7,21; 12,50). A vontade do Pai é um projeto de vida e esperança para os seus filhos e filhas. Se os pais humanos sabem fazer coisas boas e não enganam a seus filhos, quanto mais o Pai dos céus (Mt 7,11). Ele providencia o necessário até para os passarinhos (Mt 10,29). Tenham confiança. Fazer a vontade do Pai não é resignação ou submissão a uma vontade absurda e irracional, que ninguém sabe nem entende. Deus quer que sejamos como Ele na generosidade e na entrega.
O Pai Nosso é um QUIASMO, o ponto central é o que está no meio, e as idéias que vão completando.
1- Pai, Santificado seja o teu nome.
2- Venha o teu Reino.
3- Seja feita a tua vontade assim na terra como  nos Céus.
4- O pão nosso de cada dia, dai-nos todo dia.
5- Perdoai-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores.
6- Não nos exponha à tentação.
7- Livra-nos do maligno.
A tentação é não fazer a vontade de Deus. O Único pedido = é o PÃO de cada dia.
Para Jesus o perdão está acima da lei. O impuro poderia ser apedrejado, mas Jesus cura. Quem segue Jesus não fica preso às leis, mas vai além. (açougueiro, cobrador de impostos, coveiros, pescadores, mulheres = todos impuros à são os publicanos, aqueles que todos sabem que são impuros, os públicos, os que não seguem a lei). É por isso que ninguém tocava em um cadáver. É por isso que esperavam três dias para decretar a morte.
Desde 597 a.C., que existe uma promessa de um Messias, um ungido, que iria libertá-los.
Este Messias, Salvador, que vem de Deus, tem que ser puro. Este é o grande problema para os Judeus. Segundo suas leis e costumes, Jesus é todo IMPURO.
a-      É de Nazaré, Galiléia = passa por Samaria na ida ao templo e quem passa por lá, se torna impuro. = todo Galileu é impuro. (Mt 13,55)
b-      Come com pecadores (pescadores, cobrador de impostos). (Mt 9, 11)
c-      No seu grupo tem mulheres (anda com impuros). (Lc 1,42)
d-      Não respeita o sábado (colhe espigas, cura no sábado). (Mt 12,1)
e-      Morre na cruz. (O Deuteronômio 21,22-23 diz: “Maldito o homem que morre na cruz. Deus o abandonou”. [a Cruz é escândalo para o Judeu]).
f-       Mateus sabendo disso diz mais: Sua família, genealógica, seus ancestrais, está cheia de gente impura. São quatro mulheres impuras.
        Mt. 1.1ss à TAMAR (prostituta Gn. 38,6-29).
         RAAB (Josué 2,1ss [é prostituta]).
         RUT –
         A Mulher de Urias (aquela que Davi manda matar seu marido para ficar com ela. Ela é a mãe de Salomão). (2Sm 11,15)
E tem mais.
Nasce de uma Virgem (virgem é sinal de maldição, pois dar à luz é sinal de benção)
Pela linha de pureza, Jesus não vai ser o Messias. Quem vai aceitar? = só os impuros, aqueles que tem fé. O Templo não aceita, os fariseus não aceitam. O sinédrio não o aceita e o condenam à morte e morte de cruz.
(Em primeiro lugar digo que cremos na virgem Maria. Recitamos todos os dias em nosso credo).
Existem três teorias a respeito da gravidez de Maria:
  1. Jesus é fruto de estupro. O império Romano é dono de tudo. O soldado gostou, toma e estupra. Tudo é do Império – pode usar. Muitas virgens engravidaram dos soldados Romanos. Não seria Maria, uma dessas meninas? Quando se vê grávida ela corre para a casa de Ana, sua mãe. Jesus não tem pai. Como explicar? = é o Espírito Santo. Na Amazônia o culpado é o boto.
  2. José é o pai, o genitor. Isto, pelo fato dele assumir a paternidade, pois, um judeu jamais assume se o filho não for dele. José reluta, mas assume.
  3. Jesus é obra de Deus (teoria da Igreja). Gn 1,27 =  Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.       Homem  =   mulher  =   igual.   Casamento é imagem de Deus criador. Dois homens ou duas mulheres não geram vida. Quem casa é imagem de Deus criador. O casal é imagem de Deus Criador.
Mt. 1,18 = Grávida antes de coabitar = obra do Espírito Santo.
José Justo = se é Justo deve seguir a lei. A lei manda que se não for o pai, a mulher deve ser apedrejada. José ia repudiá-la em segrego. (Deus manda não seguir esta lei). Deus muda a cabeça de José para que ele aceite Maria, e aceite ser o Pai adotivo de Jesus. Ele não deve seguir a lei.
Zacarias e Isabel = a lei mandava que se não tivesse filho deveria arrumar uma concubina (Abraão e Sara arrumaram Agar). No entanto, Zacarias, que é um sacerdote, não segue a lei.
Moisés só sobreviveu porque as parteiras não obedeceram ao rei, não mataram os filhos homens recém nascidos. As parteiras de Moisés desobedeceram, a mãe desobedeceu, e a filha do Rei desobedeceu (Ex 1,15-19). Todos os grandes personagens são filhos fora da lei. = A lei não pode opor ao Evangelho.
Em Mateus o anjo aparece, em sonho, e diz para tirar o menino dali, onde nascera, e fugir com ele para longe, pois o Rei quer matá-lo. E para isto vai matar todos os meninos até dois anos de idade. Todos devem morrer.
Não será um paralelo com o caso de Moisés? Moisés também deveria morrer.
Quem confirma o Rei é o sacerdote pela unção. Se é ungido então é Cristo. Todo Rei é Cristo. Cristo não é = Jesus. Todos os ungidos são cristos. Saul foi o primeiro cristo, o primeiro ungido. Este teve um reino pequeno, acanhado. Depois vem outro ungido, outro cristo; Davi. Este expandiu o reino, fez um país de respeito. Até hoje esperam um cristo que restaure o reino de Davi. Espera o Messias, o enviado, o filho de Davi que traga a reconquista do reino.
Mateus importa o sistema de Marcos: Galiléia, Samaria e Judéia. A idéia do Caminho. Ele responde: Agora que o templo foi destruído, como viver a Religião?
O PONTO CENTRAL de Mateus é o capítulo 13 = as Parábolas.
Quem vai tornar Pedro o homem das chaves, é Mateus. Historicamente não tem consistência. Por que a importância do Templo?  O templo tem a arca da aliança, o sinal do PACTO (entre Deus e a humanidade) = “Eu serei o teu Deus e vós sereis o meu povo”. É no templo que se realiza o Pacto entre Deus e a humanidade. O templo foi destruído. E agora?
Mateus responde: Calma! Existe um pacto entre Jesus e o Povo. “Tudo o que ligares na terra o Pai reconhece”. Então as chaves tem o poder de realizar, substitui o Templo. Jesus é a nova lei; Mateus coloca as Bem-aventuranças, a nova lei, onde Jesus é o novo Moisés, o novo legislador. O povo é a igreja. “Eclésia” é o povo, a assembléia.  Jesus é a nova lei, e os discípulos o novo povo. Por que Pedro?
Pedro é o PIOR, mais burro, covarde, mentiroso (não quer que lave os seus pés e depois quer que lave tudo, até a cabeça. É burro, pois não era a limpeza, mas a questão da pureza. É covarde;  medo da criada, onde a mulher não servia nem para ser testemunha, e pior, era empregada, não pesava nada o seu testemunho!. Quando sobe ao monte e Jesus se transfigura, não sabe o que fala e diz; façamos três tendas, não sabe o que está falando.
Mas Pedro tem amor e deu a sua vida por Jesus.
Pedro é a chave: se formos igual a ele está ótimo; é só testemunhar Jesus.
Pedro é o Papa? – Não. O negócio de Papa só aparece no século IV;
Pedro é o modelo, o símbolo dos Cristãos; modelo a ser seguido.
Quem é o chefe dos Apóstolos? – Tiago.
Atos 15,7 = Depois de muita discussão, Pedro se levantou e disse: -Meus irmãos, vocês sabem que há muito tempo Deus me escolheu entre vocês para anunciar o evangelho aos não-judeus a fim de que eles pudessem ouvir e crer. = Mentiu. Foi Paulo.
Atos 15,13 =  Quando eles terminaram de falar, Tiago disse: -Meus irmãos, escutem! = Tiago que fica no lugar de Jesus, é o que tem autoridade.
Pedro = símbolo do cristão.
Tiago = Autoridade dos Apóstolos.
São três as colunas de todo o evangelho. Sempre aparece a figura de Pedro, Tiago e João, e nesta ordem. João é o símbolo de toda a Igreja do Oriente, a Igreja Ortodoxa. Até hoje, o papa se chama Bartolomeu, o que substituiu a João.
Nosso Papa hoje acumula os dois símbolos, A Pedro, como símbolo de todos os católicos e de Tiago, símbolo da autoridade dentro da Igreja.
Mateus escreve para Judeus. Tem que convencer que Jesus é o Messias prometido nas escrituras. Por isso, vai levar Jesus às referências do A.T. (quando Isaías fala do Emanuel, Deus conosco, não se trata do nosso Jesus. Quem vai colocar Jesus na conversa é Mateus, que faz a sua projeção.). Isaías 7:14  Pois o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a jovem que está grávida dará à luz um filho e porá nele o nome de Emanuel.
Mateus 1:23  "A virgem ficará grávida e terá um filho que receberá o nome de Emanuel." (Emanuel quer dizer "Deus está conosco".)
É indispensável concluir esta reflexão chamado atenção para um ponto de fundamental importância. O texto de Mt 25,31- 46 mostra de fato como Jesus entendia o pobre: aquele que passa fome, frio, tem sede, está preso e doente.
Seremos julgados pelo amor que dedicamos a esses pobres. Amor que nos leva a criar novos relacionamentos com Deus, com as Pessoas e com a Natureza. Mas onde está este Jesus? Bem! Jesus está "escondido" nos pobres, oprimidos e marginalizados, nos impedidos de participar de nossa convivência social. É isso mesmo! Seremos julgados pela prática libertadora que tivermos no caminho da libertação de todos os que foram oprimidos. É por isso que Jesus, em toda a sua caminhada, nos convida para: "cumprir toda a justiça" (Mt 3,15).

É quase universalmente admitido que o terceiro Evangelho é um dos mais belos livros já escritos. a excelência da gramática e a alta qualidade do estilo mostram que a obra de Lucas é digna de ocupar um lugar respeitável entre os gigantes literários de todos os tempos. O prefácio (1:1-4) foi chamado de "uma perfeita jóia da arte grega". Não há somente beleza do ponto de vista literário. Também encontra-se, em Lucas, o que não pode ser encontrado nos outros Evangelhos — as notas dominantes de alegria, ação de graças, proeminência dada às mulheres, ênfase no Espírito Santo, as imortais parábolas do filho pródigo e do bom samaritano. Tudo forma uma perfeita combinação, para fazer deste o mais belo dos Evangelhos.
Um estudo do terceiro Evangelho necessariamente envolve um estudo de Atos dos Apóstolos. Existe acordo quase universal entre os estudantes do Segundo Testamento de que o mesmo autor produziu ambos os livros. No início de cada livro, o autor se dirige à mesma pessoa, Teófilo (Luc. 1:1-4; At. 1:1), e, no prefácio de Atos, o autor expressamente se refere a um volume anterior, acerca da obra de Cristo. Ao lado da semelhança de estilo e vocabulário, que em toda parte está evidente, numa compara­ção dos dois livros, um exame do final do Evangelho e do início de Atos mostrará que o autor entrelaçou habilidosamente suas matérias, para provar que ambos os volumes se completam entre si.
Autoria
Informações do segundo século indicam que se acreditava firmemente que Lucas, o companheiro de Paulo (II Tim. 4:11) e "médico amado" (Col. 4:14), escreveu o Evangelho e Atos. Dentro do último século, esta tradição foi desafiada principalmente por aqueles que não podem aceitar Lucas como o autor 'final' de Atos. É admitido, contudo, que ambos os volumes foram escritos por uma única mão, mas alguns críticos não podem aceitar Lucas como o autor. Lucas não é, de outro modo, proeminente no Novo Testamento, e não há nenhuma prova substancial de que ele não tenha escrito Lucas-Atos. Todavia, deve-se ter em mente que os quatro Evangelhos são anônimos. Diferentemente de Paulo, o escritor não se identifica em sua obra pelo nome. Apenas uma vez, no Evangelho, a personalidade do escritor é revelada, e essa é no prefácio, onde ele declara seu propósito para escrever, bem como sua metodologia.
Uma leitura dos escritos de Lucas não revela nenhuma afirmação explícita acerca da autoria. Contudo, estudantes do Segundo Testamento põem mais confiança no sobrescrito do terceiro Evangelho do que é o caso com os outros três. Por que razão a igreja primitiva afirmou a autoria de Lucas? Que pode ser sabido acerca de Lucas a partir do Segundo Testamen­to? Os únicos dados existentes em que se pode confiar são as referên­cias a Lucas, por nome, em Colossenses 4:14, Filemom 24 e II Timóteo 4:11.
Data
Alguns têm insistido que o terceiro Evangelho reflete uma data após a queda de Jerusalém em 70 d.C. Os argumentos centralizam-se em torno do modo pelo qual Lucas manuseia, em seu material, o "Pequeno Apocalipse" de Marcos 13. É argumentado que o material contido em Lucas demonstra um conhecimento, de primeira mão, de fatos, ao invés de profecia. Lucas 19:43,44 e 21:20-24 são usados para provar esta argumentação.
A obra Lucana é o conjunto de dois livros, sendo que o primeiro contem 24 capítulos e o segundo mais 28 capítulos  = é a obra mais longa do N.T.

No capitulo 1, 1-4, Lucas faz uma acurada investigação – quer fazer tudo texto histórico
Histórica – mentalidade grega = relatos e ética, já na mentalidade semítica, histórico = relatos e valores.
Lucas quer fazer história semítica – transmitir valores (sem documentos comprobatórios).
Faz relato Ordenado = ele que deu a ordem (não é ordem histórica dos fatos, mas é a sua ordem), para entender qual é a mensagem que ele quer transmitir. Ele que quis organizar desta forma.
Teófilo = amigo de Deus. – só pode ler quem é Teófilo, amigo de Deus. Se não for está lendo correspondência alheia. Teófilo aparece duas vezes. Uma em Lucas e outra em Atos dos apóstolos. É nome simbólico. (Combrim e outros dizem que foi quem custeou a publicação do livro, outros, que é o fundador da comunidade).

Lucas se propõe fazer obra histórica (valores), mas começa a falar de anjo, (anjo não é histórico, é figura de linguagem). O anjo fala com Zacarias e em seguida com Maria. Gabriel = quem como Deus (o próprio Deus).
  • Zacarias está só no templo e viu um anjo?
  • Zacarias - זכריאס significa = Javé se lembrou. יה = Yah – Deus זכר = zacar – lembrar.
  • Isabel (não existe em grego). É resumo de Elizabeth.
  • Elizabeth - אליזבת = Deus constrói morada.
  • João - יוחנן = יה Yah + חנינה hanina, Graça, grande = grande diante do Senhor.
Lucas quer deixar uma coisa bem clara. Deus se lembrou, constrói sua morada que é grande diante do Senhor. É isso que Maria vai cantar, (Lc 1,46-55, Magnificat).
Jesus entre os doutores; só tem em Lucas, mas é histórico e é teológico. (Lc 2,41-52). O capitulo dois fala da infância e mostra a cruz. Lucas é o evangelista da Cruz. Uma cruz é projeto e é isso que os doutores estão admirados; respaldados por Deus e pela humanidade.
A Demora da Volta de Jesus — Um dos maiores problemas enfrentados pelos cristãos da segunda geração foi o da aparente demora da volta do Senhor. O termo técnico para a volta de Jesus é Parusía (parousia): presença ou aparição. Opiniões errôneas acerca da Pa­rusía estavam fazendo com que alguns duvidassem da validade das pala­vras de Jesus acerca de sua volta (ver II Ped. 3:4). Lucas escreveu numa tentativa de dar uma interpretação acurada das palavras do Senhor acerca da consumação.


O quarto Evangelho é a mais sublime obra do Segundo Testamento. Nenhum outro livro levou tantas pessoas a Cristo e inspirou tantos a segui-lo e servi-lo. Ao mesmo tempo, anos de intenso estudo teológico crítico levam a se reconhecer que há ainda profundezas não exploradas de pensamento que sempre chamarão o estudioso à contínua admiração diante do profundo conteúdo deste Evangelho. Aqui a teologia foi colocada em termos tais, que até uma criança pode compreender a visão da grandeza do amor de Deus, como mostrado em Jesus. Ao mesmo tempo, estes termos simples são usados para expressar um dos quadros mais empolgantes da realidade última encontrada em toda esta literatura.
O plano que estrutura o evangelho de João é teológico. Não se trata de biografia de Jesus, como também não se trata sequer de resumo de sua vida, e sim de interpretação de sua pessoa e obra, feita por uma comunidade através de sua experiência de fé. Daí que o leitor terá que interpretar os fatos que encontra no texto, cuja historicidade não se pré-julga, atendo-se à finalidade do evangelho, como linguagem teológica. A coerência de João não se buscará, portanto, na exatidão histórica, e sim na unidade temática, em relação com seu plano teológico.

Este Evangelho pode ser resumido em seu prólogo. 1,1-18. O prólogo resume a realização do Projeto criador de Deus, ou seja, desde o inicio da criação, a Palavra está viva e atuante no Universo, mas é em Jesus Cristo que essa Palavra assume uma presença toda especial.

O quarto Evangelho, como os outros três, é anônimo. Em nenhum lugar o autor se identifica pelo nome. Contudo, a referência contida em João 21:24,25 realmente parece apontar para "o discípulo a quem Jesus amava" (13:23; 19:26; 20:2; 21:7,20).
Nos evangelhos sabemos que o discípulo amado era Lázaro. ( Jo 11,1-3; 11,36) Lázaro significa aquele que Deus ajudou. Santo Irineu de Lion, (séc. II) querendo se apresentar como alguém de autoridade, como alguém que fala como enviado, disse que aprendera com Policarpo, que fora discípulo de João, e que João era o discípulo amado e escrevera o evangelho. Até então não se tinha esta afirmação. E isto foi passado como sendo uma verdade. Quando o evangelho de João foi escrito, João já estava morto.
O Evangelho de João, as cartas e o Apocalipse não foram escritos pela mesma pessoa, mas provavelmente todos participaram da mesma escola Joanina.

Para estudar João, temos que descobrir quem é o discípulo amado, e estamos ao pé da cruz.
(Em João, descobrir quem é o discípulo amado é pensar): Se Jesus morrer hoje, quem é o discípulo amado? A Teologia Joanina = Jesus está morrendo agora. Você está ao pé da cruz, se não estiver, está perdido. O batismo para João é estar ao pé da cruz enquanto Jesus diz: “mulher, eis aí teu filho. Filho, eis aí tua mãe” e a partir daí o discípulo a leva para casa. O evangelho é levar Maria para casa. (levar a Igreja), Jo 19,27.
O irresistível testemunho da igreja primitiva é que o quarto Evangelho foi escrito em Éfeso, Ásia, por volta de 90 d.C.

O propósito declarado do autor deve ser mantido diante de nós para encontrarmos o propósito do quarto Evangelho. Deve ser reconhecido que os conceitos fundamentais encontrados em João são básicos para o e do cristianismo. O interesse de João é que seus leitores saibam, fora de dúvida, que o Jesus de Nazaré é de fato o Cristo (Messias), o Filho de Deus. É uma chamada a "vir e ver" (1:39) e à certeza (7:17). Este conhecimento produz salvação e assegura a pessoa acerca da vida eterna.


FLUSSER, David, O Judaísmo e as Origens do Cristianismo, volume 3, tradução Marcos José da Cunha, Rio de Janeiro, Imago, 2002.
Dunn, James D. G. The Theology of Paul the Apostle, USA, Wm. B. Eerdmans Publishing Co. 1998.
Sanders, E. P. Paul, the law, and the Jewish people, Great Britain, COPYRIGHT © 1983.
FABRIS, R., Paulo, apóstolo dos gentios, Paulinas, São Paulo 2001.
Garcia Martinez & Tigchelaar 1997-98 – DSS, New York 1999.
HARRISON, J. R., Paul and the Imperial Authorities at Thessalonica and Rome, by Mohr Siebeck, Tiibingen, Germany 2011.
SCHNELLE, U., Paulo, vida e pensamento, Paulus, São Paulo 2010 (1)
HALE, Broadus David, Introdução ao estudo do Novo Testamento. Tradução de Cláudio Vital de Souza. Rio de Janeiro, Junta de Educação Religiosa e Publicações, 1983.
LOHSE, Eduard, Contexto e ambiente do Novo Testamento, São Paulo, Paulinas, 2000.


[1] Carlos del Valle em sua tradução da Mishna disse: Fundamentalmente aqui se refere à lei oral.
[2] Js 24,31.
[3] Jr 7,25.
[4] O tribunal de 120 membros que deu início com Esdras com a volta do exílio da Babilônia.
[5] Isto é, adotar normas ou decisões que assegurem o cumprimento dos preceitos e que proteja o conteúdo de sua transmissão.
[6] Princípio de determinar a halakhah judaica: significa que o que se aplica em um caso menos importante certamente se aplicará em um mais importante. A frase veio a significar uma conclusão inevitável. 
[7] Bernard Dupuy, Quarante ans d’études sur Israël, Parole et Silence, 2008, 83-91 (este texto foi  publicado pela primeira vez em Concilium nº 98, octobre 1974).
[8] Sabe-se que se trata do inicio deste século (s. XX), segundo a expressão de Jules Isaac, “une singulière troupe de négateurs, robots germaniques dressés à faire la preuve que Jésus n’était pas juif” (Jésus et Israël, Fasquelle, Paris, 1948, 37). Que se tenha chegado a este ponto já diz muito sobre o peso que podem exercer as prevenções e os preconceitos sobre a exegese que pretende ser a mais científica. O maestro desta escola foi Houston St. Chamberlan em seus Grundlagen des 19 Jahrunderts, publicado em 1899 (Trad. fr. Bases du XIX siècle, Payot, Paris, 1914). Ele foi seguido por P. Haupt, The aryan ancestry of Jesus, e todo uma série de outros autores  que J. Klausner estabeleceu a lista (Jésus de Nazareth, Payot, Paris, 1933, 130-134). Na França houve H. Monnier que apresentou uma proposição tal: “Jésus n’était pas, à proprement dire, juif; il était galiléen; c’est n’est pas la même chose” (La mission historique de Jésus, Paris, 1906, XXVIII) Citamos também a palavra de J. Hempel, “Der synoptische Jesus und das A. T. ” em Zeitschrift für A.T. Wissenschaft, 1938, 9 (a data de edição já diz muito): “Le respect des juifs pour la Torah est une attitude immorale au sens le plus profond et le plus tragique de ce mot” (citado por H.J. Schoeps em Revues d’histoire et de philosophie religieuse, 1953, 17, note 36). Sem exagerar encontramos até nossos dias autores inclinados a restringir a judaicidade de Jesus sob o pretexto que ele tenha nascido na Galiléia. Os etudos históricos fazem justiça a uma tal suposição: os judeus galileos foram judeus autenticos. É da Galiléia que partiram, por várias vezes, as revoltas nacionais do povo judeu. .
[9] Pode-se ler com interesse R. Aron, Les années abscures de Jésus, Grasset, 1960, mesmo que esta obra não tenha sido escrito de primeira mão. Para uma reconstituição precisa do meio histórico, deve ser de interesse agora consultar a nova edição  (inglesa, em curso, a obra de E. Schurer, The History of the Jewish People  in the Age of Jesus, T.T. Clark, Edinburgh, 1973 (já editado um volume).
[10] St. E. Rosenberg, Judaïsme,  Ottawa, 1967, 12.
[11] Cf os debates sobre este tema publicados por W. Eckert, N. Levinson e H. Stöhr, Anti-judaismus im Neuen Testament?,  Chr. Kaiser, Munich, 1967.
[12] Sobre a relação de Jesus com a Lei, cf D. Flusser, Jésus, éd. Seuil, Paris, 1970, 49-68; - B. H. Branscomb, Jesus and the Law of Moses,  New York, 1930; - W. Kümmel, “Jesus, und der jüdische Traditionsgedanke”, em Zeitschrift für N.T. Wissenschaft, 1934.
[13] Cf em último lugar, J. Bowker, Jesus and the Pharisees, Univ. Press, Combridge, 1973.
[14] C.F.J. Jeremias,  Les paraboles de Jésus, X. Mappus, Lyon, 1962; parece-nos que este autor não sublinhou sufucientemente a perspectiva do retorno final de Jesus nas parábolas.
[15] (n.t.) Docetismo: palavra grega δοχεω, δοχησις que significa aparência; serve para designar o erro dos que recusavam admitir que Jesus Cristo foi um homem verdadeiro. Que ele possuiu um corpo de carne como o nosso. O docetismo, consequentemente, tratava esta realidade concreta de Jesus como pura ilusão ou aparência enganadora do que os Evangelhos relatam e que a Igreja ensina seja sobre a concepção humana de Cristo, seu nascimento e sua vida, seja seu sofrimento, sua morte e sua ressurreição.
[16] Sobre o significado do ebionismo, ver os estudos de H.J. Schoeps, Das Juden-Christentum, Berne, 1964; - Aus frühchristlichen Zeit, Tübingen, 1950.
[17] Cf H. Riesenfeld, “Bemerkungen zur Frage des Selbstbewusstseins Jesu”, em Der historische Jesus und der kerygmatische Christus, Berlin, 1961, 331-334.
[18] Cf F. Mussner, “Der historische Jesus”, em Der historische Jesus und der Christus unsers Glaubens,  editado por K. Schubert, Vienne, 1962, 103-128.
[19] Cf S. Légasse, “Jéus, juif ou non?”, em  Nouvelle Revue théologique, 86, 1964, 673-705.
[20] “Testes veritatis nostrae et iniquitatis suae” (Augustin, Enarr. in Ps. 58, nº 22).
[21] Depois da publicação deste artigo (1974) o Targum do Pentateuco (com recensões palestinas completas) foi traduzido em frances por Le Déaut: Genèse, coll. “Sources chrétiennes”, nº 245, Cerf, 1979; Exode, Lévitique, id, nº 256, 1979; Nombres, id, nº 261, 1979; Deutéronome, id. nº 271, 1980.
[22] O material fornecido por Strack-Billerbeck deve ser utilizado com precaução. Esperando que uma nova suma deste gênero seja produzida, devemos nos servir dos dados fornecidos em Compendium Rerum Judaïcarum ad Novum Testamentum, ed. M. De Jonge e S. Safrai, ed. VAn Gorcum, Assen, 1974, e seguinte. Cf também as remarcas de D. Flusser, “Die Konsequente Philologie und die Worte Jesu”, em Almanach für das Jahr des Herrn 1963, Hambourg, 1963 e nosso prefacio em D. Flusser, Jésus, Seuil, 1970; D. Daube, the New Testament and Rabbinic Judaism, Londres, 1956 (nova edição 1974).
[23] Cf o ensaio de reconstituição da figura de Jesus proposta por G. Vermes, Jesus the Jew, Collins, Londres, 1973; Jésus le juif (trad. fr.) “coll. ”Jésus et Jésus-Christ”, Desclée, 1978.
[24] P.E. Lapide, “Hidden Hebrew in the Gospels”, em Immanuel, nº 2, 1973, 28-34.
[25] I. Levi, “Le sacrifie d’Isaac et la mort de Jésus”, em Revue des études juives, 1912, 156ss; - D. Lerch, Isaaks Ipferung christliche gedeutet, Tübingen, 1950; - H. Riesenfeld, Jésus transfiguré,  Copenhague, 1947, 89-96; - H.J. Schoeps, “Paulus und Aqadath Jischaq”, em Aus frühchristlicher Zeit, Tübingen, 1950, 229-238; - A. Jaubert, “Symboles et figures christoligiques dans le judaïsme”, em Exégèse biblique et judaïsme, fascicule spécial de la Revue des Sciences religieuses, 47, 1973, 373-390.
[26]Baraita é o termo designado aos ensinamentos de vários Tanaim que não foram incorporados na Mishná por Rabbi Yehudah HaNassi quando a compilou.

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