Nas celebrações litúrgicas, as diversas posturas ou atitudes são expressões corporais simbólicas que expressão uma relação com Deus.
Estar em pé: é a posição do Cristo Ressuscitado, atitude de quem está pronto para obedecer, pronto para partir.Indica também a atitude de quem acolhe em sua casa.Estar de pé demonstra prontidão para pôr dm prática os ensinamentos de Jesus.
Estar sentado: é a posição se esculta, de diálogo, de quem medita e reflete.Na liturgia, esta posição cabe principalmente ao se ouvir as leituras (Salmo, 1ª e 2ª Leitura), na hora da homilia e quando a pessoa esta concentrada e meditando.
Estar ajoelhado: é a posição de quem se põe em oração profunda, confiante. “Jesus se afastou deles à distância de um tiro de pedra, ajoelhou-se e suplicava ao Pai...” (Lucas,22,41).Lembremos dos leprosos que,de joelhos, suplicava que Jesus o livre da lepra (cf. Marcos 1,40).
Fazer genuflexão: faz-se dobrando o joelho direito ao solo.Significa adoração, pelo que é reservada ao Santíssimo Sacramento, quer exposto,quer guardado no sacrário.
Não fazem genuflexão profunda aqueles que transportam objetos que se usam nas celebrações, por exemplo, a cruz, os castiçais, o livro dos evangelhos.
Prostar-se: significa estender-se no chão; expressa profundo sentimento de indignidade, humildade, e também de súplica.Este gesto está previsto na Sexta-feira santa,no inicio da celebração da Paixão.Também os que ser ordenados diáconos e presbíteros se prostram.Em algumas ordens ou congregações religiosas se prevê a prostração na celebração da profissão dos votos religiosos.
Inclinar o corpo: é uma atitude intermediária entre estar de pé e ajoelhar-se.Sinal de reverência e honra que se presta às pessoas ou ás imagens.Faz-se inclinação diante a cru,no inicio e no fim da celebração; ao receber a benção; quando,durante o ato litúrgico,há necessidade de passar diante do sacrário; antes e depois da incensação, e todas as vezes em que vier expressamente indicadas nos diversos livros litúrgicos.
Erguer as mãos: é um gesto de súplica ou de oferta o coração a Deus.Geralmente se usa durante a recitação do pai-nosso e nos cantos de louvor.
Bater no peito: é expressão de dor de arrependimento dos pecados.Este gesto ocorre na oração Confesso a Deus todo poderoso...
Caminhar em procissão: é atitude de quem não tem moradia fixa neste mundo:não se acomoda, mas se sente peregrino e caminha na direção dos irmãos e irmãs, principalmente mais empobrecidos e marginalizados.
Existem algumas procissões que se realizam fora da Igreja, por exemplo, na solenidade de Corpus Christi e no Domingo de Ramos, na festa do padroeiro..., e outras pequenas procissões que se fazem no interior da igreja:a procissão de entrada, a das ofertas e a da comunhão.A procissão do Evangelho é muito significativa e se usa geralmente nas celebrações mais solenes.
Silêncio: é atitude indispensável nas celebrações litúrgicas.Indica respeito, atenção, meditação, desejo de ouvir e aprofundar na palavra de Deus.Na celebração eucarística, de prevê um instante de silêncio no ato penitencial e após o convite à oração inicial, após uma leitura ou após a homilia.Depois da comunhão, todos são convidados a observar o silêncio sagrado.O silencio litúrgico, porém, previsto nas celebrações, não pode ser confundido com o silêncio ocasionado por alguém que deixou de realizar sua função, o que causa inquietação na assembléia.
A celebração litúrgica é feita de gestos, palavras, cantos e também de instante de silêncio.
Tudo isso confere ritmo e dá harmonia ao conjunto da celebração.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
O Shabbat e o Dies Domini
1) Inácio de Antioquia (+110) Carta aos Magnésios 9,1-2.
“Se portanto aqueles que viviam segundo a antiga ordem das coisas, entraram na nova esperança e não observam mais o sábado, mas o dia do Senhor, dia onde nassa vida foi elevada por Ele e por sua morte....”
2) Plinio o Jovem (61 - 113), Carta a Trajan X, 96,7.
“Aliás eles afirmam que suas fautas, ou seus erros, se limitavam aos hábitos de se reunirem durante aurora, antes do nascer do sol, de cantar alternadamente entre eles, hinos ao Cristo como um deus; de se comprometerem através de juramente, a não perpetrarem nenhum crime e a não praticarem nenhum roubo, nem criarem confusões, nem cometerem adultérios, assim como cumprirem toda palavra dita e a pagarem tudo segundo a justiça. Cumprindo esses ritos, eles tinham o hábito de se separarem e de se reunirem ainda para a refeição, que, poderia-se dizer, de maneira ordinaria e inocente. Mesmo esta prática, eles renunciaram após meu edito ao qual eu os havia proibido.”
3) Tertuliano (160 +após 220), Aos pagãos, I, 13,1-5.
“É verdade que outros pagãos têm uma opinião mais humana: eles pensam que o sol é o deus cristão porque soube-se que nós nos orientamos para o oriente quando fazermos a oração e que no dia do sol (sun-day, soon-tag) nós vivemos na alegria. E vocês, o que fazem? Muitos dentre voces, afirmando adorar objetos celestes, não movimentam os lábios, se orientando para o sol nascente? Em todo caso, são voces que admitiram o sol na lista dos sete dias e que escolheram outrora, entre os dias de vocês, dia que veces suprimem ou recuam o banho e também é o dia que voces praticam a ociosidade. Assim fazendo voces se distanciam de suas crenças em função de costumes estrangeros: com efeito o sábado, o banquete, os ritos de acender lâmpadas, os jejuns com pães ázimos, as orações às margens do rio, pertencem às festas judaicas, tudo isso é estrangeiro aos deuses de voces. Também, para retornar ao meu assunto, voces que não recusam o sol e seu dia, reconheçam a proximidade: nós não estamos longe de Saturno e de seus sábados.
b, Da oração 23, 1-2
“Em se tratando de genoflexão, uma diferença de prática disturba a oração, por causa de um pequeno grupo de gente que não se ajoelha no dia de sãbado; esta divergência é, justamente nesse tempo, defendida com vigor nas comunidades. O Senhor, na sua misericordia, fará de tal maneira, que essas pessoas cessesm ou ao menos que se comportem segundo suas opiniões sem importunar os outros...”
c, O jejum 14, 2-3
“... Por que nós consagramos a quarta feira e a sexta feira para o jejum das estações e o dia da preparação do jejum total? Ainda que voces acrescentem o sãbado, em certas circunstancias, não se deve nunca jejuar nesse dia, senão quando for Páscoa, pelas razões acima expostas...”
d, O jejum 15,2
“... Na realidade a proibição de alimentos é minimo entre nós. Nós consagramos a Deus duas semanas por ano, quando comemos a seco e mesmo assim não completam duas semanas pois isentamos os sãbados e os domingos...”
4) Irénée (115 - 202), Contre as hérésias IV.
a, 8,1 “... É portanto evidente que aqueles que contestam a salvação de Abraão e imaginam um outro Deus que aquele que lhe fez a promessa, esses estão fora do reino de Deus e privados da herança e da incorruptibilidade: pois eles desprezam e blasfemam o Deus que introduziu Abraão e sua posteridade no reino dos Céus, istao é, a Igreja, que, através de Jesus Cristo, recebe a adoção e a herança prometida a Abraão...”
b, 16,1 “... Quanto aos sábados, eles nos ensinam a perseverança no serviço de Deus durante todo o dia: nós fomos considerados, disse o Apostolo Paulo, todo ao longo do dia, como cordeiros de sacrificio, isto é, como consagrados, como sevidores durante todo o tempo de nossa fé e com perseveraça nela, nós nos abstemos de toda avareza, não adquirindo tesouro sobre a terra. Os sábados manisfestam também o repouso de Deus consecutivo à criação, isto é, o reino no qual o homem que persevera no serviço de Deus repousará e tomará parte na mesa do Senhor.”
c, 28,3 “... Pois quantos dias comportam a criação do mundo, tanto de milênios comprenderá sua duração total. É porisso que o livro do Gênesis diz: Assim foram concluidos o céu e a terra, com todo o seu exército. Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera e no sétimo dia descansou, depois de toda a obra feita. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou depois de toda a sua obra de criação. Isto é ao mesmo tempo um relato do passado, tal como ele se desenvolveu e uma profecia do futuro: com efeito, se um dia do Senhor é como mil anos e se a criação foi terminada em seis dias, é evidente que a consumação das coisas acontecerá em seis mil anos.”
d, 30,4 “... Então o Senhor virá do alto do céu, sobre as nuvens, na glória de seu Pai e Ele enviará nas chamas do fogo o Anticristo com seus fiéis. Ele inaugurará ao mesmo tempo para os justos os tempos do reino, isto é, o repouso, o sétimo dia que foi santificado e ele dará a Abraão a herança prometida: é esse o reino no qual, segundo a Palavra do senhor. muitos virão do levante e do poente e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaac e Jacob.”
5) Hippolyte de Rome (170-236), Refutação de todas as heresias, IX, 16,1-3.
“... Mas dado que dissemos que eles (os elkasaites) levam em conta o erro da astrologia, iremos demonstrar a partir de seus escritos. Eles dizem, com efeito, o que segue:.”
6) Didascalie (Syrie - IIIe siècle)
“... Jejuem também aos sabados porque é o dia que o Senhor dormiu, dia que convem jejuar, como ordenou Moisés, o bem aventurado profeta de tudo isso, ele o sabia pelo Espírito Santo e Deus todo poderoso lhe ordenou, ele que sabia tudo o que o povo faria a seu querido Jesus Cristo. Eles o renegaram então na pessoa de Moises e lhe disseram: quem te estabeleceu chefe e juiz sobre nós? Também eles iniciaram desde do inicio um luto perpetuo, quando ele os separou e lhes estabeleceu o sábado.Aqueles que renegaram suas vidas e elevaram a mão sobre aquele que lhes dava a vida mereceram o luto... Notem bem, caros irmãos, que a maior parte dos homens no seu luto imitam o sábado e aqueles que guardam o sábado parecem estar em luto: aquele que está em luto não acende a luz, como faz o povo judeu no sábado, segundo o mandamento de Moisés que assim lhe ordenou. Aquele que está em luto não se le levanta, é o que faz o povo judeu no sábado. Aquele que está de luto não faz festa, como o faz o povo judeu no dia de sábado, que se prepara desde a véspera; isto é um precentimento do luto deles, pelo fato de ter levado suas mãos sobre Jesus. Aquele que está de luto não trabalha, não fala, mas permanece sentado, triste, como faz o povo no sábado. Foi dito ao povo a respeito do luto do sábado: Nao lenvantarás os pés para fazer obra alguma e nenhuma palavra sairá de tua boca...”
7) Eusèbe (263 - 339), Historia eclesiastica, III, 27, 2-5.
“...Os ebionitas assumem para si um dever absoluto, o de observar a Lei de Moisés pois eles dizem que não serão salvos somente pela fé em Cristo e pela vida conforme essa fé. Mas ao lado desses, havia outros que portavam o mesmo nome e que praticavam as mesmas impiedades dos primeiros, ainda pode se acrescentar que paralelamente aqueles, eles colocavam todo o zelo no cumprimento detalhado das prescrições carnais da Lei. Estes ... se servindo unicamente do Evangelho, chamado dos hebreus e não levando em conta outros. Eles guardavam o sábado e observavam o resto da conduta judaica, a semelhança deles, mas eles celebravam os domingos mais ou menos como nós, em memória da ressurreição do Senhor. Ver também Mt 24,20-21; Gl 4, 8-11; Col 2,8. 16-17
8) Cyrilo de Jérusalem (+386), Catequese IV, 37.
“... E não caiam no judaismo, porque Jesus o Cristo os libertou definitivamente. Abstenham de toda observância do sábado...”
9) Concile de Laodiceia (IVe siècle)
Canon 16: “A respeito dos Evangelhos se o lê no dia de sábado, dia em que é acompanhado dos outros livros .”
Canon 29: “Que os cristãos não se comportem como os judeus cessando o trabalho no dia do sábado, mas que eles trabalhem nesse dia; e para testemunhar o respeito devido ao domingo, que eles não trabalhem nesse dia como cristãos, se ao menos eles puderem. Mas se for estabelecido que eles se comportem como os judeus que sejam anátemas junto ao Cristo.”
Canon 49: “Não se deve oferecer o pão durante a quaresma a não ser somente nos dias de sábado e de domingo.”
Canon 51: “Não se deve observar o aniversário dos mártires durante a quaresma, mas fazer comemoração dos santos mártires nos sábados e nos domingos..”
10) Constituições Apostólicas (a base é a Didascalia + acréscimos no IV século na Siria)
Livro II, 59,3: “O dia do sábado e o dia da ressurreição do Senhor sobretudo, esforcem-se a se reunirem. Façam subir um hino a Deus que criou o universo atraves de Jesus, que no-lo enviou, que consentiu sua paixão e o ressucitou dentre os mortos.”
Livro VII, 23,3-4: “Celebrem o dia do sábado e o dia do Senhor com festas, porque o priemiro dia é um memorial da criação e o segundo da ressurreição.”
Livreo VIII, 33,1-2: “Eu, Paulo e eu Pedro, ordenamos: que os escravos trabalhem cinco dias por semana, mas que descansem no sábado e no dia do Senhor para escutar a Igreja, o ensinamento da fé. Com efeito, o sábado, segundo nós, está relacionado com a criação, o dia do Senhor com a ressurreição.”
Livro VIII, 47,64: “Se encontrarem um membro do clero jejuando no dia do Senhor ou no sábado - exceto no único sábado autorizado (sábado-santo) - que ele seja deposto; se ele for um leigo, que ele seja expulso.”
11) Pseudo Ignace (parece ser o mesmo autor das C. A.), Carta aos Filipenses 13
“... Se alguém jejua no dia do Senhor ou no dia do sábado - exceto no dia do sábado autorizado -. este é um assassino de Cristo.”
12) Aphraate (IVe século), Instruções 13,2
“ O sábado não está colocado como divisor entre a vida e a morte, nem entre a justiça e o pecado, como os outros mandamentos vitais aos homens, mas mortais se eles não os observar. No tempo em que era necessário observar o sábado, ele foi dado ao povo - e não somente aos homens, mas também ao rebanho- para o repouso. É assim que Deus disse: que o teu boi, teu asno e todo o rebanho se repousem. Se o sábado fora posto como divisor entre a vida e a morte, ou entre a justiça e o pecado, qual seria sua função de sua observancia para o rebanho? Ou o que haveria nele de condenavel se ele não fosse respeitado?”
13) Grégorio de Nysse (+394), Contra aqueles que não suportam as correções
“... Voce não pratica a justiça, não aprende a virtude e não se preocupa com a vida de oração. É isso que a jornada de ontem mostrou. Com quais olhos voce considera o dia do Senhor, voce que desonra o sábado? Será que voce não sabe que esses dias são irmãos? E que se voce atinge um voce faz vilolencia ao outro? Voce que é dotado de discernimento e de razão, que não se ocupa do que é justo e bom, que não se preocupa com a tua imortalidade e não busca discernir quem voce é segundo sua verdadeira natureza nem o que voce pode se tornar...”
14) Palladius (388 +antes 431), Historia Lausiaque 32,3
“...Que cada um dos monjes tenha uma veste de pele de cabrita e que não comam sem ela. Mas indo para a mesa de comunhão no sábado e no domingo, que eles se liberem de suas cinturas e deixem a veste na entrada e, depois, entrem somente com o capuz.”
15) Pachôme (+436), Vida I de São Pacônio 28
“Pacônio prescreveu: o responsável do mosteiro faça com que haja tres dias de instruções, um no dia do sábado e dois no dia do domingo...”
16) Socrate (historiador 380 +após 439), Historia eclesiastica V, 22
“... A respeito das assembléias culturais, existem diferenças. Mesmo que as Igrejas de todo o mundo celebram os mistérios cada semana, no dia do sábado, os cristãos de Alexandria e de Roma se baseando sobre uma antiga tradição, não os celebram nesse dia. Contrariamente, os Egipcianos, visinhos de Alexandria e os habitantes da Tebaide celebram o culto no sábado, no entanto sem participar dos mistérios segundo o costume habitual cristão: pois após terem copiosamente comido e se enchidos de todo tipo de comida, é somente pela tarde que eles oferecem a eucaristia e participam dos mistérios.”
17) Agostinho (354 - 430), Carta 55 a Januarius
a, 18 “O antigo povo (Israel) foi ordenado celebrar o sábado para o repouso corporal, que deveria representar figurativamente a santificação que conduz ao repouso do Espírito Santo. Também em nenhuma parte no Génesis faz alusão à santificação durante os primeiros dias da criação, mas é somente dito a respeito do sábado: et Deus santificou o sétemo dia. Tanto os bons como os maus amam o repouso, mas a maior parte deles não sabem como atingir o objeto do amor. .. Também a alma não fica impune com tal pecado, porque Deus resiste aos orgulhosos, mas dá sua graça aos humildes. Porém quando ela se encontra com Deus, ela encontra n’Ele o verdadeiro repouso seguro e eterno que ela buscou nas outras coisas sem poder encontrar. É porisso que no salmo se encontra a exortação: Põe teu prazer no Senhor e Ele te dará o que teu coração deseja. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado, é por essa razão que foi feito memória da santificação do sétimo dia, dia em que o repouso foi ordenado... Também entre os dez mandamentos, somente aquele relacionado ao sábado que deve ser figurativo. E nós reconhecemos que essa figura deve ser interpretada e não mais ser celebrada por um repouso corporal. Pois o sábado significa o repouso espiritual como está dito no Salmo: Apenguem-se ao repouso e reconheçam que Eu sou o Senhor a quem o Senhor Jesus Cristo, ele mesmo chama os homens quando ele diz: Venham a mim, voces todos que estão cansados e acabados, eu lhes aliviarei. Carreguem o meu jugo, deixem me instruir-lhes, porque eu sou manso e humilde de coração, e voces encontrarão o repouso de suas almas. No entanto, os outros nove mandamentos, nós os observaremos tal qual eles foram ordenados, no seu sentido proprio, sem nenhuma significação figurativa...”
b, Carta 36 a Casulanus 31-32
“Vem em seguida o sábado, durante o qual o corpo de Crsito repousou no sepulcro, como, no momento da criação do mundo, Deus se repousa, nesse dia, de todas as suas obras. É nesse repouso que nasceu, no manto da rainha (imagem da Igreja), esta diversidade da prática que faz que alguns povos, particularmente no oriente, preferem se abster do jejum nesse dia para marcar o repouso, enquanto que outros preferem jejuar, como a Igreja de Roma e outras igrejas do Ocidente, porque o Senhor se abaixou na sua morte...”
18) Martin de Braga (515 - 580), Melhora dos pagãos, 18.
“ Idem sempre rezar a Deus em uma Igreja ou em uma capela dos santos. Não desprezem, mas observem com profundo respeito o dia do Senhor. Este dia é assim chamado porque o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, ressucitou dos mortos nesse dia. Não fassem nenhum trabalho servil no dia do Senhor, eu quero dizer trabalhos no campo, nas pastagens, nas vinhas, nem um outro trabalho pesado, com exceção do que é necessário para restaurar nosso pobre corpo, portanto para preparação de alimentos e para a bebida necessária para uma longa viagem. Também é permitido se deslocar nos arredores, no dia do Senhor, não por maus pretextos, mais sim para ir aos lugares santos, para visitar um irmão ou um amigo, para reconfortar um doente, ou para levar, com boas intenções, um conselho ou suporte para quem está em dificuldade. Eis portanto como convem a um cristão honrar o dia do Senhor. Com efeito, é injusto e lamentavel que os pagãos e as pessoas que são ignorantes da fé cristã, adorando os ídolos dos demonios, veneram o dia de Júpter ou de qualquer outro falso deus e nesse dia cessam o trabalho, enquanto que esses falsos deuses certamente não criaram nenhum dia e que nenhum desses dias por consequencia pertence a eles. E nós, que adoramos portanto o verdadeiro Deus, e que cremos que o Filho de Deus ressucitou dos mortos, honramos tão pouco o dia de sua ressurreição, isto é, o dia do Senhor. Não ultragem a ressurreição do Senhor, honrem-no e observem-no com veneração, ao menos na esperança que nós depositamos nela...”
19) Gregório o Grande (540 - 604), Carta 13,3.
“Vieram me dizer que certas pessoas de espírito corrompido espalharam entre voces opiniões perversas e contrarias a santa fé, o que levou mesmo a proibir todo trabalho no dia do sábado. Que nome eu daria a essa gente senão de predicadores do Anti-Cristo? Quando esse vier, ele exigirá celebrar o sábado e o dia do Senhor sem trabalhar---- é porisso que nós interpretamos espiritualmente o que está escrito sobre o sábado e o cumprimos espiritualmente. O sábado significa, com efeito, repouso. Ora, temos nosso verdadeiro sábado na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Aliás, me disseram também que pessoas corrompidas lhes ensinaram a não se lavar no dia do Senhor. Certamente, se é pelo desejo de luxuria ou por voluptuosidade que alguém quer se lavar, nós proibimos de o fazer qualquer que seja o dia; mas se for por necessidade hegiênica corporal, não impedimos, mesmo no dia do Senhor. É mister por fim, nos dia do Senhor, a todo trabalho terrestre e se consagrar inteiramente à nossas orações, para expiar, através de nossas suplicações, as negligências durante os seis outros dias.”
“Se portanto aqueles que viviam segundo a antiga ordem das coisas, entraram na nova esperança e não observam mais o sábado, mas o dia do Senhor, dia onde nassa vida foi elevada por Ele e por sua morte....”
2) Plinio o Jovem (61 - 113), Carta a Trajan X, 96,7.
“Aliás eles afirmam que suas fautas, ou seus erros, se limitavam aos hábitos de se reunirem durante aurora, antes do nascer do sol, de cantar alternadamente entre eles, hinos ao Cristo como um deus; de se comprometerem através de juramente, a não perpetrarem nenhum crime e a não praticarem nenhum roubo, nem criarem confusões, nem cometerem adultérios, assim como cumprirem toda palavra dita e a pagarem tudo segundo a justiça. Cumprindo esses ritos, eles tinham o hábito de se separarem e de se reunirem ainda para a refeição, que, poderia-se dizer, de maneira ordinaria e inocente. Mesmo esta prática, eles renunciaram após meu edito ao qual eu os havia proibido.”
3) Tertuliano (160 +após 220), Aos pagãos, I, 13,1-5.
“É verdade que outros pagãos têm uma opinião mais humana: eles pensam que o sol é o deus cristão porque soube-se que nós nos orientamos para o oriente quando fazermos a oração e que no dia do sol (sun-day, soon-tag) nós vivemos na alegria. E vocês, o que fazem? Muitos dentre voces, afirmando adorar objetos celestes, não movimentam os lábios, se orientando para o sol nascente? Em todo caso, são voces que admitiram o sol na lista dos sete dias e que escolheram outrora, entre os dias de vocês, dia que veces suprimem ou recuam o banho e também é o dia que voces praticam a ociosidade. Assim fazendo voces se distanciam de suas crenças em função de costumes estrangeros: com efeito o sábado, o banquete, os ritos de acender lâmpadas, os jejuns com pães ázimos, as orações às margens do rio, pertencem às festas judaicas, tudo isso é estrangeiro aos deuses de voces. Também, para retornar ao meu assunto, voces que não recusam o sol e seu dia, reconheçam a proximidade: nós não estamos longe de Saturno e de seus sábados.
b, Da oração 23, 1-2
“Em se tratando de genoflexão, uma diferença de prática disturba a oração, por causa de um pequeno grupo de gente que não se ajoelha no dia de sãbado; esta divergência é, justamente nesse tempo, defendida com vigor nas comunidades. O Senhor, na sua misericordia, fará de tal maneira, que essas pessoas cessesm ou ao menos que se comportem segundo suas opiniões sem importunar os outros...”
c, O jejum 14, 2-3
“... Por que nós consagramos a quarta feira e a sexta feira para o jejum das estações e o dia da preparação do jejum total? Ainda que voces acrescentem o sãbado, em certas circunstancias, não se deve nunca jejuar nesse dia, senão quando for Páscoa, pelas razões acima expostas...”
d, O jejum 15,2
“... Na realidade a proibição de alimentos é minimo entre nós. Nós consagramos a Deus duas semanas por ano, quando comemos a seco e mesmo assim não completam duas semanas pois isentamos os sãbados e os domingos...”
4) Irénée (115 - 202), Contre as hérésias IV.
a, 8,1 “... É portanto evidente que aqueles que contestam a salvação de Abraão e imaginam um outro Deus que aquele que lhe fez a promessa, esses estão fora do reino de Deus e privados da herança e da incorruptibilidade: pois eles desprezam e blasfemam o Deus que introduziu Abraão e sua posteridade no reino dos Céus, istao é, a Igreja, que, através de Jesus Cristo, recebe a adoção e a herança prometida a Abraão...”
b, 16,1 “... Quanto aos sábados, eles nos ensinam a perseverança no serviço de Deus durante todo o dia: nós fomos considerados, disse o Apostolo Paulo, todo ao longo do dia, como cordeiros de sacrificio, isto é, como consagrados, como sevidores durante todo o tempo de nossa fé e com perseveraça nela, nós nos abstemos de toda avareza, não adquirindo tesouro sobre a terra. Os sábados manisfestam também o repouso de Deus consecutivo à criação, isto é, o reino no qual o homem que persevera no serviço de Deus repousará e tomará parte na mesa do Senhor.”
c, 28,3 “... Pois quantos dias comportam a criação do mundo, tanto de milênios comprenderá sua duração total. É porisso que o livro do Gênesis diz: Assim foram concluidos o céu e a terra, com todo o seu exército. Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera e no sétimo dia descansou, depois de toda a obra feita. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou depois de toda a sua obra de criação. Isto é ao mesmo tempo um relato do passado, tal como ele se desenvolveu e uma profecia do futuro: com efeito, se um dia do Senhor é como mil anos e se a criação foi terminada em seis dias, é evidente que a consumação das coisas acontecerá em seis mil anos.”
d, 30,4 “... Então o Senhor virá do alto do céu, sobre as nuvens, na glória de seu Pai e Ele enviará nas chamas do fogo o Anticristo com seus fiéis. Ele inaugurará ao mesmo tempo para os justos os tempos do reino, isto é, o repouso, o sétimo dia que foi santificado e ele dará a Abraão a herança prometida: é esse o reino no qual, segundo a Palavra do senhor. muitos virão do levante e do poente e tomarão lugar à mesa com Abraão, Isaac e Jacob.”
5) Hippolyte de Rome (170-236), Refutação de todas as heresias, IX, 16,1-3.
“... Mas dado que dissemos que eles (os elkasaites) levam em conta o erro da astrologia, iremos demonstrar a partir de seus escritos. Eles dizem, com efeito, o que segue:
6) Didascalie (Syrie - IIIe siècle)
“... Jejuem também aos sabados porque é o dia que o Senhor dormiu, dia que convem jejuar, como ordenou Moisés, o bem aventurado profeta de tudo isso, ele o sabia pelo Espírito Santo e Deus todo poderoso lhe ordenou, ele que sabia tudo o que o povo faria a seu querido Jesus Cristo. Eles o renegaram então na pessoa de Moises e lhe disseram: quem te estabeleceu chefe e juiz sobre nós? Também eles iniciaram desde do inicio um luto perpetuo, quando ele os separou e lhes estabeleceu o sábado.Aqueles que renegaram suas vidas e elevaram a mão sobre aquele que lhes dava a vida mereceram o luto... Notem bem, caros irmãos, que a maior parte dos homens no seu luto imitam o sábado e aqueles que guardam o sábado parecem estar em luto: aquele que está em luto não acende a luz, como faz o povo judeu no sábado, segundo o mandamento de Moisés que assim lhe ordenou. Aquele que está em luto não se le levanta, é o que faz o povo judeu no sábado. Aquele que está de luto não faz festa, como o faz o povo judeu no dia de sábado, que se prepara desde a véspera; isto é um precentimento do luto deles, pelo fato de ter levado suas mãos sobre Jesus. Aquele que está de luto não trabalha, não fala, mas permanece sentado, triste, como faz o povo no sábado. Foi dito ao povo a respeito do luto do sábado: Nao lenvantarás os pés para fazer obra alguma e nenhuma palavra sairá de tua boca...”
7) Eusèbe (263 - 339), Historia eclesiastica, III, 27, 2-5.
“...Os ebionitas assumem para si um dever absoluto, o de observar a Lei de Moisés pois eles dizem que não serão salvos somente pela fé em Cristo e pela vida conforme essa fé. Mas ao lado desses, havia outros que portavam o mesmo nome e que praticavam as mesmas impiedades dos primeiros, ainda pode se acrescentar que paralelamente aqueles, eles colocavam todo o zelo no cumprimento detalhado das prescrições carnais da Lei. Estes ... se servindo unicamente do Evangelho, chamado dos hebreus e não levando em conta outros. Eles guardavam o sábado e observavam o resto da conduta judaica, a semelhança deles, mas eles celebravam os domingos mais ou menos como nós, em memória da ressurreição do Senhor. Ver também Mt 24,20-21; Gl 4, 8-11; Col 2,8. 16-17
8) Cyrilo de Jérusalem (+386), Catequese IV, 37.
“... E não caiam no judaismo, porque Jesus o Cristo os libertou definitivamente. Abstenham de toda observância do sábado...”
9) Concile de Laodiceia (IVe siècle)
Canon 16: “A respeito dos Evangelhos se o lê no dia de sábado, dia em que é acompanhado dos outros livros .”
Canon 29: “Que os cristãos não se comportem como os judeus cessando o trabalho no dia do sábado, mas que eles trabalhem nesse dia; e para testemunhar o respeito devido ao domingo, que eles não trabalhem nesse dia como cristãos, se ao menos eles puderem. Mas se for estabelecido que eles se comportem como os judeus que sejam anátemas junto ao Cristo.”
Canon 49: “Não se deve oferecer o pão durante a quaresma a não ser somente nos dias de sábado e de domingo.”
Canon 51: “Não se deve observar o aniversário dos mártires durante a quaresma, mas fazer comemoração dos santos mártires nos sábados e nos domingos..”
10) Constituições Apostólicas (a base é a Didascalia + acréscimos no IV século na Siria)
Livro II, 59,3: “O dia do sábado e o dia da ressurreição do Senhor sobretudo, esforcem-se a se reunirem. Façam subir um hino a Deus que criou o universo atraves de Jesus, que no-lo enviou, que consentiu sua paixão e o ressucitou dentre os mortos.”
Livro VII, 23,3-4: “Celebrem o dia do sábado e o dia do Senhor com festas, porque o priemiro dia é um memorial da criação e o segundo da ressurreição.”
Livreo VIII, 33,1-2: “Eu, Paulo e eu Pedro, ordenamos: que os escravos trabalhem cinco dias por semana, mas que descansem no sábado e no dia do Senhor para escutar a Igreja, o ensinamento da fé. Com efeito, o sábado, segundo nós, está relacionado com a criação, o dia do Senhor com a ressurreição.”
Livro VIII, 47,64: “Se encontrarem um membro do clero jejuando no dia do Senhor ou no sábado - exceto no único sábado autorizado (sábado-santo) - que ele seja deposto; se ele for um leigo, que ele seja expulso.”
11) Pseudo Ignace (parece ser o mesmo autor das C. A.), Carta aos Filipenses 13
“... Se alguém jejua no dia do Senhor ou no dia do sábado - exceto no dia do sábado autorizado -. este é um assassino de Cristo.”
12) Aphraate (IVe século), Instruções 13,2
“ O sábado não está colocado como divisor entre a vida e a morte, nem entre a justiça e o pecado, como os outros mandamentos vitais aos homens, mas mortais se eles não os observar. No tempo em que era necessário observar o sábado, ele foi dado ao povo - e não somente aos homens, mas também ao rebanho- para o repouso. É assim que Deus disse: que o teu boi, teu asno e todo o rebanho se repousem. Se o sábado fora posto como divisor entre a vida e a morte, ou entre a justiça e o pecado, qual seria sua função de sua observancia para o rebanho? Ou o que haveria nele de condenavel se ele não fosse respeitado?”
13) Grégorio de Nysse (+394), Contra aqueles que não suportam as correções
“... Voce não pratica a justiça, não aprende a virtude e não se preocupa com a vida de oração. É isso que a jornada de ontem mostrou. Com quais olhos voce considera o dia do Senhor, voce que desonra o sábado? Será que voce não sabe que esses dias são irmãos? E que se voce atinge um voce faz vilolencia ao outro? Voce que é dotado de discernimento e de razão, que não se ocupa do que é justo e bom, que não se preocupa com a tua imortalidade e não busca discernir quem voce é segundo sua verdadeira natureza nem o que voce pode se tornar...”
14) Palladius (388 +antes 431), Historia Lausiaque 32,3
“...Que cada um dos monjes tenha uma veste de pele de cabrita e que não comam sem ela. Mas indo para a mesa de comunhão no sábado e no domingo, que eles se liberem de suas cinturas e deixem a veste na entrada e, depois, entrem somente com o capuz.”
15) Pachôme (+436), Vida I de São Pacônio 28
“Pacônio prescreveu: o responsável do mosteiro faça com que haja tres dias de instruções, um no dia do sábado e dois no dia do domingo...”
16) Socrate (historiador 380 +após 439), Historia eclesiastica V, 22
“... A respeito das assembléias culturais, existem diferenças. Mesmo que as Igrejas de todo o mundo celebram os mistérios cada semana, no dia do sábado, os cristãos de Alexandria e de Roma se baseando sobre uma antiga tradição, não os celebram nesse dia. Contrariamente, os Egipcianos, visinhos de Alexandria e os habitantes da Tebaide celebram o culto no sábado, no entanto sem participar dos mistérios segundo o costume habitual cristão: pois após terem copiosamente comido e se enchidos de todo tipo de comida, é somente pela tarde que eles oferecem a eucaristia e participam dos mistérios.”
17) Agostinho (354 - 430), Carta 55 a Januarius
a, 18 “O antigo povo (Israel) foi ordenado celebrar o sábado para o repouso corporal, que deveria representar figurativamente a santificação que conduz ao repouso do Espírito Santo. Também em nenhuma parte no Génesis faz alusão à santificação durante os primeiros dias da criação, mas é somente dito a respeito do sábado: et Deus santificou o sétemo dia. Tanto os bons como os maus amam o repouso, mas a maior parte deles não sabem como atingir o objeto do amor. .. Também a alma não fica impune com tal pecado, porque Deus resiste aos orgulhosos, mas dá sua graça aos humildes. Porém quando ela se encontra com Deus, ela encontra n’Ele o verdadeiro repouso seguro e eterno que ela buscou nas outras coisas sem poder encontrar. É porisso que no salmo se encontra a exortação: Põe teu prazer no Senhor e Ele te dará o que teu coração deseja. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado, é por essa razão que foi feito memória da santificação do sétimo dia, dia em que o repouso foi ordenado... Também entre os dez mandamentos, somente aquele relacionado ao sábado que deve ser figurativo. E nós reconhecemos que essa figura deve ser interpretada e não mais ser celebrada por um repouso corporal. Pois o sábado significa o repouso espiritual como está dito no Salmo: Apenguem-se ao repouso e reconheçam que Eu sou o Senhor a quem o Senhor Jesus Cristo, ele mesmo chama os homens quando ele diz: Venham a mim, voces todos que estão cansados e acabados, eu lhes aliviarei. Carreguem o meu jugo, deixem me instruir-lhes, porque eu sou manso e humilde de coração, e voces encontrarão o repouso de suas almas. No entanto, os outros nove mandamentos, nós os observaremos tal qual eles foram ordenados, no seu sentido proprio, sem nenhuma significação figurativa...”
b, Carta 36 a Casulanus 31-32
“Vem em seguida o sábado, durante o qual o corpo de Crsito repousou no sepulcro, como, no momento da criação do mundo, Deus se repousa, nesse dia, de todas as suas obras. É nesse repouso que nasceu, no manto da rainha (imagem da Igreja), esta diversidade da prática que faz que alguns povos, particularmente no oriente, preferem se abster do jejum nesse dia para marcar o repouso, enquanto que outros preferem jejuar, como a Igreja de Roma e outras igrejas do Ocidente, porque o Senhor se abaixou na sua morte...”
18) Martin de Braga (515 - 580), Melhora dos pagãos, 18.
“ Idem sempre rezar a Deus em uma Igreja ou em uma capela dos santos. Não desprezem, mas observem com profundo respeito o dia do Senhor. Este dia é assim chamado porque o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, ressucitou dos mortos nesse dia. Não fassem nenhum trabalho servil no dia do Senhor, eu quero dizer trabalhos no campo, nas pastagens, nas vinhas, nem um outro trabalho pesado, com exceção do que é necessário para restaurar nosso pobre corpo, portanto para preparação de alimentos e para a bebida necessária para uma longa viagem. Também é permitido se deslocar nos arredores, no dia do Senhor, não por maus pretextos, mais sim para ir aos lugares santos, para visitar um irmão ou um amigo, para reconfortar um doente, ou para levar, com boas intenções, um conselho ou suporte para quem está em dificuldade. Eis portanto como convem a um cristão honrar o dia do Senhor. Com efeito, é injusto e lamentavel que os pagãos e as pessoas que são ignorantes da fé cristã, adorando os ídolos dos demonios, veneram o dia de Júpter ou de qualquer outro falso deus e nesse dia cessam o trabalho, enquanto que esses falsos deuses certamente não criaram nenhum dia e que nenhum desses dias por consequencia pertence a eles. E nós, que adoramos portanto o verdadeiro Deus, e que cremos que o Filho de Deus ressucitou dos mortos, honramos tão pouco o dia de sua ressurreição, isto é, o dia do Senhor. Não ultragem a ressurreição do Senhor, honrem-no e observem-no com veneração, ao menos na esperança que nós depositamos nela...”
19) Gregório o Grande (540 - 604), Carta 13,3.
“Vieram me dizer que certas pessoas de espírito corrompido espalharam entre voces opiniões perversas e contrarias a santa fé, o que levou mesmo a proibir todo trabalho no dia do sábado. Que nome eu daria a essa gente senão de predicadores do Anti-Cristo? Quando esse vier, ele exigirá celebrar o sábado e o dia do Senhor sem trabalhar---- é porisso que nós interpretamos espiritualmente o que está escrito sobre o sábado e o cumprimos espiritualmente. O sábado significa, com efeito, repouso. Ora, temos nosso verdadeiro sábado na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Aliás, me disseram também que pessoas corrompidas lhes ensinaram a não se lavar no dia do Senhor. Certamente, se é pelo desejo de luxuria ou por voluptuosidade que alguém quer se lavar, nós proibimos de o fazer qualquer que seja o dia; mas se for por necessidade hegiênica corporal, não impedimos, mesmo no dia do Senhor. É mister por fim, nos dia do Senhor, a todo trabalho terrestre e se consagrar inteiramente à nossas orações, para expiar, através de nossas suplicações, as negligências durante os seis outros dias.”
domingo, 25 de setembro de 2011
Jovem e Missão
A juventude é a época do florescer dos sentimentos, das descobertas mais importantes da vida, tempo dos desafios, das frustrações, alegrias e esperanças, das experiências que marcarão o jovem por toda longevidade de seus futuros dias.
Entre as inúmeras experiências saboreadas neste período, destaca-se a mais vibrante, mais inusitada, mais serena e ao mesmo tempo radical, a experiência do sagrado, a experiência do Deus a vida.
O encontro com Deus no período da juventude que se prolonga até a maturidade, revela-nos o imenso amor do Criador pelos filhos seus, o cuidado com o qual se inclina Deus para acolher toda obra criada em seu braços, reservando-a para Ele, cercando-a e protegendo-a num imenso jardim, o Éden, jardim dos prazeres. Ao mesmo tempo, este encontro com Deus revelar-nos o chamado ao qual Ele convoca-nos a colocar a serviço do reino todo vigor da juventude. O jovem é chamado a ser missionário dentro de sua singularidade, oferecendo-se jovialmente a espalhar as sementes do verbo por onde quer que passe, embriagando a toda criação com os Ecos de sua vida.
Aquele (a) que escuta o sussurro de Deus e se permite caminhar com ele, torna-se defensor da vida em todas suas instâncias, vislumbrando na natureza a imagem de seu criador. Cuidar da natureza é uma das formas de deixar transparecer a imagem e semelhança de Deus existente em cada um de nós. Não se escondam ao chamado de Deus, mas tenha a ousadia de responder: Eis - me aqui Senhor, para fazer tua vontade e viver em seu amor.
Diácono Luciano José Dias
Entre as inúmeras experiências saboreadas neste período, destaca-se a mais vibrante, mais inusitada, mais serena e ao mesmo tempo radical, a experiência do sagrado, a experiência do Deus a vida.
O encontro com Deus no período da juventude que se prolonga até a maturidade, revela-nos o imenso amor do Criador pelos filhos seus, o cuidado com o qual se inclina Deus para acolher toda obra criada em seu braços, reservando-a para Ele, cercando-a e protegendo-a num imenso jardim, o Éden, jardim dos prazeres. Ao mesmo tempo, este encontro com Deus revelar-nos o chamado ao qual Ele convoca-nos a colocar a serviço do reino todo vigor da juventude. O jovem é chamado a ser missionário dentro de sua singularidade, oferecendo-se jovialmente a espalhar as sementes do verbo por onde quer que passe, embriagando a toda criação com os Ecos de sua vida.
Aquele (a) que escuta o sussurro de Deus e se permite caminhar com ele, torna-se defensor da vida em todas suas instâncias, vislumbrando na natureza a imagem de seu criador. Cuidar da natureza é uma das formas de deixar transparecer a imagem e semelhança de Deus existente em cada um de nós. Não se escondam ao chamado de Deus, mas tenha a ousadia de responder: Eis - me aqui Senhor, para fazer tua vontade e viver em seu amor.
Diácono Luciano José Dias
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Bodas de cana (João 2, 1-11)
O texto começa dizendo: “No terceiro dia”, o terceiro dia nos faz lembrar a ressurreição de Jesus, ressurreição é vida nova, vida transformada, vida renovada, um novo recomeço, uma “Nova Criação”. Em Jesus, através de Jesus, Deus o Pai faz nova todas as coisas. Com a morte de Jesus, toda a velha humanidade decaida pelo pecado é extinta, e com a ressurreição de Jesus, também a criação ressurge com ele para uma vida nova. Uma nova chance é dada a humanidade, mais uma vez é feita aliança entre Deus e a humanidade. Esta aliança promulgasse no casamento, “bodas de Caná”, casamento é o símbolo da aliança entre um homem e uma mulher, que juntos se tornam uma só carne, juntos produzem vida, se tornam co-autores da criação, dão continuidade a obra de Deus. Esta festa de casamento em Caná, é, portanto o casamento definitivo, a aliança entre Deus e a humanidade. O profeta Oseías, faz uso desta figura de linguagem do casamento para dizer-nos que Deus é o noivo e a humanidade é a noiva, que esta sendo desposada por Deus.
O casamento esta acontecendo em Caná da Galiléia, Galiléia é periferia, subúrbio, é lugar de gente pobre, sofrida, pessoas que vivem a margem da sociedade. Caná, em Hebraico é um Verbo, o verbo "Adquirir", este Sinal só poderia acontecer aí, pois é onde somos adquiridos por Deus. É na atenção aos pobres e marginalizados que Deus nos adquire para Ele.
A mãe de Jesus estava presente a esta festa, não poderia ser diferente, pois nela se fez a vontade do Senhor, “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”, Maria representa, portanto, a noiva de Deus que é toda a humanidade, nela se expressa a paixão de Deus por nós, paixão que o leva até as ultimas conseqüências para poder continuar amando sua noiva.
Jesus também estava lá na festa, ele não poderia estar ausente, pois ele é justamente o Noivo, aquele que faz loucuras por amor, capaz de ir até a morte, de doar sua própria vida para que sua noiva, a humanidade inteira continue vivendo; possa gozar da vida eterna.
Os discípulos de Jesus também estavam lá, são eles que crendo nesta entrega total do noivo por sua noiva, darão testemunho desse amor, dando continuidade a este projeto iniciado por Jesus, também eles experimentando a mesma paixão, que arderá em seus peitos, tendo a chance de perpetuar a aliança entre céu e terra, entre Deus e a humanidade.
O texto diz que não tinham mais vinho, pois já tinha acabado. O vinho é a alegria da festa, o que dá sabor ao que esta sendo celebrado, em torno dele se reúnem os convidados que, enquanto bebem, conversam, trocam experiências, discutem, partilham a vida. Uma vez acabando o vinho, entra em cena à noiva, Maria, a mulher, vigilante às necessidades da vida, do cotidiano, da festa, representante da humanidade, não querendo que a alegria termine, intercede junto ao noivo, para que prolongue, eternize a alegria da festa da vida. Maria, em sua intercessão junto a Jesus, faz com que este antecipe sua “hora”, sua missão. Ela revela-nos qual a condição para que a vida seja sempre uma festa: “Fazei tudo o que ele voz disser”.
No local havia talhas de pedra para a purificação dos judeus, elas eram usadas para os banhos de purificação, necessários para que as pessoas pudessem se aproximar de Deus, uma pessoa impura, além de não poder estar com Deus, pode impedir que outros o façam, caso se relacione, todos ficam impuros.
Jesus pede que encham as talhas com água. A água é sinal de vida, sem ela perecemos, sem ela a vida se extingue. Jesus não enche as talhas, ele não vai buscar a água,mas, pede que os serventes busquem, tragam a água, uma vez esta água trazida e as talhas cheias, Jesus a transforma, a água se torna vinho.
Se a água é vida, e por isso é que Jesus não vai buscá-la, mas pede que tragam e depositem nas talhas, ele transforma esta vida em algo novo, belo, eterno, portanto, o vinho é na verdade a vida transformada, a água transformada em vinho é vida em plenitude. Essa transformação se dá dentro da talha de purificação, na imersão nela, isto é, no batismo, pois é nele que somos adquiridos por Deus, mergulhamos para a morte no pecado e ressurgimos para uma vida nova, transformada.
O primeiro a provar deste vinho novo, desta vida transformada é o mestre sala, é ele quem esta sendo adquirido por Deus, esta sendo batizado, esta fazendo uma aliança com Deus. O mestre sala, experimentando a vida transformada exclama: “Todo homem serve primeiro o vinho bom, e quando os convidados já estão embriagados serve o inferior, tu guardaste o vinho bom até agora!”.
No decorrer de nossa vida, experimentamos encontros com outras pessoas, num primeiro contato, permitimos que as pessoas só enxerguem o que temos de bom, somos atenciosos, zelosos e prestativos, mas com o passar do tempo nos acomodamos, já não somos o que apresentávamos ser, mudamos, ou apresentamos o que somos na verdade. Aqueles que nos conheceram estão embriagados pela maravilha que mostramos ser, ai deixamos de ser zelosos e prestativos, nossa vida se torna azeda, virou vinho ruim, vinho azedo, vinagre. Jesus, o noivo, nunca mandou servir vinho ruim, mandou servir vinho transformado, sua própria vida sempre foi a máxima de doação, transformando a vida de todos que encontrou pelo caminho. No final, quando todos acharam que não era mais possível sair algo de bom dele, e o abandonaram, fugiram, ele serviu o vinho melhor, o melhor de sua vida, serviu a vida eterna.
bodas de Caná representa a festa de casamento entre Deus e a Humanidade, que se realiza no momento em que somos batizados, e, de forma consciente assumimos um compromisso com o Noivo que é Deus.
"E você? se lembra do dia em que foi desposado por Deus? o dia de seu batismo? Eis ai uma dada para nunca ser esquecida, o dia em que sua vida foi transformada; não permita que ela se transforme em vinagre, uma vida azeda, vida sem graça, vida desgraçada. Se apresentamos nossa vida a Deus, através do Cristo, Ele novamente faz o milagre de transforma-la em vinho, em vida em plenitude. mas para isso é necessario que apresentemos algo, "Enchamos as talhas com agua - nossas vidas".
O casamento esta acontecendo em Caná da Galiléia, Galiléia é periferia, subúrbio, é lugar de gente pobre, sofrida, pessoas que vivem a margem da sociedade. Caná, em Hebraico é um Verbo, o verbo "Adquirir", este Sinal só poderia acontecer aí, pois é onde somos adquiridos por Deus. É na atenção aos pobres e marginalizados que Deus nos adquire para Ele.
A mãe de Jesus estava presente a esta festa, não poderia ser diferente, pois nela se fez a vontade do Senhor, “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”, Maria representa, portanto, a noiva de Deus que é toda a humanidade, nela se expressa a paixão de Deus por nós, paixão que o leva até as ultimas conseqüências para poder continuar amando sua noiva.
Jesus também estava lá na festa, ele não poderia estar ausente, pois ele é justamente o Noivo, aquele que faz loucuras por amor, capaz de ir até a morte, de doar sua própria vida para que sua noiva, a humanidade inteira continue vivendo; possa gozar da vida eterna.
Os discípulos de Jesus também estavam lá, são eles que crendo nesta entrega total do noivo por sua noiva, darão testemunho desse amor, dando continuidade a este projeto iniciado por Jesus, também eles experimentando a mesma paixão, que arderá em seus peitos, tendo a chance de perpetuar a aliança entre céu e terra, entre Deus e a humanidade.
O texto diz que não tinham mais vinho, pois já tinha acabado. O vinho é a alegria da festa, o que dá sabor ao que esta sendo celebrado, em torno dele se reúnem os convidados que, enquanto bebem, conversam, trocam experiências, discutem, partilham a vida. Uma vez acabando o vinho, entra em cena à noiva, Maria, a mulher, vigilante às necessidades da vida, do cotidiano, da festa, representante da humanidade, não querendo que a alegria termine, intercede junto ao noivo, para que prolongue, eternize a alegria da festa da vida. Maria, em sua intercessão junto a Jesus, faz com que este antecipe sua “hora”, sua missão. Ela revela-nos qual a condição para que a vida seja sempre uma festa: “Fazei tudo o que ele voz disser”.
No local havia talhas de pedra para a purificação dos judeus, elas eram usadas para os banhos de purificação, necessários para que as pessoas pudessem se aproximar de Deus, uma pessoa impura, além de não poder estar com Deus, pode impedir que outros o façam, caso se relacione, todos ficam impuros.
Jesus pede que encham as talhas com água. A água é sinal de vida, sem ela perecemos, sem ela a vida se extingue. Jesus não enche as talhas, ele não vai buscar a água,mas, pede que os serventes busquem, tragam a água, uma vez esta água trazida e as talhas cheias, Jesus a transforma, a água se torna vinho.
Se a água é vida, e por isso é que Jesus não vai buscá-la, mas pede que tragam e depositem nas talhas, ele transforma esta vida em algo novo, belo, eterno, portanto, o vinho é na verdade a vida transformada, a água transformada em vinho é vida em plenitude. Essa transformação se dá dentro da talha de purificação, na imersão nela, isto é, no batismo, pois é nele que somos adquiridos por Deus, mergulhamos para a morte no pecado e ressurgimos para uma vida nova, transformada.
O primeiro a provar deste vinho novo, desta vida transformada é o mestre sala, é ele quem esta sendo adquirido por Deus, esta sendo batizado, esta fazendo uma aliança com Deus. O mestre sala, experimentando a vida transformada exclama: “Todo homem serve primeiro o vinho bom, e quando os convidados já estão embriagados serve o inferior, tu guardaste o vinho bom até agora!”.
No decorrer de nossa vida, experimentamos encontros com outras pessoas, num primeiro contato, permitimos que as pessoas só enxerguem o que temos de bom, somos atenciosos, zelosos e prestativos, mas com o passar do tempo nos acomodamos, já não somos o que apresentávamos ser, mudamos, ou apresentamos o que somos na verdade. Aqueles que nos conheceram estão embriagados pela maravilha que mostramos ser, ai deixamos de ser zelosos e prestativos, nossa vida se torna azeda, virou vinho ruim, vinho azedo, vinagre. Jesus, o noivo, nunca mandou servir vinho ruim, mandou servir vinho transformado, sua própria vida sempre foi a máxima de doação, transformando a vida de todos que encontrou pelo caminho. No final, quando todos acharam que não era mais possível sair algo de bom dele, e o abandonaram, fugiram, ele serviu o vinho melhor, o melhor de sua vida, serviu a vida eterna.
bodas de Caná representa a festa de casamento entre Deus e a Humanidade, que se realiza no momento em que somos batizados, e, de forma consciente assumimos um compromisso com o Noivo que é Deus.
"E você? se lembra do dia em que foi desposado por Deus? o dia de seu batismo? Eis ai uma dada para nunca ser esquecida, o dia em que sua vida foi transformada; não permita que ela se transforme em vinagre, uma vida azeda, vida sem graça, vida desgraçada. Se apresentamos nossa vida a Deus, através do Cristo, Ele novamente faz o milagre de transforma-la em vinho, em vida em plenitude. mas para isso é necessario que apresentemos algo, "Enchamos as talhas com agua - nossas vidas".
domingo, 21 de agosto de 2011
"Carta da Congregação Romana para a Liturgia"
Não se deve mais dizer « Yavhé » : o Sínodo adota esta disposição
Uma carta da Congregação Romana para a Liturgia
ROME, Sexta-feira 24 octobre 2008 (ZENIT.org) - Por respeito ao Nome de Deus, à Tradição da Igreja, ao povo Judeu e por razões filológicas, não se deve mais pronunciar o nome de Deus dizendo «Yavhé ».
O Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja pôs em prática esta nova disposição da Congregação Romana para o culto divino que pede ... - ”por diretiva do Santo Padre” - que não se empregue mais a transcrição das quatro consoantes hebraicas - “o Tetragrama sagrado” - vocalisados como « Yavhé » ou « Yahweh », nas traduções , “nas celebrações litúrgicas, nos cantos e na oração” da Igreja Católica.
Foi o que revelou esta manhã, Mgr Mgr Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho pontifical da cultura, biblista e presidente da comissão de comunicação do Sínodo do bispos, apresentando esta mensagem à imprensa e respondendo às perguntas aos jornalistas.
Mgr Ravasi, revelou que alguns membros do Sínodo empregou esta palavra e que então foi lembrado esta disposição nova. Mgr Ravasi sublinhou a importância de respeitar o uso da comunidade judaica sobre este ponto e desenvolveu as razções filológicas.
Com efeito, as quatro letras hebraicas disignando o nome de Deus, revelado a Moisés )cf Ex 3), são quatro consoantes, o « Tétragramme » (Yod-Heh-Waw-Heh, frequentemente transcritas em nosso alfabeto: IHWH). Estas quatro consoantes são impronunciáveis porque se ignora como este nome era vocalizado. Ou sobretudo, na tradição do Antigo Testamento, o nome de Deus é impronunciável.
Somente o Grande Sacerdote podia pronunciá-lo, uma vez por ano, quando ele entrava no Santo dos Santos do Templo de Jerusalém. A vocalização foi assim conservada em segredo e se perdeu. Alguns sugerem mesmo que jamais houve vocalização, nunguém poderia dominar Deus pronunciando seu Nome.
Por exemplo no livro de Eclesiástes se diz do grande Simão: “Enquanto ele abaixava e levantava as mãos, se dirigindo a toda a assembléia dos filhos de Israel, para em alta voz dar a bênção do Senhor e ter a honra de pronunciar seu nome” (Eclesiátes, 50, 20).
Mgr Ravasi lembrou que a tradução da Bíblia do hebraico para o grego pelos “Setenta” Sábios judeus (72 tradutores, por volta de 270 a.C.), substituiu o Tetragrama pela palabra grega « Kurios », significando « o Senhor ». A tradução « Vetus latina » e a « Vulgate » de São Jerônimo traduziu « Dominus » «o Senhor », como lembra o documento da Congregação Romana que pede, portanto, de voltar a esta prática de dizer “O Senhor”, cada vez que o texto emprega o Tetragrama.
Em sua Carta às conferências episcopais do mundo inteiro sobre o Nome de Deus, a Congregação para o culto divino e disciplina dos sacramentos pede assim a supressão desta transcrição do Tetragrama dos livros destinados à leitura litúrgica.
Este documento, data de 29 junho de 2008, e foi publicado na revista « Notitiae » da Congregação. Ele foi assinado pelo prefeito da Congregação, o Cardeal Francis Arinze, e por Mgr Albert Malcom Ranjith, secretário deste mesmo dicastério.
A congregação lembra seu documento « Liturgiam Authenticam », de 2001, sobre traduções litúrgicas, onde foi pedido que o “Nome de Deus todo poderoso”, expresso através do “Tetragrama hebraico” e que se tornou em latim « Dominus », seja traduzido “nas línguas vernáculas” por uma palavra de sentido “equivalente”.
Ora, a prática se difundiu de “pronunciar o nome próprio do Deus de Israel”, de vacalizá-lo na leitura dos texto bíblicos dos lecionários litúrgicos, mas também nos hinos e nas orações: « Yahweh », « Jahweh » ou « Yehovah ».
No Brasil, os textos litúrgicos não utilisam a vocalização « Yavhé », mas ela aparece nas traduções da Bíblia - que não são normativas para a liturgia ou para os cantos.
Seguindo esta argumentação escriturária, o documento afirma: “a omissão da pronunciação do Tetragrama do nome de Deus por parte da Igreja tem portanto sua razão de ser. Além de um motivo puramente filológico, há também o de permanecer fiel à tradição ecleciástica, dado que o Tetragrama sagrado não foi nunca pronunciado em contexto cristão, nem traduzido em nenhuma das línguas nas quais a Bíblia foi traduzida”.
As diferentes correntes do Judaismo moderno mantem esta tradição que o Tetragrama não pode ser pronunciado senão pelo Grande Sacerdote no Templo, e mesmo este o fazia somente no dia de Yom Kipur (o dia do Grande perdão, das Expiações).
Sendo destruido o Templo de Jerusalém, este Nome não foi jamais pronunciado pelos Judeus no momento dos rituais religiosos, nem em momentos de conversações privadas. Na oração, o Tetragrama é substituido por « Adonaï » ( o Senhor ), e nas conversações quotidianas se diz HaShem (o Nome ).
Uma carta da Congregação Romana para a Liturgia
ROME, Sexta-feira 24 octobre 2008 (ZENIT.org) - Por respeito ao Nome de Deus, à Tradição da Igreja, ao povo Judeu e por razões filológicas, não se deve mais pronunciar o nome de Deus dizendo «Yavhé ».
O Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja pôs em prática esta nova disposição da Congregação Romana para o culto divino que pede ... - ”por diretiva do Santo Padre” - que não se empregue mais a transcrição das quatro consoantes hebraicas - “o Tetragrama sagrado” - vocalisados como « Yavhé » ou « Yahweh », nas traduções , “nas celebrações litúrgicas, nos cantos e na oração” da Igreja Católica.
Foi o que revelou esta manhã, Mgr Mgr Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho pontifical da cultura, biblista e presidente da comissão de comunicação do Sínodo do bispos, apresentando esta mensagem à imprensa e respondendo às perguntas aos jornalistas.
Mgr Ravasi, revelou que alguns membros do Sínodo empregou esta palavra e que então foi lembrado esta disposição nova. Mgr Ravasi sublinhou a importância de respeitar o uso da comunidade judaica sobre este ponto e desenvolveu as razções filológicas.
Com efeito, as quatro letras hebraicas disignando o nome de Deus, revelado a Moisés )cf Ex 3), são quatro consoantes, o « Tétragramme » (Yod-Heh-Waw-Heh, frequentemente transcritas em nosso alfabeto: IHWH). Estas quatro consoantes são impronunciáveis porque se ignora como este nome era vocalizado. Ou sobretudo, na tradição do Antigo Testamento, o nome de Deus é impronunciável.
Somente o Grande Sacerdote podia pronunciá-lo, uma vez por ano, quando ele entrava no Santo dos Santos do Templo de Jerusalém. A vocalização foi assim conservada em segredo e se perdeu. Alguns sugerem mesmo que jamais houve vocalização, nunguém poderia dominar Deus pronunciando seu Nome.
Por exemplo no livro de Eclesiástes se diz do grande Simão: “Enquanto ele abaixava e levantava as mãos, se dirigindo a toda a assembléia dos filhos de Israel, para em alta voz dar a bênção do Senhor e ter a honra de pronunciar seu nome” (Eclesiátes, 50, 20).
Mgr Ravasi lembrou que a tradução da Bíblia do hebraico para o grego pelos “Setenta” Sábios judeus (72 tradutores, por volta de 270 a.C.), substituiu o Tetragrama pela palabra grega « Kurios », significando « o Senhor ». A tradução « Vetus latina » e a « Vulgate » de São Jerônimo traduziu « Dominus » «o Senhor », como lembra o documento da Congregação Romana que pede, portanto, de voltar a esta prática de dizer “O Senhor”, cada vez que o texto emprega o Tetragrama.
Em sua Carta às conferências episcopais do mundo inteiro sobre o Nome de Deus, a Congregação para o culto divino e disciplina dos sacramentos pede assim a supressão desta transcrição do Tetragrama dos livros destinados à leitura litúrgica.
Este documento, data de 29 junho de 2008, e foi publicado na revista « Notitiae » da Congregação. Ele foi assinado pelo prefeito da Congregação, o Cardeal Francis Arinze, e por Mgr Albert Malcom Ranjith, secretário deste mesmo dicastério.
A congregação lembra seu documento « Liturgiam Authenticam », de 2001, sobre traduções litúrgicas, onde foi pedido que o “Nome de Deus todo poderoso”, expresso através do “Tetragrama hebraico” e que se tornou em latim « Dominus », seja traduzido “nas línguas vernáculas” por uma palavra de sentido “equivalente”.
Ora, a prática se difundiu de “pronunciar o nome próprio do Deus de Israel”, de vacalizá-lo na leitura dos texto bíblicos dos lecionários litúrgicos, mas também nos hinos e nas orações: « Yahweh », « Jahweh » ou « Yehovah ».
No Brasil, os textos litúrgicos não utilisam a vocalização « Yavhé », mas ela aparece nas traduções da Bíblia - que não são normativas para a liturgia ou para os cantos.
Seguindo esta argumentação escriturária, o documento afirma: “a omissão da pronunciação do Tetragrama do nome de Deus por parte da Igreja tem portanto sua razão de ser. Além de um motivo puramente filológico, há também o de permanecer fiel à tradição ecleciástica, dado que o Tetragrama sagrado não foi nunca pronunciado em contexto cristão, nem traduzido em nenhuma das línguas nas quais a Bíblia foi traduzida”.
As diferentes correntes do Judaismo moderno mantem esta tradição que o Tetragrama não pode ser pronunciado senão pelo Grande Sacerdote no Templo, e mesmo este o fazia somente no dia de Yom Kipur (o dia do Grande perdão, das Expiações).
Sendo destruido o Templo de Jerusalém, este Nome não foi jamais pronunciado pelos Judeus no momento dos rituais religiosos, nem em momentos de conversações privadas. Na oração, o Tetragrama é substituido por « Adonaï » ( o Senhor ), e nas conversações quotidianas se diz HaShem (o Nome ).
“O sagrado coração de Jesus, Fonte de vida e de Santidade”
Falar da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, é entrar numa grande história de amor de Deus para com toda a humanidade é entrarmos na sua intimidade, compreendermos o alcance da Sua entrega oblativa na Cruz para a salvação de todos.
No alto da Cruz, com o coração aberto pela lança do soldado, Jesus é verdadeiramente imagem do amor que se entregou até ao fim. Esta entrega não é sinal de derrota, ela é uma entrega vitoriosa.
No episódio da Cruz, com o coração trespassado, está assim cumprida a Sua obediência ao Pai, no seguimento de tudo aquilo que foi a Sua vida pública: “O Meu alimento é fazer a vontade daquele que Me enviou e consumar a Sua obra” (Jo 4,34).
A vontade do Pai para com o Seu Filho muito amado, em quem pôs toda a sua complacência, não podia ser a Sua morte, mas sim a vida em abundância para o resgate de todos.
A obediência de Jesus na Cruz tem assim a sua origem no Seu amor radical pelo Seu Pai.
Neste episódio da Cruz temos assim um mandato de Deus (a entrega do Seu Filho) e a obediência do Seu Filho ( a aceitação da morte).
Neste mandato/obediência não podemos ver uma imposição/submissão, mas sim a tradução joanina do amor que se entrega e do amor que se recebe; é deste amor que nos fala a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
Falar do Coração de Cristo é falar da Sua pessoa divina, que nos amou e que nos ama; estando continuamente a acolher-nos com a Sua misericórdia apesar das nossas infidelidades.
Amar e perdoar, eis a mensagem do Divino Coração.
No mundo atual é urgente e necessário falarmos aos corações humanos deste Coração de Jesus. É através do amor que devemos incendiar os corações esfriados.
Falou-nos João Paulo II no seu Testamento Espiritual: ”Só o amor converte os corações e nos dá a paz”.
O Papa, Bento XVI, na sua Encíclica “Deus é amor” cita por três vezes o coração trespassado de Cristo, ele é assim fonte de graça, santidade, paz, alegria e misericórdia.
O lado aberto do Senhor é assim a imagem por excelência, o ícone da loucura do amor de Deus pela humanidade.
O Coração de Deus se fez humano e bateu no compasso dos corações das criaturas humanas, sentindo as suas aflições, os seus pesares, as suas angústias, os seus sonhos, aspirações e esperanças. Nutriu os sentimentos mais puros, emocionou-se com o que de mais humano há, entregou-se pelas causas mais elevadas e parou de bater pela salvação de todo aquele que Nele acreditar.
O coração de Jesus esvaziou-se ao ser traspassado pela lança, derramando sangue e água (Jo 19,34). Dele nasceram os sacramentos da Igreja. Do coração aberto jorra torrencialmente a fonte perene de amor e salvação.
Quem não se emociona diante de um coração generoso, diante de uma atitude humana de acolhimento e de respeito à pessoa do semelhante? Quem não se convence do bem diante de atitudes coerentes dos que lutam em defesa da vida desde a concepção até a morte natural? Quem não se convence do amor de Deus ao contemplar o coração de Jesus aberto pela lança a jorrar a vida que nos salva?
Convencidos do amor de Deus manifestado através do coração de Jesus, todos podemos demonstrar também o nosso amor.
CORAÇÃO: Para nós ocidentais, o coração é a sede da emoção, quando estamos apaixonados dizemos que nosso coração “palpita” ou “dói de saudade”, e muitas vezes quando queremos escrever amor, fazemos essa substituição por um desenho de um coraçãozinho!
Biblicamente falando, seu significado é outro. O coração é a sede da DECISÃO, principalmente as decisões mais essenciais da vida de um homem. Teologicamente o coração é chamado de sede da alma, lugar mais profundo e misterioso do ser humano, lugar onde Deus o habita.
Como, então não amar a tão grande amante? Como não abraçá-lo fortemente? Pergunta São Boaventura. Num mundo sem amor, onde se vê imperar o ódio, no Coração Divino de Jesus podemos encontrar a paz.
Deixemo-nos abrasar por seu amor e a Ele confiemos todas as nossas preocupações. Coloquemos nossos lábios na sacrossanta chaga do seu coração e bebamos da água que aí brota e jorra para a vida eterna.
“Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso. Amém!”
No alto da Cruz, com o coração aberto pela lança do soldado, Jesus é verdadeiramente imagem do amor que se entregou até ao fim. Esta entrega não é sinal de derrota, ela é uma entrega vitoriosa.
No episódio da Cruz, com o coração trespassado, está assim cumprida a Sua obediência ao Pai, no seguimento de tudo aquilo que foi a Sua vida pública: “O Meu alimento é fazer a vontade daquele que Me enviou e consumar a Sua obra” (Jo 4,34).
A vontade do Pai para com o Seu Filho muito amado, em quem pôs toda a sua complacência, não podia ser a Sua morte, mas sim a vida em abundância para o resgate de todos.
A obediência de Jesus na Cruz tem assim a sua origem no Seu amor radical pelo Seu Pai.
Neste episódio da Cruz temos assim um mandato de Deus (a entrega do Seu Filho) e a obediência do Seu Filho ( a aceitação da morte).
Neste mandato/obediência não podemos ver uma imposição/submissão, mas sim a tradução joanina do amor que se entrega e do amor que se recebe; é deste amor que nos fala a devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
Falar do Coração de Cristo é falar da Sua pessoa divina, que nos amou e que nos ama; estando continuamente a acolher-nos com a Sua misericórdia apesar das nossas infidelidades.
Amar e perdoar, eis a mensagem do Divino Coração.
No mundo atual é urgente e necessário falarmos aos corações humanos deste Coração de Jesus. É através do amor que devemos incendiar os corações esfriados.
Falou-nos João Paulo II no seu Testamento Espiritual: ”Só o amor converte os corações e nos dá a paz”.
O Papa, Bento XVI, na sua Encíclica “Deus é amor” cita por três vezes o coração trespassado de Cristo, ele é assim fonte de graça, santidade, paz, alegria e misericórdia.
O lado aberto do Senhor é assim a imagem por excelência, o ícone da loucura do amor de Deus pela humanidade.
O Coração de Deus se fez humano e bateu no compasso dos corações das criaturas humanas, sentindo as suas aflições, os seus pesares, as suas angústias, os seus sonhos, aspirações e esperanças. Nutriu os sentimentos mais puros, emocionou-se com o que de mais humano há, entregou-se pelas causas mais elevadas e parou de bater pela salvação de todo aquele que Nele acreditar.
O coração de Jesus esvaziou-se ao ser traspassado pela lança, derramando sangue e água (Jo 19,34). Dele nasceram os sacramentos da Igreja. Do coração aberto jorra torrencialmente a fonte perene de amor e salvação.
Quem não se emociona diante de um coração generoso, diante de uma atitude humana de acolhimento e de respeito à pessoa do semelhante? Quem não se convence do bem diante de atitudes coerentes dos que lutam em defesa da vida desde a concepção até a morte natural? Quem não se convence do amor de Deus ao contemplar o coração de Jesus aberto pela lança a jorrar a vida que nos salva?
Convencidos do amor de Deus manifestado através do coração de Jesus, todos podemos demonstrar também o nosso amor.
CORAÇÃO: Para nós ocidentais, o coração é a sede da emoção, quando estamos apaixonados dizemos que nosso coração “palpita” ou “dói de saudade”, e muitas vezes quando queremos escrever amor, fazemos essa substituição por um desenho de um coraçãozinho!
Biblicamente falando, seu significado é outro. O coração é a sede da DECISÃO, principalmente as decisões mais essenciais da vida de um homem. Teologicamente o coração é chamado de sede da alma, lugar mais profundo e misterioso do ser humano, lugar onde Deus o habita.
Como, então não amar a tão grande amante? Como não abraçá-lo fortemente? Pergunta São Boaventura. Num mundo sem amor, onde se vê imperar o ódio, no Coração Divino de Jesus podemos encontrar a paz.
Deixemo-nos abrasar por seu amor e a Ele confiemos todas as nossas preocupações. Coloquemos nossos lábios na sacrossanta chaga do seu coração e bebamos da água que aí brota e jorra para a vida eterna.
“Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso. Amém!”
sexta-feira, 24 de junho de 2011
"Corpus Christi"
Com enorme alegria, a Igreja de Cristo, Serva de Deus no mundo se reúne em assembléia Santa para juntos celebrar “Corpus Christi”, tornando célebre, fazendo memória do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, de sua entrega incondicional de amor por cada um de nós.
Neste dia, somos chamados a fazer a atualização do sacrificio de Jesus em nossa vida, a experiencia do Cristo de Deus que continua sua obra salvifica através do Espírito Santo, transformando os reinos deste mundo, no reinar definitivo de Deus nosso Pai.
Iniciemos nossa reflexão nos introduzindo no contexto dessa festa. Celebrada depois de Pentecostes, na 5ª feira após a festa da Santíssima Trindade, “Corpus Christi”, é uma comemoração jubilosa da Eucaristia. É conhecida a tradicional procissão de Jesus eucarístico pelas ruas, como vemos todos os anos, com o ostensório, cujos raios lembram o Sol, a luz de Deus no mundo, passando pelos tapetes enfeitados, pintados nas ruas. Trata-se, pois, de uma homenagem pública de fé e de reconhecimento a Jesus que, no sacramento da Eucaristia nos legou, como sinal do seu amor, o seu corpo e sangue como alimento e bebida para sustento da nossa vida e missão cristãs no mundo.
Desse modo, vale lembrar que o essencial dessa festa é a renovação do nosso compromisso de seguir Jesus. Daí decorre a acolhida ao seu projeto e o nosso engajamento na construção do Reino, a partir de gestos concretos de partilha, justiça e solidariedade. Hoje, para que o projeto de Jesus se concretize em nosso contexto histórico, cada um de nós, cristãos e cristãs precisamos fazer a nossa parte. Mas, o quê e como fazer?
Para tanto, precisamos nos abrir ao aprendizado das atitudes do Mestre Jesus, a fim de colocar Deus como base da nossa convivência humana, como ele o fez, na total fidelidade ao projeto do Pai. Jesus doou sua vida, dia após dia, em pequenos gestos e atenções às pessoas, até a sua consumação na morte. Aí, deixou a prova máxima do seu amor.
O que nos diz a entrega de Jesus pela causa do Reino? Diz-nos que o amor cristão não encobre as injustiças nem a violência dos poderosos, mas as revela, a fim de serem desmascaradas. Afirma, também, que não se resolvem as lutas entre as classes sociais com um simples aperto de mão, mas arrancando pela raiz as causas que geram tais lutas. Fala ainda da exigência da conversão do agressor diante do perdão das ofensas e mais, que não se está aí somente para apresentar a face direita a quem bate na esquerda, mas é preciso também saber pedir contas ao violento: “Por que me bates?”.
Olhando para o contexto violento que matou Jesus, vemos muita semelhança com o nosso contexto atual. Diante disso, perguntamos: Que luz o agir engajado e profético de Jesus lança para nós hoje, frente às injustiças, às desigualdades, à exclusão, à violência? Como doar e comprometer a vida com o projeto de Deus?
Percorrendo os Evangelhos descobriremos como a vida de Jesus foi uma vida totalmente atenta, acolhedora, dedicada às pessoas e ao Reino de Deus. “Jesus era extraordinariamente sensível à presença do outro. Detectava logo a dor ou a exclusão da pessoa”. Essa é a constatação que nos salta aos olhos diante de várias narrativas bíblicas.
Nessas atitudes de sensibilidade e de acolhida de Jesus, encontramos também sua grande capacidade de sair de si e de doar-se ao outro. Tais atitudes são constantes na vida dele. Sua postura frente aos poderes político - econômico e religioso colocou Jesus diante de diversos confrontos com as lideranças de seu tempo e acabou culminando em sua condenação e morte. Esta morte não foi um acidente de percurso, foi conseqüência da entrega total ao projeto do Pai.
Então, na ultima Ceia com os apóstolos, seus amigos, Jesus como que antecipou esse momento extremo de sua entrega. Nessa ceia, ele instituiu o sacramento da Eucaristia ou o sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo.
Alimento de vida eterna dá, também, animo para o testemunho da fé na vida diária. Cada Eucaristia celebrada realiza o mistério da morte e ressurreição do Senhor, fazendo do coração humano um lugar de festa e de alegria.
Cada um que se alimenta do Corpo e do Sangue do Senhor se compromete com a missão de evangelizar e libertar seus irmãos. Todo envio missionário autentico tem como ponto de partida o sacramento da Eucaristia.
§ 1363 No sentido da Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus realizou por todos os homens. A celebração litúrgica desses acontecimentos torna-os de certo modo presentes e atuais. É desta maneira que Israel entende sua libertação do Egito: toda vez que é celebrada a Páscoa, os acontecimentos do êxodo tornam-se presentes à memória dos crentes, para que estes conformem sua vida a eles.
§ 1324 A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã”. “Os demais sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa”.
Celebrar Corpus Christi, portanto, é celebrar o nascimento de todos os ministérios da Igreja, o aniversário do Corpo e do Sangue Eucaristico de Cristo, é comemorar a nossa própria Salvação em Cristo Jesus.
Neste dia, somos chamados a fazer a atualização do sacrificio de Jesus em nossa vida, a experiencia do Cristo de Deus que continua sua obra salvifica através do Espírito Santo, transformando os reinos deste mundo, no reinar definitivo de Deus nosso Pai.
Iniciemos nossa reflexão nos introduzindo no contexto dessa festa. Celebrada depois de Pentecostes, na 5ª feira após a festa da Santíssima Trindade, “Corpus Christi”, é uma comemoração jubilosa da Eucaristia. É conhecida a tradicional procissão de Jesus eucarístico pelas ruas, como vemos todos os anos, com o ostensório, cujos raios lembram o Sol, a luz de Deus no mundo, passando pelos tapetes enfeitados, pintados nas ruas. Trata-se, pois, de uma homenagem pública de fé e de reconhecimento a Jesus que, no sacramento da Eucaristia nos legou, como sinal do seu amor, o seu corpo e sangue como alimento e bebida para sustento da nossa vida e missão cristãs no mundo.
Desse modo, vale lembrar que o essencial dessa festa é a renovação do nosso compromisso de seguir Jesus. Daí decorre a acolhida ao seu projeto e o nosso engajamento na construção do Reino, a partir de gestos concretos de partilha, justiça e solidariedade. Hoje, para que o projeto de Jesus se concretize em nosso contexto histórico, cada um de nós, cristãos e cristãs precisamos fazer a nossa parte. Mas, o quê e como fazer?
Para tanto, precisamos nos abrir ao aprendizado das atitudes do Mestre Jesus, a fim de colocar Deus como base da nossa convivência humana, como ele o fez, na total fidelidade ao projeto do Pai. Jesus doou sua vida, dia após dia, em pequenos gestos e atenções às pessoas, até a sua consumação na morte. Aí, deixou a prova máxima do seu amor.
O que nos diz a entrega de Jesus pela causa do Reino? Diz-nos que o amor cristão não encobre as injustiças nem a violência dos poderosos, mas as revela, a fim de serem desmascaradas. Afirma, também, que não se resolvem as lutas entre as classes sociais com um simples aperto de mão, mas arrancando pela raiz as causas que geram tais lutas. Fala ainda da exigência da conversão do agressor diante do perdão das ofensas e mais, que não se está aí somente para apresentar a face direita a quem bate na esquerda, mas é preciso também saber pedir contas ao violento: “Por que me bates?”.
Olhando para o contexto violento que matou Jesus, vemos muita semelhança com o nosso contexto atual. Diante disso, perguntamos: Que luz o agir engajado e profético de Jesus lança para nós hoje, frente às injustiças, às desigualdades, à exclusão, à violência? Como doar e comprometer a vida com o projeto de Deus?
Percorrendo os Evangelhos descobriremos como a vida de Jesus foi uma vida totalmente atenta, acolhedora, dedicada às pessoas e ao Reino de Deus. “Jesus era extraordinariamente sensível à presença do outro. Detectava logo a dor ou a exclusão da pessoa”. Essa é a constatação que nos salta aos olhos diante de várias narrativas bíblicas.
Nessas atitudes de sensibilidade e de acolhida de Jesus, encontramos também sua grande capacidade de sair de si e de doar-se ao outro. Tais atitudes são constantes na vida dele. Sua postura frente aos poderes político - econômico e religioso colocou Jesus diante de diversos confrontos com as lideranças de seu tempo e acabou culminando em sua condenação e morte. Esta morte não foi um acidente de percurso, foi conseqüência da entrega total ao projeto do Pai.
Então, na ultima Ceia com os apóstolos, seus amigos, Jesus como que antecipou esse momento extremo de sua entrega. Nessa ceia, ele instituiu o sacramento da Eucaristia ou o sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo.
Alimento de vida eterna dá, também, animo para o testemunho da fé na vida diária. Cada Eucaristia celebrada realiza o mistério da morte e ressurreição do Senhor, fazendo do coração humano um lugar de festa e de alegria.
Cada um que se alimenta do Corpo e do Sangue do Senhor se compromete com a missão de evangelizar e libertar seus irmãos. Todo envio missionário autentico tem como ponto de partida o sacramento da Eucaristia.
§ 1363 No sentido da Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus realizou por todos os homens. A celebração litúrgica desses acontecimentos torna-os de certo modo presentes e atuais. É desta maneira que Israel entende sua libertação do Egito: toda vez que é celebrada a Páscoa, os acontecimentos do êxodo tornam-se presentes à memória dos crentes, para que estes conformem sua vida a eles.
§ 1324 A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã”. “Os demais sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa”.
Celebrar Corpus Christi, portanto, é celebrar o nascimento de todos os ministérios da Igreja, o aniversário do Corpo e do Sangue Eucaristico de Cristo, é comemorar a nossa própria Salvação em Cristo Jesus.
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