O Batismo
É o primeiro dos sacramentos, é o primeiro grande passo para ingressar na comunidade do Povo de Deus. Ele dá origem à Igreja, pois, cada batizado, tendo recebido a vida nova de Cristo, se torna filho de Deus e irmão universal dos outros batizados; constitui, de fato, uma família única, cuja alma é o Espírito de Amor.
A comunhão dos batizados se constitui num Povo Santo. Nesse povo, os cristãos são pedras vivas e devem produzir os frutos do Espírito. Chamado ao discipulado, na Igreja, o batizado será evangelizador de seus irmãos.
Na água do Batismo, a exemplo de Jerusalém, cada um recebe o Espírito Santo para ser autentico missionário e agente transformador na sociedade de hoje.
É o sacramento da fé que nos autoriza a falar e a realizar tudo o que o Cristo falou e realizou. Ungido pelo Espírito como um povo Messiânico, ele manifesta a sua santidade num compromisso moral e social. A base ética desse compromisso é a dignidade da pessoa humana, inviolável e templo de Deus.
Configurado a Cristo no Batismo, cada cristão adquire a identidade de homem de Igreja no coração do mundo e de homem do mundo no coração da Igreja.
A confirmação
Aquele que nasceu pelo Batismo para a Igreja é enviado, pelo Sacramento da Confirmação, a dar testemunho na sociedade. É ungido para se tornar, a exemplo do próprio Cristo, um verdadeiro missionário.
É o sacramento do apostolado que faz do jovem crismado não só um agente pastoral dentro da comunidade, mas, sobretudo, um enviado pela Igreja, em nome de Cristo, para transformar a sociedade na qual vive com seus irmãos.
Para realizar tudo isso é preciso estar maduro na fé, por isso se diz que a confirmação é o sacramento da Maturidade Cristã.
A confirmação é o sacramento que confere o dom dos tempos messiânicos, infundindo coragem para testemunhar a fé. A unção e a imposição das mãos realizadas pelo Bispo, na liturgia desse sacramento, garante a apostolicidade missionária que o confirmado recebe.
A Eucaristia
Os que nasceram pelo Batismo e maturaram na fé são alimentados pela Eucaristia. A Eucaristia é o centro da sacramentalidade da Igreja porque realiza a unidade e a comunhão de todo o Corpo do Senhor. É o sinal por excelência da comunhão eclesial e da unidade visível da Igreja.
Alimento de vida eterna dá, também, animo para o testemunho da fé na vida diária. Cada Eucaristia celebrada realiza o mistério da morte e ressurreição do Senhor, fazendo do coração humano um lugar de festa e de alegria.
Cada um que se alimenta do Corpo e do Sangue do Senhor se compromete com a missão de evangelizar e libertar seus irmãos. Todo envio missionário autentico tem como ponto de partida o sacramento da Eucaristia.
§ 1324 A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã”. “Os demais sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa”.
§ 1325“A comunhão de vida com Deus e a unidade do povo de Deus, pelas quais a Igreja é ela mesma, a Eucaristia as significa e as realiza. Nela está o clímax tanto da ação pela qual, em Cristo, Deus santifica o mundo, como do culto que no Espírito Santo os homens prestam a Cristo e, por ele, ao Pai”.
§ 1326 Finalmente, pela Celebração Eucarística já nos unimos à liturgia do céu e antecipamos a vida eterna, quando Deus será tudo em todos (1Cor 15,28).
§ 1327 Em sua palavra, a Eucaristia é o resumo e a suma de nossa fé: “Nossa maneira de pensar concorda com a Eucaristia, e a Eucaristia, por sua vez, confirma nossa maneira de pensar”.
§ 1346 A liturgia da Eucaristia desenrola-se segundo uma estrutura fundamental que se conservou ao logo dos séculos até nossos dias. Desdobra-se em dois grandes momentos que formam uma unidade básica:
- A convocação, a Liturgia da Palavra, com as leituras, a homilia e a oração universal;
- A Liturgia Eucarística, com a apresentação do pão e do vinho, a ação de graças consecratória e a comunhão.
Liturgia da Palavra e Liturgia Eucarística constituem juntas “um só e mesmo ato do culto”; com efeito, a mesa preparada para nós na Eucaristia é ao mesmo tempo a da Palavra de Deus e a do Corpo do Senhor.
§ 1362 A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, a atualização e a oferta sacramental de seu único sacrifício na liturgia da Igreja, que é o corpo dele. Em todas as orações eucarísticas encontramos, depois das palavras da instituição, uma oração chamada anamnese ou memorial
§ 1363 No sentido da Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus realizou por todos os homens. A celebração litúrgica desses acontecimentos torna-os de certo modo presentes e atuais. É desta maneira que Israel entende sua libertação do Egito: toda vez que é celebrada a Páscoa, os acontecimentos do êxodo tornam-se presentes à memória dos crentes, para que estes conformem sua vida a eles.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Leitura Orante da Bíblia
A leitura Orante da Bíblia
(LECTIO DIVINA)
Coleção TUA PALAVRA É VIDA, Loyola, 1990, CONFERENCIA DOS RELIGIOSOS DO BRASIL, (CRB).
Vamos descobrir, com a ajuda da Bíblia, que a Palavra de Deus está na nossa vida, na nossa historia, na historia da América Latina.
· HÁ VARIAS MANEIRAS DE SE OLHAR E LER A BIBLIA
Olhando de longe => A Bíblia parece uma parede imensa, onde cada tijolo faz aparecer o desenho do projeto de Deus, cada tijolo é um texto, um livro, mas de ponta a ponta transparece os traços do rosto de Deus com os traços humanos de Jesus Cristo.
Olhando mais de perto => cada tijolo é diferente do outro no tamanho, na forma, no peso, no valor, na época e no material de fabricação. Cada livro é diferente do outro no gênero literário, na língua, no autor, no assunto, na época e lugar em que foi escrito, no objetivo, etc.
Olhando bem de perto => cada tijolo, alem de contribuir para o projeto de Deus, tem seu próprio desenho, e nem sempre combina com o desenho do projeto de Deus. Os tijolos falam de outras lutas e outras historias; revelam conflitos e situações que não aparecem no grande desenho.
Olhando novamente de longe => descobre-se que não se trata de uma parede isolada, mas da parede de uma casa. Não de qualquer casa, mas sim da que você esta morando. Olhando a Bíblia você esta olhando para sua própria casa, olhando para o que é seu!
É desse modo que vamos olhar a Bíblia, ás vezes de longe, outras vezes de perto, outras bem de perto. 3 níveis ( literário – histórico – teológico), ver de perto o texto, olhar a situação do povo e escutar a mensagem de Deus.
Mas qual quer que seja o nível, o objetivo é descobrir que a palavra da Bíblia já estava pintada na parede da casa em que moramos.
CRITERIOS QUE ORIENTAM NOSSA LEITURA
3 critérios => REALIDADE, COMUNIDADE, TEXTO.
Os pobres levam consigo, para dentro da Bíblia, os problemas da sua vida. Lêem a Bíblia a partir da sua luta e da sua REALIDADE.
A leitura é feita em comunidade, é uma atividade comunitária, uma pratica orante, um ato de fé.
Se faz uma leitura obediente: respeitam o TEXTO e se colocam à escuta do que Deus tem a dizer, dispostos a mudar se Ele o exigir.
LECTIO DIVINA = leitura divina ou leitura orante => pratica de leitura da Bíblia feita pelos Cristãos para alimentar sua fé. É a leitura crente e orante da Palavra de Deus, feita a partir da fé em Jesus.
O Novo Testamento, por exemplo, é o resultado da leitura que os primeiros cristãos faziam do antigo Testamento à luz dos seus problemas e à luz da nova revelação que Deus dez através da ressurreição de Jesus, vivo no meio da comunidade.
LECTIO DIVINA vem de ORÍGENES, que diz que, para ler a Bíblia com proveito, é necessário um esforço de atenção e de assiduidade, cada dia de novo, temos que voltar à fonte da Escritura, e o que não se consegue com o próprio esforço, assim ele diz, deve ser pedido na oração, pois é absolutamente necessário rezar para poder compreender as coisas divinas.
LECTIO DIVINA = espinha dorsal da vida religiosa.
SISTEMATIZAÇÃO DA LECTIO DIVINA EM QUATRO DEGRAUS
LEITURA => é o estudo assíduo das Escrituras, feito com espírito atento.
MEDITAÇÃO => é uma diligente atividade da mente que, com ajuda da própria razão, procura o conhecimento da verdade oculta.
ORAÇÃO => é o impulso fervoroso do coração para Deus, pedindo que afaste os males e conceda as coisas boas.
CONTEMPLAÇÃO => é uma elevação da mente sobre si mesma que, suspensa em Deus, saboreia as alegrias da doçura eterna.
LECTIO DIVINA E A CONTRA REFORMA
No século XIV, ouve um longo período em que a Lectio Divina arrefeceu. A leitura da Bíblia não era fomentada, nem mesmo na vida religiosa. Era o infeliz efeito da contra reforma na vida da Igreja. O medo do protestantismo fez perder o contato com a fonte! O concilio vaticano II, porém, retomou a tradição antiga e, no seu documento Dei Verbum, recomenda com grande insistência a Lectio Divina. (DV 25).
OBJETIVO DA LECTIO DIVINA é o objetivo da própria Bíblia: comunicar a sabedoria que leva a salvação pela fé em Jesus Cristo (2Tm 3,15), instruir, refutar, corrigir, formar na justiça e, assim, qualificar o homem de Deus para toda a boa obra (2Tm 3,16-17), proporcionar perseverança, consolo e esperança (Rm 15,4), ajudar-nos a aprender dos erros dos antepassados (1Cor 10,6-10).
LECTIO DIVINA E PRINCIPIOS PRESENTES NA LEITURA CRISTÃ DA BIBLIA:
* Unidade da Escritura: a Bíblia é uma grande unidade, cada livro, cada frase tem seu lugar e sua função para nos revelar o Projeto de Deus. (parede tijolos), proíbe-se isolar os textos, arranca-los de seu contexto e repeti-los como verdades isoladas.
* Atualidade ou encarnação da Palavra: quando lemos a Bíblia, não podemos esquecer a vida, mas devemos carrega-la conosco, dentro de nós. Descobrimos que a Palavra de Deus se encarna não só naquelas épocas do passado, mas também hoje, para poder estar conosco e ajudar-nos a enfrentar os problemas e a realizar as esperanças.
* Fé em Jesus Cristo, vivo na comunidade: lemos a Bíblia a partir da nossa fé em Jesus Cristo, vivo no meio de nós. Jesus é a chave principal da leitura que fazemos.
A LECTIO DIVINA E A SIMPLICIDADE DE SEU INICIO
Método:
1.Ler e reler, cada vez mais, até conhecer bem o que está escrito; 2. repetir de memória, com a boca, o que foi lido e compreendido e rumina-lo até que da boca e da cabeça, passe para o coração e entre no ritmo da própria vida; 3. responder a Deus na oração e pedir que nos ajude a praticar o que a sua Palavra nos pede; 4. o resultado é uma nova luz nos olhos que permite saborear a Palavra e enxergar o mundo de maneira nova. Com essa luz nos olhos, começa-se, novamente, a ler, a repetir, a responder a Deus, e assim por diante... Um processo que não termina nunca, sempre volta, mas que nunca se repete tal qual.
Ora, no estudo que costumamos fazer da Bíblia, geralmente só nos preocupamos em descobrir a idéia, a mensagem da Palavra de Deus. A Lectio Divina procura atingir e ativar também as outras dimensões. Ela é mais completa. O seu resultado é mais amplo.
APROFUNDANDO OS QUATRO DEGRAUS
1. A Leitura: conhecer, respeitar, situar.
1º passo para se conhecer e amar a Palavra de Deus. Não se ama o que não se conhece.
É também o 1º passo do processo da apropriação da Palavra: ler. Ler, ler! Ler muito para familiarizar-se com a Bíblia; para que ela se torne nossa palavra, capaz de expressar nossa vida e nossa historia. Ler, pronunciar bem as palavras, se possível em voz alta. Este primeiro passo é muito importante e muito exigente. Não pode ser feito de maneira superficial, exige-se o máximo de atenção, respeito, amizade, entrega, silencio, escuta.
A leitura da Bíblia ajuda a criar em nós os olhos certos para ler a vida do povo e vice-versa.
A leitura deve ser perseverante e diária. Exige ascese e disciplina. Não pode ser interesseira, mas deve ser desinteressada, gratuita, em vista do Reino e do bem do povo.
A leitura é ponto de partida e não de chegada. Faz o leitor pisar no chão. Prepara o leitor e o texto para a meditação.
A leitura entendida como estudo crítico, ajuda o leitor a analisar o texto e a situa-lo em seu contexto de origem. Esse estudo tem três níveis:
a) Literário: aproximar-se do texto e, através de perguntas bem simples, analisar o seu tecido: quem? Onde? Por que? Quando? Como? Com que meios? Como o texto se situa dentro do contexto literário do livro de que faz parte?
b) Histórico: através do estudo do texto, atingir o contexto histórico em que surgiu o texto ou em que se deu o fato narrado pelo texto, e analisar a situação histórica em dimensões como: econômica, social, política, ideológica, afetiva, antropológica e outras. Trata-se de descobrir os conflitos que estão na origem do texto ou nele se refletem, para assim, perceber melhor a encarnação da Palavra de Deus na realidade conflitiva da historia humana, tanto deles como nossa.
c) Teológico: descobrir, através da leitura do texto, o que Deus tinha a dizer ao povo naquela situação histórica; o que Deus significava para aquele povo; como Ele se revelava; como o povo assumia e celebrava a Palavra do Senhor.
O estudo cientifico do texto não é o fim da leitura, mas um meio para se chegar ao fim.
O objetivo da leitura é furar a parede da distancia entre o ontem do texto e o hoje da nossa vida, a fim de poder iniciar o diálogo com Deus na MEDITAÇÃO.
A leitura quando bem feita ajuda a superar o fundamentalismo. Quando malfeita, faz aumenta-lo.
A leitura deve familiarizar-nos com o texto a ponto de ele se tornar nossa palavra, nesse momento, dobramos a cabeça, fazemos silencio e abrimos o ouvido: vou ouvir o que o Senhor nos tem a dizer!(Sl 85,9). É nesse momento que a leitura se transforma em meditação e que se passa para o segundo degrau da Lectio Divina.
2. A Meditação: ruminar, dialogar, atualizar.
A leitura respondeu a pergunta: o que diz o texto? A meditação vai responder a pergunta: O que diz o texto para mim, para nós hoje? O que é que Deus, através desse texto, tem a dizer hoje, aqui em MAUÁ.
A meditação indica o esforço que se faz para atualizar o texto e traze-lo para dentro do horizonte da nossa vida e realidade, tanto pessoal como social.
Como fazer a meditação?
Uma primeira forma é fazer uso da razão dialogando com o texto, com Deus, fazendo perguntas que procuram trazer o texto para dentro do horizonte da nossa vida. Medita-se refletindo, interrogando: o que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa hoje? Quais os conflitos de ontem que existem hoje? Quais são diferentes? O que ele quer fazer crescer em mim. Em nós? Ect.
Outra maneira de fazer a meditação é repetir o texto, rumina-lo, mastiga-lo at´r descobrir o que ele tem a nos dizer.
Pela meditação ou ruminação, a Palavra de Deus vai entrando aos poucos, vai tirando as máscaras, vai revelando e quebrando a alienação em que vivemos.
Não é fácil dizer qual o momento exato de se passar da meditação para a oração, mas existem alguns critérios. A meditação atualiza o sentido do texto até ficar claro o que Deus está pedindo de mós. Ora, quando fica claro o que Deus pede, está chegando o momento de se perguntar: E agora, o que vou dizer a Deus? Assumo ou não assumo? Quando fica claro o que Deus pede, fica clara também a nossa incapacidade e a nossa falta de recursos. É o momento da súplica, de unirmos a nossa voz ao grito do pobre e excluído, a meditação é a semente da oração. Basta pratica-la, e ela por si mesma se transforma em oração.
3. A oração: suplicar, louvar, recitar.
A atitude de oração está presente desde o começo da Lectio Divina. No inicio da leitura invoca-se o Espírito Santo. Durante a leitura sempre aparecem pequenos momentos de oração. A meditação já é quase uma atitude de oração, pois por si mesma, se transforma em prece. Entretanto, existe um momento privilegiado para a oração. É o momento de descobrir o que o texto me faz dizer, nos faz dizer a Deus!
A oração reflete o itinerário pessoal de cada um no seu caminhar em direção a Deus e no seu esforço de esvaziar-se de si para dar lugar a Deus, ao irmão, ao pobre, á comunidade.
Qual o momento de se passar da oração para a contemplação?
Não há resposta. A contemplação é o que sobra nos olhos e no coração, depois que a oração termina. A contemplação é o ultimo degrau da Lectio Divina. É o seu ponto de chegada. Cada vez, porem, que se chega ao ultimo degrau, este se torna patamar para um novo começo. Nunca se chegará ao ponto de dizer: agora realizei todo o objetivo da Palavra de Deus na minha vida, pois sempre haverá pela frente um olhar mais penetrante, uma leitura mais profunda, uma meditação mais exigente, uma oração mais engajada, uma contemplação mais transparente. Até todos os véus caírem, até que a realidade seja toda transformada e chegue à plenitude do Reino.
A contemplação não só medita a mensagem, mas também a realiza; não só ouve, mas coloca em prática. A contemplação, como ponto final da escada, é patamar para um novo começo. É como subir numa torre muito alta. Você alcança o primeiro patamar por uma escada de três lances: leitura, meditação e oração. Na janela do primeiro patamar você descansa e contempla a paisagem. Depois você continua subindo até o segundo patamar, onde faz a mesma coisa, e vê que a mesma paisagem ficou mais bonita! Da vontade de subir mais para observa-la melhor. E assim você vai subindo, sempre mais, num processo que não termina nunca, e vamos subindo até contemplar-mos Deus face a face (1Cor 13,12).
(LECTIO DIVINA)
Coleção TUA PALAVRA É VIDA, Loyola, 1990, CONFERENCIA DOS RELIGIOSOS DO BRASIL, (CRB).
Vamos descobrir, com a ajuda da Bíblia, que a Palavra de Deus está na nossa vida, na nossa historia, na historia da América Latina.
· HÁ VARIAS MANEIRAS DE SE OLHAR E LER A BIBLIA
Olhando de longe => A Bíblia parece uma parede imensa, onde cada tijolo faz aparecer o desenho do projeto de Deus, cada tijolo é um texto, um livro, mas de ponta a ponta transparece os traços do rosto de Deus com os traços humanos de Jesus Cristo.
Olhando mais de perto => cada tijolo é diferente do outro no tamanho, na forma, no peso, no valor, na época e no material de fabricação. Cada livro é diferente do outro no gênero literário, na língua, no autor, no assunto, na época e lugar em que foi escrito, no objetivo, etc.
Olhando bem de perto => cada tijolo, alem de contribuir para o projeto de Deus, tem seu próprio desenho, e nem sempre combina com o desenho do projeto de Deus. Os tijolos falam de outras lutas e outras historias; revelam conflitos e situações que não aparecem no grande desenho.
Olhando novamente de longe => descobre-se que não se trata de uma parede isolada, mas da parede de uma casa. Não de qualquer casa, mas sim da que você esta morando. Olhando a Bíblia você esta olhando para sua própria casa, olhando para o que é seu!
É desse modo que vamos olhar a Bíblia, ás vezes de longe, outras vezes de perto, outras bem de perto. 3 níveis ( literário – histórico – teológico), ver de perto o texto, olhar a situação do povo e escutar a mensagem de Deus.
Mas qual quer que seja o nível, o objetivo é descobrir que a palavra da Bíblia já estava pintada na parede da casa em que moramos.
CRITERIOS QUE ORIENTAM NOSSA LEITURA
3 critérios => REALIDADE, COMUNIDADE, TEXTO.
Os pobres levam consigo, para dentro da Bíblia, os problemas da sua vida. Lêem a Bíblia a partir da sua luta e da sua REALIDADE.
A leitura é feita em comunidade, é uma atividade comunitária, uma pratica orante, um ato de fé.
Se faz uma leitura obediente: respeitam o TEXTO e se colocam à escuta do que Deus tem a dizer, dispostos a mudar se Ele o exigir.
LECTIO DIVINA = leitura divina ou leitura orante => pratica de leitura da Bíblia feita pelos Cristãos para alimentar sua fé. É a leitura crente e orante da Palavra de Deus, feita a partir da fé em Jesus.
O Novo Testamento, por exemplo, é o resultado da leitura que os primeiros cristãos faziam do antigo Testamento à luz dos seus problemas e à luz da nova revelação que Deus dez através da ressurreição de Jesus, vivo no meio da comunidade.
LECTIO DIVINA vem de ORÍGENES, que diz que, para ler a Bíblia com proveito, é necessário um esforço de atenção e de assiduidade, cada dia de novo, temos que voltar à fonte da Escritura, e o que não se consegue com o próprio esforço, assim ele diz, deve ser pedido na oração, pois é absolutamente necessário rezar para poder compreender as coisas divinas.
LECTIO DIVINA = espinha dorsal da vida religiosa.
SISTEMATIZAÇÃO DA LECTIO DIVINA EM QUATRO DEGRAUS
LEITURA => é o estudo assíduo das Escrituras, feito com espírito atento.
MEDITAÇÃO => é uma diligente atividade da mente que, com ajuda da própria razão, procura o conhecimento da verdade oculta.
ORAÇÃO => é o impulso fervoroso do coração para Deus, pedindo que afaste os males e conceda as coisas boas.
CONTEMPLAÇÃO => é uma elevação da mente sobre si mesma que, suspensa em Deus, saboreia as alegrias da doçura eterna.
LECTIO DIVINA E A CONTRA REFORMA
No século XIV, ouve um longo período em que a Lectio Divina arrefeceu. A leitura da Bíblia não era fomentada, nem mesmo na vida religiosa. Era o infeliz efeito da contra reforma na vida da Igreja. O medo do protestantismo fez perder o contato com a fonte! O concilio vaticano II, porém, retomou a tradição antiga e, no seu documento Dei Verbum, recomenda com grande insistência a Lectio Divina. (DV 25).
OBJETIVO DA LECTIO DIVINA é o objetivo da própria Bíblia: comunicar a sabedoria que leva a salvação pela fé em Jesus Cristo (2Tm 3,15), instruir, refutar, corrigir, formar na justiça e, assim, qualificar o homem de Deus para toda a boa obra (2Tm 3,16-17), proporcionar perseverança, consolo e esperança (Rm 15,4), ajudar-nos a aprender dos erros dos antepassados (1Cor 10,6-10).
LECTIO DIVINA E PRINCIPIOS PRESENTES NA LEITURA CRISTÃ DA BIBLIA:
* Unidade da Escritura: a Bíblia é uma grande unidade, cada livro, cada frase tem seu lugar e sua função para nos revelar o Projeto de Deus. (parede tijolos), proíbe-se isolar os textos, arranca-los de seu contexto e repeti-los como verdades isoladas.
* Atualidade ou encarnação da Palavra: quando lemos a Bíblia, não podemos esquecer a vida, mas devemos carrega-la conosco, dentro de nós. Descobrimos que a Palavra de Deus se encarna não só naquelas épocas do passado, mas também hoje, para poder estar conosco e ajudar-nos a enfrentar os problemas e a realizar as esperanças.
* Fé em Jesus Cristo, vivo na comunidade: lemos a Bíblia a partir da nossa fé em Jesus Cristo, vivo no meio de nós. Jesus é a chave principal da leitura que fazemos.
A LECTIO DIVINA E A SIMPLICIDADE DE SEU INICIO
Método:
1.Ler e reler, cada vez mais, até conhecer bem o que está escrito; 2. repetir de memória, com a boca, o que foi lido e compreendido e rumina-lo até que da boca e da cabeça, passe para o coração e entre no ritmo da própria vida; 3. responder a Deus na oração e pedir que nos ajude a praticar o que a sua Palavra nos pede; 4. o resultado é uma nova luz nos olhos que permite saborear a Palavra e enxergar o mundo de maneira nova. Com essa luz nos olhos, começa-se, novamente, a ler, a repetir, a responder a Deus, e assim por diante... Um processo que não termina nunca, sempre volta, mas que nunca se repete tal qual.
Ora, no estudo que costumamos fazer da Bíblia, geralmente só nos preocupamos em descobrir a idéia, a mensagem da Palavra de Deus. A Lectio Divina procura atingir e ativar também as outras dimensões. Ela é mais completa. O seu resultado é mais amplo.
APROFUNDANDO OS QUATRO DEGRAUS
1. A Leitura: conhecer, respeitar, situar.
1º passo para se conhecer e amar a Palavra de Deus. Não se ama o que não se conhece.
É também o 1º passo do processo da apropriação da Palavra: ler. Ler, ler! Ler muito para familiarizar-se com a Bíblia; para que ela se torne nossa palavra, capaz de expressar nossa vida e nossa historia. Ler, pronunciar bem as palavras, se possível em voz alta. Este primeiro passo é muito importante e muito exigente. Não pode ser feito de maneira superficial, exige-se o máximo de atenção, respeito, amizade, entrega, silencio, escuta.
A leitura da Bíblia ajuda a criar em nós os olhos certos para ler a vida do povo e vice-versa.
A leitura deve ser perseverante e diária. Exige ascese e disciplina. Não pode ser interesseira, mas deve ser desinteressada, gratuita, em vista do Reino e do bem do povo.
A leitura é ponto de partida e não de chegada. Faz o leitor pisar no chão. Prepara o leitor e o texto para a meditação.
A leitura entendida como estudo crítico, ajuda o leitor a analisar o texto e a situa-lo em seu contexto de origem. Esse estudo tem três níveis:
a) Literário: aproximar-se do texto e, através de perguntas bem simples, analisar o seu tecido: quem? Onde? Por que? Quando? Como? Com que meios? Como o texto se situa dentro do contexto literário do livro de que faz parte?
b) Histórico: através do estudo do texto, atingir o contexto histórico em que surgiu o texto ou em que se deu o fato narrado pelo texto, e analisar a situação histórica em dimensões como: econômica, social, política, ideológica, afetiva, antropológica e outras. Trata-se de descobrir os conflitos que estão na origem do texto ou nele se refletem, para assim, perceber melhor a encarnação da Palavra de Deus na realidade conflitiva da historia humana, tanto deles como nossa.
c) Teológico: descobrir, através da leitura do texto, o que Deus tinha a dizer ao povo naquela situação histórica; o que Deus significava para aquele povo; como Ele se revelava; como o povo assumia e celebrava a Palavra do Senhor.
O estudo cientifico do texto não é o fim da leitura, mas um meio para se chegar ao fim.
O objetivo da leitura é furar a parede da distancia entre o ontem do texto e o hoje da nossa vida, a fim de poder iniciar o diálogo com Deus na MEDITAÇÃO.
A leitura quando bem feita ajuda a superar o fundamentalismo. Quando malfeita, faz aumenta-lo.
A leitura deve familiarizar-nos com o texto a ponto de ele se tornar nossa palavra, nesse momento, dobramos a cabeça, fazemos silencio e abrimos o ouvido: vou ouvir o que o Senhor nos tem a dizer!(Sl 85,9). É nesse momento que a leitura se transforma em meditação e que se passa para o segundo degrau da Lectio Divina.
2. A Meditação: ruminar, dialogar, atualizar.
A leitura respondeu a pergunta: o que diz o texto? A meditação vai responder a pergunta: O que diz o texto para mim, para nós hoje? O que é que Deus, através desse texto, tem a dizer hoje, aqui em MAUÁ.
A meditação indica o esforço que se faz para atualizar o texto e traze-lo para dentro do horizonte da nossa vida e realidade, tanto pessoal como social.
Como fazer a meditação?
Uma primeira forma é fazer uso da razão dialogando com o texto, com Deus, fazendo perguntas que procuram trazer o texto para dentro do horizonte da nossa vida. Medita-se refletindo, interrogando: o que há de semelhante e de diferente entre a situação do texto e a nossa hoje? Quais os conflitos de ontem que existem hoje? Quais são diferentes? O que ele quer fazer crescer em mim. Em nós? Ect.
Outra maneira de fazer a meditação é repetir o texto, rumina-lo, mastiga-lo at´r descobrir o que ele tem a nos dizer.
Pela meditação ou ruminação, a Palavra de Deus vai entrando aos poucos, vai tirando as máscaras, vai revelando e quebrando a alienação em que vivemos.
Não é fácil dizer qual o momento exato de se passar da meditação para a oração, mas existem alguns critérios. A meditação atualiza o sentido do texto até ficar claro o que Deus está pedindo de mós. Ora, quando fica claro o que Deus pede, está chegando o momento de se perguntar: E agora, o que vou dizer a Deus? Assumo ou não assumo? Quando fica claro o que Deus pede, fica clara também a nossa incapacidade e a nossa falta de recursos. É o momento da súplica, de unirmos a nossa voz ao grito do pobre e excluído, a meditação é a semente da oração. Basta pratica-la, e ela por si mesma se transforma em oração.
3. A oração: suplicar, louvar, recitar.
A atitude de oração está presente desde o começo da Lectio Divina. No inicio da leitura invoca-se o Espírito Santo. Durante a leitura sempre aparecem pequenos momentos de oração. A meditação já é quase uma atitude de oração, pois por si mesma, se transforma em prece. Entretanto, existe um momento privilegiado para a oração. É o momento de descobrir o que o texto me faz dizer, nos faz dizer a Deus!
A oração reflete o itinerário pessoal de cada um no seu caminhar em direção a Deus e no seu esforço de esvaziar-se de si para dar lugar a Deus, ao irmão, ao pobre, á comunidade.
Qual o momento de se passar da oração para a contemplação?
Não há resposta. A contemplação é o que sobra nos olhos e no coração, depois que a oração termina. A contemplação é o ultimo degrau da Lectio Divina. É o seu ponto de chegada. Cada vez, porem, que se chega ao ultimo degrau, este se torna patamar para um novo começo. Nunca se chegará ao ponto de dizer: agora realizei todo o objetivo da Palavra de Deus na minha vida, pois sempre haverá pela frente um olhar mais penetrante, uma leitura mais profunda, uma meditação mais exigente, uma oração mais engajada, uma contemplação mais transparente. Até todos os véus caírem, até que a realidade seja toda transformada e chegue à plenitude do Reino.
A contemplação não só medita a mensagem, mas também a realiza; não só ouve, mas coloca em prática. A contemplação, como ponto final da escada, é patamar para um novo começo. É como subir numa torre muito alta. Você alcança o primeiro patamar por uma escada de três lances: leitura, meditação e oração. Na janela do primeiro patamar você descansa e contempla a paisagem. Depois você continua subindo até o segundo patamar, onde faz a mesma coisa, e vê que a mesma paisagem ficou mais bonita! Da vontade de subir mais para observa-la melhor. E assim você vai subindo, sempre mais, num processo que não termina nunca, e vamos subindo até contemplar-mos Deus face a face (1Cor 13,12).
LITURGIA o que é mesmo?
LITURGIA, O QUE É MESMO?
A palavra LIT - URGIA vem da língua grega: laos = povo e ergon = ação, trabalho, serviço, ofício... Unindo os dois termos que formam a palavra, encontramos a raiz mais profunda do significado da LITURGIA, ou seja: AÇÃO, trabalho, serviço do povo e realizado em benefício do povo, isto é: um serviço público, como dizemos hoje.
Este sentido primeiro da palavra nos ajuda a buscar o que deve ser hoje a LITURGIA CRISTÃ em nossas comunidades, sobretudo depois de séculos de história em que a liturgia ficou reduzida a uma ação realizada por ministros ordenados ( bispo, padre...) para o povo. Era uma ação em que o povo não tomava parte, apenas “assistia” como expectador e, muitas vezes, sem compreender o que estava sendo feito.
Graças ao Concílio Vaticano II, realizado há mais de quatro décadas, voltamos ao sentido genuíno da Liturgia, como AÇÃO do povo batizado e, por isso todo ele SACERDOTAL, chamado ao louvor de Deus e à transformação e santificação da vida e da história. Uma ação conjunta em parceria com o próprio Deus, numa dinâmica de aliança e participação cada vez mais “ativa, consciente, plena e frutuosa.”
Mas, de que Ação se trata? Que trabalho é este que podemos considerá-lo “fonte e cume” de nosso ser e de nosso agir cristão?
Contemplando com o olhar da fé nossa história, constatamos que Deus se manifesta sempre agindo amorosamente e, sua ação é permanente SERVIÇO À VIDA, um bem que atinge toda a humanidade e todo o cosmo. É sempre ação criadora, libertadora, transformadora e santificadora que, não só nos atinge, mas nos envolve e nos torna agentes, participantes desta sua ação, numa aliança de amor e compromisso.
A maneira mais concreta, perfeita e plena de Deus agir a nosso favor foi através de Jesus, o Verbo encarnado, o Filho amado que se fez irmão e servidor (liturgo) com sua encarnação, vida, paixão e principalmente pela sua morte e ressurreição. E mais, entregou-nos sua força, energia divina, seu Espírito, pelo qual nos faz capazes de AGIR também como filhos/as amados de Deus Pai, realizando e continuando com Ele esta ação libertadora, redentora a serviço de vida abundante para todos e seu Reino se estabeleça definitivamente.
Portanto, o sentido mais amplo da Liturgia é toda esta ação realizada por Deus, em Jesus Cristo e, através do seu Espírito em nós e através de nós a toda a humanidade.
CELEBRAÇÂO LITÚRGICA – O QUE É MESMO?
Toda a AÇÃO a favor da Vida é LITURGIA, no sentido amplo da palavra. É participação no serviço libertador de Jesus. Sendo isto Liturgia, será preciso ainda CELEBRAR? Não basta apenas AGIR, lutar a favor da vida para sermos seguidores de Jesus e coerentes com seu evangelho, cuja lei é o AMOR?
O que é mesmo a liturgia - celebração? Qual sua importância para a liturgia-vida?
Celebrar é uma ação comunitária, festiva que tem a ver com tornar célebre, importante, inesquecível, é destacar do cotidiano, é ressaltar o significado, o sentido profundo que um acontecimento ou pessoa tem para um determinado grupo.
Todos temos necessidade vital de celebrar, assim como temos necessidade de pensar, de agir, de nos relacionar, de comer e beber... Como seres humanos, somos essencialmente celebrantes. Em todos os tempos e variadas culturas, os povos encontram momentos e formas diversas de celebrar para expressar e aprofundar o sentido da vida.
Para celebrar usamos gestos, ações simbólicas, ritos e palavras que expressam o que pensamos, o que acreditamos, o que desejamos, o que esperamos, o que amamos ou rejeitamos... enfim, a visão que temos da pessoa, do mundo, da sociedade, de Deus ... nossas crenças, nossas convicções, nossa identidade como grupo, como povo... É só pensar nos símbolos, gestos, ritos e palavras que usamos num carnaval, numa festa de aniversário, de casamento, numa Folia de Reis, num batizado.
Na caminhada de fé do povo da Bíblia, encontramos muitos momentos celebrativos. Ao celebrar, o povo de Israel fazia memória das ações que Deus realizara em seu favor no passado, as reconhecia no presente e alimentava a certeza de sua fidelidade no futuro.
O próprio Jesus quis tornar célebre, inesquecível todo o seu trabalho a favor da humanidade. Ele expressou com a ação simbólica de uma refeição, a CEIA PASCAL, o significado profundo de toda sua vida e missão : “sua liturgia-vida”.
Ele antecipou com um rito, a doação de sua vida na cruz, preparou-se e preparou seus discípulos para viverem a HORA de entrega e de amor sem limites.
A liturgia-celebração e a liturgia-vida foram inseparáveis na vida do povo de Deus, na vida de Jesus, na vida dos primeiros cristãos, assim como devem ser inseparáveis na vida de nossas comunidades.
Celebrar a liturgia é portanto, expressar com gestos, símbolos e palavras a liturgia–vida; é tornar célebre, inesquecível a ação que o Pai realizou em Jesus e através dele a toda a humanidade e continua hoje, em nós e através de nós e de todos que aderem ao projeto do Reino pela força e animação de seu Espírito.
A historia da Salvação
No inicio dessa historia está a vontade de Deus de “salvar e fazer chegar ao conhecimento da verdade todas as pessoas humanas”. (SC artigo 5,a natureza da liturgia), para conseguir isso, Deus acompanha toda a historia, particularmente do seu povo eleito, comunicando-se com ele sobretudo pelos profetas, mas finalmente por seu próprio Filho. Ele completou a obra da redenção da humanidade e da glorificação de Deus principalmente pela sua morte e ressurreição. Neste primeiro artigo, o Concilio como que prolonga esta historia de Deus com a humanidade dizendo que por Jesus Cristo “nos foi comunicada a plenitude do culto divino” e que “do lado de Cristo dormindo na cruz nasceu o admirável sacramento de toda Igreja”. (Santo Agostinho)
A vontade de Deus de salvar a humanidade, seu eterno plano de salvação, que é a fonte de toda a historia que chega a seu ponto culminante na páscoa do seu Filho, revelando assim que é um Deus de amor. Este é o grande mistério da fé que celebramos na liturgia.
A santificação das pessoas humanas e a glorificação de Deus são a finalidade da historia da salvação, como também da liturgia. A Igreja e a liturgia nasceram do coração de Jesus.
O Mistério Pascal
O Concilio Vaticano II diz em sua constituição sobre a liturgia: “Esta obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, da qual foram prelúdio as maravilhas operadas no povo do antigo testamento, completou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal de sua paixão, ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão.
Por este mistério, Cristo, morreu, destruiu a nossa morte e ressuscitou, recuperou a nossa vida (prefácio da páscoa). Pois do lado de Cristo dormindo na cruz nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja.
O mistério pascal é, portanto, a páscoa de Jesus que ele viveu, há quase dois mil anos, sua paixão, morte, ressurreição e ascensão. Esta páscoa, no entanto, é o ponto culminante de toda a vida e obra pascal de Jesus. No entanto, desde que Jesus, que se tinha tornado um de nós pela encarnação, nos uniu a si pelo dom do Espírito Santo, que é fruto da sua páscoa, somos um com ele e ele conosco como membros do seu corpo místico, como filhos e filhas do Pai do céu. Assim também nossa vida e historia são vida e história de Cristo glorioso. Portanto, nosso sofrer e vencer são participação da morte e ressurreição de Cristo, da sua páscoa. A Páscoa de Cristo continua na páscoa do povo. (docum. De Medellín, introd. N. 5-6).
Como memória, a liturgia é momento da historia da salvação
“Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, assim também ele enviou os apóstolos, cheios do Espírito Santo, não só para pregarem o evangelho(...) mas ainda para levarem a efeito o que anunciavam: a obra da salvação através do sacrifício e dos sacramentos, sobre os quais gira toda a vida litúrgica” (Sacrosanctum Concillium artigo 6).
Para levar a efeito obra tão importante Cristo está sempre presente em sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas.
Como é que na liturgia pode acontecer salvação?
A liturgia não é uma ação meramente humana. Cristo está presente na celebração litúrgica como agente principal. Convém recorrer ao conceito de memória, para entendermos bem a eficácia salvífica da liturgia. Memória litúrgica não é um simples lembrar. Lembramos sim, a páscoa histórica de Cristo e do seu povo, mas a lembramos na presença de cristo e na força do Espírito Santo. Lembrando a pessoa e a obra de Cristo nos abrimos para ele. Como ele nos diz no livro do Apocalipse, ele está à porta e bate. Se abrirmos a porta, ele entra para cear conosco (cf. Ap 3,20). Isso quer dizer que ele entra em comunhão íntima conosco, e esta comunhão de vida entre Deus e nós é salvação.
A palavra LIT - URGIA vem da língua grega: laos = povo e ergon = ação, trabalho, serviço, ofício... Unindo os dois termos que formam a palavra, encontramos a raiz mais profunda do significado da LITURGIA, ou seja: AÇÃO, trabalho, serviço do povo e realizado em benefício do povo, isto é: um serviço público, como dizemos hoje.
Este sentido primeiro da palavra nos ajuda a buscar o que deve ser hoje a LITURGIA CRISTÃ em nossas comunidades, sobretudo depois de séculos de história em que a liturgia ficou reduzida a uma ação realizada por ministros ordenados ( bispo, padre...) para o povo. Era uma ação em que o povo não tomava parte, apenas “assistia” como expectador e, muitas vezes, sem compreender o que estava sendo feito.
Graças ao Concílio Vaticano II, realizado há mais de quatro décadas, voltamos ao sentido genuíno da Liturgia, como AÇÃO do povo batizado e, por isso todo ele SACERDOTAL, chamado ao louvor de Deus e à transformação e santificação da vida e da história. Uma ação conjunta em parceria com o próprio Deus, numa dinâmica de aliança e participação cada vez mais “ativa, consciente, plena e frutuosa.”
Mas, de que Ação se trata? Que trabalho é este que podemos considerá-lo “fonte e cume” de nosso ser e de nosso agir cristão?
Contemplando com o olhar da fé nossa história, constatamos que Deus se manifesta sempre agindo amorosamente e, sua ação é permanente SERVIÇO À VIDA, um bem que atinge toda a humanidade e todo o cosmo. É sempre ação criadora, libertadora, transformadora e santificadora que, não só nos atinge, mas nos envolve e nos torna agentes, participantes desta sua ação, numa aliança de amor e compromisso.
A maneira mais concreta, perfeita e plena de Deus agir a nosso favor foi através de Jesus, o Verbo encarnado, o Filho amado que se fez irmão e servidor (liturgo) com sua encarnação, vida, paixão e principalmente pela sua morte e ressurreição. E mais, entregou-nos sua força, energia divina, seu Espírito, pelo qual nos faz capazes de AGIR também como filhos/as amados de Deus Pai, realizando e continuando com Ele esta ação libertadora, redentora a serviço de vida abundante para todos e seu Reino se estabeleça definitivamente.
Portanto, o sentido mais amplo da Liturgia é toda esta ação realizada por Deus, em Jesus Cristo e, através do seu Espírito em nós e através de nós a toda a humanidade.
CELEBRAÇÂO LITÚRGICA – O QUE É MESMO?
Toda a AÇÃO a favor da Vida é LITURGIA, no sentido amplo da palavra. É participação no serviço libertador de Jesus. Sendo isto Liturgia, será preciso ainda CELEBRAR? Não basta apenas AGIR, lutar a favor da vida para sermos seguidores de Jesus e coerentes com seu evangelho, cuja lei é o AMOR?
O que é mesmo a liturgia - celebração? Qual sua importância para a liturgia-vida?
Celebrar é uma ação comunitária, festiva que tem a ver com tornar célebre, importante, inesquecível, é destacar do cotidiano, é ressaltar o significado, o sentido profundo que um acontecimento ou pessoa tem para um determinado grupo.
Todos temos necessidade vital de celebrar, assim como temos necessidade de pensar, de agir, de nos relacionar, de comer e beber... Como seres humanos, somos essencialmente celebrantes. Em todos os tempos e variadas culturas, os povos encontram momentos e formas diversas de celebrar para expressar e aprofundar o sentido da vida.
Para celebrar usamos gestos, ações simbólicas, ritos e palavras que expressam o que pensamos, o que acreditamos, o que desejamos, o que esperamos, o que amamos ou rejeitamos... enfim, a visão que temos da pessoa, do mundo, da sociedade, de Deus ... nossas crenças, nossas convicções, nossa identidade como grupo, como povo... É só pensar nos símbolos, gestos, ritos e palavras que usamos num carnaval, numa festa de aniversário, de casamento, numa Folia de Reis, num batizado.
Na caminhada de fé do povo da Bíblia, encontramos muitos momentos celebrativos. Ao celebrar, o povo de Israel fazia memória das ações que Deus realizara em seu favor no passado, as reconhecia no presente e alimentava a certeza de sua fidelidade no futuro.
O próprio Jesus quis tornar célebre, inesquecível todo o seu trabalho a favor da humanidade. Ele expressou com a ação simbólica de uma refeição, a CEIA PASCAL, o significado profundo de toda sua vida e missão : “sua liturgia-vida”.
Ele antecipou com um rito, a doação de sua vida na cruz, preparou-se e preparou seus discípulos para viverem a HORA de entrega e de amor sem limites.
A liturgia-celebração e a liturgia-vida foram inseparáveis na vida do povo de Deus, na vida de Jesus, na vida dos primeiros cristãos, assim como devem ser inseparáveis na vida de nossas comunidades.
Celebrar a liturgia é portanto, expressar com gestos, símbolos e palavras a liturgia–vida; é tornar célebre, inesquecível a ação que o Pai realizou em Jesus e através dele a toda a humanidade e continua hoje, em nós e através de nós e de todos que aderem ao projeto do Reino pela força e animação de seu Espírito.
A historia da Salvação
No inicio dessa historia está a vontade de Deus de “salvar e fazer chegar ao conhecimento da verdade todas as pessoas humanas”. (SC artigo 5,a natureza da liturgia), para conseguir isso, Deus acompanha toda a historia, particularmente do seu povo eleito, comunicando-se com ele sobretudo pelos profetas, mas finalmente por seu próprio Filho. Ele completou a obra da redenção da humanidade e da glorificação de Deus principalmente pela sua morte e ressurreição. Neste primeiro artigo, o Concilio como que prolonga esta historia de Deus com a humanidade dizendo que por Jesus Cristo “nos foi comunicada a plenitude do culto divino” e que “do lado de Cristo dormindo na cruz nasceu o admirável sacramento de toda Igreja”. (Santo Agostinho)
A vontade de Deus de salvar a humanidade, seu eterno plano de salvação, que é a fonte de toda a historia que chega a seu ponto culminante na páscoa do seu Filho, revelando assim que é um Deus de amor. Este é o grande mistério da fé que celebramos na liturgia.
A santificação das pessoas humanas e a glorificação de Deus são a finalidade da historia da salvação, como também da liturgia. A Igreja e a liturgia nasceram do coração de Jesus.
O Mistério Pascal
O Concilio Vaticano II diz em sua constituição sobre a liturgia: “Esta obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, da qual foram prelúdio as maravilhas operadas no povo do antigo testamento, completou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal de sua paixão, ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão.
Por este mistério, Cristo, morreu, destruiu a nossa morte e ressuscitou, recuperou a nossa vida (prefácio da páscoa). Pois do lado de Cristo dormindo na cruz nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja.
O mistério pascal é, portanto, a páscoa de Jesus que ele viveu, há quase dois mil anos, sua paixão, morte, ressurreição e ascensão. Esta páscoa, no entanto, é o ponto culminante de toda a vida e obra pascal de Jesus. No entanto, desde que Jesus, que se tinha tornado um de nós pela encarnação, nos uniu a si pelo dom do Espírito Santo, que é fruto da sua páscoa, somos um com ele e ele conosco como membros do seu corpo místico, como filhos e filhas do Pai do céu. Assim também nossa vida e historia são vida e história de Cristo glorioso. Portanto, nosso sofrer e vencer são participação da morte e ressurreição de Cristo, da sua páscoa. A Páscoa de Cristo continua na páscoa do povo. (docum. De Medellín, introd. N. 5-6).
Como memória, a liturgia é momento da historia da salvação
“Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, assim também ele enviou os apóstolos, cheios do Espírito Santo, não só para pregarem o evangelho(...) mas ainda para levarem a efeito o que anunciavam: a obra da salvação através do sacrifício e dos sacramentos, sobre os quais gira toda a vida litúrgica” (Sacrosanctum Concillium artigo 6).
Para levar a efeito obra tão importante Cristo está sempre presente em sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas.
Como é que na liturgia pode acontecer salvação?
A liturgia não é uma ação meramente humana. Cristo está presente na celebração litúrgica como agente principal. Convém recorrer ao conceito de memória, para entendermos bem a eficácia salvífica da liturgia. Memória litúrgica não é um simples lembrar. Lembramos sim, a páscoa histórica de Cristo e do seu povo, mas a lembramos na presença de cristo e na força do Espírito Santo. Lembrando a pessoa e a obra de Cristo nos abrimos para ele. Como ele nos diz no livro do Apocalipse, ele está à porta e bate. Se abrirmos a porta, ele entra para cear conosco (cf. Ap 3,20). Isso quer dizer que ele entra em comunhão íntima conosco, e esta comunhão de vida entre Deus e nós é salvação.
COMO UMA CASA
Ione Buyst
O sonho de toda família é ter sua casa: um lugar para morar, guardar suas coisas, ficar à vontade, brincar com os filhos, convidar os amigos... O sonho leva às vezes anos e anos para se realizar. As economias são poucas e tudo está muito caro. Pouco a pouco, os alicerces vão sendo colocados, as paredes vão subindo devagar, já dá para andar por cada um dos cômodos, o vão das janelas e das portas estão aí aguardando o futuro acabamento. Quando se terminou de colocar a laje... que vitória: já dá para morar... Só que para se ter uma ‘casa’ de verdade, não bastam o prédio: o alicerce, as paredes, portas e janelas, uma laje... Tudo isto é absolutamente necessário, porém, é também absolutamente insuficiente. Porque casa é lar! Casa é convívio, abrigo, amparo, aconchego, proteção, encontro, carinho, cuidado, comunhão... Só as paredes não bastam.
Liturgia é como uma casa. É absolutamente necessário cuidar da estrutura da celebração, de cada um de seus elementos: os ritos iniciais, a liturgia da palavra, as leituras, o salmo, a música, a liturgia eucarística, os ritos finais, o espaço litúrgico... É preciso escolher cuidadosamente os cantos de acordo com o tempo litúrgico e cada momento da celebração. É indispensável preparar bem as leituras, a homilia, as preces, escolher a oração eucarística com seu prefácio, pensar em alguma ação simbólica relacionada com o evangelho do dia ou com o tempo litúrgico. Cada ministério deve saber o que lhe cabe fazer e preparar sua parte.
No entanto, só isto não basta; ainda é absolutamente insuficiente. Porque liturgia é para ser ‘lar’, encontro transformador com o Deus que nos acolhe em seu aconchego e renova nossa vida no encontro com ele, como renovou a vida de Abraão, de Moisés, de Elias, de Maria, de João Batista, de Simão Tiago, André, João, Maria Madalena, Lázaro, Marta e Maria, Paulo, Lydia e tantas outras pessoas... Para que isto aconteça, não basta uma liturgia tecnicamente perfeita. Se não for capaz de nos arrancar de nossa mesmice, de iluminar os olhos de nosso coração para perceber a presença do Mistério em nossa vida, se não for capaz de criar convivência e calor humano, de fazer acontecer o encontro, a relação com Deus e entre nós aqui e agora... não há liturgia de verdade. É casa-parede, mas não é ainda a casa-lar onde se possa morar e se abrigar em tempos de felicidade, como em tempos de dúvida, de incerteza, de desesperança, de rejeição, de desamor... Frieza, impessoalismo, indiferentismo, desinteresse... impedem que a liturgia aconteça. Porque liturgia é celebração de aliança, de comunhão; é questão de se criar laços, conhecer pelo nome, reconciliar, interessar-se uns pelos outros, estar atento, cuidar...
Por isso, tanto na preparação como durante a celebração, cada momento deve vir entranhado de atitude orante, de carinhosa devoção, de mística intimidade com Deus.
Ione Buyst
O sonho de toda família é ter sua casa: um lugar para morar, guardar suas coisas, ficar à vontade, brincar com os filhos, convidar os amigos... O sonho leva às vezes anos e anos para se realizar. As economias são poucas e tudo está muito caro. Pouco a pouco, os alicerces vão sendo colocados, as paredes vão subindo devagar, já dá para andar por cada um dos cômodos, o vão das janelas e das portas estão aí aguardando o futuro acabamento. Quando se terminou de colocar a laje... que vitória: já dá para morar... Só que para se ter uma ‘casa’ de verdade, não bastam o prédio: o alicerce, as paredes, portas e janelas, uma laje... Tudo isto é absolutamente necessário, porém, é também absolutamente insuficiente. Porque casa é lar! Casa é convívio, abrigo, amparo, aconchego, proteção, encontro, carinho, cuidado, comunhão... Só as paredes não bastam.
Liturgia é como uma casa. É absolutamente necessário cuidar da estrutura da celebração, de cada um de seus elementos: os ritos iniciais, a liturgia da palavra, as leituras, o salmo, a música, a liturgia eucarística, os ritos finais, o espaço litúrgico... É preciso escolher cuidadosamente os cantos de acordo com o tempo litúrgico e cada momento da celebração. É indispensável preparar bem as leituras, a homilia, as preces, escolher a oração eucarística com seu prefácio, pensar em alguma ação simbólica relacionada com o evangelho do dia ou com o tempo litúrgico. Cada ministério deve saber o que lhe cabe fazer e preparar sua parte.
No entanto, só isto não basta; ainda é absolutamente insuficiente. Porque liturgia é para ser ‘lar’, encontro transformador com o Deus que nos acolhe em seu aconchego e renova nossa vida no encontro com ele, como renovou a vida de Abraão, de Moisés, de Elias, de Maria, de João Batista, de Simão Tiago, André, João, Maria Madalena, Lázaro, Marta e Maria, Paulo, Lydia e tantas outras pessoas... Para que isto aconteça, não basta uma liturgia tecnicamente perfeita. Se não for capaz de nos arrancar de nossa mesmice, de iluminar os olhos de nosso coração para perceber a presença do Mistério em nossa vida, se não for capaz de criar convivência e calor humano, de fazer acontecer o encontro, a relação com Deus e entre nós aqui e agora... não há liturgia de verdade. É casa-parede, mas não é ainda a casa-lar onde se possa morar e se abrigar em tempos de felicidade, como em tempos de dúvida, de incerteza, de desesperança, de rejeição, de desamor... Frieza, impessoalismo, indiferentismo, desinteresse... impedem que a liturgia aconteça. Porque liturgia é celebração de aliança, de comunhão; é questão de se criar laços, conhecer pelo nome, reconciliar, interessar-se uns pelos outros, estar atento, cuidar...
Por isso, tanto na preparação como durante a celebração, cada momento deve vir entranhado de atitude orante, de carinhosa devoção, de mística intimidade com Deus.
Perguntas para a reflexão pessoal e em grupos:
1- O que você procura quando vai a uma celebração? Você se contenta em ‘cumprir a obrigação’?
2- O que ajuda e o que atrapalha você a viver a liturgia como um encontro acolhedor e transformador na ‘casa’ do Deus vivo?
3- Que sugestões teria para melhorar as celebrações de sua comunidade neste sentido?
1- O que você procura quando vai a uma celebração? Você se contenta em ‘cumprir a obrigação’?
2- O que ajuda e o que atrapalha você a viver a liturgia como um encontro acolhedor e transformador na ‘casa’ do Deus vivo?
3- Que sugestões teria para melhorar as celebrações de sua comunidade neste sentido?
A DIMENSÃO DA TEOLOGIA DA PALAVRA NA LITURGIA
A DIMENSÃO DA TEOLOGIA DA PALAVRA NA LITURGIA
O MISTÉRIO DA PALAVRA DE DEUS
O MISTÉRIO DA PALAVRA DE DEUS
A Palavra de Deus é a primeira e a fundamental realidade à qual se liga todo o desenrolar do mistério cristão. A Palavra não representa apenas certo aspecto secundário da ação de Deus, mas, ao contrário, abrange toda a revelação.
Com a Palavra, Deus cria o céu e a terra; por meio da Palavra, ele se revela aos homens; pela proclamação da Palavra, nossa Salvação se torna ato, se realiza. Deus, falando, cria e opera toda a obra da Salvação.
A palavra de Deus é acontecimento, onde o Pai entra na história, onde o Filho prolonga o mistério de sua Páscoa e o Espírito atua com sua força. As celebrações da Palavra de Deus, especialmente aos domingos, fundamentam-se no caráter sacerdotal de cada batizado e batizada. “Ele fez para nós um Reino de sacerdotes”, nos recorda o Apocalipse. “Ele te unge sacerdote”, repetimos em cada celebração batismal. Isso é, cada celebração da Palavra é uma forma do povo consagrado “proclamar as maravilhas daquele que nos chamou das trevas à luz”.
Com a Palavra, Deus cria o céu e a terra; por meio da Palavra, ele se revela aos homens; pela proclamação da Palavra, nossa Salvação se torna ato, se realiza. Deus, falando, cria e opera toda a obra da Salvação.
A palavra de Deus é acontecimento, onde o Pai entra na história, onde o Filho prolonga o mistério de sua Páscoa e o Espírito atua com sua força. As celebrações da Palavra de Deus, especialmente aos domingos, fundamentam-se no caráter sacerdotal de cada batizado e batizada. “Ele fez para nós um Reino de sacerdotes”, nos recorda o Apocalipse. “Ele te unge sacerdote”, repetimos em cada celebração batismal. Isso é, cada celebração da Palavra é uma forma do povo consagrado “proclamar as maravilhas daquele que nos chamou das trevas à luz”.
ENCARNAÇÃO DA PALAVRA ETERNA (A PALAVRA E O VERBO)
Deus, que é pleno de amor e misericórdia, quer salvar e fazer com que todas as pessoas cheguem ao conhecimento da verdade (cf. SC 5).
Desde o Antigo Testamento vemos um Deus bondoso, que planejando e preparando com solicitude a salvação das pessoas, escolhe um povo a quem confia suas promessas (cf. Gn 15,18; Ex 24,8) e se revela, por meio de palavras e obras, a este povo eleito, como Deus único, vivo e verdadeiro (cf. DV 14).
As ações salvíficas eram explicadas pelas palavras dos profetas. Finalmente, quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à lei, para resgatar os que estavam sob o jugo da lei (Gl 4,4); assim a palavra fez-se carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Até então, a comunicação entre Deus e a pessoa humana era de uma maneira fragmentada e por etapas (cf. Hb 1,1). Em Jesus Cristo, essa comunicação é completa, pois Ele é a palavra única, perfeita e insuperável do Pai. Nele o Pai disse tudo, e não haverá outra palavra senão essa.
Pela Palavra, que se fez carne (Jo 1,14), toda a carne é chamada a se tornar palavra de louvor a Deus (Hb 13,15). A Palavra de Deus, que fez e faz a história, já está presente na consciência de cada homem, ainda que, por vezes, de modo implícito.
Está presente na obra da criação, onde deixou seus vestígios (sementes do Verbo); esta mesma Palavra é levada às pessoas e aos povos pela evangelização, aprofundada pela catequese, celebrada pelos sacramentos e concretizada na vida diária.
Desde o Antigo Testamento vemos um Deus bondoso, que planejando e preparando com solicitude a salvação das pessoas, escolhe um povo a quem confia suas promessas (cf. Gn 15,18; Ex 24,8) e se revela, por meio de palavras e obras, a este povo eleito, como Deus único, vivo e verdadeiro (cf. DV 14).
As ações salvíficas eram explicadas pelas palavras dos profetas. Finalmente, quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à lei, para resgatar os que estavam sob o jugo da lei (Gl 4,4); assim a palavra fez-se carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Até então, a comunicação entre Deus e a pessoa humana era de uma maneira fragmentada e por etapas (cf. Hb 1,1). Em Jesus Cristo, essa comunicação é completa, pois Ele é a palavra única, perfeita e insuperável do Pai. Nele o Pai disse tudo, e não haverá outra palavra senão essa.
Pela Palavra, que se fez carne (Jo 1,14), toda a carne é chamada a se tornar palavra de louvor a Deus (Hb 13,15). A Palavra de Deus, que fez e faz a história, já está presente na consciência de cada homem, ainda que, por vezes, de modo implícito.
Está presente na obra da criação, onde deixou seus vestígios (sementes do Verbo); esta mesma Palavra é levada às pessoas e aos povos pela evangelização, aprofundada pela catequese, celebrada pelos sacramentos e concretizada na vida diária.
CRISTO É A PERFEITA ENCARNAÇÃO DA PALAVRA
Cristo, sendo o Deus que revela, é, ao mesmo tempo, o Deus revelado. O Deus verdadeiro que Ele ensina é o Deus por Ele anunciado e nele reconhecido, assim como ao confessarmos o Filho confessamos também o Pai. Cristo é a verdade que nos liberta da mentira, o Amor que nos livra da solidão de nosso egoísmo. “Ele é a Verdade e a Vida” (Jo 14,6), a Verdade que nos ensina (Tt 2,12), “ouvi-O”, diz-nos o Pai (Mt 7,5).
O Cristo não pode ser comparado, sob este ponto de vista, com Buda, Maomé, Confúcio ou qualquer outro fundador de religião. Nas outras religiões, a doutrina e seu objeto distinguem-se do fundador. Aqui, pelo contrário, a doutrina do Cristo tem o Cristo como objeto. Nossa fé é a fé no Cristo como Deus. A salvação é uma opção a favor ou contra Cristo. O Cristo é, pois, a plenitude da revelação.
A Palavra é viva quando o interlocutor está presente e ela soa atualmente de sua boca.
O Cristo não pode ser comparado, sob este ponto de vista, com Buda, Maomé, Confúcio ou qualquer outro fundador de religião. Nas outras religiões, a doutrina e seu objeto distinguem-se do fundador. Aqui, pelo contrário, a doutrina do Cristo tem o Cristo como objeto. Nossa fé é a fé no Cristo como Deus. A salvação é uma opção a favor ou contra Cristo. O Cristo é, pois, a plenitude da revelação.
A Palavra é viva quando o interlocutor está presente e ela soa atualmente de sua boca.
DIMENSÃO CRISTOCÊNTRICA DA PALAVRA
Cristo: centro, mediador e plenitude da revelação
Jesus Cristo, encarnado na história humana até ao ponto de dar a vida para a salvação do mundo, é o centro e a plenitude da revelação, por isso é o centro das Escrituras. Toda a evocação da história da salvação gira em torno dele e é a partir dele que é realizada a leitura e interpretação da Sagrada Escritura – Antigo e Novo Testamento. Em Cristo tudo tem sentido, tudo fica esclarecido e tudo se orienta para ele, pois, principalmente pelo mistério pascal de sua sagrada paixão, ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão, completou a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus (cf. SC 5).
A comunidade reunida em oração, pelo poder do Espírito Santo, anuncia e celebra o mistério pascal de Cristo, cada vez que proclama os dois testamentos. “No Antigo está latente o Novo, e no Novo se faz presente o Antigo. O centro e a plenitude de toda a Escritura e de toda celebração litúrgica é Cristo; por isso, deverão beber de sua fonte todos os que buscam a salvação e a vida”( Introdução do Ordo Lectionum Missae, n. 5. Ver também Dei Verbum, n. 2, 3, 7, 15, 16, 24).
A igreja, praticante da palavra de Deus
Podemos dizer que a palavra faz a Igreja e a Igreja faz nascer a palavra, não no sentido de inventá-la, mas ao encarná-la e atualizá-la em sua realidade. Vejamos a afirmação do Ordo Lectionum Missae: “A Igreja cresce e se constrói ao escutar a palavra de Deus, e os prodígios que de muitas formas Deus realizou na história da salvação fazem-se presentes, de novo, nos sinais da celebração litúrgica, de um modo misterioso, mas real; Deus, por sua vez, vale-se da comunidade dos fiéis que celebra a liturgia, para que a sua palavra se propague e seja conhecida, e seu nome seja louvado por todas as nações. Portanto, sempre que a Igreja, congregada pelo Espírito Santo na celebração litúrgica, anuncia e proclama a palavra de Deus, se reconhece a si mesma como o novo povo, no qual a aliança, antigamente travada, chega agora à sua plenitude e perfeição. Todos os cristãos, que pelo batismo e a confirmação no Espírito se converteram em mensageiros da palavra de Deus, depois de receberem a graça de escutar a palavra, devem anunciá-la na Igreja e no mundo, ao menos com o testemunho de sua vida. Esta palavra de Deus, que é proclamada na celebração dos divinos mistérios, não só se refere às circunstâncias atuais, mas também olha o passado e penetra o futuro, e nos faz ver quão desejáveis são as coisas que esperamos, para que, no meio das vicissitudes do mundo nossos corações estejam firmemente postos onde está a verdadeira alegria” (OLM 7).
A palavra edifica a Igreja, povo de batizados, que reunida em assembléia, movida pelo dom do Espírito Santo, abre o ouvido do coração para escutar, celebrar e mais ainda, para proclamar e anunciar o acontecimento da salvação.
Somente a presença de Cristo impede que a Palavra se transforme em mero documento histórico. A Igreja tem o privilégio dessa presença, porque ela se identifica com o Cristo: ela é a sua continuação. Onde, pois, está a Igreja, aí está sua Palavra viva.
Jesus Cristo, encarnado na história humana até ao ponto de dar a vida para a salvação do mundo, é o centro e a plenitude da revelação, por isso é o centro das Escrituras. Toda a evocação da história da salvação gira em torno dele e é a partir dele que é realizada a leitura e interpretação da Sagrada Escritura – Antigo e Novo Testamento. Em Cristo tudo tem sentido, tudo fica esclarecido e tudo se orienta para ele, pois, principalmente pelo mistério pascal de sua sagrada paixão, ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão, completou a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus (cf. SC 5).
A comunidade reunida em oração, pelo poder do Espírito Santo, anuncia e celebra o mistério pascal de Cristo, cada vez que proclama os dois testamentos. “No Antigo está latente o Novo, e no Novo se faz presente o Antigo. O centro e a plenitude de toda a Escritura e de toda celebração litúrgica é Cristo; por isso, deverão beber de sua fonte todos os que buscam a salvação e a vida”( Introdução do Ordo Lectionum Missae, n. 5. Ver também Dei Verbum, n. 2, 3, 7, 15, 16, 24).
A igreja, praticante da palavra de Deus
Podemos dizer que a palavra faz a Igreja e a Igreja faz nascer a palavra, não no sentido de inventá-la, mas ao encarná-la e atualizá-la em sua realidade. Vejamos a afirmação do Ordo Lectionum Missae: “A Igreja cresce e se constrói ao escutar a palavra de Deus, e os prodígios que de muitas formas Deus realizou na história da salvação fazem-se presentes, de novo, nos sinais da celebração litúrgica, de um modo misterioso, mas real; Deus, por sua vez, vale-se da comunidade dos fiéis que celebra a liturgia, para que a sua palavra se propague e seja conhecida, e seu nome seja louvado por todas as nações. Portanto, sempre que a Igreja, congregada pelo Espírito Santo na celebração litúrgica, anuncia e proclama a palavra de Deus, se reconhece a si mesma como o novo povo, no qual a aliança, antigamente travada, chega agora à sua plenitude e perfeição. Todos os cristãos, que pelo batismo e a confirmação no Espírito se converteram em mensageiros da palavra de Deus, depois de receberem a graça de escutar a palavra, devem anunciá-la na Igreja e no mundo, ao menos com o testemunho de sua vida. Esta palavra de Deus, que é proclamada na celebração dos divinos mistérios, não só se refere às circunstâncias atuais, mas também olha o passado e penetra o futuro, e nos faz ver quão desejáveis são as coisas que esperamos, para que, no meio das vicissitudes do mundo nossos corações estejam firmemente postos onde está a verdadeira alegria” (OLM 7).
A palavra edifica a Igreja, povo de batizados, que reunida em assembléia, movida pelo dom do Espírito Santo, abre o ouvido do coração para escutar, celebrar e mais ainda, para proclamar e anunciar o acontecimento da salvação.
Somente a presença de Cristo impede que a Palavra se transforme em mero documento histórico. A Igreja tem o privilégio dessa presença, porque ela se identifica com o Cristo: ela é a sua continuação. Onde, pois, está a Igreja, aí está sua Palavra viva.
DIMENSÃO SACRAMENTAL DA PALAVRA
Nos sacramentos, a palavra opera aquilo que anuncia: é eficaz, operante, para santificar aquele que a acolhe como dom de Deus. Aí se realiza o pacto da Aliança e tudo deve convergir para a realização plena e diária desta Aliança.
A Palavra lembrada e realizada no sacramento deve transformar a existência do ouvinte. A liturgia realiza, pois, o contínuo diálogo de Deus com seu povo reunido.
O Senhor ora interpela, ora ensina, ora exorta, ora “diz e faz”. A assembléia, por sua vez, escuta, responde, medita, suplica, dá graças, até identificar-se com a Palavra.
A celebração da Palavra é um verdadeiro ato litúrgico. Tem força sacramental. Cristo se torna presente e nos faz participantes de seu mistério pascal pela reunião da comunidade, pelas leituras proclamadas e comentadas, pelos cantos e orações. O Concílio Vaticano II diz: “É Cristo mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na igreja. Ele está presente quando a Igreja ora e salmodia” (SC 7). Ele que prometeu: Onde dois ou três estiveram reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles (Mateus 18,20).
A reunião dos irmãos e o amor que os une, torna visível, palpável e manifesta a união com Jesus Cristo e com o Pai, no Espírito Santo. Não só torna visível, mas faz também crescer nossa união com Ele.
Assim como a Eucaristia, também a Palavra é Pão da Vida. “Eu sou o Pão da Vida: quem vem a mim já não terá fome e quem crê em mim, jamais terá sede... As Palavras que vos tenho dito são espírito e vida...” (Jo 6,35.65).
O único Pão da Vida é partilhado de duas maneiras: à mesa da Palavra e à mesa da Eucaristia, representadas respectivamente pela Estante da Palavra e o Altar. São duas formas diferentes e complementares da presença real de Jesus no meio de seu povo para realizar nele a sua Páscoa.
“Em Jesus Cristo a palavra de Deus não só se tornou audível, mas visível”. “O verbo se fez carne e habitou entre nós”.
A Palavra lembrada e realizada no sacramento deve transformar a existência do ouvinte. A liturgia realiza, pois, o contínuo diálogo de Deus com seu povo reunido.
O Senhor ora interpela, ora ensina, ora exorta, ora “diz e faz”. A assembléia, por sua vez, escuta, responde, medita, suplica, dá graças, até identificar-se com a Palavra.
A celebração da Palavra é um verdadeiro ato litúrgico. Tem força sacramental. Cristo se torna presente e nos faz participantes de seu mistério pascal pela reunião da comunidade, pelas leituras proclamadas e comentadas, pelos cantos e orações. O Concílio Vaticano II diz: “É Cristo mesmo que fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na igreja. Ele está presente quando a Igreja ora e salmodia” (SC 7). Ele que prometeu: Onde dois ou três estiveram reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles (Mateus 18,20).
A reunião dos irmãos e o amor que os une, torna visível, palpável e manifesta a união com Jesus Cristo e com o Pai, no Espírito Santo. Não só torna visível, mas faz também crescer nossa união com Ele.
Assim como a Eucaristia, também a Palavra é Pão da Vida. “Eu sou o Pão da Vida: quem vem a mim já não terá fome e quem crê em mim, jamais terá sede... As Palavras que vos tenho dito são espírito e vida...” (Jo 6,35.65).
O único Pão da Vida é partilhado de duas maneiras: à mesa da Palavra e à mesa da Eucaristia, representadas respectivamente pela Estante da Palavra e o Altar. São duas formas diferentes e complementares da presença real de Jesus no meio de seu povo para realizar nele a sua Páscoa.
“Em Jesus Cristo a palavra de Deus não só se tornou audível, mas visível”. “O verbo se fez carne e habitou entre nós”.
terça-feira, 14 de abril de 2009
A solução do Problema do mal
O mal existente não é por certo aquele chamado metafísico, que envolve a limitação do ser, haja visto que esta não exclui a perfeição dos diversos seres da vida, apenas impede a plenitude do ser, que pertence unicamente a Deus, qualquer que seja Ele.
O mal existente é o físico e moral, que é limitação da natureza, imperfeição de um determinado ser. Porque o homem é racional, inteligente, isto exige subordinação do material ao espiritual, do sensível ao inteligível. E significa que os sentidos são instrumentos do intelecto, e o instinto é instrumento da vontade. Mas algumas vezes, o sentido sobrepuja o intelecto, e o instinto sobrepuja a vontade, levando o homem a viver desarvoradamente contra a sua própria natureza racional. Este é o mal moral, do espírito. Quanto ao mal físico, a cogitação do sofrimento e da morte, se evidenciam contrários a natureza espiritual e racional do homem. Afinal, o homem que é criatura de Deus, Todo Bem, como viria a sofrer e morrer, mesmo que estas não sejam exigências da natureza humana? Como se conciliar a sabedoria e poder de Deus, com o mal no mundo, por Ele criado?
A religião, particularmente a cristã, surge, historiando uma queda do homem no começo da sua história. Do ponto de vista da filosofia, uma queda é possível, lembrando que o ser criado pode por sua natureza desviar-se da ordem : ele é potência, e o livre arbítrio lhe proporciona o modo de efetivamente desviar-se do ser, da racionalidade, enveredando pelo não-ser.
Através da religião, pela revelação, a Escritura e a Tradição, evidenciam que o homem primeiro, possuía uma harmonia natural, e teria sido elevado à ordem sobrenatural, com dons preternaturais. Este gozo da vida de Deus, seria por graça. Também evidencia-se que esta harmonia e dignidade, foram perdidas, devido a um orgulho no homem primeiro,contra Deus. O pecado original, que é a privação do sobrenatural, do único fim efetivo do homem, voluntário e culpado em Adão, o homem primeiro, seria herdado por seus decendentes. Resta então, uma enfermidade, uma debilidade espiritual e física na natureza humana, essencial desde o nosso nascimento.
Entretanto, visto que a posição original do homem é gratuita, pela graça de Deus, não devido à natureza humana, nem aquela criada, a privação desta não poderia causar a vulnerabilidade do homem, nem a perda dos dons preternaturais. Então não pode ser a causa do mal no mundo, considerado insolúvel pela filosofia pura. O dogma do pecado original, pode assim explicar o fato do mal no mundo, mas não o sentido deste, num mundo que deveria ser racional, visto ser criado pela Sabedoria divina, que não pode deixar de dar às naturezas, por Ela criada voluntariamente, as perfeições que lhes competem para a efetiva realização delas.
A religião cristã, entra com o seu segundo dogma, o da redenção, operacionalizada por Jesus Cristo, identificado como o Messias da revelação, o Redentor. O Verbo de Deus, Cristo, encarna, assumindo a humanidade caída, absorvendo o sofrimento humano até à morte, e morte de cruz, a fim de reparar o pecado original, bem como suas consequências naturais. Sendo Deus-Homem, por natureza, sua operação tem valor divino e humano; infinito, devido à dignidade do operante. Em vista da Sua natureza, o ato redencional teria sido o mínimo possível. Então, Seu sacrifício deve ter outro significado. Este, está no fato de que Ele quis dar satisfação rigorosa à justiça divina, ao redimir o gênero humano. Na encarnação, Deus, manifesta a sua inefável e essencial bondade para com o homem. O bem do homem, não pode se realizar fora da glória de Deus, quer na criação, quer na redenção.
Como consequência do ato redentor, o homem foi readmitido na ordem sobrenatural, foi-lhe restituída a graça, foi restaurado a adoção divina. Mas não goza da intimidade do Criador, como o seu protoparente Adão, a não ser no caso das almas eleitas. Embora, outra vez, estas dádivas sendo ausentes, não suscitem o problema do mal no mundo, ou seja, em elas faltando, não geram o mal premente, porque não são bens devido à natureza humana. Nem mesmo a desordem da natureza foi reconstituída. O homem continua sofrendo a violência dos sentidos contra a razão, passando pelo sofrimento e morte, mesmo que graça divina lhe seja dada para enfrentar o mal, e até mesmo vencê-lo. Por que mesmo depois da redenção efetivada pelo Verbo de Deus, o mal continua existente na vida humana, como consequência do pecado original?
A razão está no fato de que a redenção, deixa como pena o mal decorrente dos pecados, possibilita o homem expiar a culpa mediante a pena. Porque Cristo aponta o caminho da cruz, como caminho perfeito de vida, como renúncia voluntária dos grandes bens do mundo. Porque Cristo na cruz estabelece a glória de Deus, para o bem maior do homem, no reino do mal que se seguiu ao pecado vigente no mundo. Deste modo, o sofrimento serve de expiação do próprio pecado, e de holocausto, para o ser criado se conscientizar de que ele é nada por si diante do Ser Supremo Criador, na nova ordem das coisas. Deste modo, o sofrimento é tomado como instrumento ético, tomado como mortificação, é uma medida para um organismo espiritual enfermo.
Mas por que Deus não impediu desde o princípio o pecado, de maneira que a glória de Deus e o bem do homem se pudessem realizar pelo caminho da alegria antes que do sofrimento? Porque, segundo Agostinho, Deus julgou melhor tirar o bem do mal, do que permitir ao mal não existir, para a maior glória de Deus e também do homem.
O mal existente é o físico e moral, que é limitação da natureza, imperfeição de um determinado ser. Porque o homem é racional, inteligente, isto exige subordinação do material ao espiritual, do sensível ao inteligível. E significa que os sentidos são instrumentos do intelecto, e o instinto é instrumento da vontade. Mas algumas vezes, o sentido sobrepuja o intelecto, e o instinto sobrepuja a vontade, levando o homem a viver desarvoradamente contra a sua própria natureza racional. Este é o mal moral, do espírito. Quanto ao mal físico, a cogitação do sofrimento e da morte, se evidenciam contrários a natureza espiritual e racional do homem. Afinal, o homem que é criatura de Deus, Todo Bem, como viria a sofrer e morrer, mesmo que estas não sejam exigências da natureza humana? Como se conciliar a sabedoria e poder de Deus, com o mal no mundo, por Ele criado?
A religião, particularmente a cristã, surge, historiando uma queda do homem no começo da sua história. Do ponto de vista da filosofia, uma queda é possível, lembrando que o ser criado pode por sua natureza desviar-se da ordem : ele é potência, e o livre arbítrio lhe proporciona o modo de efetivamente desviar-se do ser, da racionalidade, enveredando pelo não-ser.
Através da religião, pela revelação, a Escritura e a Tradição, evidenciam que o homem primeiro, possuía uma harmonia natural, e teria sido elevado à ordem sobrenatural, com dons preternaturais. Este gozo da vida de Deus, seria por graça. Também evidencia-se que esta harmonia e dignidade, foram perdidas, devido a um orgulho no homem primeiro,contra Deus. O pecado original, que é a privação do sobrenatural, do único fim efetivo do homem, voluntário e culpado em Adão, o homem primeiro, seria herdado por seus decendentes. Resta então, uma enfermidade, uma debilidade espiritual e física na natureza humana, essencial desde o nosso nascimento.
Entretanto, visto que a posição original do homem é gratuita, pela graça de Deus, não devido à natureza humana, nem aquela criada, a privação desta não poderia causar a vulnerabilidade do homem, nem a perda dos dons preternaturais. Então não pode ser a causa do mal no mundo, considerado insolúvel pela filosofia pura. O dogma do pecado original, pode assim explicar o fato do mal no mundo, mas não o sentido deste, num mundo que deveria ser racional, visto ser criado pela Sabedoria divina, que não pode deixar de dar às naturezas, por Ela criada voluntariamente, as perfeições que lhes competem para a efetiva realização delas.
A religião cristã, entra com o seu segundo dogma, o da redenção, operacionalizada por Jesus Cristo, identificado como o Messias da revelação, o Redentor. O Verbo de Deus, Cristo, encarna, assumindo a humanidade caída, absorvendo o sofrimento humano até à morte, e morte de cruz, a fim de reparar o pecado original, bem como suas consequências naturais. Sendo Deus-Homem, por natureza, sua operação tem valor divino e humano; infinito, devido à dignidade do operante. Em vista da Sua natureza, o ato redencional teria sido o mínimo possível. Então, Seu sacrifício deve ter outro significado. Este, está no fato de que Ele quis dar satisfação rigorosa à justiça divina, ao redimir o gênero humano. Na encarnação, Deus, manifesta a sua inefável e essencial bondade para com o homem. O bem do homem, não pode se realizar fora da glória de Deus, quer na criação, quer na redenção.
Como consequência do ato redentor, o homem foi readmitido na ordem sobrenatural, foi-lhe restituída a graça, foi restaurado a adoção divina. Mas não goza da intimidade do Criador, como o seu protoparente Adão, a não ser no caso das almas eleitas. Embora, outra vez, estas dádivas sendo ausentes, não suscitem o problema do mal no mundo, ou seja, em elas faltando, não geram o mal premente, porque não são bens devido à natureza humana. Nem mesmo a desordem da natureza foi reconstituída. O homem continua sofrendo a violência dos sentidos contra a razão, passando pelo sofrimento e morte, mesmo que graça divina lhe seja dada para enfrentar o mal, e até mesmo vencê-lo. Por que mesmo depois da redenção efetivada pelo Verbo de Deus, o mal continua existente na vida humana, como consequência do pecado original?
A razão está no fato de que a redenção, deixa como pena o mal decorrente dos pecados, possibilita o homem expiar a culpa mediante a pena. Porque Cristo aponta o caminho da cruz, como caminho perfeito de vida, como renúncia voluntária dos grandes bens do mundo. Porque Cristo na cruz estabelece a glória de Deus, para o bem maior do homem, no reino do mal que se seguiu ao pecado vigente no mundo. Deste modo, o sofrimento serve de expiação do próprio pecado, e de holocausto, para o ser criado se conscientizar de que ele é nada por si diante do Ser Supremo Criador, na nova ordem das coisas. Deste modo, o sofrimento é tomado como instrumento ético, tomado como mortificação, é uma medida para um organismo espiritual enfermo.
Mas por que Deus não impediu desde o princípio o pecado, de maneira que a glória de Deus e o bem do homem se pudessem realizar pelo caminho da alegria antes que do sofrimento? Porque, segundo Agostinho, Deus julgou melhor tirar o bem do mal, do que permitir ao mal não existir, para a maior glória de Deus e também do homem.
Amor Sem Limites
INTRODUÇÃO
Revelar-se é tornar-se visível, e nosso Deus o tem feito a todo instante no decorrer da existência humana, e o faz de várias maneiras, mas muitas vezes o ser humano não entendendo esta revelação se vê perdido na imensidão de seus pensamentos, e por vezes de forma arbitrária acaba se posicionando de forma contrária a esta revelação, vindo a não aceita-la em sua vida. Em contra partida, Deus se torna cada vez mais perceptível ao olhar humano, enviando seu próprio filho e revelando-se por completo em suas obras.
Mas para muitos, este gesto revelador ainda não foi o bastante para aceitar a existência de Deus, e continuam incessantemente a procurar respostas que lhes convença da origem das coisas sem a presença viva de Deus em seu meio. E é na perspectiva de mostrar a revelação de Deus em todas as coisas, inclusive na criação que este nosso trabalho seguirá; mas não como critica aos não crentes na revelação, e sim como colírio que limpa, para vista cansada que já não consegue mais perceber que a perfeição do universo tem a marca registrada de um ser perfeito que denominamos DEUS.
1 O Pai
Nenhuma crença ou religião tem um Deus como o nosso. Se formos analisar cada uma delas, veremos que o Senhor, nosso Deus, é o que mais se comunica, o que mais se torna disponível ao toque, ao contato, à sintonia. Nas religiões politeístas, por exemplo, o sentido da revelação das divindades é puramente naturalista e, como tal, sujeito a diversos aspectos, que podem variar conforme suas peculiaridades religiosas.
Mesmo nas religiões monoteístas, como o judaísmo, o islamismo e outras, de cunho protestante ou pentecostal de bases fundamentalistas, constata-se um Deus restritivo, castigador, sujeito a humores, de comportamento instável, que tanto perdoa como castiga e impõe, por meio de seus prepostos, proibições como não beber (alguns proíbem até refrigerantes gasosos), não cortar o cabelo, não usar calças compridas (para mulheres) ou não comer determinada comida.
Nosso Deus não é assim! Conforme A.M.Galvão:
Nosso Deus é um Deus revelado, que colocou toda a natureza e toda a criação nas mãos do homem, para delas usufruir com liberdade e respeito, sem maiores proibições ou ameaças, excerto naquilo que fere o amor, a fraternidade, a convivência entre os homens e a natureza, casa original do ser humano.
O Pai, na pedagogia trinitária, é aquele que gera. É a primeira pessoa da trindade, citado em primeiro lugar no “sinal-da-cruz” e a quem a piedade popular chama mais especificamente de Deus, reservando os termos Filho ou Jesus Cristo para a Segunda Pessoa e o Espírito Santo para a terceira Pessoa – embora todas sejam igualmente Deus, com poder, glória e majestade análogos.
Deus existe desde o “princípio” (cf. Gn 1,1; Jô 1,1), e essa existência se impõe como um fato fundamental que dispensa qualquer explicação. Desse modo, não tem origem nem devir. O Antigo Testamento ignora as teogonias, que nas antigas religiões, especialmente palestinas, explicavam a construção do mundo por meio da gênese dos deuses.
Na patrística encontramos, segundo Taciano (+ 192), um discípulo de São Justino, que afirmou existir em Deus dois logos (ou formas de comunicação). O primeiro, o logos proforikós, retrata sua relação para fora, com a criação (Diatesseron, II, 3).
Por ser “primeiro e último” (cf. Is 41,4; 44,6; 48,12; Ap 1,17), Deus, e no caso de nossa análise presente, o Pai, não tem que se apresentar. Impõe-se ao espírito do homem pelo simples fato de ser Deus. Conhecer a Deus é ser conhecido por ele (cf. Am 3,2) e descobri-lo na origem da própria existência. Fugir dele é ainda sentir-se perseguido por seu olhar (cf. Gn 3,10; Sl 138,7).
Mesmo assim, no episódio da “sarça ardente”, durante o cativeiro do Egito, ele se apresenta a Moisés, no inicio de um grande projeto libertário:
Eu sou, ajuntou ele, o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, e não ousava olhar para Deus (Ex 3,6).
Por ser o Pai quem é, revelando-se por meio de Jesus Cristo e agindo pelo Espírito, dá a conhecer nitidamente sua personalidade (se é correto usar essa expressão), seus projetos e seus desígnios. Por pouco ainda que se saiba sobre ele, desde o instante em que é descoberto, sabe-se que ele quer algo de precioso e que sabe exatamente aonde vai e o que faz.
A absoluta anterioridade do Pai (junto com o filho e o Espírito) está expressa nas tradições do Pentateuco e de suas versões específicas. A tradição J (javista) põe em cena Yahweh (latinizado Javé) que, desde o início do mundo (Gn 2,4b), bem antes da já mencionada ocasião da “sarça ardente” (Ex 3,15), mostra-se ocupado em perseguir seu projeto: “Meu Pai continua agindo até agora...” (Jô 5,17).
A tradição P (Priester kodex, sacerdotal), pelo contrário, sublinha a novidade trazida pela revelação do culto a Deus a partir da Aliança no Sinai. Ao aproximar-se à era Cristã, Israel começa a adquirir a consciência de que Deus é Pai de seu povo e de cada um de seus fiéis. A designação de Pai é mais freqüente nos escritos rabínicos tardios, nos quais se encontra a fórmula “Pai nosso que estais nos céus...” tal e qual foi ensinada por Jesus a seus discípulos (cf. Mt 6,9).
O pai é aquele que gera (cf. Gn 1,27; 2,7), doador da vida (cf. Lc 1,35), amor por excelência (cf. Jô 3,16; 1Jo 4,8-16), rico em misericórdia (cf. Ef 2,4), libertador de seu povo (cf. Ex 3,7s) e cumpridor de suas promessas (Lc 1,55; At 13,33). A oferta do amor de Deus é gratuita. Ele não nos ama por causa de nossos “méritos”, mas porque ele é essencialmente amor e rico em misericórdia. O que salva é o amor de Deus.
Deus Pai é pleno de amor, capaz de, na plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4) dar seu Filho para nos salvar e assim resgatar toda a criação decaída pelo pecado. Santo Agostinho afirma: “Ó feliz culpa de Adão, que com seu pecado ensejou a vinda de Cristo” (O Felix culpa!). Por mais que amemos a Deus ou se tenha amor por suas criaturas, é salutar recordar que ele nos ama muito mais, “e nos amou primeiro” (cf. 1Jo 4,19). O Pai se revelou assumindo nossa humanidade, na encarnação em Nazaré. Ali Deus se humanizou para que o homem se divinizasse.
Em Santa Tereza de Ávila encontramos uma séria advertência a respeito da obrigação de amarmos a Deus:
As almas dos justos sabem e crêem que Deus sempre dá provas de maior amor. Quem se recusa a crer jamais terá a experiência desse amor. Isso posso garantir. O Senhor gosta muito de quem não põe limites às suas obras.
No salmo 138, numa homenagem à presença de Deus junto ao ser humano, o rei-poeta Davi elaborou um hino de louvor e gratidão à ciência e à providência divina.
Senhor, vós me perscrutais e me conheceis,
Sabeis tudo de mim, quando de sento ou me levanto,
De longe penetrais meus pensamentos.
Quando ando e quando repouso, vós me vedes,
Observais todos os meus passos.
A palavra ainda me não chegou à língua,
E já, Senhor, a conheceis toda.
Vós me cercais por trás e pela frente,
E estendeis sobre mim a vossa mão.
Conhecimento assim maravilhoso me ultrapassa,
Ele é tão sublime que não posso atingi-lo.
Para onde irei, longe de vosso Espírito?
Para onde fugir, apartado de vosso olhar?
Se subir até os céus, ali estareis;
Se descer à região dos mortos, lá vos encontrareis também.
Se tomar as asas da aurora,
Se me fixar nos confins do mar,
É ainda vossa mão que lá me levará
E vossa destra que me sustentará.
Se eu dissesse: “Pelo menos as trevas me ocultarão”,
E a noite, como se fora luz, me há de envolver.”
As próprias trevas não são escuras para vós:
E a noite vos é transparente como dia,
E a escuridão, clara como a luz.
Foste vós que plasmastes as entranhas de meu corpo,
Vós me tecestes no seio de minha mãe.
Sede bendito por me haverdes feito de modo tão maravilhoso.
Pelas vossas obras tão extraordinárias,
Conheceis até o fundo a minha alma (Sl 138,1-14).
O aspecto mais sublime da dignidade humana está nesta vocação do homem à comunhão com Deus. Este convite que Deus dirige ao homem, de dialogar com ele, começa com a existência humana. Pois se o homem existe é porque Deus o criou por amor e, por amor, não cessa de dar-lhe o ser, e o homem só vive plenamente, segundo a verdade, se reconhecer livremente este amor e se entregar ao seu Criador (GS 19).
Deus chama pessoalmente, pelo nome, a cada homem, mas, desde o princípio, “aprouve a Deus santificar e salvar os homens não singularmente, sem nenhuma conexão uns com os outros, mas constituindo-os num povo que o conhece na verdade e santamente servisse”. Quis escolher entre as nações da terra o povo de Israel para manifestar-se a Si próprio e revelar os desígnios da sua vontade. Estabeleceu uma Aliança com ele, que foi renovada diversas vezes.
“Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu clamor contra os seus opressores e conheço os seus sofrimentos”.
1.2. Deus continua a dialogar com os homens em Cristo
Depois de ter falado pelos Profetas, Deus quer falar ainda mais de perto. Quer revelar-se ainda melhor. Ele o faz através de seu Filho JESUS.
Jesus é o profeta por excelência, o grande enviado de Deus, o seu grande mensageiro, o Filho. Muito mais do que os profetas, ele pode falar de Deus, mostrar quem é Deus.
Jesus mostra o Deus da Aliança, o Deus de amor que se dá até o fim. A bondade de Jesus, a sua misericórdia, a sua exigência, a sua doação até a morte, mostra o amor do seu Pai. “Deus quis que Cristo tomasse “o corpo no qual suas palavras ressoassem autenticamente como palavras de vida.
Jesus, como não poderia deixar de ser, é o ponto central do cristianismo, quando Deus se encarna, tornando-se homem para livrar a humanidade da servidão do pecado. Em muitos lugares, nas leituras profanas e mesmo religiosas, há perguntas sobre a essência do cristianismo, aquilo em que, em última análise, pode ser resumida a religião cristã.
Nesse particular, e vamos nos amparar no teólogo Romano Guardini, todas as respostas formuladas se resumem em uma única palavra: Cristo. Á essência do cristianismo, afirma o teólogo, é Jesus Cristo, e ser cristão, segundo a mesma fonte, consiste em acolher de fato a Cristo como Deus, a palavra (o logos) que se fez homem, padeceu, morreu e ressuscitou. Acolhe-lo como nosso salvador faz parte de nossa inserção ao mistério divino.
No Filho, descobrimos o mistério da comunicação divina, rico em presença, entrega e libertação. Ele é a total revelação do Pai. Sob esse aspecto, vemos que o Filho e o Espírito Santo descobrem a inascibilidade do Pai, e a revelam aos homens. Só podemos entender o mistério de Jesus se o compreendermos como os evangelhos o apresentam, inserido na comunhão trinitária.
(...) porquanto é por ele que ambos temos acesso junto ao Pai num mesmo espírito (Ef 2,18).
O Filho, professamos no Credo, é gerado, não criado. Gerado amorosamente na interioridade trinitária e também por obra do Espírito, como homem no seio de Maria, na encarnação. É não criado visto que é co-eterno com o Pai e o Espírito. Ao gerar o Filho, o Pai lhe entrega tudo. “Tudo o que o Pai possui é meu (...)” (cf. Jô 16,15); Toda autoridade me foi dada no céu e na Terra. (...)” (Mt 28,18).Por isso o Pai lhe entrega a mesma natureza, e dessa natureza dos Dois Divinos (Pai e Filho) vai proceder o Espírito Santo. A relação do Espírito com o Pai e o Filho é de procedência. Segundo P. Evdokimov, “embora o modo próprio de cada uma das Pessoas, há uma condição de comunhão substancial entre os três”.
Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (Jô 3,16).
Hoje, a ciência moderna nos explica que a origem do universo se deu por meio do chamado “Big-Bem”, a Igreja Cristã espalhada pelo mundo não tem o porque questionar esta afirmação, mesmo porque não é competente para isso, no entanto, quem pode nos garantir que esta explosão não é o resultado do amor incondicional entre Pai, Filho e Espírito Santo, que já não se contendo de tanto amor, explode criando tudo que existe em nossa volta? Pois fica aqui este questionamento para que refletindo tentemos limpar nossos olhos que estão ofuscados pela mentalidade agnóstica de nossos tempos.
2. “CONCLUSÃO”
Concluímos que nosso Deus é um Deus que se revela, que se comunica, que procura o homem para dialogar, é um Deus que não age por interesse, mas sim, se coloca ao lado do homem, e coloca toda a natureza e toda a criação nas mãos do homem, é um Deus que só quer a amizade do homem e poder chamá-lo de Filho. Concluímos também que esse Deus existe desde o princípio e é Pai Filho e Espírito Santo, (um exemplo de Família para o homem) e nós só existimos porque Ele nos criou, nos ama e nos conhece no mais intimo de nosso ser. Esse amar e conhecer nos coloca diante de Jesus Cristo, que é a maior prova de amor de um Pai para com um filho, um Deus que sabendo das necessidades do homem, passa a ser um Pai que atende o clamor do povo, e se encarna fazendo-se homem, sofrendo como homem, amando mais do que qualquer homem já amou, e isso só para nos mostrar a sua face, dialogando com todos os homens, e mesmo depois de ter partido, envia-nos o Espírito Santo, para poder assim continuar sussurrando ao nosso ouvido por toda a eternidade, e jamais nos deixar sós.
Chegamos a conclusão de que esse Deus esta ao nosso lado quando sofremos, e mesmo nas desgraças continua se fazendo presente a nos consolar.
O ser humano, em contra partida, vive a procurar por esse Deus, e nessa procura incessante acaba desviando-se dele, e muitas vezes não consegue reconhecer a sua presença em todos os momentos de sua vida, nas coisas mais simples e belas do cotidiano, não são capazes de ver que Deus está na criação cultivada pelos homens e mulheres de boa vontade. Deus está no entusiasmo daqueles que acreditam que a “guerra” e a “violência” não são as ultimas palavras da existência. Deus está no sangue dos que lutam pela justiça, dos que combatem todo sistema que oprime o ser humano e a natureza. Deus está na esperança que move o coração, que o impulsiona na luta para que o Reino por Cristo anunciado se torne concreto em nosso meio. Deus está na defesa dos direitos de uma maioria desfavorecida, marcada pelo preconceito, pelo desprezo e pela indiferença de uma minoria acomodada em seu esbanjamento. Deus está nos pequenos e grandes gestos de solidariedade e compaixão. Deus está nos corações dos que amam de verdade, dos que não se contentam com o que está estabelecido. Deus está nos que lutam para que todos tenham terra, trabalho, saúde, educação, lazer, para que todos tenham vida em abundância. Deus está nos pobres, nos que são marginalizados por sua raça, cor ou condição moral. Deus está na Beleza da natureza, na luta pela paz e pela justiça, no sorriso das crianças e na bonita experiência dos idosos. Deus está mais perto de nós do que imaginamos, Ele está no irmão a nosso lado, que compartilha conosco todos os momentos de busca e de descoberta.
Mas no decorrer da história humana, vemos que homens quiseram ser Reis, Reis quiseram ser Deus, mas somente Deus quis ser homem e habitar entre nós.
O caminho percorrido para chegarmos ate a conclusão deste trabalho nos levou antes de tudo a refazermos a experiência de Deus, deixando que Ele mesmo falasse aos nossos ouvidos, dirigi-se a nossa mente e guia-se cada um de nossos passos, e o resultado desta experiência ficará eternamente guardado em nossos corações, porem um pouco desta gratificante experiência esta contida nestas linhas que se seguiram até aqui, sabemos no entanto, que todas os palavras contidas no universo são demasiadas pobres para descrevermos o quanto é grande o amor de Deus para conosco.
Pudemos averiguar que por meio da oração nós falamos diretamente a Deus, e por meio das Sagradas Escrituras, igualmente Ele nos fala.
Mas Deus não está preso nas Escrituras, pois mesmo quando não a lemos, Ele dá um jeitinho de se comunicar com seus filhos tão amados.
Ele se manifesta e se revela na criação do universo, na luz das estrelas, na relação intima entre a Terra e a Lua, nos enormes buracos negros existentes no universo, na expansão e na finitude do cosmos, no aparecimento no céu de uma supernova, na extinção de uma estrela, no constante movimento de todos os corpos celestes observáveis no céu.
E a nossa maior dificuldade na realização deste, foi exatamente entender essa manifestação de Deus em nosso meio, que muitas vezes acontece de maneira contrária à nossa vontade. Isto ocorre porque não sou Eu, mas sim Ele quem toma a aniciativa de dialogar comigo, tal como um amigo que mostra onde o outro está errando e como pode corrigir o erro.
Neste aspecto vimos que Deus nunca cessa a sua vontade de falar ao homem, e o homem nunca cansa de procurar a Deus. Desta forma nosso trabalho não acaba aqui, mas nos abre a perspectiva de continuarmos sempre procurando encontrar a Deus, e compreender sua revelação frente a nossos olhos.
Diácono Luciano José Dias
3. “BIBLIOGRAFIA”
MESQUITA, ANTÕNIO GALVÃO. A Santíssima Trindade: O mistério de três pessoas em um só Deus. São Paulo: Ave-Maria, 2000.
GARCIA, D. M. COLOMBÁS, MB. Diálogo com Deus: Introdução à “Lectio Divina”. 2a ed. São Paulo: Paulus, 1996.
MARTINS, EUCLIDES BALANCIN e STARNIOLO, IVO. Como ler o livro do êxodo: O caminho para a liberdade. 2a ed. São Paulo: Paulinas, 1990.
Pe.ANTONIAZZI, ALBERTO. BROSHUIS, INÊS e PULGA, ROSANA. ABC da Bíblia. 29a ed. São Paulo: Paulus, 1984.
1o encontro teológico. Deus onde estás? São Paulo: Loyola, 2000.
Revelar-se é tornar-se visível, e nosso Deus o tem feito a todo instante no decorrer da existência humana, e o faz de várias maneiras, mas muitas vezes o ser humano não entendendo esta revelação se vê perdido na imensidão de seus pensamentos, e por vezes de forma arbitrária acaba se posicionando de forma contrária a esta revelação, vindo a não aceita-la em sua vida. Em contra partida, Deus se torna cada vez mais perceptível ao olhar humano, enviando seu próprio filho e revelando-se por completo em suas obras.
Mas para muitos, este gesto revelador ainda não foi o bastante para aceitar a existência de Deus, e continuam incessantemente a procurar respostas que lhes convença da origem das coisas sem a presença viva de Deus em seu meio. E é na perspectiva de mostrar a revelação de Deus em todas as coisas, inclusive na criação que este nosso trabalho seguirá; mas não como critica aos não crentes na revelação, e sim como colírio que limpa, para vista cansada que já não consegue mais perceber que a perfeição do universo tem a marca registrada de um ser perfeito que denominamos DEUS.
1 O Pai
Nenhuma crença ou religião tem um Deus como o nosso. Se formos analisar cada uma delas, veremos que o Senhor, nosso Deus, é o que mais se comunica, o que mais se torna disponível ao toque, ao contato, à sintonia. Nas religiões politeístas, por exemplo, o sentido da revelação das divindades é puramente naturalista e, como tal, sujeito a diversos aspectos, que podem variar conforme suas peculiaridades religiosas.
Mesmo nas religiões monoteístas, como o judaísmo, o islamismo e outras, de cunho protestante ou pentecostal de bases fundamentalistas, constata-se um Deus restritivo, castigador, sujeito a humores, de comportamento instável, que tanto perdoa como castiga e impõe, por meio de seus prepostos, proibições como não beber (alguns proíbem até refrigerantes gasosos), não cortar o cabelo, não usar calças compridas (para mulheres) ou não comer determinada comida.
Nosso Deus não é assim! Conforme A.M.Galvão:
Nosso Deus é um Deus revelado, que colocou toda a natureza e toda a criação nas mãos do homem, para delas usufruir com liberdade e respeito, sem maiores proibições ou ameaças, excerto naquilo que fere o amor, a fraternidade, a convivência entre os homens e a natureza, casa original do ser humano.
O Pai, na pedagogia trinitária, é aquele que gera. É a primeira pessoa da trindade, citado em primeiro lugar no “sinal-da-cruz” e a quem a piedade popular chama mais especificamente de Deus, reservando os termos Filho ou Jesus Cristo para a Segunda Pessoa e o Espírito Santo para a terceira Pessoa – embora todas sejam igualmente Deus, com poder, glória e majestade análogos.
Deus existe desde o “princípio” (cf. Gn 1,1; Jô 1,1), e essa existência se impõe como um fato fundamental que dispensa qualquer explicação. Desse modo, não tem origem nem devir. O Antigo Testamento ignora as teogonias, que nas antigas religiões, especialmente palestinas, explicavam a construção do mundo por meio da gênese dos deuses.
Na patrística encontramos, segundo Taciano (+ 192), um discípulo de São Justino, que afirmou existir em Deus dois logos (ou formas de comunicação). O primeiro, o logos proforikós, retrata sua relação para fora, com a criação (Diatesseron, II, 3).
Por ser “primeiro e último” (cf. Is 41,4; 44,6; 48,12; Ap 1,17), Deus, e no caso de nossa análise presente, o Pai, não tem que se apresentar. Impõe-se ao espírito do homem pelo simples fato de ser Deus. Conhecer a Deus é ser conhecido por ele (cf. Am 3,2) e descobri-lo na origem da própria existência. Fugir dele é ainda sentir-se perseguido por seu olhar (cf. Gn 3,10; Sl 138,7).
Mesmo assim, no episódio da “sarça ardente”, durante o cativeiro do Egito, ele se apresenta a Moisés, no inicio de um grande projeto libertário:
Eu sou, ajuntou ele, o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, e não ousava olhar para Deus (Ex 3,6).
Por ser o Pai quem é, revelando-se por meio de Jesus Cristo e agindo pelo Espírito, dá a conhecer nitidamente sua personalidade (se é correto usar essa expressão), seus projetos e seus desígnios. Por pouco ainda que se saiba sobre ele, desde o instante em que é descoberto, sabe-se que ele quer algo de precioso e que sabe exatamente aonde vai e o que faz.
A absoluta anterioridade do Pai (junto com o filho e o Espírito) está expressa nas tradições do Pentateuco e de suas versões específicas. A tradição J (javista) põe em cena Yahweh (latinizado Javé) que, desde o início do mundo (Gn 2,4b), bem antes da já mencionada ocasião da “sarça ardente” (Ex 3,15), mostra-se ocupado em perseguir seu projeto: “Meu Pai continua agindo até agora...” (Jô 5,17).
A tradição P (Priester kodex, sacerdotal), pelo contrário, sublinha a novidade trazida pela revelação do culto a Deus a partir da Aliança no Sinai. Ao aproximar-se à era Cristã, Israel começa a adquirir a consciência de que Deus é Pai de seu povo e de cada um de seus fiéis. A designação de Pai é mais freqüente nos escritos rabínicos tardios, nos quais se encontra a fórmula “Pai nosso que estais nos céus...” tal e qual foi ensinada por Jesus a seus discípulos (cf. Mt 6,9).
O pai é aquele que gera (cf. Gn 1,27; 2,7), doador da vida (cf. Lc 1,35), amor por excelência (cf. Jô 3,16; 1Jo 4,8-16), rico em misericórdia (cf. Ef 2,4), libertador de seu povo (cf. Ex 3,7s) e cumpridor de suas promessas (Lc 1,55; At 13,33). A oferta do amor de Deus é gratuita. Ele não nos ama por causa de nossos “méritos”, mas porque ele é essencialmente amor e rico em misericórdia. O que salva é o amor de Deus.
Deus Pai é pleno de amor, capaz de, na plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4) dar seu Filho para nos salvar e assim resgatar toda a criação decaída pelo pecado. Santo Agostinho afirma: “Ó feliz culpa de Adão, que com seu pecado ensejou a vinda de Cristo” (O Felix culpa!). Por mais que amemos a Deus ou se tenha amor por suas criaturas, é salutar recordar que ele nos ama muito mais, “e nos amou primeiro” (cf. 1Jo 4,19). O Pai se revelou assumindo nossa humanidade, na encarnação em Nazaré. Ali Deus se humanizou para que o homem se divinizasse.
Em Santa Tereza de Ávila encontramos uma séria advertência a respeito da obrigação de amarmos a Deus:
As almas dos justos sabem e crêem que Deus sempre dá provas de maior amor. Quem se recusa a crer jamais terá a experiência desse amor. Isso posso garantir. O Senhor gosta muito de quem não põe limites às suas obras.
No salmo 138, numa homenagem à presença de Deus junto ao ser humano, o rei-poeta Davi elaborou um hino de louvor e gratidão à ciência e à providência divina.
Senhor, vós me perscrutais e me conheceis,
Sabeis tudo de mim, quando de sento ou me levanto,
De longe penetrais meus pensamentos.
Quando ando e quando repouso, vós me vedes,
Observais todos os meus passos.
A palavra ainda me não chegou à língua,
E já, Senhor, a conheceis toda.
Vós me cercais por trás e pela frente,
E estendeis sobre mim a vossa mão.
Conhecimento assim maravilhoso me ultrapassa,
Ele é tão sublime que não posso atingi-lo.
Para onde irei, longe de vosso Espírito?
Para onde fugir, apartado de vosso olhar?
Se subir até os céus, ali estareis;
Se descer à região dos mortos, lá vos encontrareis também.
Se tomar as asas da aurora,
Se me fixar nos confins do mar,
É ainda vossa mão que lá me levará
E vossa destra que me sustentará.
Se eu dissesse: “Pelo menos as trevas me ocultarão”,
E a noite, como se fora luz, me há de envolver.”
As próprias trevas não são escuras para vós:
E a noite vos é transparente como dia,
E a escuridão, clara como a luz.
Foste vós que plasmastes as entranhas de meu corpo,
Vós me tecestes no seio de minha mãe.
Sede bendito por me haverdes feito de modo tão maravilhoso.
Pelas vossas obras tão extraordinárias,
Conheceis até o fundo a minha alma (Sl 138,1-14).
O aspecto mais sublime da dignidade humana está nesta vocação do homem à comunhão com Deus. Este convite que Deus dirige ao homem, de dialogar com ele, começa com a existência humana. Pois se o homem existe é porque Deus o criou por amor e, por amor, não cessa de dar-lhe o ser, e o homem só vive plenamente, segundo a verdade, se reconhecer livremente este amor e se entregar ao seu Criador (GS 19).
Deus chama pessoalmente, pelo nome, a cada homem, mas, desde o princípio, “aprouve a Deus santificar e salvar os homens não singularmente, sem nenhuma conexão uns com os outros, mas constituindo-os num povo que o conhece na verdade e santamente servisse”. Quis escolher entre as nações da terra o povo de Israel para manifestar-se a Si próprio e revelar os desígnios da sua vontade. Estabeleceu uma Aliança com ele, que foi renovada diversas vezes.
“Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o seu clamor contra os seus opressores e conheço os seus sofrimentos”.
1.2. Deus continua a dialogar com os homens em Cristo
Depois de ter falado pelos Profetas, Deus quer falar ainda mais de perto. Quer revelar-se ainda melhor. Ele o faz através de seu Filho JESUS.
Jesus é o profeta por excelência, o grande enviado de Deus, o seu grande mensageiro, o Filho. Muito mais do que os profetas, ele pode falar de Deus, mostrar quem é Deus.
Jesus mostra o Deus da Aliança, o Deus de amor que se dá até o fim. A bondade de Jesus, a sua misericórdia, a sua exigência, a sua doação até a morte, mostra o amor do seu Pai. “Deus quis que Cristo tomasse “o corpo no qual suas palavras ressoassem autenticamente como palavras de vida.
Jesus, como não poderia deixar de ser, é o ponto central do cristianismo, quando Deus se encarna, tornando-se homem para livrar a humanidade da servidão do pecado. Em muitos lugares, nas leituras profanas e mesmo religiosas, há perguntas sobre a essência do cristianismo, aquilo em que, em última análise, pode ser resumida a religião cristã.
Nesse particular, e vamos nos amparar no teólogo Romano Guardini, todas as respostas formuladas se resumem em uma única palavra: Cristo. Á essência do cristianismo, afirma o teólogo, é Jesus Cristo, e ser cristão, segundo a mesma fonte, consiste em acolher de fato a Cristo como Deus, a palavra (o logos) que se fez homem, padeceu, morreu e ressuscitou. Acolhe-lo como nosso salvador faz parte de nossa inserção ao mistério divino.
No Filho, descobrimos o mistério da comunicação divina, rico em presença, entrega e libertação. Ele é a total revelação do Pai. Sob esse aspecto, vemos que o Filho e o Espírito Santo descobrem a inascibilidade do Pai, e a revelam aos homens. Só podemos entender o mistério de Jesus se o compreendermos como os evangelhos o apresentam, inserido na comunhão trinitária.
(...) porquanto é por ele que ambos temos acesso junto ao Pai num mesmo espírito (Ef 2,18).
O Filho, professamos no Credo, é gerado, não criado. Gerado amorosamente na interioridade trinitária e também por obra do Espírito, como homem no seio de Maria, na encarnação. É não criado visto que é co-eterno com o Pai e o Espírito. Ao gerar o Filho, o Pai lhe entrega tudo. “Tudo o que o Pai possui é meu (...)” (cf. Jô 16,15); Toda autoridade me foi dada no céu e na Terra. (...)” (Mt 28,18).Por isso o Pai lhe entrega a mesma natureza, e dessa natureza dos Dois Divinos (Pai e Filho) vai proceder o Espírito Santo. A relação do Espírito com o Pai e o Filho é de procedência. Segundo P. Evdokimov, “embora o modo próprio de cada uma das Pessoas, há uma condição de comunhão substancial entre os três”.
Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (Jô 3,16).
Hoje, a ciência moderna nos explica que a origem do universo se deu por meio do chamado “Big-Bem”, a Igreja Cristã espalhada pelo mundo não tem o porque questionar esta afirmação, mesmo porque não é competente para isso, no entanto, quem pode nos garantir que esta explosão não é o resultado do amor incondicional entre Pai, Filho e Espírito Santo, que já não se contendo de tanto amor, explode criando tudo que existe em nossa volta? Pois fica aqui este questionamento para que refletindo tentemos limpar nossos olhos que estão ofuscados pela mentalidade agnóstica de nossos tempos.
2. “CONCLUSÃO”
Concluímos que nosso Deus é um Deus que se revela, que se comunica, que procura o homem para dialogar, é um Deus que não age por interesse, mas sim, se coloca ao lado do homem, e coloca toda a natureza e toda a criação nas mãos do homem, é um Deus que só quer a amizade do homem e poder chamá-lo de Filho. Concluímos também que esse Deus existe desde o princípio e é Pai Filho e Espírito Santo, (um exemplo de Família para o homem) e nós só existimos porque Ele nos criou, nos ama e nos conhece no mais intimo de nosso ser. Esse amar e conhecer nos coloca diante de Jesus Cristo, que é a maior prova de amor de um Pai para com um filho, um Deus que sabendo das necessidades do homem, passa a ser um Pai que atende o clamor do povo, e se encarna fazendo-se homem, sofrendo como homem, amando mais do que qualquer homem já amou, e isso só para nos mostrar a sua face, dialogando com todos os homens, e mesmo depois de ter partido, envia-nos o Espírito Santo, para poder assim continuar sussurrando ao nosso ouvido por toda a eternidade, e jamais nos deixar sós.
Chegamos a conclusão de que esse Deus esta ao nosso lado quando sofremos, e mesmo nas desgraças continua se fazendo presente a nos consolar.
O ser humano, em contra partida, vive a procurar por esse Deus, e nessa procura incessante acaba desviando-se dele, e muitas vezes não consegue reconhecer a sua presença em todos os momentos de sua vida, nas coisas mais simples e belas do cotidiano, não são capazes de ver que Deus está na criação cultivada pelos homens e mulheres de boa vontade. Deus está no entusiasmo daqueles que acreditam que a “guerra” e a “violência” não são as ultimas palavras da existência. Deus está no sangue dos que lutam pela justiça, dos que combatem todo sistema que oprime o ser humano e a natureza. Deus está na esperança que move o coração, que o impulsiona na luta para que o Reino por Cristo anunciado se torne concreto em nosso meio. Deus está na defesa dos direitos de uma maioria desfavorecida, marcada pelo preconceito, pelo desprezo e pela indiferença de uma minoria acomodada em seu esbanjamento. Deus está nos pequenos e grandes gestos de solidariedade e compaixão. Deus está nos corações dos que amam de verdade, dos que não se contentam com o que está estabelecido. Deus está nos que lutam para que todos tenham terra, trabalho, saúde, educação, lazer, para que todos tenham vida em abundância. Deus está nos pobres, nos que são marginalizados por sua raça, cor ou condição moral. Deus está na Beleza da natureza, na luta pela paz e pela justiça, no sorriso das crianças e na bonita experiência dos idosos. Deus está mais perto de nós do que imaginamos, Ele está no irmão a nosso lado, que compartilha conosco todos os momentos de busca e de descoberta.
Mas no decorrer da história humana, vemos que homens quiseram ser Reis, Reis quiseram ser Deus, mas somente Deus quis ser homem e habitar entre nós.
O caminho percorrido para chegarmos ate a conclusão deste trabalho nos levou antes de tudo a refazermos a experiência de Deus, deixando que Ele mesmo falasse aos nossos ouvidos, dirigi-se a nossa mente e guia-se cada um de nossos passos, e o resultado desta experiência ficará eternamente guardado em nossos corações, porem um pouco desta gratificante experiência esta contida nestas linhas que se seguiram até aqui, sabemos no entanto, que todas os palavras contidas no universo são demasiadas pobres para descrevermos o quanto é grande o amor de Deus para conosco.
Pudemos averiguar que por meio da oração nós falamos diretamente a Deus, e por meio das Sagradas Escrituras, igualmente Ele nos fala.
Mas Deus não está preso nas Escrituras, pois mesmo quando não a lemos, Ele dá um jeitinho de se comunicar com seus filhos tão amados.
Ele se manifesta e se revela na criação do universo, na luz das estrelas, na relação intima entre a Terra e a Lua, nos enormes buracos negros existentes no universo, na expansão e na finitude do cosmos, no aparecimento no céu de uma supernova, na extinção de uma estrela, no constante movimento de todos os corpos celestes observáveis no céu.
E a nossa maior dificuldade na realização deste, foi exatamente entender essa manifestação de Deus em nosso meio, que muitas vezes acontece de maneira contrária à nossa vontade. Isto ocorre porque não sou Eu, mas sim Ele quem toma a aniciativa de dialogar comigo, tal como um amigo que mostra onde o outro está errando e como pode corrigir o erro.
Neste aspecto vimos que Deus nunca cessa a sua vontade de falar ao homem, e o homem nunca cansa de procurar a Deus. Desta forma nosso trabalho não acaba aqui, mas nos abre a perspectiva de continuarmos sempre procurando encontrar a Deus, e compreender sua revelação frente a nossos olhos.
Diácono Luciano José Dias
3. “BIBLIOGRAFIA”
MESQUITA, ANTÕNIO GALVÃO. A Santíssima Trindade: O mistério de três pessoas em um só Deus. São Paulo: Ave-Maria, 2000.
GARCIA, D. M. COLOMBÁS, MB. Diálogo com Deus: Introdução à “Lectio Divina”. 2a ed. São Paulo: Paulus, 1996.
MARTINS, EUCLIDES BALANCIN e STARNIOLO, IVO. Como ler o livro do êxodo: O caminho para a liberdade. 2a ed. São Paulo: Paulinas, 1990.
Pe.ANTONIAZZI, ALBERTO. BROSHUIS, INÊS e PULGA, ROSANA. ABC da Bíblia. 29a ed. São Paulo: Paulus, 1984.
1o encontro teológico. Deus onde estás? São Paulo: Loyola, 2000.
O Sacramento do Matrimônio
I. 0 Sacramento do Matrimonio
Caminho a Ser Redescoberto
Síntese teológica
“[1]O consentimento pelo qual os esposos se entregam e se acolhem mutuamente é selado pelo próprio Deus. A Aliança dos cônjuges é integrada na aliança de Deus com os homens e as mulheres. O autentico amor conjugal é assumido no amor divino” Toda a vida cristã traz a marca do amor esponsal de Cristo e da Igreja.
“[2]Os protagonistas da aliança matrimonial são um homem e uma mulher batizados, livres para contrair o matrimonio e que expressam livremente seu consentimento”.
“[3]O casamento sacramento é um ato litúrgico. Por isso convém que seja celebrado na liturgia pública da Igreja”.
O sacramento é, em si, uma graça, muito especial de Deus. Além de consagrar o amor conjugal, a vida dos esposos e a família que constroem, o Sacramento aperfeiçoa o amor dos cônjuges e fortalece a sua unidade indissolúvel. Por esta graça os cônjuges se ajudam na santificação mútua e na missão de bem educar os filhos (cf. Cat. Igr. Cat. 1638-1641). Quanto ao vinculo, trata-se de união indissolúvel, isto é, irrevogável. E quanto às responsabilidades, os cônjuges assumem a missão de tudo fazerem para o crescimento e solidificação do amor fiel entre eles, para a felicidade dos filhos e para o testemunho de fé na comunidade.
1. A vida matrimonial não é um refugio
Em se tratando deste tema, poderíamos dizer que muitos consideram a vida conjugal como um lugar apto para resolver os próprios problemas e onde aquelas expectativas ou aspirações pessoais não realizadas possam ser compensadas. Assim a vida matrimonial se tomaria um "refugio", quase um "remédio" para os problemas individuais, ou uma "compensação" às próprias dificuldades ou frustrações.
Neste ponto, duas questões se põem para nos: 1ª.) Não deveria haver um verdadeiro amadurecimento por parte das pessoas antes de optarem pela vida matrimonial? 2ª.) E caso já tenham feito a opção, depois de amadurecidas, descobrissem que suas exigências pessoais divergem das que provocaram a opção inicial?
Numa das perguntas de que consta o rito do matrimonio, se lê: "Viestes aqui para contrair matrimonio, é de livre e espontânea vontade que o fazeis?", ou seja, com plena liberdade, sem coação, plenamente conscientes do significado da vossa decisão?
A expressão "sem nenhuma coação", logo nos faz pensar em coações externas (dar alguns exemplos); normalmente não consideramos se não há coações mais profundas, as interiores, fruto das carências (dar exemplos).
É humano e natural que, todos precisamos de afeto, de carinho, mas se alguém se casa sobre tudo por tais necessidades, o que vira a ser a sua vida, se tais coisas vierem a faltar? Será que um matrimonio resultante duma carência é uma união livre?
=> Algumas Considerações:
1ª) Importa que o individuo (homem e mulher), antes de casar, se encontre como pessoa;
- Aqui se salienta que, a pessoa deve ser senhora de si mesma, ser ela mesma, ter consciência própria, isto é, ser uma pessoa capaz de viver por si mesma, de tal sorte que contrair matrimonio não seja uma "necessidade", uma "compensação", mas se torne o lugar onde se caminha juntos, compartilhando a historia que cada um trouxe (dar exemplo) e juntos se elabora um projeto.
2ª) Não amor - refugio, mas amor aberto para o futuro.
- Conviria repensar o significado amor. Quando muito, ele... somente é considerado sob o aspecto sentimental ( o enamorar-se) ou do aspecto carnal (prazer genital) e não sob o aspecto do "amor- doação", do partilhar tudo (sentimentos, prazer carnal, do material, do espiritual, do econômico), . Enfim crescer juntos em todos os aspectos.
Sem nenhuma pretensão, uma idéia de verdadeiro amor e de matrimonio seria: "Eu não posso prometer que te amarei para sempre, mas posso prometer-te que me conservarei sempre vivo para chamar-te, para precisar de ti, para dialogar, para acolher-te", na verdade isto é, amor - doação. Não e amor - refugio, mas amor criativo, aberto a um projeto que, logo de saída, não se pode conhecer totalmente.
3ª) Os esposos podem tornar-se refugio em situações especiais.
a) Quando para vencer os próprios problemas busca no outro amparo e encorajamento; .
b) Quando um tem a sensibilidade para enxergar que naquele momento ou naquela situação o outro precisa caminhar sozinho;
c) Em momentos em que o outro é pela condição, pelo projeto que tem em comum, se torna ponto de segurança e auxilio. .
4ª) Para que o matrimonio não se tome "refugio", importa que os cônjuges hajam descoberto que a sua opção não se faz em favor de si mesmos, mas a fim de que, juntos, realizem um projeto e façam uma experiência de comunhão (plena, transparente, sem nenhuma restrição), cujo resultado será uma realização própria.
Não se pretende dizer com isto que, na vida matrimonial, as pessoas não sejam estimuladas a crescer; muito pelo contrário, elas crescem precisamente quando sabem viver uma experiência autentica de comunhão.
5ª) A experiência da vida a dois poderá desenvolver e amadurecer as pessoas, principalmente no compartilhar da liberdade.
- Só quem prova e saboreia a própria liberdade saberá respeitar e aceitar a liberdade alheia.
Moises, fugindo do Egito e vivendo a liberdade ao Pé do Sinai, provou o seu calor e quis comunica-la a todo o seu povo, e por isso voltou para o Egito, a fim de empreender e orientar a grande caminhada do seu povo rumo a libertação.
Quem viveu e vive no "egoísmo" (o centro de tudo e ele) não vivera livremente e não saberá aceitar a liberdade alheia.
6ª) A Bíblia e, em particular, o Evangelho movem-se em dois pares de trilhos: a pessoa e a comunidade. Eles jamais são postos em antítese, antes postulam-se mutuamente.
- A pessoa terá condições de manifestar-se e crescer caso estabeleça relações com outros e, de modo especial no caso do matrimonio, com a comunidade.
Dai lembrarmos como e frutuoso que a Igreja organize em sua pratica pastoral os chamados movimentos de casais ou pastoral familiar.
O casal também se forma na convivência com outros casais.
O casal deverá também, a exemplo da comunidade receber dos dons e carismas de outros casais.
2. A mulher na vida conjugal e na sociedade
=> Sobre este tema, partamos da seguinte premissa: “0 casamento como sociedade de duas pessoas com iguais direitos e deveres, é um objetivo ainda a ser alcançado, uma experiência que poucos casais Já conseguiram ou conseguem realizar”.
O que nos leva a fazer tal afirmação:
a) Do ponto de vista econômico:
1° Algumas mulheres lamentam que não fazem a mínima idéia de quanto ganha o marido;
2°. - Outras alem de não saberem quanta o marido ganha, não gozam de disponibilidade sobre a misteriosa renda;
3°._ Outras não são co-proprietárias de bem algum material;
b) De referencia domestica:
1° Boa parte dos maridos deixa por conta da esposa todo o "fardo" da direção da casa, mesmo quando ambos trabalham;
2° Muitas estão persuadidas de que sua faina caseira e algo óbvio e devido;
3° Algumas se queixam de não poderem mudar tal situação diante da prepotência do marido;
Sem duvida, a tradição tem - a este respeito muita culpa a confessar.
A seguir vamos levantar alguns pontos que nos ajudarão a refletir melhor sobre esta temática.
1. O relacionamento homem-mulher
Este nunca foi um relacionamento fácil, mas, desde sempre, uma esperança ou expectativa, um sonho sempre perseguido e sempre desvanecido. Em nossos dias, ele estalou, em certos casos estilhaçou-se definitivamente, dai temos:
a) separações que acabam por findar em divórcios;
b) esta explosão se deve ao despertar da mulher que, primeiro isoladamente e depois em grupos, conscientizou-se de sua dependência do homem;
c) muitas vezes a mulher se tomava um desfrute para o homem: prazer sexual de graça, oficial e ate porque não dizer sacralizado (através do matrimonio), roupa lavada e comida na mesa; (exemplo da pratica pastora).
Mas também temos aquelas que preferem deixar a situação como esta:
d) aquelas que pelo medo ou pela idéia "dos males o menor", ou ainda, a sorte dos filhos;
e) a pressão eclesial sobre a indissolubilidade do matrimonio; (exemplo da pratica pastora).
f) ruim com ele, pior sem ele;
Relegada em casa, responsável pelo lar e pelos filhos,não lhe restava tempo nem disposição para viver a própria presença na vida social ou eclesial. E os filhos, crescendo, deparavam nela urna mulher capaz de amar, porem nem sempre de compreender os seus problemas, devido em parte aos novos ares e a mentalidade respirada por eles fora de casa.
E, magoada por isso, ela testemunhava o mal-estar da incomunicabilidade.
Ademais a mãe, apegando-se aos filhos com exclusivismo, pelo simples motivo de estar o pai normalmente "ausente" de casa ou descarregar nela o cuidado da mesma, vivia o relacionamento com eles sob a forma de compensação inconsciente, criando assim problemas educativos.
E hoje? Sem duvida a grande maioria das mulheres não se conforma com essa situação de dependência e exige igualdade de responsabilidade com o marido e a possibilidade de antes de ser mãe, ser pessoa.
Começamos a ter o que chamamos de "redefinição dos papeis", esta produz, por si mesma, incertezas, inseguranças e rachaduras na vida de alguns. Outrora, quem resolvia, ao menos oficialmente, era o homem; ele era o cabeça da família e da mulher, e isso gerava uma hierarquia, uma ordem (dar um exemplo familiar). Agora, com a mulher a reivindicar paridade de peso nas opções e decisões, a unidade do casal parece fragmentar-se.
Na verdade, tínhamos uma falsa unidade, pois, unidade numa situação em que um decide e outro simplesmente aceita, não nos parece exatamente unidade.
Ao contrario, a unidade deve ser aquela situação de quem vive a escolha junto com o outro, de par, apesar da diversidade de idéias, opiniões e sensibilidade.
2. O problema dos respectivos papeis
Não resta duvida que os grupos de mulheres estigmatizados como feministas, com sua reivindicações nos ajudam pelo menos a refletir os problemas reais e sempre mantidos em silencio. Nós todos fomos educados para distinguir entre os papeis do homem e da mulher; o homem que trabalho e ganha o sustento da casa e a mulher que fica em casa "sem fazer nada".
Este "sem fazer nada", pode ser contemplado dentro do seguinte elenco:
1. limpar e zelar pela casa;
2. cozinhar;
3. lavar e passar;
4. educar os filhos;
5. preocupação com mil coisas que ninguém imagina ou observa e que, não obstante, são onerosas e indispensáveis.
Todo casal deve libertar-se das discriminações internas.
Não estamos dizendo que os esposos tenham o mesmo comportamento: o Importante e que se sintam iguais em dignidade, na capacidade de dialogar, de dividir tarefas, enfim, de participar.
A este respeito, convêm por em discussão o "machismo" .
3. Casar Na Igreja. Por quê?
Eis uma pergunta que se vai tomando cada vez mais freqüente e interpeladora. Ate poucos anos, ela só brotava na mente de raríssimas pessoas. Casar na Igreja (que o povão dizia: "casa no padre") era parte imprescindível, ate porque não uma condição para os que queriam se casar. E ate, porque não dizer, na maioria dos casos tratava-se de uma integração global entre a vida de fé e o ambiente social, entre a paróquia e o chão natal. Podemos ate traçar um itinerário que de maneira tranqüila fazia parte da vida da família:
1. Nascimento = era importante batizar;
2. Desenvolvimento = freqüentar a catequese – 1ªComunhão;
3. A caminho da maturidade = ser crismado;
4. E, por fim, casar na Igreja = Matrimonio;
5. Sem falar naqueles que no final deste itinerário optavam pelo sacerdócio = Ordem.
Havia uma forte identificação entre nascimento e casamento religioso. "Nascia-se cristão" e ninguém virava cristão com o correr dos anos, era uma situação que vinha do berço.
Posta a questão, vamos levantar algumas interrogações:
1. Seria o casamento religioso a (mica maneira de se casar?
2. Deve o casamento, para ser tal ou ser autentico, contrair-se necessariamente na Igreja?
3. O casal que venha se recusar casar na Igreja deveria por isso ter-se por não casados?
4. Sendo o amor o constitutivo do matrimonio, pergunta-se, não poderia ele existir também fora da celebração religiosa do casamento?
A maioria das pessoas, pelo menos no ambiente da nossa sociedade, ainda opta por casar na Igreja, muito embora o percentual dos que casam só civilmente ou vivem ajuntados vem se elevando e esta em franca ascensão. Mas, se perguntarmos a quem casa no religioso o motivo ou motivos de assim o fazerem, obteríamos motivações variadas e por vezes contraditórias, aqui vão algumas delas:
- Muitos o fazem em virtude de vínculos "naturais" ou seja, na família sempre foi assim, e chegam a pasmar quando ficam sabendo da necessidade de uma preparação para os noivos.
- Há os que o fazem para evitar criticas ou atritos com a parentela e amigos, de forma a não ter que ouvir coisas do tipo: "onde já se viu não casar na Igreja " .
- Algumas mulheres são movidas pelo bom e velho sonho de entrar na igreja conduzida pelo pai e vestida de branco.
- Alguns casais o fazem 'em função da "teatralidade" que vêem neste evento, e o que e pior ainda muitas vezes com a conivência de muitos sacerdotes, os quais não tem um pingo de preocupação para limitarem aos excessos. E, em alguns casos e uma boa fonte de renda ($). Alguns se justificam dizendo:
"Já que eles querem, então terão que pagar".
- Outros são motivados por sentimentos "religiosos" porem ainda não de fé.
Casam no religioso, porque entendem que é bom receber a benção de Deus, do padre para a sua união.
Sabemos que um cristão, um católico que vive verdadeiramente a sua fé na comunidade ec1esial, faz deste momento, uma verdadeira ocasião e comunhão com Deus e com a comunidade.
A seguir vamos ponderar alguns pontos na tentativa de responder as questões que fizemos anteriormente.
a) Casar na Igreja não é o único modo de se casar
1. A opção de casar na Igreja não se contrapõe ao casamento civil, nem sequer ao "amasiar-se". Isto significa que não há como negar que também no casamento civil e no amasio podem estar presentes valores tais como amor, fidelidade, compromisso de abertura a vida e as eventuais dificuldades da vida a dois.
2. Faz-se necessário reconhecer que também no ambiente familiar "meramente" civil e/ou social podem se encontrar e viver valores altamente humanos. Pois no ambiente familiar religioso, ou seja, para o casal que se abriu para a presença eficaz de Deus através do sacramento do matrimonio, sobretudo os valores evangélicos deverão se fazer presentes.
3. Casar na Igreja não indica necessariamente o privilegio de comprometer-se com o amor, a fidelidade, a indissolubilidade, valores estes que podem, também ser praticados por casais que se uniram apenas civilmente.
4. Casar na Igreja é uma opção de fé e, por isso, só pode ser praticado por pessoas adultas e maduras, já que o Batismo em nossa Igreja normalmente e "conferido" quando ainda não se tem consciência; o mesmo ocorrendo com a Eucaristia e a Crisma são celebrados numa idade ainda condicionada pelo ambiente e os pais.
b) Qual o significado de casar-se na Igreja?
1. É reconhecer que o próprio amor nasce de Deus, e só permitindo que Deus habite entre os cônjuges, que o casal se dará uma oportunidade ainda maior do seu amor ser duradouro e crescer. (cf 1 Jo 4, 16).
2. E optar por viver o próprio casamento/matrimonio na presença de Deus, ou melhor, em constante confronto e escuta da sua Palavra e na vivencia eclesial. Neste sentido podemos afirmar que casar-se no Senhor e casar com o Senhor!
3. É conscientizar-se de que o amor do homem e da mulher e presença de Deus; ou seja, no amor do homem e da mulher, Deus inicia e perfaz a sua aliança com a humanidade e, assim, tem inicio a Igreja.
4. E reconhecer que o amor é um dom; e todo o dom que Deus outorga é dado por Ele para proveito de todos.
5. Por ultimo eu diria que, para que o casal possa vivenciar tudo o que falamos acima, e preciso aquela famosa "atitude de fé", mas, uma fé adulta e madura.
Como seres humanos (homens e mulheres), os esposos devem num primeiro momento viver o amor humana e plenamente, mas como cristãos devem vivê-lo oferecendo-o a Deus, porque Deus entende realizar por meio deste amor, grandes coisas em prol da sua Igreja e da humanidade. Os cônjuges não podem e não devem privatiza-lo: seria o mesmo que privatizar o sacerdócio! Não é por acaso que os sacramentos do Matrimonio e da Ordem são chamados de sacramentos de serviço.
Dando prosseguimento aos tópicos do conteúdo programático
4. O matrimonio como aliança de Deus com os homens
Para Inicio de Conversa
- Amar e natural, e humano, como natural e humano é casar-se.
- O casamento já existia antes de Cristo, como também fora do ambiente da Sagrada Escritura.
- A esta altura,talvez devamos nos perguntar:
1°. Quando que a aliança entre o homem e a mulher passou ser sinal da aliança de Deus com os homens?
2°. Nos dia de hoje, a partir da expressão matrimonia-sacramento, é possível convencer aos casais da indissolubilidade do vinculo matrimonial?
3°. Sem duvida amar-se para sempre e com fidelidade faz parte do modo de viver e o casamento celebrado diante do altar, do sacerdote e da comunidade eclesial, mas seria possível reduzir o casamento ao compromisso moral de indissolubilidade?
4°. Seria possível relegar ao sacramento a categoria de mera lei e não de dom, ou melhor, dum encontro com a graça que vivifica e infunde esperança?
É preciso reconhecer que, nos últimos séculos, a Igreja atendeu mais a moral conjugal (ditando normas e regras de convivência para o casal), preocupando-se menos com anunciar a "boa nova" de Deus a respeito, como situação na qual Deus habita e onde o seu Reino encontra o limiar da semeadura.
A novidade evangélica trazida pelo mestre Jesus devera também ser traduzida na vivencia da vida a dois (principio da igreja domestica / família); assim temos na vida matrimonial, como descoberta dum altíssimo valor, a semelhança do "mercador que, tendo encontrado uma perola valiosíssima, vai e vende tudo o que tem ".
Então, a moral deixa de ser uma privação, um sacrifício, um dever, para tomar -se a maneira de exprimir e por em circulação uma "riqueza" que foi descoberta. O casal cristão (os esposos), como veremos mais adiante, passa a ser sacramento (símbolo - sinal) quando proclamam: "Vinde e vede as maravilhas que Deus opera no intimo do nosso amor.
Urge redescobrir a linha evangélica do matrimonio, de preferência a ético - moral.
"Se teimarmos em falar de leis, o homem sentir-se a cada vez mais acabrunhado e incapaz de observa-las" (Card. Daneels).
a) Com a palavra: a Bíblia
A vontade de Deus e entrar em comunhão com os seres humanos
(homens e mulheres), os quais também deverão estar abertos ao gesto do Deus que vem ao nosso encontro. Ao fazer isto, Ele quer comunicar-lhes a própria vida. Seu desejo e fazer dos seres humanos "filhos e filhas", que o sejam de verdade. A criação e sem duvida o grande gesto com que Deus começa a comunicar-se. Todas as criaturas, o sol, a lua, as estrelas, as plantas, os animais, são "sacramentos" de Deus, i. é., sinais, vestígios nos quais se pode vislumbrar, embora parcialmente, alguma coisa de Deus!
b) Entre as criaturas sobressaem, no livro do Gênesis, homem e a mulher, chamados a serem, juntos, "imagem e semelhança de Deus".E aqui que se descobre a relação, o vinculo que se toma "sinal', "sacramento" de Deus, ou seja, o amor que leva o homem a "abandonar seu pai e sua mãe para unir-se a sua mulher e se tornarem uma só carne" e imagem e expressão da vida intima de Deus, que e amor, relação.
c) Uma vez que o casal é imagem e semelhança, é sinal que Deus habita neles e, habitando, se manifesta e revela. O homem e a mulher, amando-se vivem da vida mesma de Deus, porque Deus habita com eles e firma comunhão com e entre eles.
d) A palavra dos profetas: Eles anunciam que Deus quer contrair uma aliança com os homens.
"Aliança" é um termo próprio do nosso tempo, que abrange vários significados. Indica:
Perene amizade entre duas pessoas ou povos; Solidariedade em defender-se ou ajudar-se; Participação e comunhão na vida e meios de crescimento recíproco.
Os profetas, ao fazerem uso do termo "aliança", acentuam que Deus ama o povo, quer morar com ele e faz no intuito de suscitar seu crescimento, tomando-o mais povo, cujas pessoas, acolhendo-se e amando-se em liberdade e na justiça, formem uma comunidade, "uma só carne" (como no matrimonio).
Para anunciar e descrever a aliança que Deus tenciona contrair com seu povo, os profetas não encontram nada melhor do que falar do amor do homem e da mulher. Por isso, aliança e descrita em termos núpciais.
d) No Novo Testamento, tomemos como referencia o apostolo...
I. Família...Mas Que Família?
Para Inicio de Conversa...
Muito se fala em nossos dias sobre a família, vejamos algumas dessas falas de efeito:
- Família é boa somente para se fotografada.
- A família do passado. Esta sim que era boa.
- É preciso "recuperar" a família de ontem.
- É preciso que a família seja intimista, toda particular.
- Em breve a família vai acabar.
- Mas, a família é ainda uma das instituições dignas de credito.
- Família, família, família... Sempre de novo a família!
A final de contas, que família queremos? Qual o perfil "ideal" do casal em nossos dias, com relação aos pares de ontem? Que mistério esconde a mesma da família e casa onde corações se amam e divergem, lutam, choram e se alegram? o que significa "transmitir a fé" em família, em nossos tempos? E ainda a família a "Igreja" domestica? Ainda há sentido em nossos dias a fidelidade no casamento? E por que tantos casais se separam em tão curto prazo de união?
É possível falar e viver uma espiritualidade conjugal? E as meninas que chamamos de mães solteiras?
Não há duvida, vivemos um tempo decisivo para a Igreja e para a família. Fala-se da necessidade de uma nova evangelização, no entanto, é preciso que a apresentação da Boa Nova do casamento (matrimonio) e da família seja feita de tal forma que as pessoas tocadas por ela. Fundamental será que antes e depois da celebração do casamento todos sejam levados a refletir, a pensar. Quem sabe, o que chamamos de Pastoral Familiar inclua no seu campo de ação, a possibilidade real das pessoas discernirem, refletirem e a repensarem sempre o projeto inicial do casamento e da família. É certo que a vida conjugal e familiar não poder ser construída sobre os seguintes ingredientes: "qualquer de repente", improviso, imaturidade e irresponsabilidade.
Faz-se necessário construir uma família nova para novos tempos. Tudo bem, estamos de acordo que é preciso trabalhar pela família. Mas que família?
II. Temas Relevantes Sobre o Assunto
1. O Casal Em Nossos Dias
1°. A família é um fato social muito antigo. Alias diga-se de passagem, a família é a primeira experiência de vida social que nós seres humanos experimentamos.
2°. Homem e mulher sempre buscaram um ao outro e construíram uma célula (família célula mater da sociedade) para procriação e educação dos filhos.
3°. O modele familiar de nossas sociedades ocidentais foi fortemente influenciado pelo cristianismo e é caracterizado pelo casal formado por um homem e uma mulher que se unem livremente (preferencialmente pelos laços do matrimonio) por toda a vida.
=> Em nosso tempo, temos uma situação nova: "casais homossexuais (masculinos e femininos) que em muitos paises já tem sua união civil reconhecida, mas também querem adotar crianças, 'constituir uma família"'.
Esta união e reconhecida pela sociedade por meio de um dispositivo oficial (legal), o casamento, que tem entre outras finalidades,' a geração e educação de filhos. E, para, aqueles que são batizados, tem também esta união reconhecida e selada pela autoridade eclesiástica através da celebração religiosa do casamento a que chamamos de sacramento do matrimonio.
O que dizer sobre este modelo em nossos dias?.
a) Não há duvida que o mesmo sofre constantes bombardeamento;
b) Porem, não se pode dizer que tenha sido efetivamente abandonado. E grande ainda, o numero de casais que se apóiam nele para viver sua vida conjugal e familiar;
c) Fatos novos a serem verificados: diminui acentuadamente o numero de casamentos civis e de celebrações do matrimonio; aumentou o numero de separações e de divórcios; diminui a taxa de natalidade; muitas crianças são concebidas e geradas fora do casamento (as chamadas "produção independente'); por fim e grande o numero das assim chamadas "uniões consensuais".
d) Há muitas famílias refeitas. Homens ou mulheres que se separam constituem uma segunda e mesmo uma terceira união. Tudo isto nos leva a constatar uma sempre maior fragilidade do modelo conjugal e familiar tradicional. Duas perguntas "cruéis":
1. Estaria este modelo irremediavelmente superado?
2. Uma união por toda a vida empobreceria, de fato, as pessoas que a selassem?
2. Família: Espaço Privilegiado de Realização Pessoal
O Documento de Santo Domingo, resultado da reunião dos bispos da América Latina e do Caribe realizada em 1992, assim se exprime a respeito da missão da família: "A missão da família e viver, crescer e aperfeiçoar-se como comunidade de pessoas que se caracteriza pela unidade e indissolubilidade. A família e o lugar privilegiado para a realização pessoal junto com os seres amados' (no. 214).
- Vamos levantar alguns pontos para a nossa reflexão a partir deste texto de Santo Domingo
1. Realmente a família precisa ser lugar de realização pessoal e tornar-se comunidade de pessoas. Pessoas não são coisas e nem animais. A pessoa é marcada por sua inteligência, pela necessidade de manifestar e dar afeto, por sua vontade, por suas riquezas e limitações próprias e pelas características de sua individualidade.
2°. Quando um homem escolhe uma companheira (mulher) e uma mulher escolhe um companheiro (homem) e os dois fundam uma família na qual serão acolhidos os "filhos que Deus vos confiar', como diz o ritual do matrimonio, nasce uma comunidade de pessoas.
A seguir vamos refletir um pouco sobre a família crista.
- Família Crista
Parece-me que a primeira e grande interrogação quando tratamos do presente tema é: No mundo de hoje, como descrever a família e vive-la como tal, ou seja, como Família Crista?
1. Na celebração religiosa do casamento (no
matrimonio), os nubentes falam de sua disposição em receber os filhos que Deus lhes confiar, educando-os na lei de Cristo e da Igreja. Começa a se dar o projeto gestante da família crista.
2°. Refletir sobre a família crista significa por em relevo sua natureza, identidade e missão específicas na Igreja e no mundo.
3°. É a Revelação, i.é., o desígnio salvador de Deus, sua condescendência amorosa com a humanidade, a comunhão de vida e de amor que Deus quis estabelecer e estabeleceu de fato com os seres humanos em seu Filho Jesus Cristo => gerado no ventre materno, nascido de uma mulher, criado e educado no seio de uma família.
4°. Ao falar de família crista, também somos levados a perguntar: que quer Deus, que espera da família?; Como a família entra no piano da salvação de Deus?; Como Deus vê e deseja a família; Qual e seu desígnio sobre ela?; Que luz traz suas palavras e suas obras a família? Como família vivencia o seu aspecto de comunidade? Porque a família aparece na revelação bíblica como realidade profundamente inserida na historia da salvação, que remete a Deus e a seu amor aos humanos? Mais, a própria Trindade (perfeita comunidade) e suas relações de amor, harmonia, cooperação mutua na historia da salvação são o paradigma das relações familiares?
"A família crista e Ícone vivo e vivificante da Trindade por participar da comunhão eterna trinitária".
São muitos os cristãos de nosso tempo que, guiados por sua fé e experiência crista, voltam a descobrir a família, não para reinventá-la nem para considera-Ia como solução (mágica) a seus problemas pessoais e familiares ou como meio para fazer frente a secularização e a perda de valores tradicionais, mas para que sua vida de família, em todos e cada um de seus aspectos, componentes e dimensões, seja verdadeiramente e o mais plenamente possível uma experiência de fé e de Igreja.
A seguir, de forma breve, vamos abordar três aspectos essências, pelos quais e precise passar para se compreender a família crista na eclesial idade.
II - Eclesial idade da família crista
1. Alguns dados da Sagrada Escritura
Antigo Testamento: Na historia da salvação a família judaica tem grande importância. A família estão unidas a aliança, o sacrifício, a circuncisão, as bênçãos.
A família é o lugar das expressões das expressões principais do culto judaico (a refeição do sabat. A oração da manha e da tarde, que inclui o shema Israel etc). Momento muito especial, porque a família recorda a libertação da escravidão do Egito, é a páscoa (cf Dt 32,7; Ex 13,8).
Novo Testamento: Vamos ao encontro de um Jesus, cuja boa parte da missão realiza-se em relação com a família e em situações familiares. Contudo, a família na qual pensa Jesus não é simplesmente a de vinculo natural, e sim uma realidade nova que não é constituída pelos laços e vínculos de sangue, mas filhos e filhas que nasceram de Deus pelo Espírito Santo. É a família dos filhos e filhas de Deus, a Igreja formada por aqueles que no filho de Deus. Jesus Cristo, ...
... Cumprem a vontade do Pai.
É precise nascer de novo => Jo 3, 2-5.
Cumprir a vontade do Pai =>Mc 3,35.
Por isso não é estranho constatar que o cristianismo nasceu e arraigou-se na casa. No ambiente familiar, e mesa, para fração do pão (mais tarde a Eucaristia) e a proclamação da Palavra. A família segundo a carne e superada e transcendida pela fraternidade eclesial. De fato, se o amor esponsal e sinal do amor de Deus por seu povo e da nova e eterna aliança, a família o é da Igreja. Pode-se dizer que as primeiras comunidades organizaram-se em famílias, em grupos familiares aparentados e em casas: a casa era ao mesmo tempo morada da família, núcleo comunitário e o lugar de encontro.
Por outro lado, para São Paulo (Ef 5,21-33), o amor de Cristo pela Igreja é o paradigma do amor e da relação esponsal no matrimonio. O matrimonio cristão assumido na família adquire, por isso, uma dimensão cristológica e outra eclesiológica, a saber:
=>Cristológica: A união conjugal expressa e significa a união de Cristo com a Igreja.
=>Eclesiologica: Os esposos (uma vez pais) e em virtude do sacramento do matrimonio, são células vivas da Igreja, por esta ser sinal do amor e da entrega de Cristo; e se o matrimonio fundamenta a família, toda a família fica constituída em Igreja domestica.
Bibliografia:
[1] Cat. Igr, Cat., 1639.
[2] Cat. Igr. Cat., 1625.
[3] Cat. Igr. Cat., 1631.
01. VILADRICH, Pedro-Juan, Agonia do Casamento Legal, BRAGA (Portugal), Edições Teológica, 1978.
02. SCAMPINI, Pe. Luciano, Casais em segunda união e os Sacramentos, Aparecida - SP - Editora Santuário, 2004.
03. TABORDA, Francisco, Matrimonio -Aliança - Reino, São Paulo - SP,
Edições Loyola, 2001.
04. BORSATO, Battista, O Sacramento do Matrimonio, São Paulo - SP,
Edições Loyola, 1995.
05. OLIVEIRA, João B. e OLIVEIRA, A. de F. Fonseca, Pastoral Familiar,
São Paulo - SP, Edições Loyola, 2003.
06. PAULO II, João (papa), Carta As Famílias, São Paulo - SP, Ed. Paulinas, 1994.
07. PAULO II, João (papa), A Missão da Família Crista no Mundo de Hoje, São Paulo - SP, Edições Paulinas, 1981.
Caminho a Ser Redescoberto
Síntese teológica
“[1]O consentimento pelo qual os esposos se entregam e se acolhem mutuamente é selado pelo próprio Deus. A Aliança dos cônjuges é integrada na aliança de Deus com os homens e as mulheres. O autentico amor conjugal é assumido no amor divino” Toda a vida cristã traz a marca do amor esponsal de Cristo e da Igreja.
“[2]Os protagonistas da aliança matrimonial são um homem e uma mulher batizados, livres para contrair o matrimonio e que expressam livremente seu consentimento”.
“[3]O casamento sacramento é um ato litúrgico. Por isso convém que seja celebrado na liturgia pública da Igreja”.
O sacramento é, em si, uma graça, muito especial de Deus. Além de consagrar o amor conjugal, a vida dos esposos e a família que constroem, o Sacramento aperfeiçoa o amor dos cônjuges e fortalece a sua unidade indissolúvel. Por esta graça os cônjuges se ajudam na santificação mútua e na missão de bem educar os filhos (cf. Cat. Igr. Cat. 1638-1641). Quanto ao vinculo, trata-se de união indissolúvel, isto é, irrevogável. E quanto às responsabilidades, os cônjuges assumem a missão de tudo fazerem para o crescimento e solidificação do amor fiel entre eles, para a felicidade dos filhos e para o testemunho de fé na comunidade.
1. A vida matrimonial não é um refugio
Em se tratando deste tema, poderíamos dizer que muitos consideram a vida conjugal como um lugar apto para resolver os próprios problemas e onde aquelas expectativas ou aspirações pessoais não realizadas possam ser compensadas. Assim a vida matrimonial se tomaria um "refugio", quase um "remédio" para os problemas individuais, ou uma "compensação" às próprias dificuldades ou frustrações.
Neste ponto, duas questões se põem para nos: 1ª.) Não deveria haver um verdadeiro amadurecimento por parte das pessoas antes de optarem pela vida matrimonial? 2ª.) E caso já tenham feito a opção, depois de amadurecidas, descobrissem que suas exigências pessoais divergem das que provocaram a opção inicial?
Numa das perguntas de que consta o rito do matrimonio, se lê: "Viestes aqui para contrair matrimonio, é de livre e espontânea vontade que o fazeis?", ou seja, com plena liberdade, sem coação, plenamente conscientes do significado da vossa decisão?
A expressão "sem nenhuma coação", logo nos faz pensar em coações externas (dar alguns exemplos); normalmente não consideramos se não há coações mais profundas, as interiores, fruto das carências (dar exemplos).
É humano e natural que, todos precisamos de afeto, de carinho, mas se alguém se casa sobre tudo por tais necessidades, o que vira a ser a sua vida, se tais coisas vierem a faltar? Será que um matrimonio resultante duma carência é uma união livre?
=> Algumas Considerações:
1ª) Importa que o individuo (homem e mulher), antes de casar, se encontre como pessoa;
- Aqui se salienta que, a pessoa deve ser senhora de si mesma, ser ela mesma, ter consciência própria, isto é, ser uma pessoa capaz de viver por si mesma, de tal sorte que contrair matrimonio não seja uma "necessidade", uma "compensação", mas se torne o lugar onde se caminha juntos, compartilhando a historia que cada um trouxe (dar exemplo) e juntos se elabora um projeto.
2ª) Não amor - refugio, mas amor aberto para o futuro.
- Conviria repensar o significado amor. Quando muito, ele... somente é considerado sob o aspecto sentimental ( o enamorar-se) ou do aspecto carnal (prazer genital) e não sob o aspecto do "amor- doação", do partilhar tudo (sentimentos, prazer carnal, do material, do espiritual, do econômico), . Enfim crescer juntos em todos os aspectos.
Sem nenhuma pretensão, uma idéia de verdadeiro amor e de matrimonio seria: "Eu não posso prometer que te amarei para sempre, mas posso prometer-te que me conservarei sempre vivo para chamar-te, para precisar de ti, para dialogar, para acolher-te", na verdade isto é, amor - doação. Não e amor - refugio, mas amor criativo, aberto a um projeto que, logo de saída, não se pode conhecer totalmente.
3ª) Os esposos podem tornar-se refugio em situações especiais.
a) Quando para vencer os próprios problemas busca no outro amparo e encorajamento; .
b) Quando um tem a sensibilidade para enxergar que naquele momento ou naquela situação o outro precisa caminhar sozinho;
c) Em momentos em que o outro é pela condição, pelo projeto que tem em comum, se torna ponto de segurança e auxilio. .
4ª) Para que o matrimonio não se tome "refugio", importa que os cônjuges hajam descoberto que a sua opção não se faz em favor de si mesmos, mas a fim de que, juntos, realizem um projeto e façam uma experiência de comunhão (plena, transparente, sem nenhuma restrição), cujo resultado será uma realização própria.
Não se pretende dizer com isto que, na vida matrimonial, as pessoas não sejam estimuladas a crescer; muito pelo contrário, elas crescem precisamente quando sabem viver uma experiência autentica de comunhão.
5ª) A experiência da vida a dois poderá desenvolver e amadurecer as pessoas, principalmente no compartilhar da liberdade.
- Só quem prova e saboreia a própria liberdade saberá respeitar e aceitar a liberdade alheia.
Moises, fugindo do Egito e vivendo a liberdade ao Pé do Sinai, provou o seu calor e quis comunica-la a todo o seu povo, e por isso voltou para o Egito, a fim de empreender e orientar a grande caminhada do seu povo rumo a libertação.
Quem viveu e vive no "egoísmo" (o centro de tudo e ele) não vivera livremente e não saberá aceitar a liberdade alheia.
6ª) A Bíblia e, em particular, o Evangelho movem-se em dois pares de trilhos: a pessoa e a comunidade. Eles jamais são postos em antítese, antes postulam-se mutuamente.
- A pessoa terá condições de manifestar-se e crescer caso estabeleça relações com outros e, de modo especial no caso do matrimonio, com a comunidade.
Dai lembrarmos como e frutuoso que a Igreja organize em sua pratica pastoral os chamados movimentos de casais ou pastoral familiar.
O casal também se forma na convivência com outros casais.
O casal deverá também, a exemplo da comunidade receber dos dons e carismas de outros casais.
2. A mulher na vida conjugal e na sociedade
=> Sobre este tema, partamos da seguinte premissa: “0 casamento como sociedade de duas pessoas com iguais direitos e deveres, é um objetivo ainda a ser alcançado, uma experiência que poucos casais Já conseguiram ou conseguem realizar”.
O que nos leva a fazer tal afirmação:
a) Do ponto de vista econômico:
1° Algumas mulheres lamentam que não fazem a mínima idéia de quanto ganha o marido;
2°. - Outras alem de não saberem quanta o marido ganha, não gozam de disponibilidade sobre a misteriosa renda;
3°._ Outras não são co-proprietárias de bem algum material;
b) De referencia domestica:
1° Boa parte dos maridos deixa por conta da esposa todo o "fardo" da direção da casa, mesmo quando ambos trabalham;
2° Muitas estão persuadidas de que sua faina caseira e algo óbvio e devido;
3° Algumas se queixam de não poderem mudar tal situação diante da prepotência do marido;
Sem duvida, a tradição tem - a este respeito muita culpa a confessar.
A seguir vamos levantar alguns pontos que nos ajudarão a refletir melhor sobre esta temática.
1. O relacionamento homem-mulher
Este nunca foi um relacionamento fácil, mas, desde sempre, uma esperança ou expectativa, um sonho sempre perseguido e sempre desvanecido. Em nossos dias, ele estalou, em certos casos estilhaçou-se definitivamente, dai temos:
a) separações que acabam por findar em divórcios;
b) esta explosão se deve ao despertar da mulher que, primeiro isoladamente e depois em grupos, conscientizou-se de sua dependência do homem;
c) muitas vezes a mulher se tomava um desfrute para o homem: prazer sexual de graça, oficial e ate porque não dizer sacralizado (através do matrimonio), roupa lavada e comida na mesa; (exemplo da pratica pastora).
Mas também temos aquelas que preferem deixar a situação como esta:
d) aquelas que pelo medo ou pela idéia "dos males o menor", ou ainda, a sorte dos filhos;
e) a pressão eclesial sobre a indissolubilidade do matrimonio; (exemplo da pratica pastora).
f) ruim com ele, pior sem ele;
Relegada em casa, responsável pelo lar e pelos filhos,não lhe restava tempo nem disposição para viver a própria presença na vida social ou eclesial. E os filhos, crescendo, deparavam nela urna mulher capaz de amar, porem nem sempre de compreender os seus problemas, devido em parte aos novos ares e a mentalidade respirada por eles fora de casa.
E, magoada por isso, ela testemunhava o mal-estar da incomunicabilidade.
Ademais a mãe, apegando-se aos filhos com exclusivismo, pelo simples motivo de estar o pai normalmente "ausente" de casa ou descarregar nela o cuidado da mesma, vivia o relacionamento com eles sob a forma de compensação inconsciente, criando assim problemas educativos.
E hoje? Sem duvida a grande maioria das mulheres não se conforma com essa situação de dependência e exige igualdade de responsabilidade com o marido e a possibilidade de antes de ser mãe, ser pessoa.
Começamos a ter o que chamamos de "redefinição dos papeis", esta produz, por si mesma, incertezas, inseguranças e rachaduras na vida de alguns. Outrora, quem resolvia, ao menos oficialmente, era o homem; ele era o cabeça da família e da mulher, e isso gerava uma hierarquia, uma ordem (dar um exemplo familiar). Agora, com a mulher a reivindicar paridade de peso nas opções e decisões, a unidade do casal parece fragmentar-se.
Na verdade, tínhamos uma falsa unidade, pois, unidade numa situação em que um decide e outro simplesmente aceita, não nos parece exatamente unidade.
Ao contrario, a unidade deve ser aquela situação de quem vive a escolha junto com o outro, de par, apesar da diversidade de idéias, opiniões e sensibilidade.
2. O problema dos respectivos papeis
Não resta duvida que os grupos de mulheres estigmatizados como feministas, com sua reivindicações nos ajudam pelo menos a refletir os problemas reais e sempre mantidos em silencio. Nós todos fomos educados para distinguir entre os papeis do homem e da mulher; o homem que trabalho e ganha o sustento da casa e a mulher que fica em casa "sem fazer nada".
Este "sem fazer nada", pode ser contemplado dentro do seguinte elenco:
1. limpar e zelar pela casa;
2. cozinhar;
3. lavar e passar;
4. educar os filhos;
5. preocupação com mil coisas que ninguém imagina ou observa e que, não obstante, são onerosas e indispensáveis.
Todo casal deve libertar-se das discriminações internas.
Não estamos dizendo que os esposos tenham o mesmo comportamento: o Importante e que se sintam iguais em dignidade, na capacidade de dialogar, de dividir tarefas, enfim, de participar.
A este respeito, convêm por em discussão o "machismo" .
3. Casar Na Igreja. Por quê?
Eis uma pergunta que se vai tomando cada vez mais freqüente e interpeladora. Ate poucos anos, ela só brotava na mente de raríssimas pessoas. Casar na Igreja (que o povão dizia: "casa no padre") era parte imprescindível, ate porque não uma condição para os que queriam se casar. E ate, porque não dizer, na maioria dos casos tratava-se de uma integração global entre a vida de fé e o ambiente social, entre a paróquia e o chão natal. Podemos ate traçar um itinerário que de maneira tranqüila fazia parte da vida da família:
1. Nascimento = era importante batizar;
2. Desenvolvimento = freqüentar a catequese – 1ªComunhão;
3. A caminho da maturidade = ser crismado;
4. E, por fim, casar na Igreja = Matrimonio;
5. Sem falar naqueles que no final deste itinerário optavam pelo sacerdócio = Ordem.
Havia uma forte identificação entre nascimento e casamento religioso. "Nascia-se cristão" e ninguém virava cristão com o correr dos anos, era uma situação que vinha do berço.
Posta a questão, vamos levantar algumas interrogações:
1. Seria o casamento religioso a (mica maneira de se casar?
2. Deve o casamento, para ser tal ou ser autentico, contrair-se necessariamente na Igreja?
3. O casal que venha se recusar casar na Igreja deveria por isso ter-se por não casados?
4. Sendo o amor o constitutivo do matrimonio, pergunta-se, não poderia ele existir também fora da celebração religiosa do casamento?
A maioria das pessoas, pelo menos no ambiente da nossa sociedade, ainda opta por casar na Igreja, muito embora o percentual dos que casam só civilmente ou vivem ajuntados vem se elevando e esta em franca ascensão. Mas, se perguntarmos a quem casa no religioso o motivo ou motivos de assim o fazerem, obteríamos motivações variadas e por vezes contraditórias, aqui vão algumas delas:
- Muitos o fazem em virtude de vínculos "naturais" ou seja, na família sempre foi assim, e chegam a pasmar quando ficam sabendo da necessidade de uma preparação para os noivos.
- Há os que o fazem para evitar criticas ou atritos com a parentela e amigos, de forma a não ter que ouvir coisas do tipo: "onde já se viu não casar na Igreja " .
- Algumas mulheres são movidas pelo bom e velho sonho de entrar na igreja conduzida pelo pai e vestida de branco.
- Alguns casais o fazem 'em função da "teatralidade" que vêem neste evento, e o que e pior ainda muitas vezes com a conivência de muitos sacerdotes, os quais não tem um pingo de preocupação para limitarem aos excessos. E, em alguns casos e uma boa fonte de renda ($). Alguns se justificam dizendo:
"Já que eles querem, então terão que pagar".
- Outros são motivados por sentimentos "religiosos" porem ainda não de fé.
Casam no religioso, porque entendem que é bom receber a benção de Deus, do padre para a sua união.
Sabemos que um cristão, um católico que vive verdadeiramente a sua fé na comunidade ec1esial, faz deste momento, uma verdadeira ocasião e comunhão com Deus e com a comunidade.
A seguir vamos ponderar alguns pontos na tentativa de responder as questões que fizemos anteriormente.
a) Casar na Igreja não é o único modo de se casar
1. A opção de casar na Igreja não se contrapõe ao casamento civil, nem sequer ao "amasiar-se". Isto significa que não há como negar que também no casamento civil e no amasio podem estar presentes valores tais como amor, fidelidade, compromisso de abertura a vida e as eventuais dificuldades da vida a dois.
2. Faz-se necessário reconhecer que também no ambiente familiar "meramente" civil e/ou social podem se encontrar e viver valores altamente humanos. Pois no ambiente familiar religioso, ou seja, para o casal que se abriu para a presença eficaz de Deus através do sacramento do matrimonio, sobretudo os valores evangélicos deverão se fazer presentes.
3. Casar na Igreja não indica necessariamente o privilegio de comprometer-se com o amor, a fidelidade, a indissolubilidade, valores estes que podem, também ser praticados por casais que se uniram apenas civilmente.
4. Casar na Igreja é uma opção de fé e, por isso, só pode ser praticado por pessoas adultas e maduras, já que o Batismo em nossa Igreja normalmente e "conferido" quando ainda não se tem consciência; o mesmo ocorrendo com a Eucaristia e a Crisma são celebrados numa idade ainda condicionada pelo ambiente e os pais.
b) Qual o significado de casar-se na Igreja?
1. É reconhecer que o próprio amor nasce de Deus, e só permitindo que Deus habite entre os cônjuges, que o casal se dará uma oportunidade ainda maior do seu amor ser duradouro e crescer. (cf 1 Jo 4, 16).
2. E optar por viver o próprio casamento/matrimonio na presença de Deus, ou melhor, em constante confronto e escuta da sua Palavra e na vivencia eclesial. Neste sentido podemos afirmar que casar-se no Senhor e casar com o Senhor!
3. É conscientizar-se de que o amor do homem e da mulher e presença de Deus; ou seja, no amor do homem e da mulher, Deus inicia e perfaz a sua aliança com a humanidade e, assim, tem inicio a Igreja.
4. E reconhecer que o amor é um dom; e todo o dom que Deus outorga é dado por Ele para proveito de todos.
5. Por ultimo eu diria que, para que o casal possa vivenciar tudo o que falamos acima, e preciso aquela famosa "atitude de fé", mas, uma fé adulta e madura.
Como seres humanos (homens e mulheres), os esposos devem num primeiro momento viver o amor humana e plenamente, mas como cristãos devem vivê-lo oferecendo-o a Deus, porque Deus entende realizar por meio deste amor, grandes coisas em prol da sua Igreja e da humanidade. Os cônjuges não podem e não devem privatiza-lo: seria o mesmo que privatizar o sacerdócio! Não é por acaso que os sacramentos do Matrimonio e da Ordem são chamados de sacramentos de serviço.
Dando prosseguimento aos tópicos do conteúdo programático
4. O matrimonio como aliança de Deus com os homens
Para Inicio de Conversa
- Amar e natural, e humano, como natural e humano é casar-se.
- O casamento já existia antes de Cristo, como também fora do ambiente da Sagrada Escritura.
- A esta altura,talvez devamos nos perguntar:
1°. Quando que a aliança entre o homem e a mulher passou ser sinal da aliança de Deus com os homens?
2°. Nos dia de hoje, a partir da expressão matrimonia-sacramento, é possível convencer aos casais da indissolubilidade do vinculo matrimonial?
3°. Sem duvida amar-se para sempre e com fidelidade faz parte do modo de viver e o casamento celebrado diante do altar, do sacerdote e da comunidade eclesial, mas seria possível reduzir o casamento ao compromisso moral de indissolubilidade?
4°. Seria possível relegar ao sacramento a categoria de mera lei e não de dom, ou melhor, dum encontro com a graça que vivifica e infunde esperança?
É preciso reconhecer que, nos últimos séculos, a Igreja atendeu mais a moral conjugal (ditando normas e regras de convivência para o casal), preocupando-se menos com anunciar a "boa nova" de Deus a respeito, como situação na qual Deus habita e onde o seu Reino encontra o limiar da semeadura.
A novidade evangélica trazida pelo mestre Jesus devera também ser traduzida na vivencia da vida a dois (principio da igreja domestica / família); assim temos na vida matrimonial, como descoberta dum altíssimo valor, a semelhança do "mercador que, tendo encontrado uma perola valiosíssima, vai e vende tudo o que tem ".
Então, a moral deixa de ser uma privação, um sacrifício, um dever, para tomar -se a maneira de exprimir e por em circulação uma "riqueza" que foi descoberta. O casal cristão (os esposos), como veremos mais adiante, passa a ser sacramento (símbolo - sinal) quando proclamam: "Vinde e vede as maravilhas que Deus opera no intimo do nosso amor.
Urge redescobrir a linha evangélica do matrimonio, de preferência a ético - moral.
"Se teimarmos em falar de leis, o homem sentir-se a cada vez mais acabrunhado e incapaz de observa-las" (Card. Daneels).
a) Com a palavra: a Bíblia
A vontade de Deus e entrar em comunhão com os seres humanos
(homens e mulheres), os quais também deverão estar abertos ao gesto do Deus que vem ao nosso encontro. Ao fazer isto, Ele quer comunicar-lhes a própria vida. Seu desejo e fazer dos seres humanos "filhos e filhas", que o sejam de verdade. A criação e sem duvida o grande gesto com que Deus começa a comunicar-se. Todas as criaturas, o sol, a lua, as estrelas, as plantas, os animais, são "sacramentos" de Deus, i. é., sinais, vestígios nos quais se pode vislumbrar, embora parcialmente, alguma coisa de Deus!
b) Entre as criaturas sobressaem, no livro do Gênesis, homem e a mulher, chamados a serem, juntos, "imagem e semelhança de Deus".E aqui que se descobre a relação, o vinculo que se toma "sinal', "sacramento" de Deus, ou seja, o amor que leva o homem a "abandonar seu pai e sua mãe para unir-se a sua mulher e se tornarem uma só carne" e imagem e expressão da vida intima de Deus, que e amor, relação.
c) Uma vez que o casal é imagem e semelhança, é sinal que Deus habita neles e, habitando, se manifesta e revela. O homem e a mulher, amando-se vivem da vida mesma de Deus, porque Deus habita com eles e firma comunhão com e entre eles.
d) A palavra dos profetas: Eles anunciam que Deus quer contrair uma aliança com os homens.
"Aliança" é um termo próprio do nosso tempo, que abrange vários significados. Indica:
Perene amizade entre duas pessoas ou povos; Solidariedade em defender-se ou ajudar-se; Participação e comunhão na vida e meios de crescimento recíproco.
Os profetas, ao fazerem uso do termo "aliança", acentuam que Deus ama o povo, quer morar com ele e faz no intuito de suscitar seu crescimento, tomando-o mais povo, cujas pessoas, acolhendo-se e amando-se em liberdade e na justiça, formem uma comunidade, "uma só carne" (como no matrimonio).
Para anunciar e descrever a aliança que Deus tenciona contrair com seu povo, os profetas não encontram nada melhor do que falar do amor do homem e da mulher. Por isso, aliança e descrita em termos núpciais.
d) No Novo Testamento, tomemos como referencia o apostolo...
I. Família...Mas Que Família?
Para Inicio de Conversa...
Muito se fala em nossos dias sobre a família, vejamos algumas dessas falas de efeito:
- Família é boa somente para se fotografada.
- A família do passado. Esta sim que era boa.
- É preciso "recuperar" a família de ontem.
- É preciso que a família seja intimista, toda particular.
- Em breve a família vai acabar.
- Mas, a família é ainda uma das instituições dignas de credito.
- Família, família, família... Sempre de novo a família!
A final de contas, que família queremos? Qual o perfil "ideal" do casal em nossos dias, com relação aos pares de ontem? Que mistério esconde a mesma da família e casa onde corações se amam e divergem, lutam, choram e se alegram? o que significa "transmitir a fé" em família, em nossos tempos? E ainda a família a "Igreja" domestica? Ainda há sentido em nossos dias a fidelidade no casamento? E por que tantos casais se separam em tão curto prazo de união?
É possível falar e viver uma espiritualidade conjugal? E as meninas que chamamos de mães solteiras?
Não há duvida, vivemos um tempo decisivo para a Igreja e para a família. Fala-se da necessidade de uma nova evangelização, no entanto, é preciso que a apresentação da Boa Nova do casamento (matrimonio) e da família seja feita de tal forma que as pessoas tocadas por ela. Fundamental será que antes e depois da celebração do casamento todos sejam levados a refletir, a pensar. Quem sabe, o que chamamos de Pastoral Familiar inclua no seu campo de ação, a possibilidade real das pessoas discernirem, refletirem e a repensarem sempre o projeto inicial do casamento e da família. É certo que a vida conjugal e familiar não poder ser construída sobre os seguintes ingredientes: "qualquer de repente", improviso, imaturidade e irresponsabilidade.
Faz-se necessário construir uma família nova para novos tempos. Tudo bem, estamos de acordo que é preciso trabalhar pela família. Mas que família?
II. Temas Relevantes Sobre o Assunto
1. O Casal Em Nossos Dias
1°. A família é um fato social muito antigo. Alias diga-se de passagem, a família é a primeira experiência de vida social que nós seres humanos experimentamos.
2°. Homem e mulher sempre buscaram um ao outro e construíram uma célula (família célula mater da sociedade) para procriação e educação dos filhos.
3°. O modele familiar de nossas sociedades ocidentais foi fortemente influenciado pelo cristianismo e é caracterizado pelo casal formado por um homem e uma mulher que se unem livremente (preferencialmente pelos laços do matrimonio) por toda a vida.
=> Em nosso tempo, temos uma situação nova: "casais homossexuais (masculinos e femininos) que em muitos paises já tem sua união civil reconhecida, mas também querem adotar crianças, 'constituir uma família"'.
Esta união e reconhecida pela sociedade por meio de um dispositivo oficial (legal), o casamento, que tem entre outras finalidades,' a geração e educação de filhos. E, para, aqueles que são batizados, tem também esta união reconhecida e selada pela autoridade eclesiástica através da celebração religiosa do casamento a que chamamos de sacramento do matrimonio.
O que dizer sobre este modelo em nossos dias?.
a) Não há duvida que o mesmo sofre constantes bombardeamento;
b) Porem, não se pode dizer que tenha sido efetivamente abandonado. E grande ainda, o numero de casais que se apóiam nele para viver sua vida conjugal e familiar;
c) Fatos novos a serem verificados: diminui acentuadamente o numero de casamentos civis e de celebrações do matrimonio; aumentou o numero de separações e de divórcios; diminui a taxa de natalidade; muitas crianças são concebidas e geradas fora do casamento (as chamadas "produção independente'); por fim e grande o numero das assim chamadas "uniões consensuais".
d) Há muitas famílias refeitas. Homens ou mulheres que se separam constituem uma segunda e mesmo uma terceira união. Tudo isto nos leva a constatar uma sempre maior fragilidade do modelo conjugal e familiar tradicional. Duas perguntas "cruéis":
1. Estaria este modelo irremediavelmente superado?
2. Uma união por toda a vida empobreceria, de fato, as pessoas que a selassem?
2. Família: Espaço Privilegiado de Realização Pessoal
O Documento de Santo Domingo, resultado da reunião dos bispos da América Latina e do Caribe realizada em 1992, assim se exprime a respeito da missão da família: "A missão da família e viver, crescer e aperfeiçoar-se como comunidade de pessoas que se caracteriza pela unidade e indissolubilidade. A família e o lugar privilegiado para a realização pessoal junto com os seres amados' (no. 214).
- Vamos levantar alguns pontos para a nossa reflexão a partir deste texto de Santo Domingo
1. Realmente a família precisa ser lugar de realização pessoal e tornar-se comunidade de pessoas. Pessoas não são coisas e nem animais. A pessoa é marcada por sua inteligência, pela necessidade de manifestar e dar afeto, por sua vontade, por suas riquezas e limitações próprias e pelas características de sua individualidade.
2°. Quando um homem escolhe uma companheira (mulher) e uma mulher escolhe um companheiro (homem) e os dois fundam uma família na qual serão acolhidos os "filhos que Deus vos confiar', como diz o ritual do matrimonio, nasce uma comunidade de pessoas.
A seguir vamos refletir um pouco sobre a família crista.
- Família Crista
Parece-me que a primeira e grande interrogação quando tratamos do presente tema é: No mundo de hoje, como descrever a família e vive-la como tal, ou seja, como Família Crista?
1. Na celebração religiosa do casamento (no
matrimonio), os nubentes falam de sua disposição em receber os filhos que Deus lhes confiar, educando-os na lei de Cristo e da Igreja. Começa a se dar o projeto gestante da família crista.
2°. Refletir sobre a família crista significa por em relevo sua natureza, identidade e missão específicas na Igreja e no mundo.
3°. É a Revelação, i.é., o desígnio salvador de Deus, sua condescendência amorosa com a humanidade, a comunhão de vida e de amor que Deus quis estabelecer e estabeleceu de fato com os seres humanos em seu Filho Jesus Cristo => gerado no ventre materno, nascido de uma mulher, criado e educado no seio de uma família.
4°. Ao falar de família crista, também somos levados a perguntar: que quer Deus, que espera da família?; Como a família entra no piano da salvação de Deus?; Como Deus vê e deseja a família; Qual e seu desígnio sobre ela?; Que luz traz suas palavras e suas obras a família? Como família vivencia o seu aspecto de comunidade? Porque a família aparece na revelação bíblica como realidade profundamente inserida na historia da salvação, que remete a Deus e a seu amor aos humanos? Mais, a própria Trindade (perfeita comunidade) e suas relações de amor, harmonia, cooperação mutua na historia da salvação são o paradigma das relações familiares?
"A família crista e Ícone vivo e vivificante da Trindade por participar da comunhão eterna trinitária".
São muitos os cristãos de nosso tempo que, guiados por sua fé e experiência crista, voltam a descobrir a família, não para reinventá-la nem para considera-Ia como solução (mágica) a seus problemas pessoais e familiares ou como meio para fazer frente a secularização e a perda de valores tradicionais, mas para que sua vida de família, em todos e cada um de seus aspectos, componentes e dimensões, seja verdadeiramente e o mais plenamente possível uma experiência de fé e de Igreja.
A seguir, de forma breve, vamos abordar três aspectos essências, pelos quais e precise passar para se compreender a família crista na eclesial idade.
II - Eclesial idade da família crista
1. Alguns dados da Sagrada Escritura
Antigo Testamento: Na historia da salvação a família judaica tem grande importância. A família estão unidas a aliança, o sacrifício, a circuncisão, as bênçãos.
A família é o lugar das expressões das expressões principais do culto judaico (a refeição do sabat. A oração da manha e da tarde, que inclui o shema Israel etc). Momento muito especial, porque a família recorda a libertação da escravidão do Egito, é a páscoa (cf Dt 32,7; Ex 13,8).
Novo Testamento: Vamos ao encontro de um Jesus, cuja boa parte da missão realiza-se em relação com a família e em situações familiares. Contudo, a família na qual pensa Jesus não é simplesmente a de vinculo natural, e sim uma realidade nova que não é constituída pelos laços e vínculos de sangue, mas filhos e filhas que nasceram de Deus pelo Espírito Santo. É a família dos filhos e filhas de Deus, a Igreja formada por aqueles que no filho de Deus. Jesus Cristo, ...
... Cumprem a vontade do Pai.
É precise nascer de novo => Jo 3, 2-5.
Cumprir a vontade do Pai =>Mc 3,35.
Por isso não é estranho constatar que o cristianismo nasceu e arraigou-se na casa. No ambiente familiar, e mesa, para fração do pão (mais tarde a Eucaristia) e a proclamação da Palavra. A família segundo a carne e superada e transcendida pela fraternidade eclesial. De fato, se o amor esponsal e sinal do amor de Deus por seu povo e da nova e eterna aliança, a família o é da Igreja. Pode-se dizer que as primeiras comunidades organizaram-se em famílias, em grupos familiares aparentados e em casas: a casa era ao mesmo tempo morada da família, núcleo comunitário e o lugar de encontro.
Por outro lado, para São Paulo (Ef 5,21-33), o amor de Cristo pela Igreja é o paradigma do amor e da relação esponsal no matrimonio. O matrimonio cristão assumido na família adquire, por isso, uma dimensão cristológica e outra eclesiológica, a saber:
=>Cristológica: A união conjugal expressa e significa a união de Cristo com a Igreja.
=>Eclesiologica: Os esposos (uma vez pais) e em virtude do sacramento do matrimonio, são células vivas da Igreja, por esta ser sinal do amor e da entrega de Cristo; e se o matrimonio fundamenta a família, toda a família fica constituída em Igreja domestica.
Bibliografia:
[1] Cat. Igr, Cat., 1639.
[2] Cat. Igr. Cat., 1625.
[3] Cat. Igr. Cat., 1631.
01. VILADRICH, Pedro-Juan, Agonia do Casamento Legal, BRAGA (Portugal), Edições Teológica, 1978.
02. SCAMPINI, Pe. Luciano, Casais em segunda união e os Sacramentos, Aparecida - SP - Editora Santuário, 2004.
03. TABORDA, Francisco, Matrimonio -Aliança - Reino, São Paulo - SP,
Edições Loyola, 2001.
04. BORSATO, Battista, O Sacramento do Matrimonio, São Paulo - SP,
Edições Loyola, 1995.
05. OLIVEIRA, João B. e OLIVEIRA, A. de F. Fonseca, Pastoral Familiar,
São Paulo - SP, Edições Loyola, 2003.
06. PAULO II, João (papa), Carta As Famílias, São Paulo - SP, Ed. Paulinas, 1994.
07. PAULO II, João (papa), A Missão da Família Crista no Mundo de Hoje, São Paulo - SP, Edições Paulinas, 1981.
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